{"id":16983,"date":"2013-12-16T12:04:11","date_gmt":"2013-12-16T12:04:11","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=104976"},"modified":"2013-12-16T12:04:11","modified_gmt":"2013-12-16T12:04:11","slug":"terramerica-a-primavera-das-bicicletas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/terramerica-a-primavera-das-bicicletas\/","title":{"rendered":"TERRAM\u00c9RICA \u2013 A primavera das bicicletas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_104977\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/BicicletasBogota.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-104977\" alt=\"BicicletasBogota TERRAM\u00c9RICA   A primavera das bicicletas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/BicicletasBogota.jpg\" width=\"340\" height=\"255\" title=\"TERRAM\u00c9RICA   A primavera das bicicletas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um milh\u00e3o de pessoas usam a cada domingo as ciclovias recreativas, que fecham algumas das principais ruas da capital colombiana.<\/p><\/div>\n<p>Caracas, Venezuela, 16 de dezembro de 2013 (Terram\u00e9rica).- \u201cDiariamente percorro 43 quil\u00f4metros e isso me agrada\u201d, diz Carlos Cantor, em Bogot\u00e1. \u201cH\u00e1 cinco anos troquei o carro pela bicicleta\u201d, afirma Tom\u00e1s Fuenzalida, de Santiago. Ambos expressam a primavera das bicicletas como solu\u00e7\u00e3o de transporte na Am\u00e9rica Latina. Mas na segunda regi\u00e3o mais urbana do mundo, a bicicleta cresce em um processo algumas vezes ensolarado e noutras nublado, diz o estudo Bicidades 2013, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), sobre os avan\u00e7os desse meio sustent\u00e1vel em cidades grandes e m\u00e9dias.<\/p>\n<p>O informe, baseado em pesquisas e solicitado pela Iniciativa Cidades Emergentes e Sustent\u00e1veis do BID, registra que entre 0,4% e 10% da popula\u00e7\u00e3o usa a bicicleta como transporte principal. Entre as cidades pesquisadas, a boliviana Cochabamba lidera a lista com 10% da popula\u00e7\u00e3o. Em seguida est\u00e3o La Paz e Assun\u00e7\u00e3o, com 5%. Todas elas se incluem como cidades emergentes, com cem mil a dois milh\u00f5es de habitantes. Entre as grandes urbes, em Santiago do Chile e Cidade do M\u00e9xico, 3% da popula\u00e7\u00e3o tem na bicicleta seu principal transporte, seguidas por Buenos Aires e Bogot\u00e1, com 2%.<\/p>\n<p>Bogot\u00e1 afirma ser \u201c\u00edcone mundial na promo\u00e7\u00e3o das ciclorrotas\u201d, como se chamam na Col\u00f4mbia as ciclovias, com 376 quil\u00f4metros confinados e mais 120 de vias recreativas, com ruas interrompidas ao tr\u00e1fego de carros nos dias festivos. Cantor, comunicador social de 58 anos, fez uma pausa em seu trajeto di\u00e1rio para contar ao Terram\u00e9rica sua experi\u00eancia. \u201c\u00c9 um deslocamento r\u00e1pido, porque n\u00e3o tem congestionamento, e em algumas partes at\u00e9 desfruto de vegeta\u00e7\u00e3o e tranquilidade. \u00c9 um ambiente solid\u00e1rio e se faz amigos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A Secretaria de Mobilidade do Distrito Capital calcula que em Bogot\u00e1, com cerca de oito milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 aproximadamente 450 mil que usam bicicletas, majoritariamente oper\u00e1rios, seguidos por estudantes de setores populares. As ciclovias recreativas remontam a 1974 e s\u00e3o usadas a cada domingo por um milh\u00e3o de pessoas. \u201cA ciclovia (recreativa) me encanta, a uso todos os domingos, mas as ciclorrotas n\u00e3o, porque muitas s\u00e3o incompletas, com trechos para compartilhar com autom\u00f3veis e \u00f4nibus, e me d\u00e1 medo\u201d, explicou ao Terram\u00e9rica a estudante de direito Carolina Mej\u00eda. \u201cAl\u00e9m disso, a inseguran\u00e7a \u00e9 grande\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Cantor, \u201ca inseguran\u00e7a \u00e9 certa, todos os dias h\u00e1 roubos de bicicletas e seu com\u00e9rcio \u00e9 muito alto. Em segundos, com um spray mudam a cor e sua bicicleta desaparece. Mas aprendemos a usar as que n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o pretensiosas, e colocar marca\u00e7\u00f5es que dificultam seu com\u00e9rcio clandestino\u201d. Fuenzalida, de 44 anos, substituiu o autom\u00f3vel pela bicicleta na capital chilena \u201cpela sa\u00fade\u201d, porque faz exerc\u00edcio \u201csem pegar um s\u00f3 peso na academia\u201d e porque \u201c\u00e9 muito mais agrad\u00e1vel andar de bicicleta do que de metr\u00f4, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o pedala apenas para ir ao trabalho, mas tamb\u00e9m para levar os filhos na escola, para ir a reuni\u00f5es ou visitar a fam\u00edlia. Para gente como ele, a prefeitura de Santiago implanta o Plano Mestre de Ciclovias para estender esses caminhos para 933 quil\u00f4metros. Atualmente somam 215 quil\u00f4metros, com outros 130 em munic\u00edpios rurais vizinhos. N\u00e3o chamada Grande Santiago vivem mais de cinco milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>\u201cEste \u00e9 um dos pilares para aumentar o uso de bicicletas e para que a cidade e os santiaguinos percebam os benef\u00edcios em descongestionamento, sa\u00fade e cuidado ambiental\u201d, afirmou ao Terram\u00e9rica a ministra secret\u00e1ria-geral do Governo, Cecilia P\u00e9rez. O intendente metropolitano, Juan Antonio Peribonio, declarou ao Terram\u00e9rica que o plano estar\u00e1 pronto em 2022 e que tamb\u00e9m est\u00e3o sendo constru\u00eddos trechos de liga\u00e7\u00e3o das ciclovias existentes. A isso se soma um sistema de bicicletas p\u00fablicas para incentivar este transporte alternativo.