{"id":16959,"date":"2013-12-05T12:32:27","date_gmt":"2013-12-05T12:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104459"},"modified":"2013-12-05T12:32:27","modified_gmt":"2013-12-05T12:32:27","slug":"para-africanas-produtoras-de-arroz-a-luta-nao-tem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/para-africanas-produtoras-de-arroz-a-luta-nao-tem-fim\/","title":{"rendered":"Para africanas produtoras de arroz \u201ca luta n\u00e3o tem fim\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104460\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Africa.jpg\"><img class=\" wp-image-104460 \" alt=\"Africa Para africanas produtoras de arroz \u201ca luta n\u00e3o tem fim\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Africa.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Para africanas produtoras de arroz \u201ca luta n\u00e3o tem fim\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Na \u00c1frica, as produtoras de arroz n\u00e3o t\u00eam na pr\u00e1tica o direito a tecnologias como debulhadoras e ferramentas para desmatar. Foto: Wambi Michael\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ndop, Camar\u00f5es, 5\/12\/2013 \u2013 Anastasia Ngwakun, uma produtora de arroz africana da zona central de Camar\u00f5es, h\u00e1 20 anos cultiva da velha forma: apenas com ferramentas manuais. Mas ela sabe que se fosse homem poderia ter acesso a tecnologia moderna, que lhe pouparia esfor\u00e7o f\u00edsico. \u201c\u00c9 um trabalho duro, especialmente para uma mulher. Planto e processo com recursos e ferramentas muito limitados ou nulos, ao contr\u00e1rio dos homens da minha aldeia, que podem obter facilmente cr\u00e9dito ou um trator\u201d, afirmou Ngwakun \u00e0 IPS. Ela trabalha em uma \u00e1rea de 1,5 hectare na aldeia de Bamunkumbit.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 terra. Muitas vezes plantamos em terrenos cujos donos s\u00e3o homens, e eles decidem onde dispor de tratores, quais terras arar primeiro e quando cabe a n\u00f3s mulheres arar, sempre depois deles\u201d, acrescentou a agricultora. Ela tampouco pode usar a debulhadeira, que lhe economizaria a pesada tarefa de tirar as cascas \u00e0 m\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o e o processamento seriam mais f\u00e1ceis se contasse com debulhadeiras, ferramentas para desmatar e recipientes grandes para ferver at\u00e9 o dobro da quantidade de arroz do que os normais.<\/p>\n<p>Ngwakun, como muitas produtoras de arroz africanas, n\u00e3o t\u00eam, de fato, direito a nada disso. Uma pesquisa do Centro do Arroz da \u00c1frica mostra que os produtores de arroz homens t\u00eam acesso maior e desproporcional a terras agr\u00edcolas, insumos, capital, equipamentos e conhecimento em compara\u00e7\u00e3o com as mulheres, que, no entanto, s\u00e3o a maioria dos que plantam arroz no continente.<\/p>\n<p>Essas profundas diferen\u00e7as entre produtores e produtoras se deve, em parte, a quest\u00f5es culturais e econ\u00f4micas. Afiavi Agbhor-Noameshie, agr\u00f4noma social e especialista em g\u00eanero do Centro do Arroz da \u00c1frica, afirmou que h\u00e1 uma aus\u00eancia flagrante de pol\u00edticas de g\u00eanero. \u201cAs mulheres participam de todas as atividades do cultivo, desde as sementes at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o s\u00e3o consideradas merecedoras das tecnologias dispon\u00edveis\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<div id=\"attachment_104461\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Africa2.jpg\"><img class=\" wp-image-104461 \" alt=\"Africa2 Para africanas produtoras de arroz \u201ca luta n\u00e3o tem fim\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Africa2.jpg\" width=\"540\" height=\"327\" title=\"Para africanas produtoras de arroz \u201ca luta n\u00e3o tem fim\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A \u00c1frica \u00e9 importadora de arroz e consome mais do que produz, mas h\u00e1 uma flagrante aus\u00eancia de pol\u00edticas de g\u00eanero no setor. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso minimizar as tarefas mais duras da cadeia de valor do arroz, criando consci\u00eancia\u201d e fazendo com que os homens entendam \u201cque quando falamos de g\u00eanero n\u00e3o estamos falando de como reunir as mulheres ou como trabalhar com elas, mas de igualdade de oportunidades\u201d, ressaltou Afiavi. A \u00c1frica \u00e9 grande importadora de arroz, pois consome mais do que produz. No ano passado, o continente gastou US$ 5 bilh\u00f5es para importar 12 bilh\u00f5es de toneladas desse alimento e produziu outros 12 bilh\u00f5es de toneladas, segundo estat\u00edsticas do Centro do Arroz.<\/p>\n<p>Agbhor-Noameshie, Abdoulaye Kabore e Michael Misiko, coautores do livro de refer\u00eancia <i>Cumprindo a Promessa Arrozeira da \u00c1frica<\/i>, sugerem que, apesar da participa\u00e7\u00e3o ativa de homens e mulheres, a perspectiva de g\u00eanero n\u00e3o \u00e9 considerada nem mesmo nas pesquisas. Deve-se consultar as mulheres para conseguir o desenvolvimento da agricultura do arroz na \u00c1frica, segundo Nathalie Me-Nsope, economista agr\u00edcola e especialista em g\u00eanero do Centro Global para os Sistemas Alimentares e as Inova\u00e7\u00f5es, da Universidade do Estado de Michigan, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos continuar falando \u2018dos\u2019 agricultores quando sabemos que as produtoras africanas n\u00e3o s\u00e3o um grupo homog\u00eaneo, porque enfrentam desafios espec\u00edficos que limitam sua produ\u00e7\u00e3o e capacidade de venda, que os homens n\u00e3o enfrentam\u201d, enfatizou Me-Nsope \u00e0 IPS. \u201cH\u00e1 s\u00e9rias desigualdades de g\u00eanero no setor do arrozeiro e s\u00e3o necess\u00e1rios esfor\u00e7os espec\u00edficos para abordar essas limita\u00e7\u00f5es criadas pelos pap\u00e9is, pelas responsabilidades e pela divis\u00e3o do trabalho, fazendo uma an\u00e1lise detalhada do que est\u00e1 ocorrendo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Ciss\u00e9 Peinda Gueye, produtora de arroz do Senegal, pensa que as pesquisas cient\u00edficas deveriam ajudar o cultivo a deixar de ser uma carga e se converter em oportunidade, assim as mulheres poderiam equilibrar a agricultura com o cuidado de suas fam\u00edlias. \u201cA qualidade do arroz \u00e9 importante tanto para os agricultores como para seus compradores. Os pesquisadores deveriam ajudar a melhorar a qualidade, para que as mulheres cumpram as expectativas do mercado para o qual vendem\u201d, argumentou Gueye \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Ngwakun tamb\u00e9m pede mais recursos. \u201cEu seria uma agricultora feliz, como os homens, se tivesse o mesmo acesso que eles a melhores sementes para produzir mais e melhor arroz, que me permitisse ganhar mais dinheiro. mas, para uma mulher, a luta parece n\u00e3o ter fim\u201d, resumiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Ndop, Camar&otilde;es, 5\/12\/2013 &ndash; Anastasia Ngwakun, uma produtora de arroz africana da zona central de Camar&otilde;es, h&aacute; 20 anos cultiva da velha forma: apenas com ferramentas manuais. Mas ela sabe que se fosse homem poderia ter acesso a tecnologia moderna, que lhe pouparia esfor&ccedil;o f&iacute;sico. &ldquo;&Eacute; um trabalho duro, especialmente para uma mulher. 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