{"id":16980,"date":"2013-12-13T12:14:50","date_gmt":"2013-12-13T12:14:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104881"},"modified":"2013-12-13T12:14:50","modified_gmt":"2013-12-13T12:14:50","slug":"aqui-no-caribe-ja-convivemos-com-a-mudanca-climatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/aqui-no-caribe-ja-convivemos-com-a-mudanca-climatica\/","title":{"rendered":"\u201cAqui no Caribe j\u00e1 convivemos com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104882\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/cemiterio.jpg\"><img class=\" wp-image-104882 \" alt=\"cemiterio \u201cAqui no Caribe j\u00e1 convivemos com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/cemiterio.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"\u201cAqui no Caribe j\u00e1 convivemos com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Este cemit\u00e9rio em Santa L\u00facia foi um dos locais danificados pelo furac\u00e3o Tomas, que em 31 de outubro de 2010 a\u00e7oitou a ilha e matou 14 pessoas. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mocho, Jamaica, 13\/12\/2013 \u2013 As montanhas de Mocho, no centro da Jamaica, j\u00e1 estiveram cobertas por exuberantes florestas tropicais, que ajudavam a controlar as chuvas. Agora, boa parte dessa mata e de terras agr\u00edcolas est\u00e1 destru\u00edda e as pessoas sofrem seu efeito mais devastador: condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas. A \u00e1rea \u201cfoi severamente danificada pela extra\u00e7\u00e3o de bauxita, e se perdeu \u00e1rvores e tamb\u00e9m terra ar\u00e1vel\u201d, disse \u00e0 IPS a coordenadora regional da organiza\u00e7\u00e3o Panos Caribbean, Indi McLymont-Lafayette, que cresceu em Mocho.<\/p>\n<p>Por isso, agora a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito vulner\u00e1vel \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica, explicou McLymont-Lafayette. A Panos \u00e9 uma rede mundial que trabalha para dar voz \u00e0s comunidades pobres e marginalizadas. As pessoas da \u00e1rea \u201cforam muito prejudicadas pelos furac\u00f5es Iv\u00e3 e Dean (em 2004 e 2007, respectivamente). H\u00e1 secas mais prolongadas, e os agricultores t\u00eam problemas de acesso \u00e0 \u00e1gua, porque a comunidade usa principalmente a da chuva\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Mocho, que fica a uma hora e meia de carro da capital, Kingston, foi muito conhecida como o celeiro do departamento central de Clarendon. \u201cSe ocorrem chuvas espor\u00e1dicas, o que tamb\u00e9m se prev\u00ea no contexto da mudan\u00e7a clim\u00e1tica, para os agricultores fica mais dif\u00edcil planejar sua temporada de semeadura, e isso tem implica\u00e7\u00f5es para a seguran\u00e7a alimentar da Jamaica\u201d, acrescentou McLymont-Lafayette.<\/p>\n<p>A coordenadora recorda claramente a primeira vez que viveu na pr\u00f3pria carne um desastre natural. \u201cDurante minha adolesc\u00eancia houve s\u00f3 um furac\u00e3o: Gilbert, em 1988. Na \u00e9poca o vivi como algo emocionante, porque era o primeiro que t\u00ednhamos desde 1951. Meus av\u00f3s haviam me contado sobre ele. Mas, quando chegou o Gilbert, a devasta\u00e7\u00e3o que deixou fez com que eu n\u00e3o quisesse voltar a ver um furac\u00e3o nunca mais\u201d, afirmou McLymont-Lafayette.<\/p>\n<p>\u201cNaturalmente, n\u00e3o foi o que aconteceu. E, nos \u00faltimos 15 anos, quase a cada ano, sofremos tempestades tropicais ou furac\u00f5es\u201d, lamentou McLymont-Lafayette. \u201cSe olharmos as estat\u00edsticas entre 2002 e 2007, veremos que foram perdidos US$ 70 milh\u00f5es por causa de eventos meteorol\u00f3gicos extremos, e isso \u00e9 muito dinheiro para um pa\u00eds em desenvolvimento como a Jamaica. Por isso essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e9ria nossa e de muitas ilhas pequenas do Caribe\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Entre essas ilhas est\u00e1 Santa L\u00facia, a\u00e7oitada por furac\u00f5es em 2007, 2010 e 2011. Seu ministro de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, James Fletcher, disse \u00e0 IPS que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 uma realidade cotidiana. \u201cFazemos um enorme esfor\u00e7o para explicar \u00e0 comunidade internacional que enquanto para alguns pa\u00edses s\u00e3o tema de debate acad\u00eamico ou algum tipo de conceito esot\u00e9rico, n\u00f3s, no Caribe, vivemos a mudan\u00e7a clim\u00e1tica\u201d, afirmou o ministro.