{"id":17020,"date":"2014-01-08T12:26:35","date_gmt":"2014-01-08T12:26:35","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105587"},"modified":"2014-01-08T12:26:35","modified_gmt":"2014-01-08T12:26:35","slug":"repressao-a-caca-ilegal-semeia-terror-na-tanzania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/repressao-a-caca-ilegal-semeia-terror-na-tanzania\/","title":{"rendered":"Repress\u00e3o \u00e0 ca\u00e7a ilegal semeia terror na Tanz\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13px; line-height: 19px;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Tanzania-629x419.jpg\"><img class=\"aligncenter  wp-image-105588\" alt=\"Tanzania 629x419 Repress\u00e3o \u00e0 ca\u00e7a ilegal semeia terror na Tanz\u00e2nia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Tanzania-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Repress\u00e3o \u00e0 ca\u00e7a ilegal semeia terror na Tanz\u00e2nia\" \/><br \/>\n<\/a><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Dar es Salaam, Tanz\u00e2nia, 8\/1\/2014 \u2013 Nyenge Ali, morador do distrito de Ulanga, norte da Tanz\u00e2nia, acordou quando policiais cercaram sua casa. O acusaram de ca\u00e7a ilegal e, na presen\u00e7a de seu filho de 11 anos, o obrigaram a ficar nu, jogaram \u00e1gua salgada sobre seu corpo e o a\u00e7oitaram com um bast\u00e3o, segundo sua den\u00fancia. \u201cN\u00e3o tive outra sa\u00edda a n\u00e3o ser cumprir as ordens\u201d, contou \u00e0 IPS, de Ulanga. \u201cSofri les\u00f5es graves. Mal podia me sentar. Implorei por piedade, mas continuaram me batendo\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Este agricultor de 38 anos, da aldeia de Iputi, que acusou publicamente de agress\u00e3o as for\u00e7as de seguran\u00e7a, afirma que o supl\u00edcio foi uma tortura f\u00edsica e emocional severa. Em certo momento, garante que seus captores o obrigaram a fazer a imagem de uma cobra p\u00edton na coxa com uma l\u00e2mina de barbear.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Ali \u00e9 uma de muitas que sa\u00edram \u00e0 luz durante uma investiga\u00e7\u00e3o feita pelo parlamento tanzaniano sobre os excessos de uma campanha contra a ca\u00e7a ilegal, destinada a reduzir o com\u00e9rcio ilegal de marfim. A investiga\u00e7\u00e3o revelou que 13 pessoas foram assassinadas e milhares de cabe\u00e7as de gado \u2013 sustento de muitos neste pa\u00eds do sudeste da \u00c1frica, com 45 milh\u00f5es de habitantes \u2013 foram mutiladas ou mortas.<\/p>\n<p>Em outubro de 2013, o presidente Jakaya Kikwete ordenou o refor\u00e7o de mais de 2.300 efetivos da For\u00e7a de Defesa Popular, policiais, guardas florestais e unidades especiais para a luta contra a ca\u00e7a ilegal, em uma campanha que chamou de Opera\u00e7\u00e3o Tokomeza. A ca\u00e7a de elefantes e rinocerontes \u00e9 proibida na Tanz\u00e2nia, mas aumentou nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>No entanto, no m\u00eas seguinte, Kikwete foi for\u00e7ado a acabar com a opera\u00e7\u00e3o, pressionado pelas fortes cr\u00edticas \u00e0 repress\u00e3o que foi desatada. \u201cA opera\u00e7\u00e3o contra a ca\u00e7a ilegal tinha boas inten\u00e7\u00f5es, mas os assassinatos denunciados, as viola\u00e7\u00f5es e a brutalidade s\u00e3o totalmente inaceit\u00e1veis\u201d, afirmou o primeiro-ministro, Mizengo Pinda, em dezembro no parlamento.<\/p>\n<p>Pinda disse que a ca\u00e7a ilegal atingiu dimens\u00f5es alarmantes nos parques nacionais do pa\u00eds, especialmente na Reserva de Ca\u00e7a Selous, cuja popula\u00e7\u00e3o de elefantes caiu de 55 mil para 13 mil animais. O governo calcula que, durante novembro e dezembro, os ca\u00e7adores mataram 60 elefantes, enquanto em outubro, quando a opera\u00e7\u00e3o estava vigente, foram mortos apenas dois.