{"id":16990,"date":"2013-12-17T12:56:04","date_gmt":"2013-12-17T12:56:04","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105067"},"modified":"2013-12-17T12:56:04","modified_gmt":"2013-12-17T12:56:04","slug":"jovens-ganeses-se-convertem-em-migrantes-climaticos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/jovens-ganeses-se-convertem-em-migrantes-climaticos\/","title":{"rendered":"Jovens ganeses se convertem em migrantes clim\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105068\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/jovens.jpg\"><img class=\" wp-image-105068 \" alt=\"jovens Jovens ganeses se convertem em migrantes clim\u00e1ticos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/jovens.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Jovens ganeses se convertem em migrantes clim\u00e1ticos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Crian\u00e7as e adultos da Regi\u00e3o Norte se veem for\u00e7ados a emigrar para Acra e outras regi\u00f5es do sul de Gana por causa do clima. Foto: Cortesia de Albert Oppong-Ansah<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acra, Gana, 17\/12\/2013 \u2013 A jovem Fizer Boa, de 20 anos, mudou-se para a capital de Gana para trabalhar no mercado local Abobloshie como transportadora, ou <em>kayayei<\/em>. Desde ent\u00e3o, dorme por ali mesmo, no ch\u00e3o. \u201cConcordei com minha m\u00e3e quando me aconselhou a me unir a uma amiga que trabalhava com <em>kayayei<\/em> em Acra. N\u00e3o fui contra porque com dificuldade poder\u00edamos ter tr\u00eas escassas refei\u00e7\u00f5es por dia\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o das chuvas no distrito de Bunkpurugu-Yunyoo, na Regi\u00e3o Norte de Gana, terra natal de Boa, provoca perdas nos cultivos nos dois \u00faltimos anos e deixou sua fam\u00edlia, e outras mais, sem meios de sustento. O trabalho de Boa na cidade implica transportar produtos em suas costas ou na cabe\u00e7a de um lugar a outro, e para cada viagem ganha entre US$ 0,50 e US$ 6.<\/p>\n<p>T\u00e3o logo chegou a Acra, suas duas irm\u00e3s decidiram abandonar a escola e seguir seu exemplo, para trabalhar tamb\u00e9m como transportadoras. \u201cMinhas irm\u00e3s abandonaram a escola para virem para Acra, porque minha m\u00e3e j\u00e1 n\u00e3o pode pagar as taxas adicionais, como as cobradas pela Associa\u00e7\u00e3o de Pais e Mestres, nem comprar o material escolar\u201d, explicou Boa. O ensino \u00e9 gratuito nesse pa\u00eds da \u00c1frica ocidental, mas cada escola cobra suas taxas adicionais para cobrir gastos administrativos.<\/p>\n<p>Juntas, as tr\u00eas irm\u00e3s podem ganhar at\u00e9 US$ 30 em um bom dia. O of\u00edcio de <i>kayayei<\/i> \u00e9, geralmente, realizado por crian\u00e7as e adultos da Regi\u00e3o Norte que migram para o sul de Gana em busca de sustento. Wilson Dogbe, do Instituto de Pesquisa Agr\u00edcola na Savana, apontou \u00e0 IPS que a mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u00e9 um dos fatores principais dessa migra\u00e7\u00e3o. A Regi\u00e3o Norte \u00e9 predominantemente rural, e os agricultores s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis aos efeitos do aquecimento global.