{"id":17036,"date":"2014-01-13T12:22:32","date_gmt":"2014-01-13T12:22:32","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105860"},"modified":"2014-01-13T12:22:32","modified_gmt":"2014-01-13T12:22:32","slug":"gaza-perde-seu-salva-vidas-subterraneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/gaza-perde-seu-salva-vidas-subterraneo\/","title":{"rendered":"Gaza perde seu salva-vidas subterr\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105861\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Gaza.jpg\"><img class=\" wp-image-105861 \" alt=\"Gaza Gaza perde seu salva vidas subterr\u00e2neo\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Gaza.jpg\" width=\"529\" height=\"318\" title=\"Gaza perde seu salva vidas subterr\u00e2neo\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">T\u00faneis destru\u00eddos do lado eg\u00edpcio da fronteira com Gaza. Foto: Khaled Alashqar\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gaza, Palestina, 13\/1\/2014 \u2013 A fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza costumava ferver de atividade at\u00e9 h\u00e1 poucos meses. Comerciantes faziam entrar uma s\u00e9rie de mercadorias eg\u00edpcias, desde alimentos at\u00e9 mat\u00e9rias-primas, atrav\u00e9s de centenas de t\u00faneis. Mas estas estruturas, localizadas a 40 quil\u00f4metros da cidade de Gaza, entre a palestina Rafah e o Sinai no Egito, est\u00e3o em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o evoluiu desde a chegada das for\u00e7as armadas ao poder no Egito. O palestino Movimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica (Ham\u00e1s), que governa Gaza, era aliado do derrocado presidente eg\u00edpcio Mohammad Morsi (junho 2012 a julho 2013). Qualificando os t\u00faneis como uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a, os militares eg\u00edpcios lan\u00e7aram uma campanha sistem\u00e1tica contra eles, destruindo-os junto com as casas sob as quais foram constru\u00eddos do seu lado da fronteira.<\/p>\n<p>Para os 1,7 milh\u00e3o de habitantes de Gaza, o fechamento dos t\u00faneis tirou deles um salva-vidas. Milhares de operadores dos t\u00faneis, bem como comerciantes e trabalhadores, foram muito prejudicados. \u201cNunca antes enfrentamos este tipo de press\u00e3o do ex\u00e9rcito eg\u00edpcio, e parece que as coisas v\u00e3o piorar\u201d, contou Abu Nabil, morador da Faixa e que trabalhava em um t\u00fanel do lado palestino desde 2007.<\/p>\n<p>Mais de 90% das passagens subterr\u00e2neas, a maioria delas operadas por privados, foram destru\u00eddas pelas for\u00e7as armadas do Egito, o que paralisou completamente o com\u00e9rcio feito por essa via, disse Nabil \u00e0 IPS. Ele empregava 20 trabalhadores em seu t\u00fanel, que transportavam mercadorias, alimentos, equipamento eletr\u00f4nico e material para constru\u00e7\u00e3o, do Egito para Gaza. Agora, cerca de 20 mil trabalhadores que operavam nos t\u00faneis ficaram desocupados.<\/p>\n<p>A \u00e1rea dos t\u00faneis se estende por mais de oito quil\u00f4metros ao longo da fronteira. N\u00e3o est\u00e1 aberta ao p\u00fablico, exceto com permiss\u00e3o do Ham\u00e1s, cujas for\u00e7as de seguran\u00e7a a vigiam no lado palestino. O ex\u00e9rcito eg\u00edpcio estabeleceu uma zona de exclus\u00e3o de 500 metros ao longo da fronteira e instalou postos de controle de seguran\u00e7a, mas os operadores tentam encontrar uma solu\u00e7\u00e3o. Nabil procura estender a cumprimento de seu t\u00fanel para poder evitar a zona de exclus\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 prov\u00e1vel que os problemas persistam, pois para as autoridades eg\u00edpcias o com\u00e9rcio atrav\u00e9s dos t\u00faneis \u00e9 ilegal. \u201cOs t\u00faneis s\u00e3o usados para contrabandear insurgentes e grupos radicais que amea\u00e7am a seguran\u00e7a nacional eg\u00edpcia. Deveriam ser destru\u00eddos\u201d, disse \u00e0 IPS o coronel Ahmed Mohammad, porta-voz militar do Egito. Cairo tamb\u00e9m destaca que as mercadorias que entram em Gaza pelos t\u00faneis n\u00e3o t\u00eam nenhum selo oficial e nem pagam impostos. Em Gaza a hist\u00f3ria \u00e9 diferente, com o governo do Ham\u00e1s reconhecendo o com\u00e9rcio atrav\u00e9s dessas passagens subterr\u00e2neas.