{"id":16989,"date":"2013-12-17T13:37:50","date_gmt":"2013-12-17T13:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105075"},"modified":"2013-12-17T13:37:50","modified_gmt":"2013-12-17T13:37:50","slug":"energia-nuclear-marginal-mas-estrategica-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/energia-nuclear-marginal-mas-estrategica-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Energia nuclear, marginal mas estrat\u00e9gica para o Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105076\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/nuclear.jpg\"><img class=\" wp-image-105076 \" alt=\"nuclear Energia nuclear, marginal mas estrat\u00e9gica para o Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/nuclear.jpg\" width=\"529\" height=\"253\" title=\"Energia nuclear, marginal mas estrat\u00e9gica para o Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Vista do reator nuclear Angra 2, instalado em uma \u201cratoeira\u201d entre as montanhas e o mar. Foto: Fab\u00edola Ortiz<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Angra dos Reis, Brasil, 17\/12\/2013 \u2013 O Brasil insiste em desenvolver a energia nuclear, apesar de sua contribui\u00e7\u00e3o para a matriz energ\u00e9tica nacional sempre ser marginal e de seus altos custos. \u201cO sistema el\u00e9trico necessita de uma contribui\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica e esta \u00e9 a mais limpa e segura\u201d, disse \u00e0 IPS o presidente da Eletrobras Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. \u201cSeria uma decis\u00e3o errada descart\u00e1-la\u201d, afirmou esse homem que dirige a empresa p\u00fablica encarregada de construir e operar os reatores.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o termonuclear representa 3% da oferta el\u00e9trica. Mas o pr\u00f3prio Pinheiro reconhece que sua contribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o dever\u00e1 ir al\u00e9m dos 4%, pois, apesar de a demanda aumentar, o desenvolvimento hidrel\u00e9trico e as contribui\u00e7\u00f5es de outras fontes renov\u00e1veis continuar\u00e3o se expandindo na matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Angra dos Reis, na regi\u00e3o da Costa Verde, no Atl\u00e2ntico e 160 quil\u00f4metros a oeste do Rio de Janeiro, foi escolhida para a constru\u00e7\u00e3o de Angra 1, o primeiro reator do Brasil, que come\u00e7ou a operar em 1985 com tecnologia norte-americana e pot\u00eancia de 640 megawatts (MW). Angra 2 foi erguida a partir de um acordo de transfer\u00eancia de tecnologia com a Alemanha e entrou em funcionamento em 2001, com pot\u00eancia de 1.350 MW.<\/p>\n<p>O pa\u00eds depende da hidroeletricidade, que \u00e9 a forma de gera\u00e7\u00e3o mais barata. A contribui\u00e7\u00e3o nuclear \u00e9 \u201ccomplementar\u201d, afirmou \u00e0 IPS o superintendente de Angra 2, engenheiro Ant\u00f4nio Carlos Mazzaro, que h\u00e1 35 anos trabalha no complexo. Angra 2 \u201cgera 10,5 milh\u00f5es de MW\/hora por ano, o suficiente para atender um ter\u00e7o da demanda do Estado do Rio de Janeiro, ou uma popula\u00e7\u00e3o de cinco milh\u00f5es de habitantes\u201d, explicou. Angra 3 est\u00e1 sendo constru\u00edda ao custo de US$ 6 bilh\u00f5es e dever\u00e1 come\u00e7ar a funcionar em 2018. Nela trabalham tr\u00eas mil oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds determina que o Estado tem o monop\u00f3lio desse tipo de energia e de todo o ciclo do ur\u00e2nio. O Brasil, com quase 200 milh\u00f5es de habitantes, iniciou as pesquisas na d\u00e9cada de 1950, e possui a sexta maior reserva natural de ur\u00e2nio do mundo, com cerca de 310 mil toneladas. Contudo, estimativas indicam que poderiam ser de at\u00e9 800 mil toneladas. O pa\u00eds aspira ser exportador de combust\u00edvel nuclear e construir entre quatro e oito novas centrais at\u00e9 2030. H\u00e1 estudos indicando a viabilidade de 40 locais onde situ\u00e1-las.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, no entanto, deu um passo atr\u00e1s depois do desastre na central japonesa de Fukushima. \u201cO plano n\u00e3o foi alterado, o que mudou foi a velocidade. Os governos tinham que dar uma resposta \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica, e a resposta imediata do Brasil foi uma paralisa\u00e7\u00e3o dos projetos para an\u00e1lise e tomada de provid\u00eancias\u201d, esclareceu Pinheiro. \u201cApesar de estarmos em uma regi\u00e3o muito mais favor\u00e1vel do que (a s\u00edsmica) Fukushima e usarmos tecnologia mais moderna, pensamos em um plano de resposta analisando todos nossos sistemas de seguran\u00e7a\u201d, com investimento de US$ 128 milh\u00f5es, acrescentou Pinheiro.