{"id":16967,"date":"2013-12-10T14:27:07","date_gmt":"2013-12-10T14:27:07","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104618"},"modified":"2013-12-10T14:27:07","modified_gmt":"2013-12-10T14:27:07","slug":"marginalizados-de-camaroes-querem-ser-ouvidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/marginalizados-de-camaroes-querem-ser-ouvidos\/","title":{"rendered":"Marginalizados de Camar\u00f5es querem ser ouvidos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104619\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/agricultores.jpg\"><img class=\" wp-image-104619 \" alt=\"agricultores Marginalizados de Camar\u00f5es querem ser ouvidos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/agricultores.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Marginalizados de Camar\u00f5es querem ser ouvidos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Agricultoras da aldeia de Nshi-o-doh in Ndu, na Regi\u00e3o do Noroeste, em Camar\u00f5es. Foto: Monde Kingsley Nfor\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iaund\u00e9, Camar\u00f5es, 10\/12\/2013 \u2013 Lydia Njang, vi\u00fava e m\u00e3e de cinco filhos na Regi\u00e3o do Noroeste de Camar\u00f5es, perdeu seus cultivos em tr\u00eas ocasi\u00f5es. A primeira, quando seu marido morreu e os parentes dele herdaram a propriedade. Eles cederam outra parcela para que Njang pudesse trabalhar, mas teve que abandon\u00e1-la quando seu cunhado se casou. Finalmente, permitiram que ela cultivasse uma terceira por\u00e7\u00e3o de terra, que perdeu quando decidiram vend\u00ea-la.<\/p>\n<p>\u201cFiquei com um terreno muito pequeno, de 150 metros quadrados, onde s\u00f3 posso plantar milho. Mas isto n\u00e3o \u00e9 suficiente para alimentar minha fam\u00edlia. Antes tinha fazendas em lugares muito f\u00e9rteis e costumava vender os excedentes das minhas colheitas, mas j\u00e1 n\u00e3o tenho direito de cultivar aqui\u201d, contou Njang \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Mary Fosi, da Funda\u00e7\u00e3o Myrianthus Fosi, organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental dedicada a promover o desenvolvimento sustent\u00e1vel em Camar\u00f5es, disse \u00e0 IPS que a experi\u00eancia de Njang \u00e9 comum nesse pa\u00eds da \u00c1frica ocidental. \u201cOs ricos compram grandes \u00e1reas para investir, deixando os membros das comunidades pobres, em especial as mulheres, sem nada para plantar e lutando pelas pequenas parcelas de terras remanescentes\u201d, explicou Fosi.<\/p>\n<p>Embora a economia camaronesa registre crescimento de 4,9%, \u00e9 claro que o ganho n\u00e3o \u00e9 distribu\u00eddo de forma equitativa. O estudo <i>Perspectivas Econ\u00f4micas da \u00c1frica<\/i> mostra que, apesar de Camar\u00f5es contar com uma grande riqueza natural, \u201ca renda obtida com a explora\u00e7\u00e3o dos recursos, e do petr\u00f3leo em particular, n\u00e3o s\u00e3o canalizados de modo suficiente em investimentos estruturais na infraestrutura e nos setores produtivos\u201d.<\/p>\n<p>Dos 20 milh\u00f5es de pessoas que se estima vivem em Camar\u00f5es, 8,1 milh\u00f5es vivem em \u00e1reas rurais, das quais apenas 14% possuem eletricidade. Isso \u00e9 significativamente menos do que nas \u00e1reas urbanas, onde, segundo o Banco Mundial, entre 65% e 88% da popula\u00e7\u00e3o conta com energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Para que os pobres se beneficiem do crescimento econ\u00f4mico, \u00e9 necess\u00e1rio que participem da tomada de decis\u00f5es que os afetam, disse \u00e0 IPS o subdiretor do Departamento de Engenharia Rural e Melhoramento do Entorno Agr\u00e1rio de Camar\u00f5es, Celestin Ondoa. \u201cNo passado, os principais atores, como as mulheres vulner\u00e1veis, os jovens, os ind\u00edgenas e outros grupos marginalizados, foram exclu\u00eddos da formula\u00e7\u00e3o e do planejamento dos esfor\u00e7os de desenvolvimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ondoa acrescentou que \u201cas comunidades em Camar\u00f5es carecem de acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos