{"id":16947,"date":"2013-12-04T11:52:36","date_gmt":"2013-12-04T11:52:36","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104271"},"modified":"2013-12-04T11:52:36","modified_gmt":"2013-12-04T11:52:36","slug":"pradaria-da-caxemira-convertida-em-um-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/pradaria-da-caxemira-convertida-em-um-inferno\/","title":{"rendered":"Pradaria da Caxemira convertida em um inferno"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104272\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/shell-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-104272 \" alt=\"shell 629x419 Pradaria da Caxemira convertida em um inferno\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/shell-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Pradaria da Caxemira convertida em um inferno\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Mulher v\u00edtima de um explosivo abandonado. Foto: Athar Parvaiz\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Srinagar, \u00cdndia, 4\/12\/2013 \u2013 A vasta e pitoresca pradaria de Tosamaidan, 112 quil\u00f4metros a oeste dessa capital do Estado indiano de Jammu e Caxemira, se converteu em uma zona mortal devido \u00e0s manobras de artilharia realizadas pelo ex\u00e9rcito. Os proj\u00e9teis sem explodir que est\u00e3o dispersos nos pastos arruinaram muitas vidas. Reshma perdeu, em 1997, seu filho de 19 anos, Bilal Ahmad, quando ele jogava perto da pradaria. \u201cSou m\u00e3e e n\u00e3o quero ver mais crian\u00e7as morrendo assim\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Em 1964 o ex\u00e9rcito da \u00cdndia assinou com o governo estadual contrato de arrendamento da pradaria, de mais de 150 hectares, por 50 anos. O acordo terminar\u00e1 em abril do pr\u00f3ximo ano, e os moradores de mais de 30 aldeias em torno de Tosamaidan iniciaram uma campanha contra sua renova\u00e7\u00e3o. Eles denunciam que os proj\u00e9teis causaram um grande n\u00famero de mortes e deixaram centenas de feridos, al\u00e9m de aniquilar o gado e prejudicar o potencial tur\u00edstico da \u00e1rea.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos que nossos filhos sofram como n\u00f3s\u201d, afirmou Fatima Begam, da aldeia de Jag, m\u00e3e de tr\u00eas filhos. \u201cSe nossos pais tivessem dito em 1964 que o ex\u00e9rcito n\u00e3o deveria realizar exerc\u00edcios militares perto de nossas aldeias, n\u00e3o ter\u00edamos sofrido\u201d, disse Begam \u00e0 IPS, \u00e0 porta de sua casa.<\/p>\n<p>O vale da Caxemira foi por d\u00e9cadas cen\u00e1rio de um sangrento conflito entre \u00cdndia e Paquist\u00e3o. Pelo menos 60 mil pessoas perderam a vida desde que eclodiu a insurg\u00eancia separatista de 1989. A partir de ent\u00e3o h\u00e1 uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o de tropas indianas na regi\u00e3o. Agora o ex\u00e9rcito procura assinar novo acordo de arrendamento de Tosamaidan por mais 20 anos. O tenente-coronel N. N. Joshi, porta-voz do ex\u00e9rcito em Srinagar, afirmou \u00e0 IPS: \u201cN\u00e3o posso dizer nada al\u00e9m de que a renova\u00e7\u00e3o do contrato est\u00e1 sendo discutida\u201d.<\/p>\n<p>Mas os moradores de Jag, Beerwah, Arzal e muitas outras aldeias se op\u00f5em veementemente a que isso aconte\u00e7a. Uma investiga\u00e7\u00e3o feita por um legislador da Caxemira, em agosto do ano passado, revelou que pelo menos 63 pessoas morreram v\u00edtimas de proj\u00e9teis dispersos pela pradaria. Os dados foram levados ao ministro-chefe de Jammu e Caxemira, Omar Abdal\u00e1. Desde ent\u00e3o os moradores, que exigem o fim dos exerc\u00edcios militares, receberam o apoio de organiza\u00e7\u00f5es defensoras dos direitos humanos e de v\u00e1rios pol\u00edticos da Caxemira.