<\/p>\n<p>Alaa Alrafati, ministro da Economia da Faixa de Gaza, disse \u00e0 IPS que o fechamento dos t\u00faneis representa perda de US$ 230 milh\u00f5es por m\u00eas e asfixia aproximadamente mil f\u00e1bricas e unidades industriais que dependiam das mat\u00e9rias-primas que chegavam por eles. \u00c9 preciso que as autoridades do Egito e de Gaza cheguem a um entendimento, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Alrafati, \u201co governo de Gaza est\u00e1 preparado para fechar todos os t\u00faneis do lado palestino se puder habilitar uma rota oficial com o Egito para abordar a necessidade de Gaza com rela\u00e7\u00e3o a produtos comerciais e material para constru\u00e7\u00e3o\u201d. O ministro acrescentou que os l\u00edderes do governo do Ham\u00e1s \u201cest\u00e3o interessados em desenvolver rela\u00e7\u00f5es com o Egito\u201d.<\/p>\n<p>Os t\u00faneis floresciam porque estavam livres de restri\u00e7\u00f5es e representavam uma maneira de driblar o s\u00edtio israelense contra Gaza. Alguns estudos indicam que o com\u00e9rcio por essas vias representava US$ 1 bilh\u00e3o ao ano. Sameer Abu-Mdalla, decano da Faculdade de Economia na Universidade de Al Azhar, em Gaza, disse \u00e0 IPS que, antes de 2006, havia no total 60 t\u00faneis, mas que ap\u00f3s o bloqueio imposto por Israel, em 2007, e com o fechamento dos pontos de passagem da fronteira, a quantidade disparou para aproximadamente mil.<\/p>\n<p>Essas passagens ajudaram a atender 60% das necessidades de mat\u00e9ria-prima e outros produtos em Gaza, disse o professor. Abu-Mdalla afirmou que a destrui\u00e7\u00e3o dos t\u00faneis pode contribuir com o aumento do desemprego na Faixa de Gaza. A seu ver, as autoridades do Ham\u00e1s legitimaram o com\u00e9rcio atrav\u00e9s dos t\u00faneis e introduziram impostos. Da\u00ed o fato de 15% do or\u00e7amento do governo procederem dos t\u00faneis e outras fontes relacionadas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Abu-Mdalla destacou tamb\u00e9m alguns aspectos negativos. \u201cPor exemplo, os t\u00faneis n\u00e3o geraram desenvolvimento em Gaza, e levaram ao surgimento de aproximadamente 800 milion\u00e1rios que usaram a renda derivada da opera\u00e7\u00e3o de t\u00faneis para lavar dinheiro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Estas estruturas subterr\u00e2neas tamb\u00e9m foram passagem para grupos insurgentes palestinos contrabandearem para Gaza armas que seriam usadas contra Israel. Al\u00e9m disso, presume-se que junto com elas entravam drogas ilegais na pequena e superpovoada Faixa palestina. Com o fechamento dos t\u00faneis, os mais prejudicados s\u00e3o os moradores comuns de Gaza. Seja pela pobreza, pelo desemprego ou pelo isolamento, a medida piorou drasticamente suas vidas. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Gaza, Palestina, 13\/1\/2014 &ndash; A fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza costumava ferver de atividade at&eacute; h&aacute; poucos meses. Comerciantes faziam entrar uma s&eacute;rie de mercadorias eg&iacute;pcias, desde alimentos at&eacute; mat&eacute;rias-primas, atrav&eacute;s de centenas de t&uacute;neis. 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