{"id":16940,"date":"2013-12-03T12:07:11","date_gmt":"2013-12-03T12:07:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104116"},"modified":"2013-12-03T12:07:11","modified_gmt":"2013-12-03T12:07:11","slug":"omc-impotente-diante-da-nova-onda-do-comercio-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/omc-impotente-diante-da-nova-onda-do-comercio-internacional\/","title":{"rendered":"OMC impotente diante da nova onda do com\u00e9rcio internacional"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104117\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/comercio.jpg\"><img class=\" wp-image-104117 \" alt=\"comercio OMC impotente diante da nova onda do com\u00e9rcio internacional\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/comercio.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"OMC impotente diante da nova onda do com\u00e9rcio internacional\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os pa\u00edses mais pobres ter\u00e3o dificuldades para ter acesso aos acordos bilaterais de com\u00e9rcio se n\u00e3o receberem ajuda da OMC. Foto: Amantha Perera\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00f3quio, Jap\u00e3o, 3\/12\/2013 \u2013 A sala de confer\u00eancias do diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), mais conhecida como Sala Verde, foi por anos o centro de poder na sede desse organismo em Genebra, onde um punhado de delegados se reunia para tratar de temas importantes.<\/p>\n<p>O poderoso quarteto tradicional, formado por Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Jap\u00e3o e Canad\u00e1, se reunia na Sala Verde da OMC para \u201cdecidir sobre acordos comerciais mundiais\u201d, disse Masahiro Kawai, diretor do Instituto do Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento (IBAsD), um centro de pesquisa com sede em T\u00f3quio. Por\u00e9m, isso era antes. \u201cSe sentavam na Sala Verde e chegavam a acordos, mas isso acabou\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A eros\u00e3o do poder na Sala Verde, e mais concretamente a corros\u00e3o do poder que detinham pa\u00edses ricos como Estados Unidos ou Jap\u00e3o, est\u00e1 associada principalmente ao crescimento de na\u00e7\u00f5es emergentes como \u00cdndia e China, e a alian\u00e7as comerciais mais novas e pujantes, como os Brics, que re\u00fane Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul, bem como a mudan\u00e7a nas tradicionais cadeias de fornecimento internacionais.<\/p>\n<p>H\u00e1 25 anos, a parte do produto interno bruto (PIB) mundial em poder das economias emergentes e em desenvolvimento era inferior a 20%, segundo estat\u00edsticas do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Contudo, em 2012 essas economias praticamente haviam alcan\u00e7ado os poderosos pa\u00edses industrializados do Grupo dos 7 (G-7), integrado por Alemanha, Canad\u00e1, Estados Unidos, Fran\u00e7a, It\u00e1lia, Jap\u00e3o e Gr\u00e3-Bretanha. Esse grupo representava, ent\u00e3o, 48% do PIB mundial, enquanto os Estados emergentes giravam em torno dos 40%.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses emergentes j\u00e1 superaram o G-7 como maior bloco comercial do mundo, com pouco mais de 40% de todo com\u00e9rcio internacional. E a participa\u00e7\u00e3o do G-7 no com\u00e9rcio mundial caiu de seu m\u00e1ximo superior a 50%, na primeira metade da d\u00e9cada de 1990, para algo em torno de 35%. Portanto, \u201cn\u00e3o \u00e9 de estranhar que as vozes dos pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento tenham se elevado na OMC\u201d, opinou Kawai.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o da eros\u00e3o do poder do G-7 \u00e9 a mudan\u00e7a nas cadeias de fornecimento internacionais. H\u00e1 d\u00e9cadas, os produtos finais dominavam o com\u00e9rcio mundial, mas agora predominam os produtos intermedi\u00e1rios. \u201cHoje em dia, quase 60% do com\u00e9rcio mundial de mercadorias s\u00e3o feitos com produtos intermedi\u00e1rios\u201d, detalhou Kawai.<\/p>\n<p>Quando se dedicou a pesquisar a cadeia de fornecimento do telefone inteligente iPhone, o diretor de Capacita\u00e7\u00e3o e Treinamento do IBAsD, Yuquing Xing, descobriu um dado surpreendente. Do custo de produ\u00e7\u00e3o de US$ 178,96 por unidade (valores de 2010), o custo de fabrica\u00e7\u00e3o do celular na China chegava a apenas US$ 6,50.