<\/p>\n<p>Mehbooba Mufti, presidente estadual do Partido Democr\u00e1tico do Povo, oposi\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, pediu o fim dos exerc\u00edcios militares e que se aproveite a beleza de Tosamaidan para atrair o turismo. \u201cN\u00e3o se pode ignorar o pedido de milhares de alde\u00f5es que sofrem em muitas frentes devido a esses exerc\u00edcios militares\u201d, argumentou Mufti \u00e0 IPS. L\u00edderes do governante partido regional Confer\u00eancia Nacional tamb\u00e9m s\u00e3o contra a extens\u00e3o do contrato de arrendamento. O governo da Caxemira criou um comit\u00ea de alto n\u00edvel para estudar o caso e apresentar um relat\u00f3rio, enquanto crescem as vozes contra os exerc\u00edcios militares.<\/p>\n<p>\u201cTanto pelos princ\u00edpios como do ponto de vista legal, o governo tem raz\u00f5es suficientes para suspender os exerc\u00edcios. Al\u00e9m disso, um governo democraticamente eleito sempre tem que considerar as genu\u00ednas demandas de seu povo\u201d, afirmou em seu editorial de 12 de novembro o jornal <i>Kashmir Uzma<\/i>, em l\u00edngua urdu. Os alde\u00f5es tamb\u00e9m denunciam que os disparos de artilharia afetam suas formas de sustento.<\/p>\n<p>\u201cEsses exerc\u00edcios afetam as atividades relacionadas \u00e0 agricultura e ao gado, al\u00e9m de arruinar todas as possibilidades de se desenvolver a \u00e1rea como destino tur\u00edstico\u201d, pontuou Arjumand Talib, que publicou diversos trabalhos sobre o conflito e a economia da Caxemira. Ajtar Hussain, morador de Jag, disse que as atividades econ\u00f4micas na regi\u00e3o se tornaram praticamente imposs\u00edveis. \u201cH\u00e1 alguns anos, o ex\u00e9rcito impediu a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada na \u00e1rea, argumentando que permitiria aos alde\u00f5es acesso f\u00e1cil ao acampamento militar\u201d, recordou Hussain \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os alde\u00f5es dizem que n\u00e3o h\u00e1 apenas proj\u00e9teis nas zonas mais altas da pradaria, onde pasta o gado, mas tamb\u00e9m muito explosivo rola para \u00e1reas mais baixas quando caem as torrenciais chuvas de ver\u00e3o. Em maio deste ano, foi poss\u00edvel evitar uma trag\u00e9dia quando um morador alertou um ativista social que havia um proj\u00e9til sem explodir perto de um riacho. \u201cUm de nossos moradores, Bashir Ahmed, me telefonou para informar havia encontrado um artefato suspeito perto do riacho. Imediatamente informei a pol\u00edcia, que o explodiu de forma segura\u201d, contou \u00e0 IPS o ativista Raja Muzaffar.<\/p>\n<p>\u201cLamentavelmente, isso nem sempre acontece. Na maioria das vezes as pessoas encontram esses proj\u00e9teis e come\u00e7am a manipul\u00e1-los ou pisam neles acidentalmente\u201d, destacou o ativista. Muzaffar e outros ativistas apresentaram uma peti\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o de Direitos Humanos do Estado de Jammu e Caxemira. \u201cTemos a esperan\u00e7a de que a comiss\u00e3o d\u00ea claras instru\u00e7\u00f5es ao governo estadual para que n\u00e3o arrende mais essa terra\u201d, ressaltou Muzaffar \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Srinagar, &Iacute;ndia, 4\/12\/2013 &ndash; A vasta e pitoresca pradaria de Tosamaidan, 112 quil&ocirc;metros a oeste dessa capital do Estado indiano de Jammu e Caxemira, se converteu em uma zona mortal devido &agrave;s manobras de artilharia realizadas pelo ex&eacute;rcito. Os proj&eacute;teis sem explodir que est&atilde;o dispersos nos pastos arruinaram muitas vidas. 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