{"id":16992,"date":"2013-12-17T13:48:41","date_gmt":"2013-12-17T13:48:41","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105079"},"modified":"2013-12-17T13:48:41","modified_gmt":"2013-12-17T13:48:41","slug":"fuga-de-capitais-sem-declarar-chega-a-cifras-astronomicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/fuga-de-capitais-sem-declarar-chega-a-cifras-astronomicas\/","title":{"rendered":"Fuga de capitais sem declarar chega a cifras astron\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105084\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/somas.jpg\"><img class=\" wp-image-105084 \" alt=\"somas Fuga de capitais sem declarar chega a cifras astron\u00f4micas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/somas.jpg\" width=\"529\" height=\"306\" title=\"Fuga de capitais sem declarar chega a cifras astron\u00f4micas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Quantias fabulosas sem declarar deixam os pa\u00edses diariamente. Foto: Kristin Palitza\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 17\/12\/2013 \u2013 Os pa\u00edses em desenvolvimento podem perder mais de US$ 1 trilh\u00e3o ao ano, procedentes de crimes e corrup\u00e7\u00e3o. Esse fluxo ilegal aumenta velozmente e j\u00e1 \u00e9 dez vezes superior \u00e0 quantia total da ajuda estrangeira que essas na\u00e7\u00f5es recebem. Entre 2002 e 2011, os governos do mundo em desenvolvimento perderam quase US$ 6 trilh\u00f5es, principalmente pela debilidade das normas e por uma pobre governabilidade, segundo o Global Financial Integrity (GFI), uma organiza\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o com sede em Washington.<\/p>\n<p>Nas estimativas do GFI est\u00e3o inclu\u00eddas a riqueza obtida mediante faturamento inexato ou adulterado, sociedades fantasmas e para\u00edsos fiscais, entre outras montagens cont\u00e1beis. \u201cIsto fornece evid\u00eancias para demonstrar que a fuga de capitais ilegais \u00e9 o problema econ\u00f4mico mais devastador para o Sul global\u201d, afirmou o presidente da organiza\u00e7\u00e3o, Raymond W. Baker, na introdu\u00e7\u00e3o de um informe divulgado no dia 11. Os n\u00fameros s\u00e3o \u201cum chamado de aten\u00e7\u00e3o para que os governantes entendam a urg\u00eancia\u201d de abordar esse problema, destacou.<\/p>\n<p>Preocupante \u00e9 a velocidade com que esse neg\u00f3cio est\u00e1 crescendo. Em 2002, primeiro ano analisado pelos investigadores do GFI, os fluxos financeiros il\u00edcitos rondaram a casa dos US$ 270,3 bilh\u00f5es. Em 2011, \u00faltimo ano com estimativas dispon\u00edveis, aumentaram para US$ 946,7 bilh\u00f5es. E continuam crescendo. Com ajuste pela infla\u00e7\u00e3o, percebe-se um crescimento m\u00e9dio de mais de 10% ao ano. O montante de 2011 representou alta de 13,7% em rela\u00e7\u00e3o ao de 2010.<\/p>\n<p>\u201cA fuga de capitais cresce\u201d, disse \u00e0 IPS Dev Kar, economista-chefe do GFI e coautor do novo informe.\u00a0 \u201cDurante a crise econ\u00f4mica (iniciada em 2008) diminu\u00edram tanto as importa\u00e7\u00f5es como as exporta\u00e7\u00f5es, mas, na medida em que a atividade se recuperava, o mesmo acontecia com essas sa\u00eddas de fundos\u201d, acrescentou. Kar alerta que as estimativas do GFI podem ser conservadoras. Por exemplo, n\u00e3o consideram as transfer\u00eancias informais de dinheiro (como a \u201chawala\u201d) nem as grandes transa\u00e7\u00f5es de efetivo, e assim n\u00e3o d\u00e3o pistas sobre as dimens\u00f5es de neg\u00f3cios imensos como o narcotr\u00e1fico ou o tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n<p>A \u00c1sia representa cerca de 40% das sa\u00eddas ilegais de fundos procedentes de pa\u00edses em desenvolvimento. Embora a \u00c1frica tenha representado apenas 7% em 2011, o continente teve a maior propor\u00e7\u00e3o de fluxos il\u00edcitos em rela\u00e7\u00e3o ao produto interno bruto, com aproximadamente 5,7%. Como a \u00c1frica tamb\u00e9m \u00e9 a regi\u00e3o que mais depende da ajuda estrangeira, frear pelo menos parte dessa fuga de recursos seria crucial para aumentar os investimentos p\u00fablicos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura.