{"id":17017,"date":"2014-01-07T12:45:55","date_gmt":"2014-01-07T12:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105502"},"modified":"2014-01-07T12:45:55","modified_gmt":"2014-01-07T12:45:55","slug":"camaroneses-fogem-de-atrocidades-na-republica-centro-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/camaroneses-fogem-de-atrocidades-na-republica-centro-africana\/","title":{"rendered":"Camaroneses fogem de atrocidades na Rep\u00fablica Centro-Africana"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105503\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/refugiados.jpg\"><img class=\" wp-image-105503 \" alt=\"refugiados Camaroneses fogem de atrocidades na Rep\u00fablica Centro Africana\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/refugiados.jpg\" width=\"529\" height=\"369\" title=\"Camaroneses fogem de atrocidades na Rep\u00fablica Centro Africana\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados da Rep\u00fablica Centro-Africana buscam abrigo em uma igreja. Foto: \u00a9EU\/ECHO\/Ian Van Engelgem<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Iaund\u00e9, Camar\u00f5es, 7\/1\/2014 \u2013 \u201cJ\u00e1 n\u00e3o pod\u00edamos suportar tanta viol\u00eancia\u201d, disse Baba Hamadou, de 27 anos, pouco depois de descer de um avi\u00e3o charter no Aeroporto Internacional de Duala, no oeste de Camar\u00f5es. Hamadou foi um dos 202 camaroneses que chegaram, no dia 17 de dezembro, repatriados da Rep\u00fablica Centro-Africana. Assim, aumentava para 896 o n\u00famero de cidad\u00e3os deste pa\u00eds que abandonaram a devastada na\u00e7\u00e3o vizinha em apenas quatro dias.<\/p>\n<p>Com o recrudescimento da viol\u00eancia sect\u00e1ria entre crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, o presidente de Camar\u00f5es, Paul Biya, tomou a decis\u00e3o de evacuar os conacionais residentes do outro lado da fronteira. Na Rep\u00fablica Centro-Africana viviam at\u00e9 ent\u00e3o cerca de 20 mil camaroneses. Os que chegaram contaram hist\u00f3rias horripilantes sobre a viol\u00eancia que presenciaram.<\/p>\n<p>\u201cQuatro camaroneses \u2013 um casal e seus dois filhos \u2013 foram cruelmente assados at\u00e9 \u00e0 morte em Bangui (capital centro-africana) diante dos meus olhes\u201d, disse Hamadou \u00e0 IPS. \u201cMeu vizinho foi esquartejado como um animal\u201d, acrescentou outro repatriado, David Nchami, que trabalhava como pedreiro em Bangui. \u201cTamb\u00e9m na capital violentaram uma mulher e extirparam seus \u00f3rg\u00e3os genitais\u201d, contou outra repatriada, Marie-Louise Tebah.<\/p>\n<p>Divine Abada, mineiro origin\u00e1rio do sudoeste de Camar\u00f5es, declarou ao canal de televis\u00e3o CRTV (estatal) que a viol\u00eancia alcan\u00e7ou um grau tamanho que decidiu retornar. \u201cEsses loucos rebeldes do S\u00e9l\u00e9ka me agarraram no mato, me bateram muito, tiraram tudo o que t\u00ednhamos. S\u00f3 me salvei porque n\u00e3o viram meu passaporte\u201d, contou. Se tivessem identificado a nacionalidade de Abada, provavelmente as coisas teriam piorado, pelo \u00f3dio que as mil\u00edcias mu\u00e7ulmanas do S\u00e9l\u00e9ka t\u00eam contra Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Esse \u00f3dio data desde mar\u00e7o de 2013, quando o S\u00e9l\u00e9ka derrubou o presidente da Rep\u00fablica Centro-Africana, Fran\u00e7ois Boziz\u00e9, que fugiu para Camar\u00f5es. Ent\u00e3o o presidente do S\u00e9l\u00e9ka, Michel Yotodia, se autoproclamou presidente, e ainda n\u00e3o conseguiu deter as atividades violentas de seus camaradas. Tudo piorou em agosto, quando o mandat\u00e1rio declarou dissolvida a coaliz\u00e3o de grupos rebeldes.