{"id":17016,"date":"2014-01-07T13:01:01","date_gmt":"2014-01-07T13:01:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105505"},"modified":"2014-01-07T13:01:01","modified_gmt":"2014-01-07T13:01:01","slug":"o-longo-caminho-para-tornar-o-trafico-de-pessoas-visivel-na-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/o-longo-caminho-para-tornar-o-trafico-de-pessoas-visivel-na-espanha\/","title":{"rendered":"O longo caminho para tornar o tr\u00e1fico de pessoas vis\u00edvel na Espanha"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105506\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/montagem.jpg\"><img class=\" wp-image-105506 \" alt=\"montagem O longo caminho para tornar o tr\u00e1fico de pessoas vis\u00edvel na Espanha\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/montagem.jpg\" width=\"529\" height=\"285\" title=\"O longo caminho para tornar o tr\u00e1fico de pessoas vis\u00edvel na Espanha\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Montagem com algumas not\u00edcias da imprensa espanhola sobre o tr\u00e1fico de pessoas, na sede da Mulher Emancipada de M\u00e1laga, uma organiza\u00e7\u00e3o que atende mulheres em risco de exclus\u00e3o. Foto: In\u00e9s Ben\u00edtez\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>M\u00e1laga, Espanha, 7\/1\/2014 \u2013 Mar\u00eda veio do Paraguai para a Espanha para trabalhar como faxineira em um hotel, mas era um engano e acabou em um clube de programa obrigada a se prostituir. Uma noite contou sua hist\u00f3ria a um cliente que, impressionado, contratou seus servi\u00e7os durante dias at\u00e9 que lhe conseguiu um emprego longe e depois se casou com ela.<\/p>\n<p>Parece o roteiro de um filme com final feliz, mas \u00e9 um caso real e recente, que foi contado \u00e0 IPS pela trabalhadora social Felicia Carmen Marecos, do Consulado Geral do Paraguai na cidade de M\u00e1laga. \u00c9 uma de tantas hist\u00f3rias de mulheres que buscavam fugir da pobreza e ca\u00edram nas redes do tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n<p>A maioria das v\u00edtimas do tr\u00e1fico com fins de explora\u00e7\u00e3o sexual identificada na Espanha procedem de Brasil, China, Nig\u00e9ria, Paraguai e Rom\u00eania, segundo fontes policiais, que estimam em 12 mil as potenciais afetadas e em cinco milh\u00f5es de euros (US$ 6 milh\u00f5es) o ganho di\u00e1rio das m\u00e1fias desse crime no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mar\u00eda (nome fict\u00edcio), veio para a Espanha incentivada por sua irm\u00e3, que j\u00e1 vivia em Madri e fazia parte do engano. As mulheres for\u00e7adas a exercer a prostitui\u00e7\u00e3o costumam ser atra\u00eddas com ajuda de familiares, amigos ou conhecidos. Contudo, a jovem se atreveu a denunciar seu caso.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil \u00e0s mulheres fazerem isso, \u201cporque s\u00e3o coagidas desde seus pa\u00edses de origem\u201d, disse \u00e0 IPS a especialista em migra\u00e7\u00f5es e tr\u00e1fico de seres humanos do Coletivo Caminhando Fronteiras, Helena Maleno. Muitas n\u00e3o falam espanhol, s\u00e3o amea\u00e7adas, endividadas, ignoram que h\u00e1 ajudas, carecem de documenta\u00e7\u00e3o e temem a pol\u00edcia. Al\u00e9m disso, \u201cn\u00e3o costumam se reconhecerem como v\u00edtimas\u201d, pontuou Paula Mandillo, trabalhadora social da organiza\u00e7\u00e3o Mulher Emancipada, de M\u00e1laga, que em 2012 ajudou mais de uma centena de mulheres, sobretudo nigerianas e romenas.<\/p>\n<p>O primeiro informe da Comiss\u00e3o Europeia sobre tr\u00e1fico humano na Europa, publicado pela Eurostat em abril de 2013, cifra em 23.632 as v\u00edtimas entre 2008 e 2010, com crescimento de 18% durante o tri\u00eanio. Do total, 15% s\u00e3o meninas e meninos. Em 62% dos casos, essas pessoas, na maioria mulheres, foram atra\u00eddas para serem exploradas sexualmente, em 25% para explora\u00e7\u00e3o trabalhista e em 14% para outros tipos, como retirada de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Em 2010, a Espanha foi o segundo pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia (UE) com mais v\u00edtimas do tr\u00e1fico de pessoas, depois da It\u00e1lia, segundo o estudo. As organiza\u00e7\u00f5es da Rede Espanhola Contra o Tr\u00e1fico de Pessoas cobram uma lei integral contra esse crime, que penalize todas suas formas e n\u00e3o s\u00f3 a destinada \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sexual. Tamb\u00e9m querem um enfoque de direitos humanos porque, afirmam, \u201cprioriza um tratamento puramente criminal ou centrado na preven\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o do crime, bem