{"id":17014,"date":"2014-01-07T12:28:18","date_gmt":"2014-01-07T12:28:18","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105494"},"modified":"2014-01-07T12:28:18","modified_gmt":"2014-01-07T12:28:18","slug":"robos-drones-e-a-renda-dos-humanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/robos-drones-e-a-renda-dos-humanos\/","title":{"rendered":"Rob\u00f4s, drones e a renda dos humanos"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_100596\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/shutterstockindustriacapa.jpg\"><img class=\"size-medium wp-image-100596\" alt=\"shutterstockindustriacapa 300x182 Rob\u00f4s, drones e a renda dos humanos\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/shutterstockindustriacapa-300x182.jpg\" width=\"300\" height=\"182\" title=\"Rob\u00f4s, drones e a renda dos humanos\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Processo industrial\/Reprodu\u00e7\u00e3o. Foto: http:\/\/www.shutterstock.com\/<\/p><\/div>\n<p>San Agust\u00edn, Estados Unidos, janeiro\/2014 \u2013 O debate sobre o desemprego estrutural, a automatiza\u00e7\u00e3o e o crescimento econ\u00f4mico sem empregos come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1960, quando as montadoras de autom\u00f3veis come\u00e7aram a substituir os oper\u00e1rios por rob\u00f4s.<\/p>\n<p>Futuristas como eu viram, no fato de estas tecnologias ocuparem setores inteiros das economias industriais, oportunidades de transi\u00e7\u00e3o para \u201csociedades do \u00f3cio p\u00f3s-industriais\u201d, baseadas na informa\u00e7\u00e3o e nos servi\u00e7os, e para o desenvolvimento do potencial humano, da aprendizagem permanente, da pesquisa, da aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria preventiva, das artes, do entretenimento, dos esportes e do turismo.<\/p>\n<p>Algumas partes dessa vis\u00e3o se materializaram. O turismo e o entretenimento s\u00e3o setores econ\u00f4micos importantes no mundo. A pesquisa produziu avan\u00e7os m\u00e9dicos, setores novos baseados na inform\u00e1tica, internet, a impress\u00e3o em 3D e os avi\u00f5es n\u00e3o tripulados, bem como a democratiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o por via eletr\u00f4nica com os cursos online abertos para todos.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, hoje faltam nossas vis\u00f5es futuristas que incluam um princ\u00edpio fundamental desta tomada de controle do trabalho por parte da tecnologia inform\u00e1tica: a renda garantida de maneira incondicional para proporcionar o poder aquisitivo necess\u00e1rio e manter a demanda agregada desta nova abund\u00e2ncia de bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m sustentamos que, se os trabalhadores fossem substitu\u00eddos pelas m\u00e1quinas, teriam que ser donos de uma parte destas.<\/p>\n<p>O debate voltou, na medida em que a desigualdade atinge n\u00edveis de crise na Europa e nos Estados Unidos, onde cai a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas rendas procedentes de uma maior produtividade, enquanto disparam para novas alturas o lucro dos donos do capital e dos executivos.<\/p>\n<p>Essa desigualdade agora conduz a uma maior paralisa\u00e7\u00e3o em muitas economias.<\/p>\n<p>As transfer\u00eancias diretas de dinheiro para os cidad\u00e3os mais pobres est\u00e3o elevando o n\u00edvel de vida no M\u00e9xico e no Brasil, mediante os programas Oportunidades e Bolsa Fam\u00edlia, respectivamente, que incorporaram milh\u00f5es de pessoas \u00e0 classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Esses pagamentos, chamados transfer\u00eancias condicionais de dinheiro em esp\u00e9cie, s\u00f3 exigem que as crian\u00e7as frequentem a escola e tenham acompanhamento m\u00e9dico.<\/p>\n<p>Na Europa, o movimento por rendas incondicionais b\u00e1sicas como resposta ao aumento do desemprego estrutural global deu lugar a manifesta\u00e7\u00f5es generalizadas e, na Su\u00ed\u00e7a, a um referendo.<\/p>\n<p>No entanto, as gigantes da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o do Vale do Sil\u00edcio, como Amazon, Googel, e outras no Jap\u00e3o, objetivam ocupar outros setores, ap\u00f3s terem alterado o com\u00e9rcio varejista, o entretenimento, os meios de comunica\u00e7\u00e3o, as finan\u00e7as e demais.<\/p>\n<p>Os autom\u00f3veis sem motorista do Google s\u00e3o uma amea\u00e7a para milh\u00f5es de postos de trabalho de taxistas e caminhoneiros. O assessor em inform\u00e1tica da Microsoft, Jaron Lanier, ilustra vividamente a futura domina\u00e7\u00e3o digital no livro <i>Who Owns the Future? <\/i>(Quem \u00e9 Dono do Futuro?), de 2013.<\/p>\n<p>Lanier defende uma economia nova baseada no interc\u00e2mbio de valor digital onde toda informa\u00e7\u00e3o pessoal que as pessoas fornecem para Facebook, Twitter, Amazon, Google, LinkedIn ou outras empresas similares seja remunerada, j\u00e1 que estes dados proporcionam o principal ativo para essas companhias.