{"id":16982,"date":"2013-12-13T11:50:58","date_gmt":"2013-12-13T11:50:58","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104871"},"modified":"2013-12-13T11:50:58","modified_gmt":"2013-12-13T11:50:58","slug":"a-solidariedade-ganha-terreno-na-ex-iugoslavia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/a-solidariedade-ganha-terreno-na-ex-iugoslavia\/","title":{"rendered":"A solidariedade ganha terreno na ex-Iugosl\u00e1via"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104873\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/cesta.jpg\"><img class=\" wp-image-104873 \" alt=\"cesta A solidariedade ganha terreno na ex Iugosl\u00e1via\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/cesta.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"A solidariedade ganha terreno na ex Iugosl\u00e1via\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Uma \u201ccesta da solidariedade\u201d em um com\u00e9rcio s\u00e9rvio. Foto: Vesna Peric Zimonjic\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Belgrado, S\u00e9rvia, 13\/12\/2013 \u2013 Na primeira hora da manh\u00e3, enquanto centenas de pessoas compram seu desjejum em uma movimentada padaria da rua Beogradska, na capital S\u00e9rvia, uma cesta muito especial logo fica cheia de croissants e p\u00e3ezinhos. \u00c9 a \u201ccesta da solidariedade\u201d. Cerca de 60 padarias de toda S\u00e9rvia introduziram esse conceito. Cada vez que um cliente pede algo para si, pode comprar um p\u00e3o adicional, ou outro produto elaborado na loja, e colocar na cesta para os necessitados.<\/p>\n<p>\u201cAproximadamente um em cada dez clientes compra um produto extra e o deixa na cesta da solidariedade\u201d, contou o padeiro Veljko Antic \u00e0 IPS. \u201cOs que dependem disso para comer v\u00eam muito depois. Em geral, entram dissimuladamente e saem apressadamente. Se sentem envergonhados e tristes. \u00c9 por isso que colocamos a cesta perto da porta da nossa padaria, para n\u00e3o envergonh\u00e1-los ainda mais\u201d, acrescentou. Essa \u00e9 a primeira iniciativa desse tipo para ajudar os afetados pela pobreza, que a\u00e7oita duramente a S\u00e9rvia.<\/p>\n<p>Campanhas semelhantes acontecem em pa\u00edses vizinhos tamb\u00e9m, principalmente em na\u00e7\u00f5es que tamb\u00e9m integraram a antiga Iugosl\u00e1via. As estat\u00edsticas mais recentes mostram que 700 mil pessoas na S\u00e9rvia, que tem 7,2 milh\u00f5es de habitantes, vivem abaixo da linha da pobreza. Segundo a defini\u00e7\u00e3o do Banco Mundial, isso significa que sobrevivem com menos de US$ 1,25 por dia. Dos 1,02 milh\u00e3o de crian\u00e7as entre zero e 14 anos no pa\u00eds, 12% s\u00e3o pobres e 6,6% sofrem desnutri\u00e7\u00e3o, de acordo com dados oficiais.<\/p>\n<p>A \u201ccomida da solidariedade\u201d foi ideia de um grupo de jovens entusiastas da internet, a partir do portal de compras <a href=\"http:\/\/www.kioskpages.com\/\">www.kioskpages.com<\/a>. A inspira\u00e7\u00e3o para a iniciativa, que se resume no lema \u201cexpresse solidariedade, compre alimentos para quem necessita\u201d, chegou da It\u00e1lia, onde \u00e9 comum clientes deixarem moedas para pagar um caf\u00e9 a quem n\u00e3o tem dinheiro para comprar um. \u201cGostamos da ideia, mas decidimos nos centrar nos alimentos\u201d, disse \u00e0 IPS Nina Milos, de 24 anos, que trabalha no Kioskpages. \u201cNa S\u00e9rvia as pessoas precisam mais de alimentos do que de caf\u00e9\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A S\u00e9rvia conta com um total de 68 restaurantes para indigentes, administrados pela Cruz Vermelha, mas alguns est\u00e3o fechando por falta de fundos. Funcion\u00e1rios dessa organiza\u00e7\u00e3o dizem que h\u00e1 tempos seus esfor\u00e7os n\u00e3o s\u00e3o suficientes para alimentar os necessitados.