<\/p>\n<p>Os custos restantes provinham de mais de uma dezena de empresas em cinco pa\u00edses. O componente mais caro, segundo a pesquisa de Xing, era a mem\u00f3ria flash, de US$ 24, procedente da japonesa Toshiba. Esse novo padr\u00e3o comercial permite \u00e0 China exportar mais de 11 milh\u00f5es de iPhones por ano para os Estados Unidos, pa\u00eds onde esse telefone foi desenvolvido e sede da empresa que o vende, acrescentou Xing.<\/p>\n<p>Essa reinven\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es comerciais mundiais n\u00e3o faz prever nada bom para os pa\u00edses mais pobres ou de renda m\u00e9dia-baixa, segundo especialistas do IBAsD e outros. Os pa\u00edses emergentes e os membros do G-7 est\u00e3o entusiasmadamente metidos em negocia\u00e7\u00f5es de acordos de livre com\u00e9rcio regionais e bilaterais, sobretudo com s\u00f3cios igualmente poderosos.<\/p>\n<p>Segundo o IBAsD, h\u00e1 379 acordos comerciais vigentes no mundo e existem outros em negocia\u00e7\u00f5es, como o Acordo de Associa\u00e7\u00e3o Transpac\u00edfico (TPP), que reunir\u00e1 12 pa\u00edses: Austr\u00e1lia, Brunei, Canad\u00e1, Chile, Estados Unidos, Jap\u00e3o, Mal\u00e1sia, M\u00e9xico, Nova Zel\u00e2ndia, Peru, Cingapura e Vietn\u00e3. Outras negocia\u00e7\u00f5es cruciais s\u00e3o as que os dez pa\u00edses da Associa\u00e7\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es do Sudeste Asi\u00e1tico (Asean) mant\u00eam com China, Coreia do Sul e Jap\u00e3o para criar a Asean Mais Tr\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cOs regimes comerciais n\u00e3o alfandeg\u00e1rios s\u00e3o as armas preferidas na atualidade\u201d, afirma Rodolfo Certeza Severino, secret\u00e1rio-geral da Asean entre 1998 e 2002 e atual diretor do Centro de Estudos da Asean no Instituto de Estudos do Sudeste Asi\u00e1tico, de Cingapura. Esses acordos comerciais gigantes e superpoderosos excluem os pa\u00edses de renda m\u00e9dia e os mais pobres.<\/p>\n<p>Por exemplo, nenhum dos oito pa\u00edses da Associa\u00e7\u00e3o Sul-Asi\u00e1tica para a Coopera\u00e7\u00e3o Regional, de car\u00e1ter pol\u00edtico, figura entre os 15 maiores s\u00f3cios comerciais da \u00cdndia. O principal s\u00f3cio comercial desse pa\u00eds no sul da \u00c1sia \u00e9 o Sri Lanka. Em 2012, o interc\u00e2mbio entre ambos chegou a US$ 4 bilh\u00f5es, mas o saldo da balan\u00e7a comercial n\u00e3o foi equitativo, j\u00e1 que US$ 3,4 bilh\u00f5es corresponderam a exporta\u00e7\u00f5es indianas para sua contraparte.<\/p>\n<p>\u201cEsses acordos de livre com\u00e9rcio est\u00e3o assentando as novas realidades\u201d, pontuou Kawai. E essas novas realidades determinam que, enquanto os pa\u00edses mais ricos negociam, discutem e tentam convencer para conseguir um com\u00e9rcio preferencial, os pobres do mundo continuam \u00e0 deriva. Recente informe da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) diz que os 49 pa\u00edses de menor desenvolvimento registraram aumento no emprego de 2% nas \u00faltimas d\u00e9cadas, pouco acima do crescimento demogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Kawai considera que a OMC pode romper esse ciclo comercial que favorece os ricos. A organiza\u00e7\u00e3o deve agir como catalisadora das negocia\u00e7\u00f5es e como um \u00e1rbitro eficaz nas disputas, e deve e pode ter um papel central na promo\u00e7\u00e3o de acordos comerciais multilaterais e regionais, ressaltou. Segundo Kawai, \u201cum processo renovado da OMC poderia conseguir uma liberaliza\u00e7\u00e3o mundial do com\u00e9rcio e dos investimentos com a consolida\u00e7\u00e3o dos acordos regionais, a cria\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios entre as regi\u00f5es e a harmoniza\u00e7\u00e3o das normas entre esses tratados\u201d.<\/p>\n<p>Certeza Severino, concorda. \u201cNa verdade, a maioria das disposi\u00e7\u00f5es desses acordos (de livre com\u00e9rcio) tem de ser compat\u00edvel com a OMC\u201d, alertou. No entanto, enquanto a OMC continuar debilitada, ainda incapaz de concluir a rodada de negocia\u00e7\u00f5es de Doha que iniciou em 2001, as possibilidades de ter um papel decisivo continuam sendo escassas, pelo menos no curto prazo, segundo os dois especialistas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T&oacute;quio, Jap&atilde;o, 3\/12\/2013 &ndash; A sala de confer&ecirc;ncias do diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio (OMC), mais conhecida como Sala Verde, foi por anos o centro de poder na sede desse organismo em Genebra, onde um punhado de delegados se reunia para tratar de temas importantes. 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