{"id":17040,"date":"2014-01-14T12:32:22","date_gmt":"2014-01-14T12:32:22","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=105961"},"modified":"2014-01-14T12:32:22","modified_gmt":"2014-01-14T12:32:22","slug":"enganados-e-sem-emprego-milhares-de-emigrantes-voltam-a-india","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/enganados-e-sem-emprego-milhares-de-emigrantes-voltam-a-india\/","title":{"rendered":"Enganados e sem emprego, milhares de emigrantes voltam \u00e0 \u00cdndia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_105962\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/trabalhadores.jpg\"><img class=\" wp-image-105962 \" alt=\"trabalhadores Enganados e sem emprego, milhares de emigrantes voltam \u00e0 \u00cdndia\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/trabalhadores.jpg\" width=\"529\" height=\"317\" title=\"Enganados e sem emprego, milhares de emigrantes voltam \u00e0 \u00cdndia\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Trabalhadores retornam a Kerala desde o Golfo. Foto: K. S. Harikrishnan\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Thiruvananthapuram, \u00cdndia, 14\/1\/2014 \u2013 Ashik, Rehman, de 47 anos, trabalhava como oper\u00e1rio no Estado indiano de Kerala at\u00e9 que, h\u00e1 dois anos, partiu para a Ar\u00e1bia Saudita com a esperan\u00e7a de ganhar o suficiente para comprar uma casa em sua cidade natal. Agora est\u00e1 de volta e tem pela frente um futuro sombrio.<\/p>\n<p>Seu agente de viagem lhe prometeu um emprego de vendedor em uma loja. Mas depois que ele chegou a Riad foi enviado para trabalhar em uma obra civil como varredor. Seu patr\u00e3o n\u00e3o tomou as medidas legais para alterar sua permiss\u00e3o de trabalho. \u201cAli me trataram como um escravo. N\u00e3o me deram alimenta\u00e7\u00e3o, licen\u00e7a nem sal\u00e1rio adequado\u201d, contou Rehman \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Para piorar, a Ar\u00e1bia Saudita aplica uma lei de naturaliza\u00e7\u00e3o chamada Nitaqat, que obrigou Rehman a retornar para Kozhikode, sua cidade natal em Kerala, em outubro do ano passado. Ainda n\u00e3o encontrou trabalho. Esta lei, de 2011, obriga todas as empresas privadas a terem no m\u00ednimo 10% de empregados sauditas. Para os estrangeiros sem os documentos devidos de trabalho ou visto, a lei estipula medidas punitivas, como pris\u00e3o ou deporta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os indianos formam a maior comunidade de estrangeiros na Ar\u00e1bia Saudita, com 2,8 milh\u00f5es de pessoas. A lei afetou especialmente os que n\u00e3o t\u00eam os documentos de trabalho adequados. \u201cMuitos dos que contratam s\u00e3o evasivos quando se trata de conceder <i>status<\/i> legal aos trabalhadores. Devido \u00e0 falta de interesse do meu patrocinador, tive que regressar. Agora vivo em uma casa alugada e tento encontrar uma maneira de ganhar a vida\u201d, afirmou Rehman \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O governo da \u00cdndia calcula que 134 mil trabalhadores regressaram ao pa\u00eds vindos da Ar\u00e1bia Saudita devido \u00e0 lei Nitaqat. \u201cAs ag\u00eancias de viagens complicam a vida dos desventurados trabalhadores migrantes\u201d, disse \u00e0 IPS Jamaludeen, que tamb\u00e9m voltou ao seu pa\u00eds. \u201cInventam empregos e empresas que n\u00e3o existem. Antes que os imigrantes consigam descobrir o engano, acabam em fazendas em \u00e1reas isoladas e em terras agr\u00edcolas desconhecidas nos desertos\u201d.<\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o inversa dos trabalhadores sem documentos desde a Ar\u00e1bia Saudita levou os repatriados a exigirem que o governo da \u00cdndia implante um pacote integral de reabilita\u00e7\u00e3o para eles.<\/p>\n<p>\u201cDesde a Guerra do Golfo (1991) nos fazem falsas promessas de pacotes de reabilita\u00e7\u00e3o\u201d, disse S. Ahmed, presidente do Conselho de Coordena\u00e7\u00e3o de Indianos N\u00e3o Residentes. O governo n\u00e3o fez muito para ajudar os repatriados em raz\u00e3o da lei Nitaqat. O conselho exigiu que todas as fam\u00edlias que n\u00e3o s\u00e3o residentes na Ar\u00e1bia Saudita e que retornam desse pa\u00eds sejam inclu\u00eddas em um projeto de seguro integral de sa\u00fade.<\/p>\n<p>As repercuss\u00f5es da Nitaqat se manifestam de muitas formas na \u00cdndia, em particular nos setores que dependem do dinheiro do Golfo. Algumas consequ\u00eancias s\u00e3o a desacelera\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, dos neg\u00f3cios imobili\u00e1rios e das vendas de autom\u00f3veis, bem como a queda do sal\u00e1rio dos diaristas. Isso \u00e9 particularmente certo em Kerala, j\u00e1 que, dos 2,8 milh\u00f5es de indianos que est\u00e3o na Ar\u00e1bia Saudita, um milh\u00e3o s\u00e3o desse Estado.