{"id":16995,"date":"2013-12-18T12:36:13","date_gmt":"2013-12-18T12:36:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105161"},"modified":"2013-12-18T12:36:13","modified_gmt":"2013-12-18T12:36:13","slug":"refugiados-palestinos-lutam-com-acampamento-em-ruinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/refugiados-palestinos-lutam-com-acampamento-em-ruinas\/","title":{"rendered":"Refugiados palestinos lutam com acampamento em ru\u00ednas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105162\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/reconstrucao.jpg\"><img class=\" wp-image-105162 \" alt=\"reconstrucao Refugiados palestinos lutam com acampamento em ru\u00ednas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/reconstrucao.jpg\" width=\"529\" height=\"336\" title=\"Refugiados palestinos lutam com acampamento em ru\u00ednas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A reconstru\u00e7\u00e3o do acampamento de Nahr el Bared, no L\u00edbano, \u00e9 lenta e frustra os refugiados palestinos. Foto: Rebecca Murray\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nahr el Bared, L\u00edbano, 18\/12\/2013 \u2013 Enquanto a guerra s\u00edria agrava os choques entre fac\u00e7\u00f5es na cidade libanesa de Tr\u00edpoli, os refugiados palestinos que vivem nessa regi\u00e3o se desesperam cada vez mais com a viol\u00eancia. No ver\u00e3o de 2007, os refugiados do acampamento Nahr el Bared, a apenas 16 quil\u00f4metros da cidade costeira de Tr\u00edpoli, pagaram um pre\u00e7o devastador na batalha entre o ex\u00e9rcito liban\u00eas e um pequeno grupo de \u00a0insurgentes que viviam entre eles, o Fatah al Isl\u00e3.<\/p>\n<p>O combate de tr\u00eas meses se deveu ao vazio de poder gerado por fac\u00e7\u00f5es palestinas que competiam entre si, mas n\u00e3o conseguiam controlar a seguran\u00e7a da comunidade. Ficaram destru\u00eddos o acampamento e o mercado regional que se abastecia de agricultores libaneses e bens que entravam contrabandeados da S\u00edria. Mais de 30 mil fam\u00edlias de refugiados foram para algum dos 11 acampamentos palestinos oficiais no L\u00edbano, deixando para tr\u00e1s suas casas, seus pertences, seus empregos.<\/p>\n<p>No ano seguinte, doadores internacionais se comprometeram em Viena a financiar a reconstru\u00e7\u00e3o de milhares de casas a cargo da Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente M\u00e9dio (UNRWA). At\u00e9 agora, apenas um quinto da comunidade retornou \u00e0 regi\u00e3o, agora declarada \u00e1rea militar, e os fundos da reconstru\u00e7\u00e3o est\u00e3o a ponto de se esgotar. A causa \u00e9 a neglig\u00eancia dos doadores e a guerra na S\u00edria.<\/p>\n<p>Shadi Diab, um barbeiro de 40 anos de Nahr el Bared, mora em uma casa provis\u00f3ria enquanto espera a reconstru\u00e7\u00e3o da sua. Ele fugiu do acampamento com a mulher e seus filhos no terceiro dia dos enfrentamentos de 2007. Ao voltar encontrou a comunidade isolada por barreiras de seguran\u00e7a e o edif\u00edcio onde vivia estava destru\u00eddo. \u201cSomos castigados por algo que n\u00e3o fizemos. Nahr el Bared n\u00e3o \u00e9 o mesmo; est\u00e1 pior do que antes. O mercado est\u00e1 destru\u00eddo e j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 regional. Para as pessoas entrarem h\u00e1 muitas restri\u00e7\u00f5es militares; agora n\u00e3o \u00e9 todo mundo que entra\u201d, contou Diab.<\/p>\n<p>Por lei, os palestinos s\u00e3o proibidos de possuir propriedades no L\u00edbano e trabalhar em cerca de 70 profiss\u00f5es. Embora nos \u00faltimos tempos a lei trabalhista tenha sido revista, na pr\u00e1tica pouco mudou, e essa popula\u00e7\u00e3o pobre deve competir com os refugiados s\u00edrios por empregos manuais e magros sal\u00e1rios. A a\u00e7\u00e3o da UNRWA se restringe a reconstruir cinco mil casas no \u201cvelho\u201d acampamento que gerencia, criado em 1949, e n\u00e3o pode faz\u00ea-lo em zonas perif\u00e9ricas, conhecidas como \u201co novo acampamento\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s finalizar as obras em oito terrenos, a ag\u00eancia estima que 2.500 fam\u00edlias voltar\u00e3o ao acampamento na primavera de 2015, data em que terminam os fundos. A diretora