{"id":17043,"date":"2014-01-15T11:56:50","date_gmt":"2014-01-15T11:56:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106060"},"modified":"2014-01-15T11:56:50","modified_gmt":"2014-01-15T11:56:50","slug":"armas-e-atletas-no-bahrein-o-perigoso-jogo-de-al-khalifa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/armas-e-atletas-no-bahrein-o-perigoso-jogo-de-al-khalifa\/","title":{"rendered":"Armas e atletas no Bahrein, o perigoso jogo de Al Khalifa"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106061\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/bahrein640.jpg\"><img class=\" wp-image-106061 \" alt=\"bahrein640 Armas e atletas no Bahrein, o perigoso jogo de Al Khalifa\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/bahrein640.jpg\" width=\"529\" height=\"368\" title=\"Armas e atletas no Bahrein, o perigoso jogo de Al Khalifa\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O novo governo do Bahrein presta juramento frente ao rei Hamad em novembro de 2010. Foto: Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores\/cc by 2.0<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, janeiro\/2014 \u2013 Funcion\u00e1rios do Bahrein anunciaram que frustraram \u201cuma tentativa de fazer entrar no pa\u00eds, de contrabando e por mar, explosivos e armas, algumas fabricadas no Ir\u00e3 e na S\u00edria\u201d. O governo tamb\u00e9m assegurou que havia desativado um carro-bomba e confiscado armamento em diferentes pontos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O regime de Hamad bin Isa Al Khalifa afirma que est\u00e1 combatendo o terrorismo, o qual equipara, descaradamente, com os ativistas reformistas. O regime acusa o Ir\u00e3 de conspirar e orquestrar atos \u201cterroristas\u201d na ilha. Independente de se perceber o Ir\u00e3 como envolvido no contrabando de armas, \u00e9 importante contextualizar esse \u00faltimo epis\u00f3dio.<\/p>\n<p>Primeiro, embora o Ir\u00e3 possa se beneficiar da cont\u00ednua instabilidade no Bahrein, desde que este pa\u00eds ficou independente em 1971, Teer\u00e3 n\u00e3o participou de nenhuma atividade para tirar do poder o sunita Al Khalifa.<\/p>\n<p>Entre 1970 e 1971, o ent\u00e3o x\u00e1 do Ir\u00e3, Mohammad Reza Pahlevi, aceitou o plebiscito especial da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) no Bahrein, que derivou na independ\u00eancia do pa\u00eds. Desde sua queda, em 1979, sucessivos governos iranianos sob os aiatol\u00e1s n\u00e3o questionaram a independ\u00eancia do Bahrein.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ao longo dos anos, a maioria dos xiitas do Bahrein buscou outros grandes aiatol\u00e1s, \u00e1rabes e n\u00e3o iranianos, como fontes de emula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O partido pol\u00edtico xiita Al Wefaq, acusado por alguns elementos dentro da fam\u00edlia do governante Al Khalifa de ser um conduto para o Ir\u00e3, apoiou de modo consistente uma reforma genu\u00edna por meios pac\u00edficos.<\/p>\n<p>Os l\u00edderes do Al Wefaq, alguns deles tendo estudado e vivido no Ir\u00e3 nas \u00faltimas d\u00e9cadas, aprovaram a convoca\u00e7\u00e3o do governo para um di\u00e1logo com a oposi\u00e7\u00e3o, bem como a iniciativa do pr\u00edncipe da coroa para a reforma e o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>A resposta de Al Khalifa diante da posi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica do Al Wefaq foi prender seus dois principais l\u00edderes, Sheij Ali Salman e Khalil al Marzooq.<\/p>\n<p>Segundo, independente da campanha de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que o regime do Bahrein trava com o Ir\u00e3, continua com suas pris\u00f5es, seus julgamentos arbitr\u00e1rios e as condena\u00e7\u00f5es de cidad\u00e3os do Bahrein.<\/p>\n<p>Isso inclui m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade, manifestantes pac\u00edficos jovens e velhos, e mais recentemente tamb\u00e9m atletas. Seu \u00fanico \u201cpecado\u201d \u00e9 pertencer \u00e0 maioria xiita em um pa\u00eds governado por um regime da minoria sunita.