{"id":16929,"date":"2013-11-29T11:55:57","date_gmt":"2013-11-29T11:55:57","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=103882"},"modified":"2013-11-29T11:55:57","modified_gmt":"2013-11-29T11:55:57","slug":"doentes-mentais-morrem-nas-maos-da-policia-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/11\/ultimas-noticias\/doentes-mentais-morrem-nas-maos-da-policia-nos-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Doentes mentais morrem nas m\u00e3os da pol\u00edcia nos Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_103883\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/kayla640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-103883 \" alt=\"kayla640 629x419 Doentes mentais morrem nas m\u00e3os da pol\u00edcia nos Estados Unidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/kayla640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Doentes mentais morrem nas m\u00e3os da pol\u00edcia nos Estados Unidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Kayla Moore, na foto com sua sobrinha, sofreu uma crise mental e morreu sob cust\u00f3dia policial. Sua irm\u00e3, Maria Moore, lembra dela em uma comemora\u00e7\u00e3o por seu anivers\u00e1rio. Foto: Doug Oakley\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Berkeley, Estados Unidos, 29\/11\/2013 \u2013 Pelo menos metade das 375 a 500 pessoas que morrem por ano pelas m\u00e3os da pol\u00edcia nos Estados Unidos sofrem uma doen\u00e7a mental, segundo pesquisa dos jornais Portland Press Herald e Maine Sunday Telegram. Um desses casos \u00e9 o de Kayla Xavier Moore, que sofria de esquizofrenia paranoica.<\/p>\n<p>Pouco antes da meia-noite do dia 12 de fevereiro, o vizinho de Kayla Moore ligou para o 911, n\u00famero de emerg\u00eancia que conecta pol\u00edcia, bombeiros e servi\u00e7os de sa\u00fade. Moore, de 41 anos, n\u00e3o havia tomado seus medicamentos e estava muito agitada. Seu vizinho pensou que a levariam para um hospital psiqui\u00e1trico, a medicariam e devolveriam para sua casa em 72 horas, como de costume.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi o que aconteceu. A pol\u00edcia da cidade de Berkeley descobriu que Moore tinha uma ordem de pris\u00e3o pendente e decidiu det\u00ea-la. Quando os agentes tentaram algem\u00e1-la, ela, que tamb\u00e9m era afro-norte-americana, e transg\u00eanero, resistiu e morreu. O m\u00e9dico legal determinou que seu falecimento se deu devido a obesidade, consumo de drogas e doen\u00e7a cardiovascular, mas a fam\u00edlia de Moore acusa a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Moore n\u00e3o protagonizou um dist\u00farbio que representasse algum perigo, contou sua irm\u00e3, Maria Moore, representante dessa comunidade do Estado da Calif\u00f3rnia em uma reuni\u00e3o sobre o incidente. \u201cQuando voc\u00ea coloca suas m\u00e3os em algu\u00e9m esquizofr\u00eanico paranoico, que n\u00e3o confia na pol\u00edcia, essa pessoa vai resistir\u201d, afirmou. \u201cSe os policiais tivessem parado por um minuto para ouvir e entender a situa\u00e7\u00e3o, Kayla estaria viva\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Arthur Moore recorda o dia em que trouxe seu primog\u00eanito do hospital para casa e a alegria que Xavier trouxe \u00e0 fam\u00edlia (este artigo se refere a Xavier, em sua inf\u00e2ncia, com g\u00eanero masculino, e a Kayla, adulta, com o feminino). \u201cXavier sempre foi uma crian\u00e7a feliz. Qualquer coisa a que se dedicava fazia com muita alegria e intensidade\u201d, recordou o pai, em uma entrevista em sua casa. \u201cTinha curiosidade por tudo\u201d, acrescentou. Na medida em que crescia, Xavier se escondeu duas vezes por per\u00edodos prolongados, algo que a fam\u00edlia depois considerou como um sinal de sua enfermidade.