{"id":1693,"date":"2006-04-18T00:00:00","date_gmt":"2006-04-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1693"},"modified":"2006-04-18T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-18T00:00:00","slug":"desarmamento-birmania-um-pais-devastado-pela-violencia-e-a-represao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/desarmamento-birmania-um-pais-devastado-pela-violencia-e-a-represao\/","title":{"rendered":"Desarmamento: Birm\u00e2nia, um pa\u00eds devastado pela viol\u00eancia e a repres\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Phonm Penh, 18\/04\/2006 &ndash; Uma recente visita de parlamentares da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (Asean) a um campo de refugiados na fronteira talandesa-birmanesa nos permitiu ter uma pungente vis\u00e3o de um pa\u00eds devastado pela viol\u00eancia e a repress\u00e3o. <!--more--> Agress\u00f5es militares, trabalhos e deslocamentos for\u00e7ados, assassinatos e torturas, cuja responsabilidade cabe ao governo militar da Birm\u00e2nia, levaram milhares e milhares de birmaneses a fugirem para pa\u00edses vizinhos, bem como para a mir\u00edade de campos de refugiados que se alinham pr\u00f3ximo das fronteiras. Estima-se que cerca de 700 mil birmaneses fugiram de seu pa\u00eds e vivem na Tail\u00e2ndia, Mal\u00e1sia, Bangladesh e \u00cdndia.            <\/p>\n<p>O trabalho e o deslocamento for\u00e7ados s\u00e3o praticados para permitir o controle militar sobre a atividade econ\u00f4mica. Muitas pessoas s\u00e3o desalojadas de suas terras para realizar planta\u00e7\u00f5es comerciais e extra\u00e7\u00e3o de recursos naturais, tais como explora\u00e7\u00e3o florestal e tubula\u00e7\u00f5es de g\u00e1s e petr\u00f3leo. A sistem\u00e1tica viol\u00eancia sexual cometida por pessoal militar contra mulheres de diferentes etnias \u00e9 end\u00eamica e est\u00e1 amplamente documentada pela Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da ONU e por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es femininas.<\/p>\n<p>Os parlamentares da Asean, que visitaram o campo de refugiados, ficaram, como eu, profundamente preocupados pela situa\u00e7\u00e3o na Birm\u00e2nia, que o governo militar rebatizou de Myanmar. O atual n\u00edvel de viol\u00eancia seguiu-se \u00e0 chegada ao poder dos integrantes da linha dura, depois da purga do ex-primeiro-ministro general Khin Nyunt, no final de 2004. Desde ent\u00e3o, o regime amea\u00e7ou sufocar de uma vez por todas todos os grupos de oposi\u00e7\u00e3o e insinuou, inclusive, que at\u00e9 grupos que declararam cessar-fogo n\u00e3o est\u00e3o a salvo.<\/p>\n<p>Como muitos campos ao longo da fronteira, o que visitamos, e cujo nome n\u00e3o darei por raz\u00f5es \u00f3bvias de seguran\u00e7a e pol\u00edticas, abriga mais de 20 mil refugiados, incluindo crian\u00e7as mulheres e homens. A guerra e a opress\u00e3o militar t\u00eam um efeito devastador sobre a vida das pessoas, j\u00e1 que deixa as v\u00edtimas em estado de ang\u00fastia, depress\u00e3o e afli\u00e7\u00e3o. Essas pessoas desenvolvem um sentimento de desesperan\u00e7a sobre sua pr\u00f3pria incapacidade de mudar sua situa\u00e7\u00e3o e reconduzir seu futuro. Conscientes de que havia parlamentares da Asean visitando seus lares provis\u00f3rios, os refugiados, que pertencem a diferentes comunidades \u00e9tnicas, aproveitaram a oportunidade para nos lembrar o quanto nossa miss\u00e3o era urgente e necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nos disseram que precisavam de nossa voz para que fal\u00e1ssemos em seu nome, j\u00e1 que suas pr\u00f3prias vozes foram violentamente silenciadas e oprimidas ao serem obrigados a viver em um campo de refugiados e ficarem privados de meios de comunica\u00e7\u00e3o. Nos pediram para dizer ao mundo que eles querem liberdade e Justi\u00e7a, bem como poder retornar aos seus verdadeiros lares. Eu, que sou do Camboja, um pa\u00eds que ainda se recupera da devasta\u00e7\u00e3o causada pelo genoc\u00eddio ocorrido durante o regime de Pol Pot, senti profunda tristeza ao saber pelos refugiados que, entre as muitas tr\u00e1gicas semelhan\u00e7as entre nossas na\u00e7\u00f5es, est\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as como soldados.<\/p>\n<p>Na Birm\u00e2nia, inclusive crian\u00e7as de 11 anos s\u00e3o freq\u00fcentemente retiradas \u00e0 for\u00e7a de suas casas pelos militares e alistadas como soldados no ex\u00e9rcito. Segundo recente informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a Birm\u00e2nia tem, atualmente, o maior n\u00famero de crian\u00e7as-soldado em todo o mundo, estimado em 70 mil. Inclusive aquelas crian\u00e7as que conseguem escapar do servi\u00e7o militar s\u00e3o freq\u00fcentemente escravizadas para fazer trabalhos for\u00e7ados. Como conseq\u00fc\u00eancia desta situa\u00e7\u00e3o, aos jovens freq\u00fcentemente n\u00e3o resta outra op\u00e7\u00e3o sen\u00e3o a de fugir com suas fam\u00edlias para as selvas e evitar amea\u00e7antes &quot;servi\u00e7os&quot; que, com freq\u00fc\u00eancia, levam \u00e0 tortura e \u00e0 morte.<\/p>\n<p>O Camboja est\u00e1 tentando, h\u00e1 mais de 15 anos, se recuperar de seu horr\u00edvel legado. A Birm\u00e2nia, entretanto, n\u00e3o muda h\u00e1 mais do que essa quantidade de anos. A inaceit\u00e1vel utiliza\u00e7\u00e3o na Birm\u00e2nia de crian\u00e7as como soldados e para a realiza\u00e7\u00e3o de trabalhos for\u00e7ados deve ser enfrentada com grande urg\u00eancia. N\u00e3o podemos permitir que as crian\u00e7as continuem vendo a guerra e suas atrocidades como um componente normal de suas vidas. N\u00e3o podemos permitir que sejam perdidas gera\u00e7\u00f5es em meio ao medo, \u00e0 c\u00f3lera e ao desespero. N\u00e3o devemos permitir que se empane o fraco brilho de esperan\u00e7a que ainda h\u00e1 em seus olhos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Son Chhay \u00e9 parlamentar cambojano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Phonm Penh, 18\/04\/2006 &ndash; Uma recente visita de parlamentares da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (Asean) a um campo de refugiados na fronteira talandesa-birmanesa nos permitiu ter uma pungente vis\u00e3o de um pa\u00eds devastado pela viol\u00eancia e a repress\u00e3o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/desarmamento-birmania-um-pais-devastado-pela-violencia-e-a-represao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":251,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,6,4,11],"tags":[],"class_list":["post-1693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-colunistas","category-direitos-humanos","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/251"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1693\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}