{"id":17005,"date":"2013-12-20T12:35:30","date_gmt":"2013-12-20T12:35:30","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105327"},"modified":"2013-12-20T12:35:30","modified_gmt":"2013-12-20T12:35:30","slug":"a-seguranca-alimentar-tambem-em-pequenos-vasilhames","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/a-seguranca-alimentar-tambem-em-pequenos-vasilhames\/","title":{"rendered":"A seguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m em pequenos vasilhames"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105328\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/orugas640.jpg\"><img class=\" wp-image-105328 \" alt=\"orugas640 A seguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m em pequenos vasilhames\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/orugas640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"A seguran\u00e7a alimentar tamb\u00e9m em pequenos vasilhames\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Dorothy Chisa vende lagartas, um popular manjar de alto conte\u00fado proteico, em Z\u00e2mbia. Foto: Amy Fallon\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lusaka, Z\u00e2mbia, 20\/12\/2013 \u2013 O mundo conhece Z\u00e2mbia como a terra do cobre, por ser um dos principais produtores mundiais deste mineral. Mas agora o pa\u00eds tamb\u00e9m desenvolve um neg\u00f3cio mais suculento: as lagartas. Em uma esquina de Lusaka, a capital, em um dia de calor abrasador, Dorothy Chisa, de 49 anos, vende estas lagartas, na realidade larvas de insetos, que constituem uma cada vez mais procurada esquisitice de alto conte\u00fado proteico neste pa\u00eds da \u00c1frica austral, com 13 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>S\u00e3o vendidas cruas, em recipientes de diferentes tamanhos, cujos pre\u00e7os partem de cinco kwachas (US$ 0,0009). Os clientes \u201cgostam muito. T\u00eam um sabor bastante agrad\u00e1vel, como carne de peixe, e t\u00eam vitaminas. Se forem amassadas pode-se fazer pur\u00ea para beb\u00eas\u201d, disse \u00e0 IPS esta m\u00e3e de sete filhos que ganha at\u00e9 600 kwachas (US$ 0,10) por dia vendendo lagartas.<\/p>\n<p>Essas larvas, que costumam ser encontradas nas \u00e1rvores de mopane, ou \u00e1rvore de b\u00e1lsamo, no norte do pa\u00eds, se chamam ifishimu, em idioma bemba, ou ifinkubala, em chewa, falado no leste. A variedade negra tem espinhas mais vis\u00edveis do que a marrom, e as duas t\u00eam tamanhos diferentes. Os camponeses pegam as lagartas vivas das \u00e1rvores com as m\u00e3os. Depois as apertam para liberarem as folhas que consumiram e as colocam para tostar em fogo baixo. Com ajuda do calor sufocante de Z\u00e2mbia, costumam secar em dois dias.<\/p>\n<p>Geralmente s\u00e3o misturadas com nshima, uma sopa grossa \u00e0 base de milho, que \u00e9 um alimento b\u00e1sico nacional e \u00e0 qual se acrescenta tomate, cebola e carne refogada. Um restaurante de Lusaka serve essas lagartas e pelo menos uma pousada que recebe quem realiza saf\u00e1ri nas cataratas de Victoria, na fronteira com o Zimb\u00e1bue. S\u00e3o oferecidas para tentar os mzungus (brancos), explicam os propriet\u00e1rios.<\/p>\n<p>As pessoas chegam em grupos durante todo o ano ao norte, procedentes de Lusaka, no centro sul do pa\u00eds, e de outras partes de Z\u00e2mbia, para compr\u00e1-las a granel. Em 2013, a presen\u00e7a nas escolas da Prov\u00edncia do Norte caiu mais de 70%, pois os estudantes deixaram as salas de aula para ca\u00e7ar lagartas, informou um jornal local.<\/p>\n<p>A demanda por parte dos empres\u00e1rios urbanos elevou seu pre\u00e7o. Moradores da cidade de Kitwe, no centro do pa\u00eds, e de Lusaka acamparam nas aldeias do norte para se dedicarem a coletar essas larvas, e tamb\u00e9m houve den\u00fancias de que alguns pais obrigavam seus filhos a vend\u00ea-las.<\/p>\n<p>Segundo estudo divulgado em maio pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), a entomofagia, ou consumo de insetos pelos seres humanos, complementa a dieta de aproximadamente dois bilh\u00f5es de pessoas no mundo. Mais de 1.900 esp\u00e9cies, encontradas principalmente em pa\u00edses tropicais, s\u00e3o comest\u00edveis, segundo a FAO.