<\/p>\n<p>Na idade adulta, Kayla Moore ouvia vozes inexistentes e muitas vezes preferia consumir drogas em lugar dos rem\u00e9dios. Conhecida por seus amigos e fam\u00edlia como poeta, talentosa cozinheira e excelente imitadora, Morre viveu em abrigos, na rua, hot\u00e9is baratos, na casa da fam\u00edlia e, por fim, em um apartamento subsidiado. Quando se instalava em um novo lugar, \u201cde repente, pessoas invis\u00edveis no apartamento come\u00e7avam a persegui-la e ela era obrigada a se mudar novamente\u201d, contou Elysee Paige-Moore, madrasta de Kayla.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios policiais indicam que em princ\u00edpio Kayla cooperou com os agentes na noite em que morreu, saindo do apartamento para falar com eles. Por\u00e9m, quando lhe disseram que seria levada presa, correu para dentro e exigiu uma confirma\u00e7\u00e3o do Escrit\u00f3rio Federal de Investiga\u00e7\u00f5es (FBI). Os policiais pediram refor\u00e7o para dominar Kayla, de 157 quilos, at\u00e9 que a colocaram de bru\u00e7os sobre um colch\u00e3o no ch\u00e3o. V\u00e1rios agentes se colocaram por cima dela para algem\u00e1-la e prend\u00ea-la pelos tornozelos. Quando deixou de lutar, a colocaram de lado. De acordo com a pol\u00edcia, nesse momento ela respirava, mas logo deixou de faz\u00ea-lo e n\u00e3o foi poss\u00edvel reviv\u00ea-la.<\/p>\n<p>V\u00e1rios policiais de Berkeley fizeram um curso de 40 horas em Capacita\u00e7\u00e3o para Interven\u00e7\u00f5es em Casos de Crise (CIT), mas nenhum esteve presente durante a deten\u00e7\u00e3o de Moore, e a Equipe M\u00f3vel para Crise, integrada por t\u00e9cnicos em sa\u00fade mental, j\u00e1 havia encerrado suas atividades \u00e0s 23 horas. \u201cSe for ter uma crise de sa\u00fade mental em Berleley, garanta que seja no hor\u00e1rio de funcionamento do escrit\u00f3rio\u201d, disse o comiss\u00e1rio de Sa\u00fade Mental da cidade, Paul Kealoha, em uma reuni\u00e3o comunit\u00e1ria. A CIT se baseia no princ\u00edpio de que as pessoas que experimentam ang\u00fastia devido a doen\u00e7a mental necessitam de compaix\u00e3o e tratamento, n\u00e3o de pris\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAs t\u00e1ticas que nos ensinam na academia nem sempre s\u00e3o as melhores para tratar algu\u00e9m com crise\u201d, reconhece o capit\u00e3o da pol\u00edcia de Filad\u00e9lfia, Fran Healy, em <i>Um Enfoque Integrado de Pacifica\u00e7\u00e3o e Minimiza\u00e7\u00e3o do Uso da For\u00e7a<\/i>, publicado pelo F\u00f3rum Executivo de Pesquisa Policial. \u201cReiteramos aos nossos oficiais que devem desativar o \u2018modo pol\u00edcia\u2019 nessas situa\u00e7\u00f5es. A CIT d\u00e1 aos agentes a consci\u00eancia de quando t\u00eam que mudar seu enfoque e ativar mais o modo trabalhador social\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>Iniciado em Memphis, no Tennessee, em 1988, o curso ensina aos agentes como reconhecer problemas de sa\u00fade mental, t\u00e9cnicas de pacifica\u00e7\u00e3o e a forma de \u201cderivar as pessoas com doen\u00e7as mentais graves do sistema de justi\u00e7a penal para o sistema de cuidados comunit\u00e1rios\u201d, explicou Jeffrey Shannon, coordenador do CIT em Berkeley. Apenas 8% dos policiais de Berkeley t\u00eam treinamento CIT, mas Shannon espera que o n\u00famero suba para 20%. A maioria das duas mil comunidades com esses programas s\u00f3 treina uma fra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a policial. A cidade de Portland, no Estado do Oregon, treina todo o departamento.