{"id":17011,"date":"2014-01-06T13:13:09","date_gmt":"2014-01-06T13:13:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105449"},"modified":"2014-01-06T13:13:09","modified_gmt":"2014-01-06T13:13:09","slug":"onda-de-repatriados-afeta-a-etiopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/onda-de-repatriados-afeta-a-etiopia\/","title":{"rendered":"Onda de repatriados afeta a Eti\u00f3pia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105450\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Etiopia.jpg\"><img class=\" wp-image-105450 \" alt=\"Etiopia Onda de repatriados afeta a Eti\u00f3pia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Etiopia.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Onda de repatriados afeta a Eti\u00f3pia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">A escassez de terra na Eti\u00f3pia \u00e9 um tema cr\u00edtico para os pequenos agricultores, que s\u00e3o 80% da popula\u00e7\u00e3o. Foto: Isa\u00edas Esipisu\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 6\/1\/2014 \u2013 O retorno \u00e0 Eti\u00f3pia de 120 mil jovens que trabalhavam sem autoriza\u00e7\u00e3o na Ar\u00e1bia Saudita agravar\u00e1 o j\u00e1 elevado desemprego juvenil e as tens\u00f5es pelo acesso \u00e0 terra, cada vez mais escassa neste pa\u00eds do Chifre da \u00c1frica. Um n\u00famero crescente de jovens et\u00edopes opta por viajar para o vizinho Sud\u00e3o fugindo da proibi\u00e7\u00e3o indefinida, imposta por Adis Abeba no m\u00eas passado, \u00e0 emigra\u00e7\u00e3o de trabalhadores para o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Esther Negash, de 28 anos, \u00e9 parte de uma fam\u00edlia de nove integrantes que vivem em uma planta\u00e7\u00e3o de milho de quatro hectares na regi\u00e3o de Tigray, norte da Eti\u00f3pia. A jovem est\u00e1 desempregada desde que terminou a escola secund\u00e1ria, h\u00e1 dez anos, e decidiu utilizar suas economias para financiar uma viagem a Cartum em busca de emprego.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos dois meses muita gente retornou da Ar\u00e1bia Saudita, o que piora as coisas para pessoas que n\u00e3o podem encontrar trabalho, como eu\u201d, disse Negash \u00e0 IPS. \u201cAs chuvas foram breves este ano e n\u00e3o tivemos uma boa colheita. Minha fam\u00edlia \u00e9 grande, e se n\u00e3o conseguimos uma boa colheita, fica muito dif\u00edcil. Soubemos das oportunidades de trabalho no Sud\u00e3o e pensamos que seria a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o\u201d, contou a jovem.<\/p>\n<p>Um grande n\u00famero de et\u00edopes emigra anualmente por raz\u00f5es econ\u00f4micas, e seu principal destino \u00e9 o Oriente M\u00e9dio. A maioria dos 91 milh\u00f5es de habitantes desse pa\u00eds ganha menos de US$ 2 por dia. A repress\u00e3o na Ar\u00e1bia Saudita contra os trabalhadores estrangeiros ilegais come\u00e7ou depois de um per\u00edodo de anistia de sete meses, que venceu em 3 de novembro. Desde ent\u00e3o, foram repatriados 120 mil et\u00edopes ap\u00f3s passarem por um acampamento de deporta\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es humilhantes.<\/p>\n<p>Foram in\u00fameras as den\u00fancias de et\u00edopes contra seus patr\u00f5es e for\u00e7as de seguran\u00e7a sauditas por viola\u00e7\u00e3o de seus direitos humanos. A IPS conversou com uma mulher de 23 anos, que acabara de chegar \u00e0 Eti\u00f3pia procedente de Riad, onde trabalhou dois anos como empregada dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>\u201cMeu patr\u00e3o abusava sexualmente de mim e me batia. Me obrigava a trabalhar sete dias por semana, 20 horas por dia. N\u00e3o me deixava sair da casa. Foi um inferno\u201d, contou a jovem. \u201cN\u00e3o me pagaram durante um ano, apesar de tamb\u00e9m ter trabalhado para seus familiares. Estou muito cansada e muito triste. Mas muito feliz por estar de volta \u00e0 Eti\u00f3pia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Apesar das experi\u00eancias terr\u00edveis relatadas pelos repatriados, a pobreza e as escassas oportunidades continuar\u00e3o alimentando a emigra\u00e7\u00e3o, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), que tenta facilitar as vias formais de sa\u00edda do pa\u00eds, para evitar os traficantes de pessoas e outros intermedi\u00e1rios ilegais.