<\/p>\n<p>Os s\u00e9l\u00e9kas agiram em repres\u00e1lia contra Camar\u00f5es. Em novembro, um grupo de supostos rebeldes cruzou a fronteira da Rep\u00fablica Centro-Africana, e atacou instala\u00e7\u00f5es militares na aldeia de Biti, na Regi\u00e3o Oriental de Camar\u00f5es. O enfrentamento entre insurgentes e for\u00e7as de seguran\u00e7a camaronesas deixou sete mortos, dois deles de Camar\u00f5es.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Africana decidiu aumentar seu contingente na Rep\u00fablica Centro-Africana para seis mil soldados, que se unir\u00e3o aos 1.600 enviados pela Fran\u00e7a, que j\u00e1 est\u00e3o no territ\u00f3rio da ex-col\u00f4nia francesa.<\/p>\n<p>O governador da Regi\u00e3o Oriental, Samuel Dieudonn\u00e9 Ivaha Diboua, garantiu que seu governo refor\u00e7ou a seguran\u00e7a ao longo da fronteira. \u201cPosicionamos soldados ao longo da fronteira de 800 quil\u00f4metros entre os dois pa\u00edses. N\u00e3o podemos nos dar o luxo de deixar nossos compatriotas \u00e0 merc\u00ea de uma morte evidente\u201d, declarou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os camaroneses que vivem na fronteira com a Rep\u00fablica Centro-Africana t\u00eam medo constante de novos ataques dos s\u00e9l\u00e9ka, enquanto milhares de centro-africanos chegam em massa no pa\u00eds, fugindo do derramamento de sangue do outro lado da fronteira. No come\u00e7o de novembro, o escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados anunciou que Camar\u00f5es recebera cerca de 90 mil refugiados centro-africanos.<\/p>\n<p>Outros milhares fugiram no final de semana de 14 e 15 de dezembro em barcos pelo rio Oubangui at\u00e9 chegarem a Zongo, na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, apesar de a fronteira com esse pa\u00eds estar oficialmente fechada e correndo risco de serem recebidos a tiros. De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), somente nas segunda e terceira semanas de dezembro, cerca de 210 mil pessoas foram for\u00e7adas a fugir por causa da viol\u00eancia em Bangui.<\/p>\n<p>A maci\u00e7a chegada de refugiados centro-africanos a Camar\u00f5es gerou crescente mal-estar entre a popula\u00e7\u00e3o local. Em setembro, centenas de refugiados abandonaram o acampamento em Nadoungu\u00e9, pequena aldeia na Regi\u00e3o Oriental, e se reassentaram em um povoado pr\u00f3ximo, em busca de melhores servi\u00e7os. \u201cTudo o que queremos \u00e9 \u00e1gua, aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria, alimentos. Aqui n\u00e3o h\u00e1 essas coisas\u201d, disse \u00e0 IPS a refugiada Dominique Mendo.<\/p>\n<p>Os conflitos entre os refugiados e a popula\u00e7\u00e3o local exigiram, algumas vezes, a interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de seguran\u00e7a. O governo camaron\u00eas se comprometeu a enviar 500 soldados para integrar a for\u00e7a de paz da Uni\u00e3o Africana, segundo o ministro da Defesa, Edgar Alain Mebe Ngo\u2019o. Al\u00e9m disso, os 1.600 efetivos franceses usaram Camar\u00f5es como apoio de tr\u00e2nsito para a \u00c1frica central.<\/p>\n<p>Ngo\u2019o enfatizou que seu pa\u00eds n\u00e3o pode ficar indiferente diante do caos que envolve milh\u00f5es de pessoas na Rep\u00fablica Centro-Africana. Segundo as Na\u00e7\u00f5es Unidas, aproximadamente 500 pessoas foram assassinadas em Bangui no m\u00eas de dezembro. A ONU tamb\u00e9m indicou que o conflito afeta os 4,6 milh\u00f5es de habitantes, dos quais um em cada dez teve que fugir de sua casa, enquanto um quarto passa fome. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Iaund&eacute;, Camar&otilde;es, 7\/1\/2014 &ndash; &ldquo;J&aacute; n&atilde;o pod&iacute;amos suportar tanta viol&ecirc;ncia&rdquo;, disse Baba Hamadou, de 27 anos, pouco depois de descer de um avi&atilde;o charter no Aeroporto Internacional de Duala, no oeste de Camar&otilde;es. Hamadou foi um dos 202 camaroneses que chegaram, no dia 17 de dezembro, repatriados da Rep&uacute;blica Centro-Africana. 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