como no controle da migra\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o caso de uma estrangeira que foi violada e, quando denunciou o crime em uma delegacia de uma localidade costeira de M\u00e1laga, foi detida e expulsa por sua situa\u00e7\u00e3o irregular, contaram \u00e0 IPS fontes da Equipe de Aten\u00e7\u00e3o ao Imigrante da Guarda Civil desta prov\u00edncia da Andaluzia. Uma jovem romena de 24 anos, multada v\u00e1rias vezes pela pol\u00edcia por exercer a prostitui\u00e7\u00e3o nas ruas de Barcelona, se suicidou em 23 de setembro e s\u00f3 ent\u00e3o se soube que fora v\u00edtima de uma rede que desde 2000 explorou sexualmente 200 mulheres, e que o cafet\u00e3o era seu pr\u00f3prio marido.<\/p>\n<p>\u201cPara sensibilizar a sociedade sobre o que ocorre, deve-se ter claro que tr\u00e1fico n\u00e3o \u00e9 prostitui\u00e7\u00e3o nem imigra\u00e7\u00e3o irregular, mas que h\u00e1 imigrantes irregulares e pessoas em explora\u00e7\u00e3o sexual que s\u00e3o v\u00edtimas do tr\u00e1fico\u201d, destacou Maleno. Se as autoridades espanholas encontram ind\u00edcios de que uma mulher em situa\u00e7\u00e3o irregular \u00e9 v\u00edtima de tr\u00e1fico devem inform\u00e1-la de que tem direito a 30 dias de restabelecimento e reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse prazo s\u00e3o suspensos os expedientes de expuls\u00e3o, contam com assessoria de uma organiza\u00e7\u00e3o especializada e decidem se denunciam e colaboram com as autoridades policiais e judiciais na investiga\u00e7\u00e3o do crime. Neste caso, podem ter acesso \u00e0 permiss\u00e3o de resid\u00eancia, segundo estabelece uma reforma de 2009 da Lei de Estrangeiros. \u201c\u00c9 um problema a persecu\u00e7\u00e3o do crime se basear na den\u00fancia da v\u00edtima. Embora n\u00e3o denuncie, deve-se proteger seus direitos humanos\u201d, e isso passa por n\u00e3o serem expulsas para seus pa\u00edses de origem, onde suas vidas podem correr perigo, pontuou Maleno.<\/p>\n<p>Muitas nigerianas atra\u00eddas por essas redes fazem o caminho desde seu pa\u00eds a p\u00e9 pelo deserto, gr\u00e1vidas e com filhos, at\u00e9 o Marrocos, onde embarcam em balsas para o litoral espanhol. \u201cO per\u00edodo de 30 dias de restabelecimento \u00e9 o m\u00ednimo diante do que sofrem\u201d, disse a ativista da Caminhando Fronteiras. Em pa\u00edses como a Noruega, esse per\u00edodo \u00e9 de seis meses e as ONGs participam da identifica\u00e7\u00e3o de v\u00edtimas, acrescentou Maleno.<\/p>\n<p>O tr\u00e1fico de pessoas foi tipificado como crime no C\u00f3digo Penal espanhol apenas em dezembro de 2010, com penas entre cinco e dez anos de pris\u00e3o. Os quatro casos que desde ent\u00e3o j\u00e1 t\u00eam senten\u00e7a firmada foram resolvidos com a condena\u00e7\u00e3o para os dez implicados, disse \u00e0 IPS a especialista em tr\u00e1fico humano Marta Gonz\u00e1lez, coordenadora do Projeto Esperan\u00e7a, da cat\u00f3lica Congrega\u00e7\u00e3o das Adoratrices.<\/p>\n<p>Segundo Maleno, na Espanha h\u00e1 um \u201cgrande problema\u201d com as v\u00edtimas do tr\u00e1fico para explora\u00e7\u00e3o sexual procedentes da Rom\u00eania, porque sua migra\u00e7\u00e3o \u00e9 regular, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 membro da UE. Por isso \u201cn\u00e3o entram no circuito de prote\u00e7\u00e3o que estabelece o protocolo contra o tr\u00e1fico\u201d e t\u00eam uma grande mobilidade dentro do pa\u00eds e do territ\u00f3rio europeu, ressaltou.<\/p>\n<p>As m\u00e1fias usam beb\u00eas, seja para passar mulheres subsaarianas para territ\u00f3rio espanhol ou para coagi-las, quando exercem a prostitui\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, alertou Maleno. At\u00e9 o ano passado, quando chegava uma balsa \u00e0 costa, as autoridades n\u00e3o identificavam os beb\u00eas. Mas agora come\u00e7aram a colher suas impress\u00f5es digitais e, de maneira mais incipiente, a realizar teste de DNA em mulheres e crian\u00e7as em pontos de controle de fronteira, para verificar se s\u00e3o m\u00e3e e filhos, acrescentou.<\/p>\n<p>Em setembro, o governo concedeu asilo, pela primeira vez, a uma mulher v\u00edtima de uma rede de explora\u00e7\u00e3o sexual, uma nigeriana m\u00e3e de uma menina de tr\u00eas anos que chegara de balsa no final de 2010 e decidiu enfrentar a m\u00e1fia que a traficou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; M&aacute;laga, Espanha, 7\/1\/2014 &ndash; Mar&iacute;a veio do Paraguai para a Espanha para trabalhar como faxineira em um hotel, mas era um engano e acabou em um clube de programa obrigada a se prostituir. 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