{"id":17027,"date":"2014-01-09T13:21:47","date_gmt":"2014-01-09T13:21:47","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105721"},"modified":"2014-01-09T13:21:47","modified_gmt":"2014-01-09T13:21:47","slug":"uruguai-busca-maconha-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/uruguai-busca-maconha-de-qualidade\/","title":{"rendered":"Uruguai busca maconha de qualidade"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105722\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/cartaz.jpg\"><img class=\" wp-image-105722 \" alt=\"cartaz Uruguai busca maconha de qualidade\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/cartaz.jpg\" width=\"529\" height=\"199\" title=\"Uruguai busca maconha de qualidade\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Cartaz de uma organiza\u00e7\u00e3o no Uruguai a favor da regulamenta\u00e7\u00e3o e controle da maconha pelo Estado, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei. Foto: Proderechos.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Montevid\u00e9u, 9\/1\/2014 \u2013 Ap\u00f3s se converter no primeiro pa\u00eds do mundo em que o Estado assume a produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o da maconha, o Uruguai dedicar\u00e1 os pr\u00f3ximos meses \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de um cultivo que permita uma oferta de boa qualidade e a um pre\u00e7o ao menos semelhante ao do mercado ilegal.<\/p>\n<p>O presidente do Uruguai, Jos\u00e9 Mujica, promulgou, em 23 de dezembro, a Lei 19.172 de regulamenta\u00e7\u00e3o da maconha, mas sua entrada em vigor ser\u00e1 em abril, ao se completar 120 dias de sua aprova\u00e7\u00e3o parlamentar em 10 de dezembro e depois de o governo estabelecer sua regulamenta\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, todo o setor ficar\u00e1 sob regulamenta\u00e7\u00e3o e controle do estatal Instituto de Regulamenta\u00e7\u00e3o e Controle da Cannabis, criado pela lei de 44 artigos.<\/p>\n<p>Antes, h\u00e1 muito por fazer. Sendo o mais importante definir o tipo de variedade a ser plantada, quem a cultivar\u00e1 e a que custo, bem como o pre\u00e7o para compr\u00e1-la nas farm\u00e1cias. Tamb\u00e9m dever\u00e3o ser criados os registros de cada atividade envolvida e dos chamados clubes de cannabis, para garantir a rastreabilidade da erva legal. Organiza\u00e7\u00f5es sociais e ativistas estudam o modelo produtivo de maconha que garanta sua alta qualidade e um pre\u00e7o adequado, e que tamb\u00e9m envolva pequenos e m\u00e9dios produtores uruguaios e evite que empresas estrangeiras se apropriem da atividade.<\/p>\n<p>O objetivo da lei foi \u201ccolocar a disponibilidade da maconha para os usu\u00e1rios nas m\u00e3os do Estado ou sob seu controle\u201d, explicou \u00e0 IPS o senador Roberto Conde, da governante Frente Ampla, de esquerda moderada. No Uruguai o consumo da maconha estava despenalizado desde a d\u00e9cada de 1970, mas seu cultivo, sua distribui\u00e7\u00e3o e sua venda permaneciam ilegais.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se est\u00e1 constituindo um mercado livre de drogas nem de maconha. A esta se poder\u00e1 ter acesso por autocultivo individual, em clubes de cannabis ou comprando em farm\u00e1cias, com apresenta\u00e7\u00e3o de documento de identidade\u201d, detalhou Conde, que apresentou o projeto de lei no Senado.<\/p>\n<p>A maconha legal s\u00f3 estar\u00e1 dispon\u00edvel para os residentes no Uruguai, em quantidade m\u00e1xima de 40 gramas mensais (cerca de 40 cigarros), para quem se inscrever em um registro especial. O autocultivo da cannabis psicoativa estar\u00e1 limitado a seis plantas e 480 gramas anuais coletados. \u201c\u00c9 o que tecnicamente se estima como razo\u00e1vel para n\u00e3o cair em um uso problem\u00e1tico da droga\u201d, afirmou o senador.<\/p>\n<p>Para Mart\u00edn Collazo, da organiza\u00e7\u00e3o Proderechos, a sa\u00fade p\u00fablica ser\u00e1 a \u00e1rea mais beneficiada com a lei. \u201cDos usu\u00e1rios de drogas ilegais no Uruguai, 85% consomem apenas maconha\u201d, e com isso o mercado clandestino pode diminuir, pontuou. \u201cO contato com o mercado clandestino facilita o acesso a outras subst\u00e2ncias, como coca\u00edna ou a pasta-base, vendidas nos mesmos lugares\u201d, acrescentou. Tamb\u00e9m falta decidir o pre\u00e7o da maconha que ser\u00e1 vendida nas farm\u00e1cias.<\/p>\n<p>Collazo, que tamb\u00e9m integra a coaliz\u00e3o Regulamenta\u00e7\u00e3o Respons\u00e1vel, formada por organiza\u00e7\u00f5es e personalidades a favor da regulamenta\u00e7\u00e3o a maconha, estima que nesses casos o pre\u00e7o do grama dever\u00e1 estar entre US$ 1 e US$ 1,50, que \u00e9 seu valor no com\u00e9rcio ilegal. \u201cNa qualidade h\u00e1 uma vantagem comparativa muito grande\u201d, porque a erva ilegal \u201c\u00e9 muito ruim\u201d, observou o ativista. Por\u00e9m, alertou que n\u00e3o pode ser vendida mais cara, porque \u201cent\u00e3o faria com que um setor da popula\u00e7\u00e3o continuasse comprando no mercado negro\u201d.