{"id":17028,"date":"2014-01-09T13:15:25","date_gmt":"2014-01-09T13:15:25","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105718"},"modified":"2014-01-09T13:15:25","modified_gmt":"2014-01-09T13:15:25","slug":"artesanato-salva-refugiadas-paquistanesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/artesanato-salva-refugiadas-paquistanesas\/","title":{"rendered":"Artesanato salva refugiadas paquistanesas"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105719\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/mulheres.jpg\"><img class=\" wp-image-105719 \" alt=\"mulheres Artesanato salva refugiadas paquistanesas\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/mulheres.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Artesanato salva refugiadas paquistanesas\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Mulheres refugiadas do Paquist\u00e3o encontraram um meio de vida elaborando artesanato. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 9\/1\/2014 \u2013 Farhat Bibi, de 43 anos, ficou sozinha para cuidar dos filhos quando seu marido morreu em um atentado, h\u00e1 tr\u00eas anos, nas \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata) do noroeste do Paquist\u00e3o. Poucos dias depois, chegou a um acampamento de refugiados da viol\u00eancia. \u201cFoi uma ben\u00e7\u00e3o\u201d, reconhece.<\/p>\n<p>\u201cMe ensinaram um of\u00edcio e agora ganho o suficiente para comprar roupa, comida e cobrir outras necessidades dos meus filhos\u201d, contou Bibi. Ela borda roupa e produz almofadas, bolsas, cestas de vime, pulseiras e outros artesanatos, cuja venda lhe rende cerca de US$ 150 por m\u00eas. \u201cTamb\u00e9m ensino outras mulheres das tribos\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Artesanatos de cem mulheres refugiadas como ela foram apresentados na mostra Hunnarmande Guthey (M\u00e3os Habilidosas). A colorida gama de produtos exibidos contrasta com o tr\u00e1gico passado das m\u00e3os que os criaram. A exposi\u00e7\u00e3o foi organizada pelo n\u00e3o governamental Centro de Excel\u00eancia para o Desenvolvimento Rural (Cerd), em colabora\u00e7\u00e3o com o Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Refugiados (Acnur).<\/p>\n<p>Foram apresentados artesanato produzido por mulheres de Kurram, uma das Fata, que agora vivem no Novo Acampamento de Durrani, lar de 29.600 fam\u00edlias refugiadas. As Fata, fronteiri\u00e7as com o Afeganist\u00e3o, s\u00e3o palco de intensa viol\u00eancia desde que membros do movimento isl\u00e2mico Talib\u00e3 ali se instalaram, ap\u00f3s serem expulsos de territ\u00f3rio afeg\u00e3o pelos Estados Unidos em 2001.<\/p>\n<p>Como aliado de Washington na \u201cguerra contra o terrorismo\u201d, o Paquist\u00e3o realizou v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es militares nas Fata contra combatentes isl\u00e2micos. Em consequ\u00eancia, dois milh\u00f5es de pessoas dessa regi\u00e3o viraram refugiados, segundo dados do Acnur citados pelo coordenador do Cerd, Kashif Islam. \u201cAs mulheres representam 50% da popula\u00e7\u00e3o de refugiados. \u00c9 preciso empoder\u00e1-las com capacita\u00e7\u00e3o vocacional\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Muitos habitantes das Fata fugiram para a prov\u00edncia vizinha de Jyber Pajtunjwa. Capacitamos 200 mulheres por m\u00eas no distrito de Hangum, nesta prov\u00edncia. A maioria das refugiadas da ag\u00eancia de Orakzai perdeu seus maridos e precisam desesperadamente de ajuda\u201d, afirmou Islam. \u201cAs vi\u00favas da guerra s\u00e3o as principais benefici\u00e1rias da iniciativa patrocinada pelo Acnur. \u201cRealizamos feiras mensais buscando mercados para estes artesanatos, que demonstram a destreza e a criatividade das mulheres das Fata\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Os visitantes se maravilham com o que veem. A maioria destas artes\u00e3s \u00e9 analfabeta e muitas sofriam depress\u00e3o quando chegaram aos acampamentos, mas aprenderam a seguir adiante.<\/p>\n<p>Jamila Bibi, de 33 anos, \u00e9 origin\u00e1ria da ag\u00eancia de Wazirist\u00e3o do Norte. Ficou devastada quando seu pai morreu v\u00edtima de bala perdida. Mas o acampamento lhe deu o valor que precisava. Aprendeu a bordar e a tecer, entre outras habilidades, e agora ajuda a sustentar suas duas irm\u00e3s, um irm\u00e3o e sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Sentada junto \u00e0s suas cestas e bandejas de vime, Jamila reconhece que estaria mendigando nas ruas se n\u00e3o tivesse chegado ao acampamento. \u201cForne\u00e7o artesanato para um mercado pr\u00f3ximo. Isso trouxe dignidade \u00e0s nossas vidas, j\u00e1 que n\u00e3o dependemos de caridade nem de doa\u00e7\u00f5es de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Saeeda Gul, capacitadora do Cerd, disse que as mulheres s\u00e3o treinadas mesmo antes de terem os materiais b\u00e1sicos para trabalhar. \u201cElas v\u00e3o a tr\u00eas centros comunit\u00e1rios perto dos acampamentos, onde aprendem a fabricar objetos de vime. As mulheres est\u00e3o muito felizes com suas novas habilidades, porque as ajudam a ganhar a vida de forma decente\u201d, apontou Gul.<\/p>\n<p>A maioria come\u00e7a do zero e todas devem frequentar o centro comunit\u00e1rio quatro horas por dia. A treinadora Shukria Jan explicou que \u201cas ajudamos a fazer os produtos de forma mais profissional e lhes damos tr\u00eas meses de forma\u00e7\u00e3o, al\u00e9m das mat\u00e9rias-primas\u201d. Segundo Jan, as mulheres demonstram muito interesse em se aperfei\u00e7oar e elaborar produtos de boa qualidade. E os esfor\u00e7os s\u00e3o compensados.<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio local Aziz-ur-Rehman exibe os artesanatos em sua pr\u00f3pria exposi\u00e7\u00e3o. \u201cOs artigos refletem a criatividade e as habilidades das mulheres das tribos, e, sobretudo, atraem compradores. \u00c9 animador ver que n\u00e3o desistiram, apesar da dura realidade que vivem\u201d, afirmou. Os compradores se interessam porque os objetos s\u00e3o bonitos e baratos, e \u201calguns artigos, como roupa feita \u00e0 m\u00e3o, vendem rapidamente\u201d, ressaltou o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Kashmala Shah, de uma tribo da ag\u00eancia de Kurram, abriu seu pr\u00f3prio centro, onde capacita outras 30 mulheres. \u201cPerdi minha m\u00e3e e meu irm\u00e3o no conflito, mas isso n\u00e3o significa ficar de bra\u00e7os cruzados esperando a caridade. Esta \u00e9 uma grande oportunidade e a estamos aproveitando\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 9\/1\/2014 &ndash; Farhat Bibi, de 43 anos, ficou sozinha para cuidar dos filhos quando seu marido morreu em um atentado, h&aacute; tr&ecirc;s anos, nas &Aacute;reas Tribais Administradas Federalmente (Fata) do noroeste do Paquist&atilde;o. 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