<\/p>\n<p>Depois dos Emirados \u00c1rabes Unidos, a Ar\u00e1bia Saudita \u00e9 o destino mais favorecido pela popula\u00e7\u00e3o migrante da \u00cdndia. Sree Nair, pesquisadora sobre movimentos migrat\u00f3rios radicada em Kerala, ponderou que o governo deve garantir que os repatriados sejam reabilitados e recolocados em sua terra natal.<\/p>\n<p>\u201cOs migrantes que retornam n\u00e3o recebem muita aten\u00e7\u00e3o do governo. Mas Nitaqat gerou uma situa\u00e7\u00e3o que deixou evidente o vazio que h\u00e1 no planejamento p\u00fablico em mat\u00e9ria de migra\u00e7\u00f5es e a depend\u00eancia da economia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s remessas de dinheiro pelos imigrantes\u201d, destacou Nair \u00e0 IPS. Segundo o Banco Mundial, a \u00cdndia \u00e9 o principal destinat\u00e1rio das remessas realizadas da Ar\u00e1bia Saudita. S\u00f3 em 2012 foram US$ 8,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cOs servi\u00e7os para os que retornam s\u00e3o insuficientes. Devem receber n\u00e3o apenas ajuda financeira, mas uma orienta\u00e7\u00e3o adequada sobre as poss\u00edveis \u00e1reas de utiliza\u00e7\u00e3o de suas habilidades nos mercados de trabalho nacionais ou estrangeiros. A maioria dos repatriados n\u00e3o busca presentes do governo, mas sua reincorpora\u00e7\u00e3o apropriada ao mercado de trabalho\u201d, acrescentou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Kerala \u00e9 o \u00fanico Estado indiano que anunciou medidas de reabilita\u00e7\u00e3o para os repatriados, o que inclui empr\u00e9stimos e servi\u00e7os sem juros como ajuda para que encontrem empregos em outros pa\u00edses do Golfo.<\/p>\n<p>Abu Ali, assessor jur\u00eddico dos trabalhadores estrangeiros em Jeddah, disse que muitos, entre eles indianos, foram declarados foragidos por seus patr\u00f5es que, dessa maneira, evitam pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o. \u201cMuitos imigrantes podem ter trabalhado ali por mais de dez anos, mas n\u00e3o existe um foro legal que acione os patr\u00f5es que n\u00e3o cumprem as regras\u201d, explicou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>K. U. Iqbal, rep\u00f3rter radicado em Riad que trabalha para a Malayalam News, uma publica\u00e7\u00e3o irm\u00e3 da Arab News, disse \u00e0 IPS por telefone que 1,3 milh\u00e3o de trabalhadores indianos, que inicialmente n\u00e3o tinham os documentos adequados, regularizaram suas permiss\u00f5es de trabalho e completaram outros tr\u00e2mites legais. \u201cA maioria dos indianos arrumou seus documentos. Afirma-se que alguns imigrantes n\u00e3o solicitaram o <i>status<\/i> legal. Se forem pegos, enfrentar\u00e3o as consequ\u00eancias\u201d, detalhou o jornalista.<\/p>\n<p>V\u00e1rios repatriados disseram \u00e0 IPS que a Nitaqat prejudicou especialmente os trabalhadores n\u00e3o qualificados, os empregados de escrit\u00f3rio de meio per\u00edodo e os professores. Sharafudeen, natural de Mamappuram, disse que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o indultou os professores sem os documentos adequados. \u201cPor\u00e9m, muitas lojas e pequenos restaurantes, que costumavam contratar regularmente os trabalhadores sem documentos, fecharam em todo o reino\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Fiscais do trabalho se voltaram contra milhares de trabalhadores ilegais em uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es em toda a Ar\u00e1bia Saudita, depois que venceu o per\u00edodo de anistia para que os estrangeiros regularizassem sua situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Shameem Ahmed, gerente-geral da Overseas Development and Employment Promotion Consultants, uma consultoria com sede em Thiruvananthapuram, capital de Kerala, citou funcion\u00e1rios do governo indiano em Riad para dizer que muitos trabalhadores n\u00e3o estavam dispostos retornar \u00e0 \u00cdndia, j\u00e1 que temiam que com sua situa\u00e7\u00e3o de desemprego a carga financeira de suas fam\u00edlias piorasse.<\/p>\n<p>\u201cMuitos n\u00e3o v\u00e3o trabalhar por medo da pris\u00e3o e deporta\u00e7\u00e3o. Numerosas empresas da constru\u00e7\u00e3o, que dependiam em grande parte da for\u00e7a de trabalho ilegal, suspenderam completamente seus projetos. Espera-se um dr\u00e1stico aumento dos pre\u00e7os das moradias devido \u00e0 escassez de m\u00e3o de obra\u201d, ressaltou o consultor. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Thiruvananthapuram, &Iacute;ndia, 14\/1\/2014 &ndash; Ashik, Rehman, de 47 anos, trabalhava como oper&aacute;rio no Estado indiano de Kerala at&eacute; que, h&aacute; dois anos, partiu para a Ar&aacute;bia Saudita com a esperan&ccedil;a de ganhar o suficiente para comprar uma casa em sua cidade natal. Agora est&aacute; de volta e tem pela frente um futuro sombrio. 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