e est\u00e3o marginalizadas das oportunidades sociais e econ\u00f4micas. Essas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam que lidar com conflitos agr\u00e1rios, m\u00e1 infraestrutura, corrup\u00e7\u00e3o e monopoliza\u00e7\u00e3o de terras, o que \u00e9 agravado pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Princely Njong, um dos organizadores das Audi\u00eancias P\u00fablicas sobre Igualdade e Sustentabilidade, realizadas em comunidades locais, os camaroneses desejam que seja inclu\u00edda uma reforma agr\u00e1ria em uma pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o da pobreza. Essas audi\u00eancias s\u00e3o parte de um projeto da Iniciativa para a Igualdade, organiza\u00e7\u00e3o internacional de pesquisa e difus\u00e3o, que abre vias para que os mais pobres e exclu\u00eddos se expressem e possam influenciar o di\u00e1logo mundial sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cAs comunidades locais querem que o desenvolvimento receba apoio concreto, com a cria\u00e7\u00e3o de postos de sa\u00fade, ruas, escolas e acesso a terras, renda agr\u00edcola e mercados\u201d, detalhou Njong \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Atualmente, o sistema de posse de terras em Camar\u00f5es dificulta que os cidad\u00e3os possam obter t\u00edtulos de propriedade, pois isso implica um caro e longo processo administrativo que s\u00f3 os mais endinheirados podem pagar. Segundo a Lei de Terras de 1974, todos os terrenos n\u00e3o registrados do pa\u00eds s\u00e3o de propriedade do Estado. Isso tamb\u00e9m inclui aqueles que s\u00e3o cultivados ou ocupados historicamente por comunidades.<\/p>\n<p>Em Camar\u00f5es, \u201capenas cerca de 3% das \u00e1reas rurais est\u00e3o registradas, em sua maioria em nome de propriet\u00e1rios de grandes fazendas comerciais\u201d, segundo a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Camar\u00f5es tamb\u00e9m sofre o problema da monopoliza\u00e7\u00e3o de terras. Centenas de milhares de hectares foram arrebatados das comunidades.<\/p>\n<p>No sul do pa\u00eds, o governo arrendou grande parte dos terrenos florestais, cerca de 47 mil hectares, \u00e0 companhia internacional United Forest Cameroon. Em 2012, aceitou devolver 14 mil hectares \u00e0s comunidades locais. No Parque Nacional Korup, sudoeste do pa\u00eds, uma empresa agr\u00edcola com sede em Nova York, a Herakles Farms, pretende iniciar planta\u00e7\u00e3o de palma para produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo em 73 mil hectares. E na Regi\u00e3o do Noroeste a comunidade ind\u00edgena mbororo acusa o milion\u00e1rio Alhadji Baba Ahmadou Danpullo de ter roubado suas terras. Os mbororos s\u00e3o tradicionalmente pastores n\u00f4mades.<\/p>\n<p>No entanto, Deborah Rogers, coordenadora global das Audi\u00eancias P\u00fablicas sobre Igualdade e Sustentabilidade, ressaltou \u00e0 IPS que \u201cencontraram uma forma de levar os mais pobres e marginalizados diretamente aos debates regionais e mundiais. Isto n\u00e3o \u00e9 uma pesquisa, mas um esfor\u00e7o para empoderar as pessoas, para que tenham uma voz direta e coletiva, que \u00e9 muito mais forte do que a de indiv\u00edduos isolados ou do que os pensamentos dos grupos da sociedade civil\u201d.<\/p>\n<p>Na pequena aldeia de Nshi-o-doh in Ndu, na Regi\u00e3o do Noroeste, Irene Kimbi sabe muito bem o que poderia mudar sua vida: a cria\u00e7\u00e3o de uma cooperativa agr\u00e1ria. As 1.500 pessoas que vivem ali cultivam feij\u00e3o, milho e batata. \u201cIsso nos ajudaria a enfrentar as dificuldades de cultivo e de mercado, bem como a reduzir a pobreza em nossa comunidade\u201d, disse \u00e0 IPS. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Iaund&eacute;, Camar&otilde;es, 10\/12\/2013 &ndash; Lydia Njang, vi&uacute;va e m&atilde;e de cinco filhos na Regi&atilde;o do Noroeste de Camar&otilde;es, perdeu seus cultivos em tr&ecirc;s ocasi&otilde;es. A primeira, quando seu marido morreu e os parentes dele herdaram a propriedade. 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