<\/p>\n<p>\u201cDepois da proibi\u00e7\u00e3o, as pessoas tentar\u00e3o de todas as maneiras trabalhar no exterior\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor do Escrit\u00f3rio da OIT para Eti\u00f3pia e Som\u00e1lia, George Okutho. \u201cEsses repatriados viajaram para a Ar\u00e1bia Saudita com a esperan\u00e7a de enviar dinheiro para suas fam\u00edlias e melhorar o n\u00edvel de vida delas. Por\u00e9m, na maioria das vezes os trabalhadores migrantes atuam com desinforma\u00e7\u00e3o sobre suas possibilidades e o pa\u00eds de destino\u201d, pontuou.<\/p>\n<p>A falta de educa\u00e7\u00e3o e habilidades torna os emigrantes et\u00edopes especialmente vulner\u00e1veis ao trabalho em condi\u00e7\u00f5es de perigo e explora\u00e7\u00e3o, tanto na Eti\u00f3pia quanto no exterior, destacou Okutho. \u201cO problema \u00e9 que muitos trabalhadores migrantes n\u00e3o t\u00eam educa\u00e7\u00e3o e est\u00e3o pouco capacitados, inclusive para o trabalho dom\u00e9stico que buscam fora do pa\u00eds\u201d, acrescentou. \u201cSe v\u00e3o para o Oriente M\u00e9dio, ganham pouco mais do que quando estavam em casa, mas como n\u00e3o est\u00e3o capacitados acabam trabalhando em circunst\u00e2ncias muito extremas e dif\u00edceis sem conhecerem seus direitos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>A capacidade de planejamento e de log\u00edstica do governo se viu saturada pelo n\u00famero crescente de repatriados. A previs\u00e3o inicial de 23 mil saltou para 120 mil em um m\u00eas. \u201cEstamos cooperando com o governo saudita e trabalhamos duramente para repatriar os et\u00edopes desamparados\u201d, declarou \u00e0 IPS o porta-voz da chancelaria da Eti\u00f3pia, Dina Mufti.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de et\u00edopes que trabalha ilegalmente \u00e9 muito maior do que esper\u00e1vamos. O governo reconhece que essas pessoas, muitas delas jovens, v\u00e3o precisar de emprego e tentamos gerar oportunidades para ajud\u00e1-las e reabilit\u00e1-las em suas comunidades\u201d, afirmou Mufti.<\/p>\n<p>A escassez de terra \u00e9 um problema cr\u00edtico para os pequenos agricultores, que constituem 80% da popula\u00e7\u00e3o. Na regi\u00e3o montanhosa de Tigray cada fam\u00edlia possui, em m\u00e9dia, 3,5 hectares. Na medida em que aumenta a expectativa de vida, diminui a possibilidade de subdividir essas parcelas, e muitos jovens ficam sem emprego, sem sustento e sem alimentos.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, grande quantidade de jovens protestou nas principais cidades do pa\u00eds para demonstrar seu descontentamento com o elevado desemprego e com a infla\u00e7\u00e3o. Hewete Haile, de 18 anos, vive nos arredores de Sero Tabia, povoado onde o desemprego juvenil est\u00e1 em escalada. De um total de 2.200 fam\u00edlias, 560 jovens entre 17 e 35 anos est\u00e3o desempregados, sem terra nem renda.<\/p>\n<p>Diante da embaixada do Sud\u00e3o em Adis Abeba, Haile faz fila com outras v\u00e1rias centenas de jovens como ela, a maioria de aldeias rurais distantes, com a esperan\u00e7a de conseguir um visto que lhe permita buscar trabalho em Cartum. Seus amigos dizem que uma empregada dom\u00e9stica na capital sudanesa recebe por dia US$ 8, em compara\u00e7\u00e3o com os US$ 4 que ganhariam em Adis Abeba.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o deixaria meu pa\u00eds se houvesse como trabalhar e ganhar bem aqui\u201d, disse Haile \u00e0 IPS. \u201cSe no Sud\u00e3o n\u00e3o der certo, ent\u00e3o viajarei para o Oriente M\u00e9dio. Sei o que aconteceu na Ar\u00e1bia Saudita. N\u00e3o sairia da Eti\u00f3pia se pudesse conseguir trabalho, mas isso fica cada vez mais dif\u00edcil\u201d, lamentou a jovem. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 6\/1\/2014 &ndash; O retorno &agrave; Eti&oacute;pia de 120 mil jovens que trabalhavam sem autoriza&ccedil;&atilde;o na Ar&aacute;bia Saudita agravar&aacute; o j&aacute; elevado desemprego juvenil e as tens&otilde;es pelo acesso &agrave; terra, cada vez mais escassa neste pa&iacute;s do Chifre da &Aacute;frica. 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