{"id":17003,"date":"2013-12-20T13:01:50","date_gmt":"2013-12-20T13:01:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105335"},"modified":"2013-12-20T13:01:50","modified_gmt":"2013-12-20T13:01:50","slug":"violencia-machista-entra-na-agenda-politica-do-cazaquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/violencia-machista-entra-na-agenda-politica-do-cazaquistao\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia machista entra na agenda pol\u00edtica do Cazaquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Cazaquistao.jpg\"><img class=\"alignleft size-medium wp-image-105336\" alt=\"Cazaquistao 300x168 Viol\u00eancia machista entra na agenda pol\u00edtica do Cazaquist\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Cazaquistao-300x168.jpg\" width=\"300\" height=\"168\" title=\"Viol\u00eancia machista entra na agenda pol\u00edtica do Cazaquist\u00e3o\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p>Astana, Cazaquist\u00e3o, 20\/12\/2013 (EurasiaNet) \u2013 Quando o banqueiro Darjan Botabayev tentou reservar um voo na companhia a\u00e9rea nacional do Cazaquist\u00e3o em setembro, o que come\u00e7ou como uma compra rotineira se converteu em um ataque que comoveu o pa\u00eds: o homem perdeu o controle e deu um soco no rosto da jovem vendedora de passagens.<\/p>\n<p>Outro incidente violento ocorreu em outubro, quando Kanatbay Turmaganbetov, um prefeito rural do norte do pa\u00eds, se ofendeu porque uma mulher fotografou um cartaz do presidente Nursultan Nazarbayev. Ele a convocou em seu escrit\u00f3rio onde \u201cbateu sua cabe\u00e7a na parede, lhe deu v\u00e1rios socos no peito e um pontap\u00e9\u201d, segundo not\u00edcia divulgada na imprensa local.<\/p>\n<p>Turmaganbetov foi julgado, multado e afastado do cargo. Botabayev foi obrigado a renunciar \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Kazinvestbank (banco cazaquistan\u00eas de investimentos) e acabou na lista negra da Air Astana, ap\u00f3s o que se desculpou diante da v\u00edtima com um ramo de flores e doou US$ 10 mil a obras de caridade.<\/p>\n<p>Esses incidentes comoveram o pa\u00eds, mas ativistas dizem que n\u00e3o s\u00e3o casos isolados. O mais perturbador \u00e9 que muitos ataques contra mulheres ficam atr\u00e1s de portas fechadas. Como o de Marina, que se casou com um homem abusador para escapar de um pai que se tornou violento com ela desde que, aos 15 anos, foi violada e engravidou. O caso de Irina, cujo marido incendiou o apartamento de sua m\u00e3e onde ela se refugiou para fugir dos seus abusos. Em alguns casos as v\u00edtimas n\u00e3o sobrevivem, como Rashida, cujo marido invadiu sua casa, fechou as filhas em um quarto e a matou a punhaladas.<\/p>\n<p>Esses casos foram registrados mediante testemunhos pelo Centro de Crise Podrugi (Amigas), em Almaty, que oferece apoio psicol\u00f3gico e legal \u00e0s v\u00edtimas e capacita profissionais dedicados \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da lei, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade. A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tenta fazer com que o problema se converta em prioridade pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Quando foi criada a Podrugi, h\u00e1 15 anos, a viol\u00eancia de g\u00eanero n\u00e3o era reconhecida como um problema ou um crime. Costumava-se retrat\u00e1-la como parte da vida privada das fam\u00edlias. Incans\u00e1veis esfor\u00e7os de ativistas ajudaram a mudar as percep\u00e7\u00f5es. E no discurso sobre o estado da na\u00e7\u00e3o do ano passado, um \u201calarmado\u201d presidente Nazarbayev disse que esse assunto exigia aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia n\u00e3o \u00e9 um problema privado\u201d, apontou Nadezhda Gladyr, a presidente da Podrugi, em entrevista ao EurasiaNet.org. \u201c\u00c9 um problema social, porque ultrapassa as fronteiras da fam\u00edlia. \u00c9 um problema do Estado\u201d, afirmou. Um marco nessa luta foi a lei contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica, aprovada em 2009. O parlamento agora discute reformas para torn\u00e1-la mais severa e garantir maior apoio \u00e0s v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe quantas mulheres sofrem abusos e maus tratos no Cazaquist\u00e3o a cada ano. Paradoxalmente, as estat\u00edsticas oficiais (que em mat\u00e9ria de viol\u00eancia de g\u00eanero s\u00e3o claramente pouco confi\u00e1veis na maioria dos pa\u00edses) mostram que a quantidade de crimes sem registro caiu desde que a lei foi adotada.