{"id":17,"date":"2005-01-18T00:00:00","date_gmt":"2005-01-18T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=17"},"modified":"2005-01-18T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-18T00:00:00","slug":"nepal-a-reconciliao-a-melhor-estratgia-para-eliminar-o-terrorismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/nepal-a-reconciliao-a-melhor-estratgia-para-eliminar-o-terrorismo\/","title":{"rendered":"Nepal: A reconcilia&ccedil;&atilde;o &eacute; a melhor estrat&eacute;gia para eliminar o terrorismo"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, 18\/01\/2005 &ndash; Nosso pa&iacute;s nunca gozou da paz como hoje em dia. Nunca esteve t&atilde;o est&aacute;vel quanto atualmente. O alcance e a profundidade da reconcilia&ccedil;&atilde;o dos diversos grupos que integram nossa na&ccedil;&atilde;o nunca foram t&atilde;o acentuados e nunca estivemos t&atilde;o livres do perigo de inaceit&aacute;veis conflitos pol&iacute;ticos como agora. Em contrapartida, o per&iacute;odo de 350 anos transcorrido desde a chegada dos colonos holandeses ao Cabo da Boa Esperan&ccedil;a, em 1652, at&eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, em 1994, esteve caracterizado por um conflito ininterrupto e uma permanente incerteza sobre o futuro do nosso pa&iacute;s. Durante os &uacute;ltimos anos do sistema de domina&ccedil;&atilde;o da minoria branca, nosso pa&iacute;s experimentou n&iacute;veis muito altos de viol&ecirc;ncia, enquanto o regime do apartheid fez tudo o que p&ocirc;de para se manter no poder.<br \/> <!--more--> <br \/> Por todo esse per&iacute;odo, ningu&eacute;m surgiu como vencedor. O oprimido n&atilde;o teve &ecirc;xito em derrotar e derrocar o regime opressor para, desse modo, negar-lhe a possibilidade de continuar com a imposi&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia contra o povo. E tampouco o opressor teve &ecirc;xito em derrotar o oprimido nem em faz&ecirc;-lo incapaz de continuar a luta por sua liberta&ccedil;&atilde;o. Esta luta n&atilde;o resolvida, e com uma situa&ccedil;&atilde;o na qual n&atilde;o havia paz nem guerra, fez com que o futuro pol&iacute;tico de nosso pa&iacute;s seguisse incerto. Al&eacute;m disso, subsistia o perigo de que estourasse o mais sangrento dos conflitos no qual nenhuma das partes cederia em suas posi&ccedil;&otilde;es. Finalmente, a mudan&ccedil;a aconteceu como resultado de um acordo negociado essencialmente pelos antagonistas hist&oacute;ricos que haviam estado frente a frente nas barricadas durante 350 anos, sem que um ou outro fosse capaz de derrotar e destruir o advers&aacute;rio.<\/p>\n<p> Esta sa&iacute;da pac&iacute;fica culminou com as igualmente pac&iacute;ficas elei&ccedil;&otilde;es gerais de 1994, que surpreenderam os c&eacute;ticos, que haviam se convencido de que nosso povo, negros e brancos, era incapaz de resolver pacificamente seus problemas. Assombrados com o fato de nossas primeiras elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas terem transcorrido pacificamente, os c&eacute;ticos pensaram que a transi&ccedil;&atilde;o do apartheid para uma democracia n&atilde;o racial era muito boa para ser verdade. Convenceram-se de que cedo ou tarde nosso pa&iacute;s se veria consumido pela terr&iacute;vel conflagra&ccedil;&atilde;o racial que haviam previsto para 1994, e quando os dias de paz foram se acumulando, disseram: &quot;esperem at&eacute; amanh&atilde;!&quot;. E quando chegou esse amanh&atilde;, sem que houvesse sinal algum do apocalipse que prognosticavam, repetiram: &quot;esperem at&eacute; amanh&atilde;!&quot;.