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o com a comunidade de sa\u00fade mental \u00e9 fundamental para a capacita\u00e7\u00e3o, opinou Laura Usher, diretora do programa CIT com a Alian\u00e7a Nacional de Doen\u00e7a Mental, uma das organiza\u00e7\u00f5es que criou o curso em Memphis. \u00c9 uma parte do curso, as pessoas \u201cs\u00f3 contam suas hist\u00f3rias, como \u00e9 ter uma doen\u00e7a mental, estar em crise e o que se sente quando em recupera\u00e7\u00e3o\u201d, contou. \u201cOs agentes dizem que \u00e9 a primeira vez que veem algu\u00e9m com doen\u00e7a mental que n\u00e3o est\u00e1 em crise\u201d, e se d\u00e3o conta de que s\u00e3o pessoas como eles, afirmou.<\/p>\n<p>Muitas comunidades t\u00eam Equipes M\u00f3veis para Casos de Crise integradas por profissionais de sa\u00fade que atendem pessoas com esse tipo de problema. A equipe de Oakland, na Calif\u00f3rnia, trabalha em conjunto com a pol\u00edcia e est\u00e1 dispon\u00edvel nove horas por dia. Stephanie Lewis, que dirige a equipe, explicou que, quando a pol\u00edcia recebe uma chamada dizendo, por exemplo, que uma pessoa est\u00e1 agitada ou gritando, primeiro confirma que a situa\u00e7\u00e3o seja segura, depois os m\u00e9dicos tentam entrar em contato com a pessoa, chamando-a pelo nome que preferem, modulando seu tom de voz e, sobretudo, com respeito.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o com a pol\u00edcia tem mais de dez anos, pontuou George Karabakakis, diretor da Health Care &amp; Rehabilitation Services, a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que contrata o pessoal da equipe.<\/p>\n<p>Em Berkeley, uma coaliz\u00e3o liderada pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP), o grupo de direitos civis mais antigo dos Estados Unidos, reagiu \u00e0 morte de Kayla pressionando as autoridades da cidade para implantarem equipes m\u00f3veis de crise 24 horas por dia e limitando a participa\u00e7\u00e3o policial em casos de sa\u00fade mental com situa\u00e7\u00f5es de perigo. \u201cTemos que dar sentido \u00e0 morte de Kayla. Temos que conseguir alguma mudan\u00e7a nisto\u201d, enfatizou Maria Moore.<\/p>\n<p><b>Pedidos de ajuda que terminaram mal<\/b><\/p>\n<p>No dia 6 de novembro, em Burlington, no Estado de Vermont, a m\u00e3e de Wayne Brunette chamou a pol\u00edcia e lhes disse que seu filho, adulto, com hist\u00f3rico de doen\u00e7a mental, estava agindo de maneira irracional. O chefe de pol\u00edcia disse ao jornal <i>Burlington Free Press <\/i>que, quando os policiais chegaram, Brunette saiu \u201ccom um pau comprido e pontiagudo e avan\u00e7ou amea\u00e7ador contra eles\u201d. Dois minutos mais tarde, a pol\u00edcia disparou e matou Brunette, pai de dois filhos.<\/p>\n<p>Em maio deste ano, Else Cruz, de New Rochelle, Nova York, ligou para o 911 buscando ajuda m\u00e9dica para seu marido, que estava agitado. Quando os agentes chegaram, ela lhes disse que o marido sofria de esquizofrenia e transtorno bipolar, e que n\u00e3o estava armado. Minutos mais tarde, o homem morreu ap\u00f3s receber disparos no peito.<\/p>\n<p>Em 25 de setembro de 2012, Mohamed Bah, de 28 anos, estudante de finan\u00e7as do Bronx Community College, foi morto a tiros pela pol\u00edcia de Nova York no bairro do Harlem. Como em outros casos, o incidente aconteceu logo depois de sua m\u00e3e ligar para o 911 e pedir ajuda m\u00e9dica, esperando uma ambul\u00e2ncia. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Berkeley, Estados Unidos, 29\/11\/2013 &ndash; Pelo menos metade das 375 a 500 pessoas que morrem por ano pelas m&atilde;os da pol&iacute;cia nos Estados Unidos sofrem uma doen&ccedil;a mental, segundo pesquisa dos jornais Portland Press Herald e Maine Sunday Telegram. Um desses casos &eacute; o de Kayla Xavier Moore, que sofria de esquizofrenia paranoica. 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