<\/p>\n<p>Desde novembro, a Proderechos trabalha com agr\u00f4nomos e economistas e j\u00e1 formulou modelos produtivos que confirmam que se pode produzir maconha no Uruguai a esse pre\u00e7o. O norte-americano Centro de Pesquisa sobre Pol\u00edticas de Drogas da Calif\u00f3rnia diz que a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio ilegal s\u00e3o mais caros por seus elevados custos de seguran\u00e7a, transporte e prote\u00e7\u00e3o da mercadoria.<\/p>\n<p>Collazo acredita que a pr\u00e1tica confirmar\u00e1 at\u00e9 que ponto isto \u00e9 certo. Se a maconha tem de ser barata, \u00e9 prov\u00e1vel que sua qualidade seja inferior \u00e0 vendida na Holanda, onde se vende essa droga legalmente em estabelecimentos especiais. \u201cContudo, n\u00e3o temos que chegar a essa qualidade no primeiro ano. Isso tem de ser visto como um processo paulatino de desenvolvimento da cadeia produtiva\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Collazo tamb\u00e9m explicou que em n\u00edvel de produtor a elabora\u00e7\u00e3o de uma tonelada de maconha de boa qualidade poderia custar cerca de US$ 250 mil, isto \u00e9, entre US$ 0,25 e US$ 0,30 o grama, \u201cem um esquema de baixa tecnologia e de uma a duas colheitas anuais\u201d. Ressaltou, ainda, que no mercado clandestino atual se vende o \u201cprensado procedente do Paraguai, que tem folha, talo, flor muito ruim e aditivos, como amon\u00edaco, colocados no \u2018tijolo\u2019 para que n\u00e3o seque durante o transporte\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAgora falamos de vender o miolo\u201d, uma flor sem folha e sem talo que, apesar de n\u00e3o ser grande e bonita, \u201c\u00e9 de excelente qualidade\u201d, pontuou Collazo. \u201cEstamos criando nossa pr\u00f3pria informa\u00e7\u00e3o com diferentes profissionais e gerando propostas que depois apresentaremos formalmente\u201d, acrescentou. O objetivo, disse, \u201c\u00e9 gerar esquemas de produ\u00e7\u00e3o que sejam f\u00e1ceis de serem assumidos por pequenos e m\u00e9dios produtores a custos razo\u00e1veis e que coloquem a maconha no mercado a um pre\u00e7o similar ao do mercado negro\u201d. No Uruguai, h\u00e1 produtores de maconha com variedades supostamente padronizadas.<\/p>\n<p>Sobre a possibilidade de garantir a rastreabilidade da droga que circular no novo mercado regulado, Collazo disse que \u201cse pode tentar fazer com que quem produzir para farm\u00e1cia produza sempre as mesmas variedades\u201d. Se os produtores \u201ctomarem as variedades habilitadas e produzirem a partir de talos retirados da planta-m\u00e3e, sempre se ter\u00e1 a mesma situa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica\u201d, destacou. Essa rastreabilidade se perde apenas quando os produtores introduzem novas variedades.<\/p>\n<p>No esquema de alta regulamenta\u00e7\u00e3o e controle do mercado para a maconha uruguaia, o especialista afirmou que ser\u00e1 f\u00e1cil manter a rastreabilidade para venda nas farm\u00e1cias. No entanto, \u201cnos autocultivos e nos clubes de cannabis seria preciso analisar outros fatores, porque \u00e9 uma conduta muito mais dif\u00edcil de controlar\u201d, explicou.<\/p>\n<p>O senador Conde, por outro lado, v\u00ea que isso seria f\u00e1cil, \u201cporque, do ponto de vista cient\u00edfico, hoje os avan\u00e7os s\u00e3o t\u00e3o grandes que se pode fazer uma rastreabilidade molecular da subst\u00e2ncia, e no Uruguai h\u00e1 tecnologia suficiente muito desenvolvida, e caso se precise a pediremos\u201d. E \u201cn\u00e3o ser\u00e1 fixado um pre\u00e7o, mas uma taxa paga por um usu\u00e1rio pelo servi\u00e7o p\u00fablico de colocar \u00e0 sua disponibilidade um produto quimicamente controlado de todo ponto de vista\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Conde acrescentou que no governo \u201c\u00e9 um ponto em discuss\u00e3o\u201d se o Estado subsidiar\u00e1 de alguma forma a maconha. \u201cIsto ser\u00e1 definido dentro dos 120 dias para regulamenta\u00e7\u00e3o da lei. N\u00e3o sei se ser\u00e1 necess\u00e1rio um subs\u00eddio para implant\u00e1-la. Se for, n\u00e3o seria um subs\u00eddio isolado, mas um custo a mais de nossa pol\u00edtica geral de sa\u00fade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>No Uruguai, pa\u00eds com 3,3 milh\u00f5es de habitantes, h\u00e1 entre 18 mil e 20 mil consumidores permanentes de maconha e entre 79 mil e cem mil pessoas que as consomem ocasionalmente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Montevid&eacute;u, 9\/1\/2014 &ndash; Ap&oacute;s se converter no primeiro pa&iacute;s do mundo em que o Estado assume a produ&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o da maconha, o Uruguai dedicar&aacute; os pr&oacute;ximos meses &agrave; sele&ccedil;&atilde;o de um cultivo que permita uma oferta de boa qualidade e a um pre&ccedil;o ao menos semelhante ao do mercado ilegal. 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