<\/p>\n<p>Dados do Comit\u00ea de Estat\u00edsticas Legais do Escrit\u00f3rio do Procurador Geral mostram que em 2012 foram registrados 783 casos, contra 887 em 2009. No ano passado, 285 mulheres morreram em incidentes relacionados com viol\u00eancia dom\u00e9stica, disse Gulshara Abdykalikova, que dirigiu a Comiss\u00e3o Nacional para os Assuntos das Mulheres e da Pol\u00edtica Demogr\u00e1fica Familiar e foi nomeada vice-primeira-ministra em novembro.<\/p>\n<p>Representantes da Podrugi estimam que um quinto das fam\u00edlias do pa\u00eds sofrem viol\u00eancia. O informe da Ag\u00eancia Nacional de Estat\u00edsticas sobre crimes contra mulheres em 2012 mostra que foram registrados 13.797 delitos violentos contra elas, \u201cem muitos casos\u201d de car\u00e1ter machista.<\/p>\n<p>Mas, quem denuncia \u00e9 estigmatizada, portanto, \u201cnem todas as mulheres falam, n\u00e3o querem lavar roupa suja em p\u00fablico\u201d, disse Abdykalikova, em fevereiro. Tatyana Usmanova, do n\u00e3o governamental Centro de Apoio \u00e0s Mulheres, disse em uma mesa-redonda realizada em janeiro que \u201ca sociedade \u00e9 muito tolerante com a viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo quando procuram a pol\u00edcia, frequentemente as den\u00fancias s\u00e3o retiradas por press\u00e3o familiar ou pela depend\u00eancia econ\u00f4mica que muitas t\u00eam com os agressores. Cerca de 20 mil mulheres apresentaram den\u00fancias policiais por viol\u00eancia de g\u00eanero em 2011, disse no ano passado ao parlamento o vice-ministro do Interior, Kayrat Tynybekov. Contudo, apenas uma fra\u00e7\u00e3o das den\u00fancias iniciais acabam nos registros oficiais.<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias entre a quantidade de crimes registrados e a de mulheres que buscam ajuda \u00e9 enorme. Em outubro informou-se ao parlamento que, desde o come\u00e7o do ano at\u00e9 esse m\u00eas, 37 mil v\u00edtimas haviam solicitado ajuda das Unidades para Proteger as Mulheres da Viol\u00eancia, vinculadas ao Minist\u00e9rio do Interior, e que 11 mil haviam recorrido aos 28 centros de crises do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A propor\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00f5es parece ter ca\u00eddo desde a ado\u00e7\u00e3o da lei. Em 2012, foram 509 senten\u00e7as, contra 988 em 2009. Essa queda de 48% \u00e9 muito maior do que a baixa de 12% nos crimes informados, embora as condena\u00e7\u00f5es por acusa\u00e7\u00f5es menores possam alterar os n\u00fameros. No ano passado, 386 pessoas receberam senten\u00e7as de cust\u00f3dia (76% das condena\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito da campanha 16 Dias de Ativismo Contra a Viol\u00eancia em Rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Mulheres, que vai de 25 de novembro a 10 de dezembro, a Podrugi pressionou o governo para que criasse uma rede nacional de abrigos financiados pelos Estados para as v\u00edtimas. No momento, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais operam uma rede heterog\u00eanea, e algumas cidades importantes, entre elas Almaty, n\u00e3o t\u00eam abrigos designados.<\/p>\n<p>Os legisladores se manifestaram em apoio do papel estatal. \u201cPara n\u00f3s, que representamos os direitos das mulheres, \u00e9 importante que o Estado tenha um papel de protagonista na preven\u00e7\u00e3o, e, portanto, os abrigos p\u00fablicos s\u00e3o realmente cruciais\u201d, enfatizou Gladyr. \u201cO governo agora est\u00e1 nos ouvindo, e est\u00e1 conosco\u201d, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Joanna Lillis <\/b>\u00e9 jornalista independente, especializada em temas da \u00c1sia central. Este artigo foi publicado originalmente na EurasiaNet.org.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Astana, Cazaquist&atilde;o, 20\/12\/2013 (EurasiaNet) &ndash; Quando o banqueiro Darjan Botabayev tentou reservar um voo na companhia a&eacute;rea nacional do Cazaquist&atilde;o em setembro, o que come&ccedil;ou como uma compra rotineira se converteu em um ataque que comoveu o pa&iacute;s: o homem perdeu o controle e deu um soco no rosto da jovem vendedora de passagens. 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