da UNRWS, Ann Dismorr, disse que a ag\u00eancia recebeu compromisso de aproximadamente US$ 345 milh\u00f5es. \u201cMas precisamos que chegue ao menos metade dessa quantia. Se o dinheiro estivesse aqui poder\u00edamos finalizar todo o acampamento em poucos anos, o problema \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta e cheia de obst\u00e1culos. H\u00e1 den\u00fancias de excesso de burocracia, favoritismo com os empreiteiros aliados de certos pol\u00edticos, alvoro\u00e7o sobre a descoberta de um s\u00edtio arqueol\u00f3gico e a controv\u00e9rsia sobre a forma que deve ter o acampamento reconstru\u00eddo. As novas moradias s\u00e3o menores e as ruas mais largas, para permitir a circula\u00e7\u00e3o de blindados do ex\u00e9rcito, que sempre foi proibido de patrulhar dentro dos acampamentos de refugiados palestinos no L\u00edbano.<\/p>\n<p>Em Viena, o governo liban\u00eas prometera que a reconstru\u00e7\u00e3o de Nahr el Bared serviria de modelo para outros acampamentos. Mas Sahar Attrache, pesquisador do International Crisis Group, n\u00e3o acredita que as coisas sejam assim. \u201cNahr el Bared n\u00e3o era apenas um modelo para a reconstru\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para o Estado e para os palestinos: que libaneses e palestinos pudessem, de certo modo, se reconciliar e que os palestinos pudessem ficar sob a autoridade do Estado Liban\u00eas\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>\u201cLamentavelmente, todas as partes fracassaram, sobretudo o lado liban\u00eas. N\u00e3o foram cumpridas as promessas feitas aos palestinos, o que alimentou o ressentimento\u201d, acrescentou Attrache. Nesse cen\u00e1rio, o Conselho Noruegu\u00eas para os Refugiados desempenhou um papel \u00fanico em Nahr el Bared, navegando pelo nebuloso sistema legal liban\u00eas para reconstruir casas com dinheiro da Uni\u00e3o Europeia em \u00e1reas vizinhas ao \u201cvelho\u201d acampamento, Mohajareen.<\/p>\n<p>Comprado pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) de latifundi\u00e1rios libaneses, Mohajareen foi constru\u00eddo para alojar refugiados que fugiram do massacre no acampamento de Tel al Zaatar, em 1976. Por\u00e9m, a venda do terreno nunca foi registrada oficialmente junto ao Estado. Depois de 2007, o bairro destru\u00eddo foi entregue \u00e0 caridade isl\u00e2mica (Waqf), que, por sua vez, o doou \u00e0s cem fam\u00edlias palestinas pobres que viviam nessas terras. Ap\u00f3s prolongado per\u00edodo de disputas legais, o Conselho Noruegu\u00eas para Refugiados est\u00e1 determinado a entregar em fevereiro quase 90 casas prontas, com eletricidade e \u00e1gua, aos antigos moradores de Mohajareen.<\/p>\n<p>No entanto, o Conselho reconhece a decep\u00e7\u00e3o dos palestinos. \u201c\u00c9 a mesma quantidade de fam\u00edlias que voltam a se instalar, mas com menos espa\u00e7o, o que cria uma particular dificuldade\u201d, explicou a diretora do Conselho, Niamh Murnaghan. \u201cUma das condi\u00e7\u00f5es para a reconstru\u00e7\u00e3o foi que as ruas e cal\u00e7adas entre as constru\u00e7\u00f5es fossem mais largas, por isso houve uma perda inevit\u00e1vel de espa\u00e7o para as moradias\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cSe voc\u00ea \u00e9 refugiado h\u00e1 65 anos e sente que lhe tiram mais alguma coisa, ent\u00e3o n\u00e3o se sentir\u00e1 bem\u201d, acrescentou Murnaghan. Fouad el Haj \u00e9 um jovem de 24 anos, de Mohajareen. Como supervisor da obra, est\u00e1 orgulhoso de ajudar a reconstruir sua comunidade. Mas seu maior desafio \u00e9 tratar com seus antigos vizinhos, que est\u00e3o descontentes com a solu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica e com a espera. \u201cA comunidade est\u00e1 dividida. A vizinhan\u00e7a mudou e as lembran\u00e7as dos velhos tempos se foram\u201d, lamentou Haj. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Nahr el Bared, L&iacute;bano, 18\/12\/2013 &ndash; Enquanto a guerra s&iacute;ria agrava os choques entre fac&ccedil;&otilde;es na cidade libanesa de Tr&iacute;poli, os refugiados palestinos que vivem nessa regi&atilde;o se desesperam cada vez mais com a viol&ecirc;ncia. 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