{"id":17006,"date":"2013-12-20T12:22:19","date_gmt":"2013-12-20T12:22:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105324"},"modified":"2013-12-20T12:22:19","modified_gmt":"2013-12-20T12:22:19","slug":"cuidar-da-agua-e-um-dever-energetico-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/12\/ultimas-noticias\/cuidar-da-agua-e-um-dever-energetico-do-brasil\/","title":{"rendered":"Cuidar da \u00e1gua \u00e9 um dever energ\u00e9tico do Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105325\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-105325 \" alt=\"Itaipu ago13 011 001 629x472 Cuidar da \u00e1gua \u00e9 um dever energ\u00e9tico do Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Itaipu-ago13-011-001-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Cuidar da \u00e1gua \u00e9 um dever energ\u00e9tico do Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O rio Paran\u00e1, reduzido pela barreira de concreto da represa do complexo hidrel\u00e9trico binacional de Itaipu. Foto: Mario Soares\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foz do Igua\u00e7u, Brasil, 20\/12\/2013 \u2013 A constru\u00e7\u00e3o de grandes centrais hidrel\u00e9tricas no Brasil coloca governo e empresas em numerosas escaramu\u00e7as com ambientalistas, ind\u00edgenas e movimentos sociais. Mas a geradora binacional de Itaipu \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, onde se pratica a colabora\u00e7\u00e3o. Com um conjunto de 65 a\u00e7\u00f5es ambientais, sociais e produtivas, o programa Cultivando \u00c1gua Boa (CAB) \u00e9 dirigido e apoiado por ativistas. Setores governamentais estudam us\u00e1-lo como modelo em outros grandes projetos de infraestrutura, para mitigar impactos e conflitos.<\/p>\n<p>Comparado com o que ocorre nas demais hidrel\u00e9tricas, \u201c\u00e9 um avan\u00e7o\u201d, reconhece Robson Formica, coordenador do Movimento de Afetados por Represas (MAB) no Estado do Paran\u00e1, em cujo extremo oeste fica a gigantesca usina energ\u00e9tica. A Itaipu Binacional, empresa que opera a hidrel\u00e9trica compartilhada por Brasil e Paraguai, decidiu garantir a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica eficiente no longo prazo, cuidando da ba\u00eda do rio Paran\u00e1 para assegurar \u00e1gua em quantidade e com qualidade.<\/p>\n<p>Isso facilita converg\u00eancias com o ambientalismo. Mais de 80% da eletricidade do Brasil prov\u00e9m dos rios, por isso sua seguran\u00e7a energ\u00e9tica depende das chuvas e do melhor aproveitamento poss\u00edvel de suas \u00e1guas. O CAB de Itaipu foi lan\u00e7ado em 2003, duas d\u00e9cadas ap\u00f3s ser enchida a represa de 1.350 quil\u00f4metros quadrados (que expulsou milhares de fam\u00edlias camponesas e ind\u00edgenas da \u00e1rea) e quando a empresa havia se consolidado como a maior geradora mundial de eletricidade.<\/p>\n<p>Para Formica, essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cimportantes, mas limitadas e isoladas\u201d. Al\u00e9m disso, \u201cn\u00e3o estabelecem uma pol\u00edtica de desenvolvimento local, nem uma mudan\u00e7a estrutural no territ\u00f3rio\u201d, ponderou o dirigente do MAB, forte cr\u00edtico das hidrel\u00e9tricas e que estima em um milh\u00e3o as pessoas deslocadas por causa delas no Brasil.<\/p>\n<p>A demanda de que a empresa assuma fun\u00e7\u00f5es que cabem ao Estado ganhou for\u00e7a diante da prolifera\u00e7\u00e3o de megaprojetos que transtornam de forma abrupta extensos h\u00e1bitats. Al\u00e9m disso, leis ambientais tentam impor-lhes o pagamento de compensa\u00e7\u00f5es, que costumam cobrir omiss\u00f5es dos servi\u00e7os a cargo do Estado.<\/p>\n<p>No caso de Itaipu, essa exig\u00eancia se justifica particularmente. Trata-se de uma empresa singular, duplamente estatal e com faturamento de US$ 3,797 bilh\u00f5es em 2012. Seus dom\u00ednios, em terras e \u00e1guas fronteiri\u00e7as do Brasil e do Paraguai, cont\u00eam a gigantesca usina, sua represa, 104 mil hectares de conserva\u00e7\u00e3o ambiental, a Universidade de Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana e o Parque Tecnol\u00f3gico de Itaipu.<\/p>\n<p>O programa CAB se estende por toda a bacia do Paran\u00e1 3, a \u00e1rea brasileira ao longo dos 170 quil\u00f4metros da represa. Inclui 29 munic\u00edpios, com superf\u00edcie de 8.339 quil\u00f4metros quadrados e um milh\u00e3o de habitantes. Suas 65 a\u00e7\u00f5es incluem desde assist\u00eancia a ind\u00edgenas, aquicultura, plantas medicinais e biog\u00e1s at\u00e9 educa\u00e7\u00e3o ambiental, em uma aparente dispers\u00e3o que um eixo central, cuidar da \u00e1gua, interliga em um conjunto concertado.