<\/p>\n<p>Institui\u00e7\u00f5es dedicadas a promover o desenvolvimento come\u00e7am a prestar aten\u00e7\u00e3o nessas desigualdades. A organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria Oxfam estima que existam cerca de US$ 32 bilh\u00f5es em para\u00edsos fiscais de todo o mundo. Se estivessem gravados, se poderia arrecadar quase US$ 190 bilh\u00f5es ao ano. \u201cOs governos deveriam entrar em acordo para acabar com a fome at\u00e9 2025 e os para\u00edsos fiscais, assim poderiam pagar isso e muito mais\u201d, afirmou Stephen Hale, da Oxfam, em um comunicado, acrescentando que a \u201cevas\u00e3o fiscal tira alimentos da boca dos famintos\u201d.<\/p>\n<p>No ano passado, a comunidade internacional adotou importantes medidas para fechar certas vias usadas para esconder riqueza n\u00e3o declarada aos Estados. O Grupo dos Oito (G-8) pa\u00edses mais poderosos e o Grupo dos 20 (G-20) industrializados e emergentes puseram o combate ao abuso fiscal entre suas prioridades. Neste ver\u00e3o boreal, um painel de alto n\u00edvel da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que negociava a pr\u00f3xima fase dos Objetivos de Desenvolvimento para o Mil\u00eanio, cujo prazo est\u00e1 fixado para 2015, indicou que uma de suas prioridades \u00e9 enfrentar o abuso dos para\u00edsos fiscais de ultramar e os fluxos financeiros ilegais.<\/p>\n<p>Pouco depois, quase uma dezena de pa\u00edses membros da Uni\u00e3o Europeia acordaram o primeiro sistema multilateral de interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria do mundo, que se baseia em requisitos bilaterais semelhantes aos dos Estados Unidos, aprovados h\u00e1 tr\u00eas anos. \u201cO fato de esses fluxos serem mencionados pelo G-20 e por outras organiza\u00e7\u00f5es internacionais \u00e9 novo\u201d, ponderou em entrevista \u00e0 IPS Brian LeBlanc, economista j\u00fanior no GFI e coautor do novo informe. \u201cEsses assuntos eram vistos antes como problemas dos pa\u00edses em desenvolvimento, mas agora vemos que os industrializados est\u00e3o adotando medidas. Estamos avan\u00e7ando em algo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 urgente fazer muito mais, dizem as fontes. Kar acredita que as medidas adotadas at\u00e9 agora ter\u00e3o pouco impacto no curto prazo. \u201cO G-20 n\u00e3o abordou o sistema financeiro paralelo, em grande parte intacto. N\u00e3o houve medidas para melhorar a transpar\u00eancia, nem se fez muito a prop\u00f3sito dos para\u00edsos fiscais ou dos fiadores cegos\u201d, ressaltou. Para Kar, \u201c\u00e9 importante que boa parte da conversa\u00e7\u00e3o se foque nos pa\u00edses industrializados. Acreditamos que a debilidade da governan\u00e7a \u00e9 uma for\u00e7a motriz das fugas de capital e fluxos ilegais, e nos grandes pa\u00edses a governan\u00e7a simplesmente n\u00e3o melhora e em muitos deteriora\u201d.<\/p>\n<p>Kar assinalou que as fabulosas somas do informe do GFI parecem ter pouco impacto nos funcion\u00e1rios governamentais em muitos pa\u00edses em desenvolvimento, mesmo quando os cofres p\u00fablicos dessas na\u00e7\u00f5es ainda resistem \u00e0 crise financeira mundial. \u201cNa maioria dos pa\u00edses teve impacto zero, e as autoridades inclusive se negaram a reconhecer que h\u00e1 um problema. A Mal\u00e1sia, por exemplo, apenas afirmou que nossas estimativas s\u00e3o exageradas\u201d, pontuou Kar. Esse pa\u00eds asi\u00e1tico \u00e9 o quarto da lista de maiores exportadores de capitais il\u00edcitos do GFI.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o poderosa e corrupta entre pol\u00edticos e empresas, que inclui o financiamento de campanhas eleitorais, falta de transpar\u00eancia no comportamento empresarial e subornos em contratos com o governo\u201d, ressaltou Kar. \u201cEsses s\u00e3o grandes assuntos, e falta percorrer um longo caminho at\u00e9 que os pa\u00edses aceitem que os fluxos ilegais s\u00e3o um problema e depois apliquem pol\u00edticas para enfrentar a situa\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 17\/12\/2013 &ndash; Os pa&iacute;ses em desenvolvimento podem perder mais de US$ 1 trilh&atilde;o ao ano, procedentes de crimes e corrup&ccedil;&atilde;o. 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