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao seu alto valor nutricional e \u00e0s baixas emiss\u00f5es de gases-estufa, a pouca necessidade de terra e a grande efici\u00eancia em que convertem ra\u00e7\u00e3o em alimento, os insetos podem contribuir com a seguran\u00e7a alimentar e ajudar a superar a escassez de prote\u00ednas, diz o informe da FAO. Na \u00c1frica ocidental se consome a lagarta do butirospermo, ou \u00e1rvore manteigueira, enquanto a variedade sapelli se degusta no centro do continente. As esp\u00e9cies s\u00e3o as mesmas que as do mopane, mas se alimentam de diferentes \u00e1rvores.<\/p>\n<p>\u201cCompram as lagartas e depois as distribuem por outras prov\u00edncias\u201d, contou \u00e0 IPS o atacadista Chris Siame, cercado por altos sacos cheios das que adquiriu em outubro e que agora vende o vibrante mercado de Soweto, na capital. \u201cAlguns v\u00eam de outros pa\u00edses, como Malawi, Zimb\u00e1bue e at\u00e9 da \u00c1frica do Sul para compr\u00e1-las\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na \u00c1frica do Sul esses animais s\u00e3o parte do card\u00e1pio de um restaurante em Johannesburgo. Siame, de 32 anos, viaja anualmente cerca de 90 quil\u00f4metros com destino ao norte, por tr\u00eas semanas, para comprar as lagartas. \u201cUsamos o sistema de troca. Oferecemos roupas aos comerciantes. Se n\u00e3o as querem, pagamos em dinheiro\u201d, explicou. Ele comprou sacos de dois quilos de lagartas por 40 kwachas cada um. Ap\u00f3s traz\u00ea-las de caminh\u00e3o at\u00e9 Lusaka, vende cada um a 60 kwachas.<\/p>\n<p>O valor nutricional \u00e9 um benef\u00edcio extra. Segundo a FAO, cem gramas de lagartas dessecadas cont\u00eam cerca de 53 gramas de prote\u00edna, 15% de gordura e 17% de carboidratos. Acredita-se que os insetos possuam uma propor\u00e7\u00e3o maior de prote\u00edna e gordura do que a carne bovina e o pescado. Tamb\u00e9m s\u00e3o ricas em pot\u00e1ssio, c\u00e1lcio, magn\u00e9sio, zinco, f\u00f3sforo e ferro, entre outras vitaminas e minerais. \u201cQuando vamos \u00e0s consultas pr\u00e9-natais nos aconselham a com\u00ea-las\u201d, disse \u00e0 IPS uma compradora, enquanto amamentava seu beb\u00ea no mercado de Soweto.<\/p>\n<p>Francis Mupeta, secret\u00e1rio-geral da organiza\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos Residentes em Z\u00e2mbia, disse que costuma ver seus compatriotas comendo lagartas em sua vida profissional e pessoal. \u201cMinha mulher est\u00e1 gr\u00e1vida, e tem desejos por ifinkubala. Por isso tivemos que comprar quantidade para tr\u00eas meses\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cAconselho as gr\u00e1vidas a comerem ifinkubala. Melhora o apetite, reduz os enjoos e melhora sua nutri\u00e7\u00e3o em geral\u201d, ressaltou Mupeta, destacando que s\u00e3o relativamente baratas e f\u00e1ceis de conseguir em \u00e1reas rurais.<\/p>\n<p>Segundo Paul Vantomme, alto funcion\u00e1rio florestal da FAO, h\u00e1 tr\u00eas medidas que os pol\u00edticos de Z\u00e2mbia podem adotar em mat\u00e9ria de alimenta\u00e7\u00e3o e sa\u00fade para garantir que as futuras gera\u00e7\u00f5es tenham acesso a alimentos. \u201cPrimeiro, reconhecer que os insetos s\u00e3o parte da dieta e ajudam a enriquec\u00ea-la com prote\u00ednas valiosas\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cEm segundo lugar, dar apoio institucional e legal para garantir que as lagartas que chegam ao mercado s\u00e3o seguras para os consumidores e que as inspe\u00e7\u00f5es bromatol\u00f3gicas cubram a qualidade dos insetos, do mesmo modo como se faz com a carne, o pescado, o leite, etc. E, por fim, promover um fornecimento sustent\u00e1vel\u201d, detalhou Vantomme.<\/p>\n<p>Segundo a FAO, a comercializa\u00e7\u00e3o da lagarta do mopane promove uma colheita excessiva e insustent\u00e1vel. Desde a d\u00e9cada de 1990, as popula\u00e7\u00f5es dessa variedade diminu\u00edram, enquanto a pobreza, a inseguran\u00e7a alimentar e os desastres ambientais pioram a situa\u00e7\u00e3o. Vantomme considera que se deveria p\u00f4r controles em sua coleta e, ao mesmo tempo, plantar novas \u00e1rvores de mopane para aumentar sua quantidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lusaka, Z&acirc;mbia, 20\/12\/2013 &ndash; O mundo conhece Z&acirc;mbia como a terra do cobre, por ser um dos principais produtores mundiais deste mineral. Mas agora o pa&iacute;s tamb&eacute;m desenvolve um neg&oacute;cio mais suculento: as lagartas. 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