<\/p>\n<p>\u201cOs pescadores veem minguar suas capturas porque os oceanos ficam mais quentes, os arrecifes de coral est\u00e3o descolorindo e a pesca n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o produtiva quanto antes. Agora as pessoas veem inundar as faixas costeiras e o mar adentrando mais na terra\u201d, pontuou Fletcher. Santa L\u00facia ainda se recupera do furac\u00e3o Tom\u00e1s, que em 31 de outubro de 2010 atingiu a ilha e matou 14 pessoas. O governo continua reparando boa parte do dano causado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os principais setores econ\u00f4micos da maioria dos pa\u00edses caribenhos, como a agricultura e o turismo, j\u00e1 est\u00e3o comprometidos e estar\u00e3o ainda mais, lamentou Fletcher. Segundo o ministro, \u201cmuito em breve come\u00e7aremos a ver diferen\u00e7as na fertilidade de algumas terras agr\u00edcolas, porque no Caribe n\u00e3o h\u00e1 nenhum lugar que fique muito longe do mar. A \u00e1gua salgada que come\u00e7a a invadir a terra logo adultera a fertilidade, por isso estamos experimentando a mudan\u00e7a clim\u00e1tica de muitas maneiras\u201d.<\/p>\n<p>McLymont-Lafayette citou a previs\u00e3o do \u00edndice de risco clim\u00e1tico 2008 da Germanwatch, segundo o qual a ilha de Barbuda provavelmente desaparecer\u00e1 sob as \u00e1guas dentro de 40 anos. \u201cQuando fiquei sabendo, como habitante do Caribe, fiquei arrasada, porque pensava que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica afetaria principalmente o Pac\u00edfico\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, os pa\u00edses caribenhos contra-atacam, e reconhecem a import\u00e2ncia da adapta\u00e7\u00e3o. Na semana passada, a Assembleia Legislativa de Barbados deu luz verde ao governo para utilizar US$ 13,3 milh\u00f5es do fundo de um projeto para combater a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e proteger a faixa costeira.<\/p>\n<p>O ministro de Meio Ambiente e Saneamento, Denis Lowe, declarou que Barbados tem que contra-atacar, pois a mudan\u00e7a clim\u00e1tica est\u00e1 branqueando e matando os corais. \u201cH\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o direta entre o estado dos corais em toda a ilha e a intensidade dos fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e o aumento da temperatura da \u00e1gua\u201d, enfatizou. O ministro explicou que na ilha h\u00e1 20 arrecifes coralinos que requerem prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>McLymont-Lafayette acredita que a Jamaica focou na prepara\u00e7\u00e3o para os efeitos do aquecimento global. \u201cNo m\u00eas passado, apresentamos uma pol\u00edtica sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica no gabinete, e a Jamaica criou um minist\u00e9rio de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, um dos poucos que h\u00e1 no mundo. Estamos levando isso muito a s\u00e9rio\u201d, assegurou. O Minist\u00e9rio de \u00c1gua, Terra, Meio Ambiente e Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica da Jamaica foi criado em janeiro de 2012 para formular e implantar pol\u00edticas nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>De toda infraestrutura jamaicana, 70% est\u00e1 na faixa costeira. \u201cNossos aeroportos e hot\u00e9is est\u00e3o na costa, e em Negril, onde contamos com 11 quil\u00f4metros de belas praias, houve uma eros\u00e3o significativa, em parte porque subiu o n\u00edvel do mar, entre outros fatores\u201d, ressaltou McLymont-Lafayette. \u201cSi quisermos que o turismo continue sendo sustent\u00e1vel, temos que restaurar a faixa costeira\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Mocho, Jamaica, 13\/12\/2013 &ndash; As montanhas de Mocho, no centro da Jamaica, j&aacute; estiveram cobertas por exuberantes florestas tropicais, que ajudavam a controlar as chuvas. 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