{"id":17039,"date":"2014-01-14T12:35:43","date_gmt":"2014-01-14T12:35:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105964"},"modified":"2014-01-14T12:35:43","modified_gmt":"2014-01-14T12:35:43","slug":"forcas-de-paz-da-onu-acuadas-no-sudao-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/forcas-de-paz-da-onu-acuadas-no-sudao-do-sul\/","title":{"rendered":"For\u00e7as de paz da ONU acuadas no Sud\u00e3o do Sul"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/unmiss640-629x472.jpg\"><img class=\"aligncenter  wp-image-105965\" alt=\"unmiss640 629x472 For\u00e7as de paz da ONU acuadas no Sud\u00e3o do Sul\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/unmiss640-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"For\u00e7as de paz da ONU acuadas no Sud\u00e3o do Sul\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 14\/1\/2014 \u2013 O agravamento do conflito \u00e9tnico no Sud\u00e3o do Sul e o aumento do n\u00famero de mortos colocam em d\u00favida a capacidade da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) para cumprir seu mandato de paz nesse pa\u00eds. No dia 9, o secret\u00e1rio-geral adjunto de Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz da ONU, Herv\u00e9 Ladsous, declarou a jornalistas que o n\u00famero de mortos passava de mil.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o em termos de direitos humanos continua sendo terrivelmente cr\u00edtica\u201d, afirmou Ladsous na oportunidade. No dia seguinte, o Grupo Internacional de Crise (ICG), com sede em Bruxelas, divulgou suas pr\u00f3prias estimativas e elevou o n\u00famero para dez mil.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p>Entretanto, desde a morte de dois capacetes azuis indianos em um ataque, ocorrido no dia 19 de dezembro, por uma mil\u00edcia da etnia nuer contra uma base da Miss\u00e3o de Assist\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas na Rep\u00fablica do Sud\u00e3o do Sul (UNMISS), esta n\u00e3o voltou a intervir militarmente. Tampouco o fez a coaliz\u00e3o de for\u00e7as rebeldes lideradas pelo ex-vice-presidente Riek Machar, e nem as for\u00e7as do governo do presidente Salva Kiir.<\/p>\n<p>Amplamente superados em n\u00famero, os soldados da ONU se dedicam a proteger suas pr\u00f3prias bases, a partir das quais organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e o Escrit\u00f3rio de Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios (Ocha) da ONU d\u00e3o assist\u00eancia a mais de 60 mil refugiados. \u201cN\u00e3o podemos proteger essas pessoas e ao mesmo tempo patrulhar um territ\u00f3rio do tamanho da Fran\u00e7a\u201d, justificou Kieran Dwyer, chefe de assuntos p\u00fablicos no Departamento de Opera\u00e7\u00f5es de Manuten\u00e7\u00e3o da Paz da ONU.<\/p>\n<p>Enquanto os combates recrudesciam e o governo recuperava a cidade de Bentiu, no dia 10, os capacetes azuis da Mong\u00f3lia optaram por permanecer dentro de sua base, onde h\u00e1 mais de nove mil refugiados. \u201cN\u00e3o \u00e9 nosso trabalho nos colocarmos entre\u201d as for\u00e7as rebeldes e as do governo, pontuou Dwyer \u00e0 IPS. A UNMISS informa os dois lados sobre a presen\u00e7a de civis na \u00e1rea de combate e adverte para as consequ\u00eancias de atac\u00e1-los, mas os soldados da ONU est\u00e3o acuados e temem morrer ou sofrer ataques de repres\u00e1lia se intervierem, admitiu Dwyer.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite uma plena prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o civil diante de potenciais viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos, alertou Cameron Hudson, diretor de pol\u00edticas no Museu do Memorial do Holocausto e ex-diretor de Assuntos Africanos no Conselho de Seguran\u00e7a Nacional dos Estados Unidos. \u201cN\u00e3o se pode fazer manuten\u00e7\u00e3o da paz pensando em baixa zero. Se \u00e9 assim que come\u00e7am essas miss\u00f5es, nunca cumprir\u00e3o com \u00eaxito seus mandatos\u201d, acrescentou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>A crise come\u00e7ou em 15 de dezembro, quando teve in\u00edcio um enfrentamento na capital entre fac\u00e7\u00f5es das etnias nuer e dinka no Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o do Povo do Sud\u00e3o (SPLA), que desde a independ\u00eancia do Sud\u00e3o do Sul, em 2011, forma o n\u00facleo das for\u00e7as armadas. O presidente Kiir, da etnia dinka, ordenou a imediata pris\u00e3o de 11 l\u00edderes opositores e acusou Machar, um nuer, de orquestrar um golpe de Estado. Este negou a acusa\u00e7\u00e3o e partiu para Juba a fim de assumir o comando das for\u00e7as rebeldes.