<\/p>\n<p>\u201cNos preocupamos com a log\u00edstica necess\u00e1ria para chegar a diferentes tipos de pessoas: o que introduzir\u00e3o na comida da solidariedade, quem apoiaria e quem a usaria, j\u00e1 que os \u00faltimos, sem d\u00favida, n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 internet\u201d, ponderou Milos. \u201cFoi por isso que optamos por colocar cartazes em padarias e avisos em peri\u00f3dicos gratuitos, e tamb\u00e9m nos aliamos a organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais que trabalham com pessoas pobres ou sem teto\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo a jovem, a campanha deu seus melhores resultados em Belgrado e na cidade de Novi Sad, no norte. E isso n\u00e3o \u00e9 tudo, disse Milos. Muitos verdureiros come\u00e7am a oferecer gratuitamente as frutas e verduras que n\u00e3o vendem durante o dia. \u201cAderiram a v\u00e1rios estabelecimentos comerciais de alimentos para entreg\u00e1-las\u201d, acrescentou. Uma campanha semelhante acontece na vizinha Maced\u00f4nia, onde se somaram \u00e0 iniciativa dez padarias em Skopje, a capital, e na cidade de Kumanovo, segundo Milos.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Miljana Radojevic afirmou \u00e0 IPS que \u201csolidariedade era uma palavra esquecida na S\u00e9rvia\u201d. Segundo ela, \u201ca popula\u00e7\u00e3o empobreceu e praticamente n\u00e3o pensa nos demais. Por\u00e9m, h\u00e1 alguns que est\u00e3o bem economicamente ou mesmo os que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o bem mas podem gastar dinheiro extra com aqueles que necessitam\u201d. A transi\u00e7\u00e3o para uma economia de mercado, depois das guerras civis da Iugosl\u00e1via, na d\u00e9cada de 1990, e a crise econ\u00f4mica de 2008 est\u00e3o maltratando a S\u00e9rvia. O desemprego chega a 24,1% e afeta mais de um ter\u00e7o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco melhor em outras na\u00e7\u00f5es da ex-Iugosl\u00e1via, mas a pobreza bate \u00e0 porta de muitos na regi\u00e3o. A Eslov\u00eania, cujo desemprego \u00e9 de 12,8%, ainda suporta bem a crise, mas tamb\u00e9m ali um servi\u00e7o de comidas (<a href=\"http:\/\/www.minestra.si\/\" >www.minestra.si<\/a>), introduziu uma iniciativa semelhante chamada \u201cuma comida para depois\u201d. Peter Bostjancic, de Minestra, disse \u00e0 IPS que \u201cesses alimentos s\u00e3o entregues \u00e0 Caritas (organiza\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica) para sua maior distribui\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o consumidos pelos pobres e tamb\u00e9m por desempregados cuja renda n\u00e3o d\u00e1 para sobreviver\u201d.<\/p>\n<p>Na Cro\u00e1cia, onde o desemprego \u00e9 de 19%, o fen\u00f4meno dos \u201cpobres urbanos\u201d aumenta. \u201cTrata-se majoritariamente de pessoas com estudos que ficaram sem emprego ap\u00f3s o fechamento das empresas onde trabalhavam\u201d, detalhou \u00e0 IPS uma fonte do escrit\u00f3rio croata da Caritas, que pediu para n\u00e3o ter o nome divulgado. \u201cAt\u00e9 h\u00e1 pouco, essas pessoas estavam acima da linha da pobreza, mas a perda de empregos, a carestia e o peso das hipotecas as deixaram em dificuldades\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Desse modo, a ideia que h\u00e1 por tr\u00e1s da cesta da solidariedade se imp\u00f5e. As padarias de Belgrado trabalham at\u00e9 tarde da noite. Algumas pessoas que dependem da cesta da solidariedade se aproximam da rua Beogradska apenas quando n\u00e3o h\u00e1 muitos transeuntes.<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 Zorana Savovic, m\u00e3e solteira de 43 anos com dois filhos, que trabalha por um magro sal\u00e1rio em uma banca de jornal perto de uma padaria. \u201cSinto vergonha por ter que fazer isto\u201d, disse \u00e0 IPS. \u201cMas, assim tenho a janta para mim e meus filhos. N\u00e3o como nada durante o dia e mantenho a vista na cesta do outro lado da rua. Entro bem na hora em que a padaria fecha e me apresso para chegar em casa com a comida\u201d, contou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Belgrado, S&eacute;rvia, 13\/12\/2013 &ndash; Na primeira hora da manh&atilde;, enquanto centenas de pessoas compram seu desjejum em uma movimentada padaria da rua Beogradska, na capital S&eacute;rvia, uma cesta muito especial logo fica cheia de croissants e p&atilde;ezinhos. &Eacute; a &ldquo;cesta da solidariedade&rdquo;. Cerca de 60 padarias de toda S&eacute;rvia introduziram esse conceito. 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