<\/p>\n<p>O premiado ecologista Vilmar Berna acredita que a Costa Verde foi uma escolha ruim. Uma sucess\u00e3o de montanhas de selva que acabam abruptamente no mar, deixando espa\u00e7o apenas para uma estreita faixa de praias. O solo \u00e9 fr\u00e1gil e s\u00e3o constantes os deslizamentos de terra. \u201cAs tr\u00eas centrais se encontram em uma verdadeira \u201cratoeira\u201d, pois a \u00fanica estrada de acesso j\u00e1 fica congestionada nos feriados. Imagine se houve necessidade de evacuar a popula\u00e7\u00e3o\u201d, pontuou Berna \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A tentativa de desenvolver a regi\u00e3o, que vive principalmente do turismo, tamb\u00e9m foi errada, acrescentou o ecologista. Quando Angra 1 foi constru\u00edda, chegaram mais de cinco mil trabalhadores. Conclu\u00edda a obra, eles e suas fam\u00edlias acabaram engrossando as favelas, destacou. A decis\u00e3o de iniciar a ind\u00fastria nuclear foi tomada em plena ditadura militar (1964-1985). \u201cDenunciar a energia nuclear era como denunciar o governo, e isso significava pris\u00e3o, tortura ou morte. Mas hoje, na democracia, esse tema deveria ser decidido em plebiscito\u201d, ressaltou Berna.<\/p>\n<p>Em janeiro, a Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear colocou em consulta p\u00fablica o projeto que estabelece crit\u00e9rios e requisitos para aprovar instala\u00e7\u00f5es de novos reatores eletronucleares. Mas Berna e o analista pol\u00edtico Cl\u00f3vis Brigag\u00e3o apontam a persist\u00eancia do secretismo. Nunca foi dado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o direito de escolher se quer esta ou aquela energia, apontou Berna. Por outro lado, a \u00e1gua salgada usada para resfriar os reatores \u00e9 devolvida ao mar quatro graus mais quente, acrescentou.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional do Meio Ambiente determinou em 2011 que essa \u00e1gua n\u00e3o deve superar os tr\u00eas graus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura natural do mar, nem ultrapassar o limite de 40 graus. A Eletronuclear respondeu \u00e0 IPS dizendo que desde os anos 1980 conta com um programa para medir a cada 15 dias a temperatura em dois pontos onde s\u00e3o lan\u00e7ados efluentes no mar. Nestes anos, \u201ca temperatura da \u00e1gua do mar lan\u00e7ada na enseada de Saco Piraquara de Fora nunca superou os 40 graus estipulados pela resolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz o comunicado enviado \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que preocupa os ecologistas \u00e9 a disposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos radioativos. Segundo a companhia, os de baixa radioatividade s\u00e3o armazenados em instala\u00e7\u00f5es do complexo em Itaorna. E os muito radioativos, como o combust\u00edvel nuclear usado, est\u00e3o dentro dos reatores.<\/p>\n<p>No dia 2, a justi\u00e7a determinou ao governo, \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear e \u00e0 empresa que incluam no or\u00e7amento os recursos necess\u00e1rios para projetar, construir e instalar dep\u00f3sitos finais para dispor dos res\u00edduos radioativos de Angra. Essa resolu\u00e7\u00e3o se deve a uma a\u00e7\u00e3o iniciada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico em 2007, em resposta a uma demanda civil denunciando que dejetos perigosos eram armazenados em dep\u00f3sitos provis\u00f3rios desde a d\u00e9cada de 1980, o que constitu\u00eda um risco \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><b>Modelo mundial de verifica\u00e7\u00e3o nuclear<\/b><\/p>\n<p>Brasil e Argentina desenvolveram uma experi\u00eancia que chama a aten\u00e7\u00e3o em todo o mundo, disse \u00e0 IPS o coordenador do Grupo de An\u00e1lise de Preven\u00e7\u00e3o de Conflitos Internacionais, Cl\u00f3vis Brigag\u00e3o. Os dois pa\u00edses constru\u00edram uma diplomacia nuclear com fins pac\u00edficos ao criarem, em 1991, a Ag\u00eancia Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, que verifica suas atividades at\u00f4micas civis e militares.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 a \u00fanica ag\u00eancia regional do mundo. Funciona como um mecanismo de n\u00e3o prolifera\u00e7\u00e3o e de desarmamento. Este sistema \u00e9 muito <i>sui generis<\/i> e moderno\u201d, explicou Brigag\u00e3o. Brasil e Argentina estudam desenvolver uma empresa binacional de enriquecimento de ur\u00e2nio para exporta\u00e7\u00e3o. \u201cImagine se \u00cdndia e Paquist\u00e3o fizessem o mesmo. Ou Coreia do Norte e Coreia do Sul, ou mesmo Ir\u00e3 e Israel\u201d, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Angra dos Reis, Brasil, 17\/12\/2013 &ndash; O Brasil insiste em desenvolver a energia nuclear, apesar de sua contribui&ccedil;&atilde;o para a matriz energ&eacute;tica nacional sempre ser marginal e de seus altos custos. &ldquo;O sistema el&eacute;trico necessita de uma contribui&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica e esta &eacute; a mais limpa e segura&rdquo;, disse &agrave; IPS o presidente da Eletrobras [&hellip;] <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/energia-nuclear-marginal-mas-estrategica-para-o-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":77,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[27,1558,989,3178,1942],"class_list":["post-16989","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-energia","category-ultimas-noticias","tag-brasil","tag-energia-nuclear","tag-inter-press-service-reportagens","tag-ips","tag-matriz-energetica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/77"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}