<\/p>\n<p>Delegados do governo e dos rebeldes se reuniram ontem em Adis Abeba, capital da Eti\u00f3pia, para negociar o fim das hostilidades. Os opositores exigem a liberta\u00e7\u00e3o imediata dos 11 l\u00edderes presos. O conflito causou o deslocamento de 400 mil pessoas, muitas delas escondidas na selva, onde n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7adas pelas ag\u00eancias humanit\u00e1rias e pelas for\u00e7as de paz. O destino dos que abandonam suas casas mas n\u00e3o chegaram a obter ref\u00fagio em nenhuma base da ONU \u00e9 uma grande preocupa\u00e7\u00e3o para a qual ningu\u00e9m ainda tem uma resposta.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia no Sud\u00e3o do Sul se agravou em um momento em que a ONU lan\u00e7ava sua nova iniciativa para a preven\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddios, chamada Os Direitos em Primeiro Lugar, uma tentativa de evitar os massacres de civis em conflitos b\u00e9licos, como os ocorridos na B\u00f3snia, Ruanda e no Sri Lanka.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o est\u00e1 claro quantos civis morreram no Sud\u00e3o do Sul. Navi Pillay, alta comiss\u00e1ria das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos, informou em dezembro que foram encontradas fossas comuns em Juba e Bentiu, e denunciou \u201cexecu\u00e7\u00f5es extrajudiciais\u201d e \u201cataques a indiv\u00edduos por motivos \u00e9tnicos\u201d.<\/p>\n<p>Observadores acreditam que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais grave. \u201c\u00c9 irrefut\u00e1vel, e deve se repetir, que as s\u00e9rias viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos s\u00e3o os melhores alertas de atrocidades iminentes\u201d, destacou o vice secret\u00e1rio-geral da ONU, Jan Eliasson, ao falar na Assembleia Geral na apresenta\u00e7\u00e3o da iniciativa de preven\u00e7\u00e3o de genoc\u00eddios.<\/p>\n<p>No entanto, no Sud\u00e3o do Sul, a UNMISS age timidamente. \u201cN\u00e3o h\u00e1 muitas for\u00e7as no terreno\u201d, disse Ej Hogendoorn, subdiretor de programas para a \u00c1frica no ICG. \u201cObviamente, tamb\u00e9m h\u00e1 significativos desafios log\u00edsticos em termos de se locomover com seguran\u00e7a\u201d, acrescentou. Em carta ao secret\u00e1rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, a presidente do ICG, Louise Abour, aponta que o f\u00f3rum mundial precisa redobrar esfor\u00e7os para garantir a seguran\u00e7a dos civis.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que a UNMISS, utilizando suas atuais for\u00e7as at\u00e9 chegarem tropas adicionais, deveria dar uma s\u00e9rie de passos efetivos e imediatos para priorizar a prote\u00e7\u00e3o de civis acima de outras tarefas de seu mandato\u201d, afirmou Abour. \u201cClaramente, n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o suficiente sobre o que est\u00e1 ocorrendo no terreno\u201d, observou Hogendoorn \u00e0 IPS. \u201cIsso se deve em parte ao fato de as for\u00e7as de manuten\u00e7\u00e3o da paz n\u00e3o estarem patrulhando como fazem normalmente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Desde sua cria\u00e7\u00e3o em 2011, a UNMISS recebeu o mandato de proteger com a for\u00e7a \u201ccivis sob amea\u00e7a iminente de viol\u00eancia f\u00edsica\u201d. Mas, apesar dos primeiros sinais de instabilidade pol\u00edtica e da insurg\u00eancia no Estado de Jonglei, em 2013, a miss\u00e3o n\u00e3o foi adequadamente equipada para prevenir ou intervir em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia como a desatada no m\u00eas passado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 14\/1\/2014 &ndash; O agravamento do conflito &eacute;tnico no Sud&atilde;o do Sul e o aumento do n&uacute;mero de mortos colocam em d&uacute;vida a capacidade da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) para cumprir seu mandato de paz nesse pa&iacute;s. 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