<\/p>\n<p>No entanto, nem tudo \u00e9 bom para os ciclistas. \u201c\u00c0s vezes h\u00e1 pedestres, taxistas ou motoristas que me xingam, me chamam de burra. Devem se acostumar com meu direito de andar pela rua como eles\u201d, contou Laurie Fachaux, uma jornalista francesa de 28 anos, h\u00e1 poucos meses no Chile. A psic\u00f3loga Antonia Larra\u00edn, de 37 anos, acredita que parte do problema \u00e9 a falta de regulamenta\u00e7\u00e3o que proteja os ciclistas. \u201cSe h\u00e1 acidentes, h\u00e1 total impunidade\u201d, lamentou essa mulher que diariamente pedala 13 quil\u00f4metros para ir e voltar ao trabalho.<\/p>\n<p>A outra face quem mostra \u00e9 Enrique Rojas, de 50 anos e 30 como taxista em Santiago. \u201cOs ciclistas s\u00e3o imprudentes, cruzam entre os carros e n\u00e3o respeitam os sinais. Muitas vezes quase atropelo algum porque n\u00e3o respeitou o sinal vermelho ou pedalava sem luz \u00e0 noite\u201d, disse Rojas ao Terram\u00e9rica. \u201cOs ciclistas tamb\u00e9m deveriam ser obrigados a ter carteira de habilita\u00e7\u00e3o e as bicicletas deveriam ter placas. N\u00e3o podem pegar a bicicleta e n\u00e3o se preocupar com nada, deixando sua seguran\u00e7a nas m\u00e3os de outros\u201d, queixou-se o taxista.<\/p>\n<p>A bicicleta tamb\u00e9m avan\u00e7a na Cidade do M\u00e9xico, com oito milh\u00f5es de pessoas, aos quais se somam outros 11 milh\u00f5es em sua \u00e1rea vizinha. \u201cFoi um processo relativamente curto\u201d, explicou Xavier Trevi\u00f1o, diretor do escrit\u00f3rio mexicano do n\u00e3o governamental Instituto de Pol\u00edticas para o Transporte e o Desenvolvimento (ITDP). \u201cSeu maior \u00eaxito foi coloc\u00e1-la como meio opcional e sua maior fortaleza a promo\u00e7\u00e3o\u201d, detalhou ao Terram\u00e9rica.<\/p>\n<p>O emblema das duas rodas na capital mexicana \u00e9 o sistema de Transporte Individual Ecobici, que desde seu lan\u00e7amento em 2010 soma 87 mil usu\u00e1rios, com quatro mil bicicletas distribu\u00eddas em 275 esta\u00e7\u00f5es ao longo de 22 quil\u00f4metros. Para usar o sistema \u00e9 preciso se registrar e pagar US$ 31 por ano. Al\u00e9m disso, a Cidade do M\u00e9xico tem 90 quil\u00f4metros de ciclovias confinadas e n\u00e3o confinadas. \u201cSistemas como o Ecobici incentivam a continuar crescendo. \u00c9 uma in\u00e9rcia positiva. Mas falta infraestrutura. Todas as vias prim\u00e1rias devem ter infraestrutura para bicicletas\u201d, opinou Trevi\u00f1o.<\/p>\n<p>Segundo o Bicidades 2013, quase todas as 18 cidades emergentes e seis grandes pesquisadas contam com ciclovias permanentes, menos Assun\u00e7\u00e3o e a colombiana Manizales. Somente Bogot\u00e1, Buenos Aires, Cidade do M\u00e9xico, Assun\u00e7\u00e3o, La Paz e Montevid\u00e9u t\u00eam regulamenta\u00e7\u00f5es sobre pedalar no tr\u00e2nsito urbano, como pede o taxista Rojas. Envolverde\/Terram\u00e9rica<\/p>\n<p><em>* A autora \u00e9 correspondente da IPS, com colabora\u00e7\u00f5es de Helda Mart\u00ednez (Bogot\u00e1), Emilio Godoy (Cidade do M\u00e9xico) e Marianela Jarroud (Santiago).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Artigos relacionados da IPS<\/b><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/ambiente\/terramerica-bicicletas-defendem-seu-lugar-na-selva\/\" >Bicicletas defendem seu lugar na selva<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/terramerica\/terramerica-aposta-reafirmada\/\" >Aposta reafirmada<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/2012\/12\/bicicletas-se-multiplican-en-buenos-aires\/\" >Bicicletas se multiplicam em Buenos Aires, em espanhol<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/sociedade\/rio-de-janeiro-avanca-em-duas-rodas\/\" >Rio de Janeiro avan\u00e7a em duas rodas<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Artigo produzido para o Terram\u00e9rica, projeto de comunica\u00e7\u00e3o apoiado pelo Banco Mundial Latin America and Caribbean, realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu\u00eddo pela Ag\u00eancia Envolverde.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 16 de dezembro de 2013 (Terram&eacute;rica).- &ldquo;Diariamente percorro 43 quil&ocirc;metros e isso me agrada&rdquo;, diz Carlos Cantor, em Bogot&aacute;. &ldquo;H&aacute; cinco anos troquei o carro pela bicicleta&rdquo;, afirma Tom&aacute;s Fuenzalida, de Santiago. 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