<\/p>\n<p>Dessa forma, no desenvolvimento rural sustent\u00e1vel a prioridade \u00e9 a agricultura org\u00e2nica, para reduzir os pesticidas que contaminam a represa. \u201cCome\u00e7amos com 186 fam\u00edlias, hoje s\u00e3o 1.180\u201d as participantes e h\u00e1 cerca de duas mil hortas org\u00e2nicas, detalhou Nelton Friedrich, diretor de Coordena\u00e7\u00e3o e Meio Ambiente de Itaipu. Tamb\u00e9m foi criada a Plataforma Itaipu de Energias Renov\u00e1veis, para proteger os rios dos dejetos de animais. Ao convert\u00ea-los em biog\u00e1s, com o qual gera eletricidade, cria-se outra fonte de renda para os agricultores e evita-se a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas.<\/p>\n<p>A bacia, na qual predomina a agricultura familiar, com 26 mil minif\u00fandios, concentra milh\u00f5es de porcos, aves e bovinos. Seus excrementos, se acumulados na represa, provocariam um excesso de nutrientes, e a consequente prolifera\u00e7\u00e3o de plantas aqu\u00e1ticas, que, ao apodrecerem, retirariam oxig\u00eanio das \u00e1guas. \u00c9 o fen\u00f4meno da eutrofiza\u00e7\u00e3o, explicou C\u00edcero Bley, superintendente de Energias Renov\u00e1veis de Itaipu. \u201cA contamina\u00e7\u00e3o por res\u00edduos org\u00e2nicos \u00e9 mais comum do que a de agrot\u00f3xicos\u201d e em alguns casos obriga que seja feita limpeza permanente nas represas, acrescentou.<\/p>\n<p>A renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua na represa demora cerca de 30 dias, o que agrava a preocupa\u00e7\u00e3o. No rio Madeira, no Estado de Rond\u00f4nia, onde acabam de entrar em opera\u00e7\u00e3o as hidrel\u00e9tricas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau, bastam dois ou tr\u00eas dias, comparou Domingo Fernandez, pesquisador respons\u00e1vel de fauna it\u00edcola em Itaipu. Por isso, o saneamento e o reflorestamento de sua margem s\u00e3o necessidades evidentes para manter produtiva a \u00e1gua da bacia. Dentro do programa CAB foram plantadas mais de 24 milh\u00f5es de \u00e1rvores ao redor da represa.<\/p>\n<p>As iniciativas seguem uma metodologia que tamb\u00e9m \u00e9 fundamental e que ampliou a atua\u00e7\u00e3o para toda a bacia afetada, \u201cporque a natureza se organiza por bacias\u201d, destacou Friedrich. O modelo se fundamenta na responsabilidade compartilhada, envolvendo todos os atores locais, desde \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e privados at\u00e9 a sociedade civil e as universidades, e na participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, em uma esp\u00e9cie de \u201cdemocracia direta\u201d.<\/p>\n<p>Para isso foram formados comit\u00eas gestores nos 29 munic\u00edpios, que incluem, em m\u00e9dia, 57 representantes de variados setores, ap\u00f3s numerosas reuni\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o dos problemas. Os chamados Pactos das \u00c1guas, que s\u00e3o compromissos comunit\u00e1rios assinados com cerim\u00f4nia, impulsionam o desenho e a execu\u00e7\u00e3o coletiva de planos e projetos.<\/p>\n<p>Essas iniciativas tra\u00e7am um bom caminho, mas est\u00e3o longe de redimir a d\u00edvida social de Itaipu, segundo Aluizio Palmar, fundador do Centro de Direitos Humanos e Mem\u00f3ria Popular e ex-secret\u00e1rio de Meio Ambiente e Comunica\u00e7\u00e3o de Foz do Igua\u00e7u, munic\u00edpio brasileiro onde est\u00e1 instalada a hidrel\u00e9trica binacional.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do megaprojeto, entre 1975 e 1983, deslocou fam\u00edlias camponesas, que muitas vezes careciam de t\u00edtulos de propriedade para obter indeniza\u00e7\u00f5es, e multiplicou as favelas e os \u00edndices de viol\u00eancia em Foz do Igua\u00e7u, recordou Palmar. As compensa\u00e7\u00f5es financeiras beneficiam principalmente as prefeituras, que as usam em sedes de luxo e atra\u00e7\u00f5es tur\u00edsticas e quase nada destinam para atender as necessidades da popula\u00e7\u00e3o, lamentou.<\/p>\n<p>De todo modo, o quadro de Itaipu contrasta com o de outras bacias brasileiras, especialmente a do rio S\u00e3o Francisco, cuja revitaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um clamor nacional e que conta com um incipiente programa, coordenado pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Cinco grandes hidrel\u00e9tricas, com pot\u00eancia conjunta de 10.827 megawatts (77% de Itaipu), aproveitam suas cada dia mais escassas \u00e1guas no interior do nordeste brasileiro.<\/p>\n<p>Seu maior trecho cruza esta regi\u00e3o semi\u00e1rida e, al\u00e9m das secas, o S\u00e3o Francisco sofre sedimenta\u00e7\u00e3o e contamina\u00e7\u00e3o por atividades humanas, como o desmatamento de suas margens, lan\u00e7amento de esgoto urbano n\u00e3o tratado e v\u00e1rios projetos agr\u00edcolas irrigados com suas \u00e1guas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Foz do Igua&ccedil;u, Brasil, 20\/12\/2013 &ndash; A constru&ccedil;&atilde;o de grandes centrais hidrel&eacute;tricas no Brasil coloca governo e empresas em numerosas escaramu&ccedil;as com ambientalistas, ind&iacute;genas e movimentos sociais. Mas a geradora binacional de Itaipu &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o, onde se pratica a colabora&ccedil;&atilde;o. 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