<\/p>\n<p>A venda de informa\u00e7\u00e3o pessoal, o uso de grandes volumes de dados para sua comercializa\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o falar de entreg\u00e1-los aos governos, \u00e9 um modelo b\u00e1sico de neg\u00f3cios da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o. Os pr\u00f3ximos grandes projetos do Google, al\u00e9m de seus \u00f3culos, com tudo o que implica para a privacidade, \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de rob\u00f4s que \u2013 asseguram \u2013 aliviar\u00e3o os humanos da monotonia. Este argumento \u00e9 utilizado pelos entusiastas da automatiza\u00e7\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Os economistas tamb\u00e9m evitam considerar as consequ\u00eancias da produtividade sem empregos, ao recomendarem mais educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o, enquanto evitam uma an\u00e1lise mais controvertida sobre as teorias econ\u00f4micas do <i>laissez faire<\/i>.<\/p>\n<p>Mas o desemprego amea\u00e7a muitos universit\u00e1rios rec\u00e9m-formados, dos quais muitos milhares trabalham como zeladores e trabalhadores de meio per\u00edodo. As pol\u00edticas p\u00fablicas costumam redistribuir o crescimento de maneira injusta mediante isen\u00e7\u00f5es de impostos e subs\u00eddios a poderosos interesses em troca de contribui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Todas estas tend\u00eancias revivem as grandes perguntas que s\u00e3o feitas h\u00e1 d\u00e9cadas: Qual \u00e9 o prop\u00f3sito da tecnologia? Por que a lebre da tecnologia do setor privado sempre supera a tartaruga da inova\u00e7\u00e3o social?<\/p>\n<p>Em 1974, os Estados Unidos criaram seu Escrit\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (OTA), no qual trabalhei, para responder a essas perguntas. Como os lucros e os impactos das novas tecnologias afetar\u00e3o os diferentes grupos da sociedade, bem como o meio ambiente e a qualidade de vida em geral?<\/p>\n<p>Consideremos o plano da Amazon para a entrega r\u00e1pida de encomendas mediante o uso de avi\u00f5es n\u00e3o tripulados. Quantos ser\u00e3o beneficiados e quantos poder\u00e3o ser incomodados, irritados ou mesmo lesados por todos esses drones no espa\u00e7o a\u00e9reo p\u00fablico?<\/p>\n<p>A qualidade de vida dos milh\u00f5es de pessoas que vivem perto dos armaz\u00e9ns de distribui\u00e7\u00e3o em massa da Amazon ser\u00e1 afetada com semelhante praga de drones sobre suas cabe\u00e7as?<\/p>\n<p>Ou veremos as novas propostas de que avi\u00f5es n\u00e3o tripulados assumam a poliniza\u00e7\u00e3o cruzada dos cultivos que realizam as abelhas, cujas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o em risco pelo colapso das colmeias ou em raz\u00e3o dos pesticidas neonicotinoides (ver <i>New Scientist<\/i>, 16 de novembro 2013, p. 43).<\/p>\n<p>Os drones podem, realmente, substituir as abelhas para manter o fornecimento de alimentos da humanidade? Quem se beneficia e quem perde?<\/p>\n<p>A OTA fazia todas essas perguntas inc\u00f4modas at\u00e9 que os legisladores republicanos do Congresso norte-americano a fecharam em 1996. Seu ponto de vista era que todas essas quest\u00f5es deveriam ser deixadas \u00e0 merc\u00ea da magia do mercado.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto se acelera a revolu\u00e7\u00e3o digital na medida em que avi\u00f5es n\u00e3o tripulados e rob\u00f4s povoam nossas sociedades, ressurgem todas essas d\u00favidas, bem como quem paga.<\/p>\n<p>Google, Amazon, Facebook, Twitter e demais come\u00e7ar\u00e3o a pagar aos seus usu\u00e1rios por seus dados pessoais, ou ajudar a pagar pela renda garantida das pessoas encostadas cuja m\u00e3o de obra j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria? Estamos voltando a unir todos os pontos e nosso futuro depender\u00e1 de novas respostas. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Hazel Henderson <\/b>preside o Ethical Markets Media (nos Estados Unidos e no Brasil) e \u00e9 autora de <\/i>Building A Win-Win World<i> (Construindo um Mundo em que Todos Ganhem) e outros livros. Foi assessora do Escrit\u00f3rio de Avalia\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica do Congresso dos Estados Unidos, da funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancias e da Academia Nacional de Engenharia, entre 1974 e 1980.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>San Agust&iacute;n, Estados Unidos, janeiro\/2014 &ndash; O debate sobre o desemprego estrutural, a automatiza&ccedil;&atilde;o e o crescimento econ&ocirc;mico sem empregos come&ccedil;ou na d&eacute;cada de 1960, quando as montadoras de autom&oacute;veis come&ccedil;aram a substituir os oper&aacute;rios por rob&ocirc;s. 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