<\/p>\n<p>Neema Moses, tamb\u00e9m moradora em Ulanga, contou, a uma comiss\u00e3o parlamentar criada para investigar os abusos contra os direitos humanos, que os efetivos tiraram suas roupas, inseriram uma garrafa em sua vagina e a obrigaram a manter rela\u00e7\u00f5es sexuais com familiares de seu marido.<\/p>\n<p>O presidente da comiss\u00e3o, James Lembeli, disse durante a apresenta\u00e7\u00e3o do informe sobre os abusos que sua equipe apurou que, sem d\u00favida alguma, as for\u00e7as de seguran\u00e7a semearam o terror e cometeram atrocidades \u201cindescrit\u00edveis\u201d contra civis inocentes. \u201cAlgumas mulheres afirmaram que foram violadas e sodomizadas. Na localidade de Matongo, no distrito de Bariadi, por exemplo, uma mulher denunciou que tr\u00eas soldados a violentaram com o rev\u00f3lver apontado para ela\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>Lembeli garantiu que entre as v\u00edtimas havia dirigentes de governos locais, que foram humilhados em interrogat\u00f3rios improvisados diante de seus eleitores. Citou o caso de Peter Samwel, conselheiro em Sakasaka, distrito de Meatu, que teve bra\u00e7os e pernas amarrados com uma corda e foi deixado pendurado de cabe\u00e7a para baixo durante horas, segundo a investiga\u00e7\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es obrigaram algumas pessoas a abandonarem suas casas por medo de serem feridas, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo v\u00e1rias testemunhas, os acusados de serem ca\u00e7adores ilegais perderam milhares de animais e outros bens, incluindo dinheiro, quando os agentes os capturaram ou simplesmente os roubaram. Na aldeia de Minziro, em Kagera, regi\u00e3o pr\u00f3xima ao Lago Victoria, os moradores recordam que em 13 de outubro um grupo de soldados invadiu a localidade, bateu nas pessoas e incendiou casas de quem suspeitavam ser imigrantes sem documentos em dia.<\/p>\n<p>Abraham Kafanobo, vice-presidente da aldeia, contou \u00e0 IPS que a maioria dos habitantes fugiu ap\u00f3s o incidente e temia regressar, mesmo depois do fim da campanha contra a ca\u00e7a ilegal. O esc\u00e2ndalo provocou a destitui\u00e7\u00e3o dos ministros de Turismo, de Defesa, de Desenvolvimento da Pecu\u00e1ria e do Interior. O ent\u00e3o ministro do Turismo, Khamis Kagesheki, disse em outubro que os ca\u00e7adores ilegais envolvidos no tr\u00e1fico de marfim deveriam morrer \u201cna hora\u201d.<\/p>\n<p>Issa Shivji, advogado e ativista pelos direitos humanos, criticou a participa\u00e7\u00e3o militar em uma campanha civil e acrescentou que a forma como foi realizada significou \u201cuma grande vergonha\u201d para a Tanz\u00e2nia. Tamb\u00e9m pediu uma r\u00e1pida investiga\u00e7\u00e3o dos supostos abusos e disse que devem ser apresentadas acusa\u00e7\u00f5es penais contra o pessoal de seguran\u00e7a que participou da opera\u00e7\u00e3o, independente de sua patente.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas vergonha, mas uma grande trag\u00e9dia que exige que perguntemos para onde vamos como na\u00e7\u00e3o. Por qual motivo os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a, que t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de proteger a vida, a dignidade e o respeito da popula\u00e7\u00e3o, atuaram de maneira t\u00e3o irrespons\u00e1vel?\u201d, questionou Shivji. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dar es Salaam, Tanz&acirc;nia, 8\/1\/2014 &ndash; Nyenge Ali, morador do distrito de Ulanga, norte da Tanz&acirc;nia, acordou quando policiais cercaram sua casa. 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