<\/p>\n<p> Os agourentos n&atilde;o entenderam que as primeiras e principais v&iacute;timas da viol&ecirc;ncia e da guerra em nosso pa&iacute;s, as massas de nosso povo, negros e brancos, seriam os primeiros e melhores garantidores da paz que haviam ganho em 1994. Isto foi confirmado pelo quase total desaparecimento da viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica em nosso pa&iacute;s, inclusive durante os per&iacute;odos eleitorais. Em 1994, &aacute;reas como KwaZulu-Natal e a atual Ekurhuleni (East Rand) foram o epicentro da viol&ecirc;ncia que acabou com milhares de vidas &agrave; medida que o regime do apartheid se aproximava de seu desaparecimento. Quando, em nosso d&eacute;cimo anivers&aacute;rio, realizamos as elei&ccedil;&otilde;es de 2004, as massas populares dessas duas &aacute;reas n&atilde;o permitiriam que ningu&eacute;m as arrastasse novamente para uma situa&ccedil;&atilde;o de viol&ecirc;ncia e guerra.<\/p>\n<p> Por outro lado, alguns entre nossos compatriotas brancos continuaram abrigando falsas id&eacute;ias de que podem resolver seus problemas se envolvendo em campanhas de atentados com bombas e assassinatos. Entretanto, depois que colocaram uma bomba aqui, outra ali, ficou perfeitamente claro que os que constituem essa faixa lun&aacute;tica n&atilde;o t&ecirc;m absolutamente nenhum apoio da popula&ccedil;&atilde;o branca de nosso pa&iacute;s. Mais recentemente, e c&eacute;ticos pensaram em amedrontar o povo com afirma&ccedil;&otilde;es infundadas sobre uma inten&ccedil;&atilde;o de modificar a Constitui&ccedil;&atilde;o para aumentar o n&uacute;mero de mandatos que uma pessoa pode exercer no cargo de presidente da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p> Isto foi parte de uma campanha alarmista que buscou sugerir que a &Aacute;frica do Sul est&aacute; se convertendo em Estado de partido &uacute;nico, o que resultaria no colapso da democracia, de nosso sistema de direitos humanos e do imp&eacute;rio da lei, levando, assim, &agrave; instala&ccedil;&atilde;o de uma ditadura, etc&#8230;etc. Indubitavelmente, por um ego&iacute;sta e estreito partidarismo e por outras raz&otilde;es, e c&eacute;ticos em nosso meio continuar&atilde;o com suas maliciosas campanhas baseadas em mentiras, sem levar em conta que os milh&otilde;es de integrantes de nosso povo, de todas as ra&ccedil;as e cores, est&atilde;o trabalhando conjuntamente para construir a &Aacute;frica do Sul de seus sonhos. <\/p>\n<p> Nosso sistema democr&aacute;tico est&aacute; firmemente enraizado. N&atilde;o existe for&ccedil;a alguma que tenha a possibilidade de min&aacute;-lo ou coloc&aacute;-lo em perigo. Apesar de nossa hist&oacute;ria, e talvez por essa raz&atilde;o, estamos nas primeiras posi&ccedil;&otilde;es do grupo de pa&iacute;ses do mundo que s&atilde;o verdadeiramente pac&iacute;ficos, est&aacute;veis e n&atilde;o dolorosamente consumidos pela amea&ccedil;a das bombas terroristas. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p> (*) Thabo Mbeki &eacute; presidente da &Aacute;frica do Sul.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, 18\/01\/2005 &ndash; Nosso pa&iacute;s nunca gozou da paz como hoje em dia. Nunca esteve t&atilde;o est&aacute;vel quanto atualmente. O alcance e a profundidade da reconcilia&ccedil;&atilde;o dos diversos grupos que integram nossa na&ccedil;&atilde;o nunca foram t&atilde;o acentuados e nunca estivemos t&atilde;o livres do perigo de inaceit&aacute;veis conflitos pol&iacute;ticos como agora. Em contrapartida, o per&iacute;odo de 350 anos transcorrido desde a chegada dos colonos holandeses ao Cabo da Boa Esperan&ccedil;a, em 1652, at&eacute; a liberta&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica do Sul, em 1994, esteve caracterizado por um conflito ininterrupto e uma permanente incerteza sobre o futuro do nosso pa&iacute;s. Durante os &uacute;ltimos anos do sistema de domina&ccedil;&atilde;o da minoria branca, nosso pa&iacute;s experimentou n&iacute;veis muito altos de viol&ecirc;ncia, enquanto o regime do apartheid fez tudo o que p&ocirc;de para se manter no poder.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/nepal-a-reconciliao-a-melhor-estratgia-para-eliminar-o-terrorismo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":323,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-17","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/323"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}