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que a Regi\u00e3o Norte experimenta escassas chuvas, infertilidade do solo e aumento da temperatura, de at\u00e9 47 graus\u201d, detalhou Dogbe, cujo instituto faz parte do Conselho para a Pesquisa Cient\u00edfica e Industrial. \u201c\u00c9 evidente que, segundo a pesquisa realizada nos \u00faltimos anos, a escassez de terra e a infertilidade do solo s\u00e3o os principais elementos que expulsam as pessoas em busca de lugares mais seguros no sul\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O n\u00e3o governamental Centro de A\u00e7\u00e3o para a Tomada de Consci\u00eancia no Setor do Norte (Norsaac), com sede em Tamale, a capital da Regi\u00e3o Norte, estima que o n\u00famero de <i>kayayei<\/i> em Acra e na cidade de Kumasi, tamb\u00e9m no sul, supera os 80 mil. Alguns desses refugiados clim\u00e1ticos, em sua maioria mulheres entre 18 e 30 anos enviadas por suas fam\u00edlias para ajudar na renda familiar, trabalham como distribuidoras de \u00e1gua, ajudantes em restaurantes, vendedoras ambulantes e atendentes do com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Mas sua exist\u00eancia \u00e9 prec\u00e1ria. Mohammad Awal, diretor do Norsaac, disse \u00e0 IPS que essas jovens representam o grupo mais vulner\u00e1vel dos refugiados clim\u00e1ticos, pois n\u00e3o t\u00eam onde viver e dormem ao ar livre em paradas de caminh\u00f5es, \u00e0 merc\u00ea do clima e de outras amea\u00e7as. \u201cMuitos desses migrantes, especialmente as adolescentes, regressam para suas fam\u00edlias portando doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>As que engravidam n\u00e3o podem identificar o pai ou t\u00eam problemas com sequelas por terem feito abortos em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias. Boa admitiu ter enfrentado situa\u00e7\u00f5es em que correu risco de vida e que foi assediada por homens, mas afirmou que n\u00e3o tem outra op\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja dormir ao ar livre.<\/p>\n<p>Dogbe pontuou que a Autoridade para o Desenvolvimento Acelerado da Savana (Sada), criada em 2010 pelo governo para aliviar a pobreza no norte e atender o problema da migra\u00e7\u00e3o interna, n\u00e3o conseguiu muito progresso. \u201cSupunha-se que daria oportunidades aos agricultores pobres, especialmente \u00e0s mulheres, para adquirirem propriedades, manterem sua produ\u00e7\u00e3o de alimentos e protegerem o fr\u00e1gil ecossistema da Zona Ecol\u00f3gica da Savana Norte. Mas n\u00e3o foi feito muito\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Dogbe disse que 80% das estradas da Regi\u00e3o Norte continuam intransit\u00e1veis, e que os agricultores n\u00e3o t\u00eam m\u00e1quinas necess\u00e1rias, como tratores e colheitadeiras, para facilitar seu trabalho, e acrescentou que os produtores precisam de empr\u00e9stimos brandos para comprar insumos e sementes. Por\u00e9m, o vice-ministro de Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura, Ahmed Yakubu Alhassan, disse que a Sada e o Projeto Comercial Agr\u00edcola de Gana assegurar\u00e3o que a regi\u00e3o se converta novamente no celeiro do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Banco Mundial e a Ag\u00eancia dos Estados Unidos para o Desenvolvimento internacional (Usaid) criaram esse projeto com US$ 145 milh\u00f5es para desenvolver infraestrutura, como estradas e redes de irriga\u00e7\u00e3o, para melhorar a produtividade das plan\u00edcies de Acra e o norte de Gana. Enquanto isso, Boa e suas irm\u00e3s dever\u00e3o se esfor\u00e7ar para ganhar a vida. \u201cSe tivermos sorte trabalharemos duro para economizar dinheiro e envi\u00e1-lo aos nossos pais\u201d, afirmou a jovem. Mas ela e suas irm\u00e3s sonham em ser mais, como \u201cestilistas, para ter uma renda decente\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Acra, Gana, 17\/12\/2013 &ndash; A jovem Fizer Boa, de 20 anos, mudou-se para a capital de Gana para trabalhar no mercado local Abobloshie como transportadora, ou kayayei. Desde ent&atilde;o, dorme por ali mesmo, no ch&atilde;o. &ldquo;Concordei com minha m&atilde;e quando me aconselhou a me unir a uma amiga que trabalhava com kayayei em Acra. 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