{"id":16934,"date":"2013-12-02T17:45:34","date_gmt":"2013-12-02T17:45:34","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104081"},"modified":"2013-12-02T17:45:34","modified_gmt":"2013-12-02T17:45:34","slug":"uma-ugandesa-que-venceu-o-tabu-do-servico-funerario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/uma-ugandesa-que-venceu-o-tabu-do-servico-funerario\/","title":{"rendered":"Uma ugandesa que venceu o tabu do servi\u00e7o funer\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104082\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/REgina.jpg\"><img class=\" wp-image-104082 \" alt=\"REgina Uma ugandesa que venceu o tabu do servi\u00e7o funer\u00e1rio\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/REgina.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Uma ugandesa que venceu o tabu do servi\u00e7o funer\u00e1rio\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Regina Mukiibi Mugongo \u00e9 a primeira diretora de uma empresa funer\u00e1ria em Uganda. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 2\/12\/2013 \u2013 O neg\u00f3cio dos sepultamentos \u00e9 quase t\u00e3o antigo quanto a humanidade. Mas em Uganda, onde grande parte da popula\u00e7\u00e3o associa as pompas f\u00fanebres \u00e0 bruxaria, n\u00e3o \u00e9 qualquer mulher que se atreveria a dirigir uma empresa funer\u00e1ria. Regina Mukiibi Mugongo precisou enfrentar muitos preconceitos e tabus para ser a primeira, quando criou a Funeral Services Ltd. (UFS), h\u00e1 16 anos.\u00a0\u201cTive que enfrentar muita resist\u00eancia. As pessoas me diziam que seria assediada por fantasmas\u201d, contou Mugongo \u00e0 IPS. \u201cDiziam: isso \u00e9 tabu. Como pode fornecer um servi\u00e7o assim? As pessoas lutavam contra mim\u201d, disse esta mulher que organizou milhares de funerais, incluindo os de figuras pol\u00edticas, religiosas, diplom\u00e1ticas e da realeza.<\/p>\n<p>Mugongo deixou uma carreira de 15 anos no antigo Banco Comercial de Uganda para iniciar uma empresa de viagem com seu irm\u00e3o Freddie, agora falecido. Foi durante suas viagens que os irm\u00e3os conheceram os servi\u00e7os oferecidos pelas funer\u00e1rias ocidentais, e se deram conta de que havia um nicho no mercado ugandense.\u00a0Fundaram a UFS em 1997, mas Freddie faleceu um ano depois e Mugongo teve que assumir toda a tarefa. Agora tem 35 empregados e cinco filiais em toda Uganda. A UFS tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica companhia local que integra a organiza\u00e7\u00e3o de funer\u00e1rias da regi\u00e3o dos Grandes Lagos.<\/p>\n<p>Em seu escrit\u00f3rio na sede da UFS, Mugongo exibe com orgulho seus trof\u00e9us. No ano passado, ganhou o Pr\u00eamio para o \u00caxito Empresarial, concedido pela Uganda Women Entrepreneurs Associatede Limited (UWEAL). Em outubro recebeu o pr\u00eamio Mulheres Pioneiras Fenomenais 2013, entregue pela organiza\u00e7\u00e3o norte-americana 100 Black Women of Funeral Service.\u00a0A empresa importa caix\u00f5es dos Estados Unidos (cerca de 125 ao ano) e tamb\u00e9m fabrica caix\u00f5es \u201cdignos\u201d em sua pr\u00f3pria carpintaria. \u201cA demanda \u00e9 por caix\u00f5es feitos em Uganda porque s\u00e3o mais baratos. Os decoramos com ornamentos importados e forramos por dentro com linho\u201d, detalhou Mugongo.<\/p>\n<p>Ela teve a sorte de obter um empr\u00e9stimo informal de US$ 176 mil de um banco local para iniciar sua empresa. Tanto seu bom hist\u00f3rico como banc\u00e1ria, quanto seu diploma em neg\u00f3cios foram vitais para que pudesse ter acesso aos fundos, que devolveu seis anos depois. Mas nem todas as mulheres s\u00e3o t\u00e3o afortunadas. A UWEAL, com 750 membros registrados em dez distritos do pa\u00eds, afirma que at\u00e9 48% dos neg\u00f3cios no pa\u00eds poderiam ser propriedade de mulheres.<\/p>\n<p>Segundo Monica Malega, chefe de pol\u00edticas dessa organiza\u00e7\u00e3o, 60% das integrantes da UWEAL trabalham na agricultura. Ela diz que, apesar de as mulheres serem mais r\u00e1pidas do que os homens para empreender um neg\u00f3cio, enfrentam mais dificuldades, especialmente para ter acesso a terras.\u00a0\u201cPor exemplo, pode ter terra um ano, mas n\u00e3o ter a seguran\u00e7a de que poder\u00e1 us\u00e1-la no ano seguinte, porque, provavelmente, seu marido dir\u00e1 que precisa dela e voc\u00ea planejou um investimento de cinco anos\u201d, disse Malega \u00e0 IPS. \u201cE quando se \u00e9 mulher e se vai ao banco pedir um empr\u00e9stimo, perguntam por seu marido para que tamb\u00e9m assine o documento\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>Desde sua \u00e9poca de banc\u00e1ria, Mugongo concluiu que as mulheres s\u00e3o melhores do que os homens na administra\u00e7\u00e3o do dinheiro. \u201cOs homens talvez estejam dispostos a pagar os empr\u00e9stimos, mas t\u00eam muitos problemas. Acabam usando o dinheiro para outros fins\u201d, afirmou.\u00a0 \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos propriedades, por isso temos que receber um poder notarial de nossos maridos e amigos. Hipotecamos as propriedades de outras pessoas. Por isso se sente essa press\u00e3o, de que se n\u00e3o cumprir sua obriga\u00e7\u00e3o algu\u00e9m perder\u00e1 uma propriedade. As mulheres temem fazer mau uso dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A Autoridade de Investimentos de Uganda, uma ag\u00eancia governamental semiaut\u00f4noma, trabalha para mudar essa situa\u00e7\u00e3o. A ag\u00eancia \u201cest\u00e1 prestes a montar um escrit\u00f3rio no Banco de Desenvolvimento de Uganda para ajudar os grupos de mulheres a terem acesso a financiamento\u201d, disse \u00e0 IPS seu alto executivo em investimentos, Stephen Byaruhanga Rwaheru.\u00a0\u201cA barreira que temos \u00e9 que as taxas de juros ainda s\u00e3o muito altas (de 25% a 30%), e, portanto, \u00e9 dif\u00edcil para as associa\u00e7\u00f5es de mulheres pedirem empr\u00e9stimos\u201d, afirmou. As taxas deveriam cair para 10%, acrescentou. No entanto, Mugongo est\u00e1 otimista sobre o futuro das empres\u00e1rias ugandesas. \u201cPodemos ter sucesso quando somos inovadoras\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 2\/12\/2013 &ndash; O neg&oacute;cio dos sepultamentos &eacute; quase t&atilde;o antigo quanto a humanidade. 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