<\/p>\n<p>James Dorsey, da Escola S. Rajaratnam de Estudos Internacionais de Cingapura, detalhou em um artigo a grande quantidade de atletas, jogadores e campe\u00f5es xiitas \u2013 no futebol, basquetebol, t\u00eanis, jiu-jitsu, gin\u00e1stica, v\u00f4lei de praia e automobilismo \u2013, que foram presos e condenados a prolongada pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos desses esportistas, que procedem de Diraz e outras aldeias xiitas vizinhas, foram julgados de maneira precipitada e condenados por expressarem pontos de vista reformistas.<\/p>\n<p>Terceiro, em entrevista ao jornal Al Qabas, do Kuwait, o professor M. Cherif Bassiouni, que presidiu a Comiss\u00e3o Bareinita Independente de Investiga\u00e7\u00e3o, expressou sua decep\u00e7\u00e3o porque o governo n\u00e3o implantou algumas das principais recomenda\u00e7\u00f5es do informe. Para lembrar, o rei Hamad havia criado a Comiss\u00e3o e recebido e aceito, formal e publicamente, seu relat\u00f3rio final.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m dentro do regime foi levado \u00e0 justi\u00e7a por suas a\u00e7\u00f5es ilegais e pelos crimes detalhados no informe da Comiss\u00e3o. Segundo Bassiouni, a falta de a\u00e7\u00e3o do governo sobre a recomenda\u00e7\u00e3o causou s\u00e9rias d\u00favidas dentro de \u201cinstitui\u00e7\u00f5es da sociedade civil e de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos\u201d sobre o compromisso do regime para com a reforma genu\u00edna.<\/p>\n<p>Quarto, o regime bareinita, com seu par saudita, ati\u00e7a uma mortal guerra sect\u00e1ria no Golfo e em outras partes da regi\u00e3o. Preocupa muito \u00e0 fam\u00edlia governante que, se o Ir\u00e3 concluir um acordo com a comunidade internacional sobre seu programa nuclear, Al Khalifa fique marginalizado como ator no cen\u00e1rio do Golfo.<\/p>\n<p>Ao regime causa particular preocupa\u00e7\u00e3o o fato de, como pequeno Estado insular com uma min\u00fascula produ\u00e7\u00e3o petroleira, o Bahrein poder se converter em um ator marginal da pol\u00edtica regional e internacional.<\/p>\n<p>Corresponde ao regime de Al Khalifa saber que, se n\u00e3o conseguir trabalhar com seu povo para criar estabilidade no pa\u00eds, perder\u00e1 sua posi\u00e7\u00e3o em Washington e outras capitais do Ocidente.<\/p>\n<p>Enquanto isso maioria no Bahrein perde a confian\u00e7a no regime, e n\u00e3o seria impens\u00e1vel que Ar\u00e1bia Saudita e outras pot\u00eancias regionais e internacionais, incluindo os Estados Unidos, considerem Al Khalifa um peso.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o mais importante da Quinta Frota dos Estados Unidos, baseada no Bahrein, n\u00e3o \u00e9 proteger o regime opressor de Al Khalifa. \u00c9 funcional \u00e0 estabilidade regional, \u00e0s rotas mar\u00edtimas estrat\u00e9gicas e a outros interesses mundiais dos Estados Unidos. Seu compromisso com Al Khalifa ou com o porto de Bahrein n\u00e3o \u00e9 nem crucial nem irrevog\u00e1vel.<\/p>\n<p>Enquanto o regime do Bahrein continua sua campanha contra o Ir\u00e3, deveria recordar que, se negando a se comprometer com a oposi\u00e7\u00e3o amplamente pac\u00edfica por uma reforma significativa, criou um entorno favor\u00e1vel ao extremismo sunita e ao radicalismo antixiita.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria recente de proselitismo religioso intolerante nos ensina que um entorno desse tipo invariavelmente leva ao terrorismo. Esse \u00e9 um fen\u00f4meno interno independente de as armas interceptadas procederem, ou n\u00e3o, do Ir\u00e3. Tamb\u00e9m se deveria reconhecer que a crescente frustra\u00e7\u00e3o entre os dissidentes far\u00e1 com que parte da juventude se radicalize mais e recorra \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Se os regimes est\u00e3o dispostos a destro\u00e7ar seus pa\u00edses para permanecerem no poder, como parece estar fazendo a governante fam\u00edlia Al Khalifa, o terrorismo interno ser\u00e1 um resultado garantido.<\/p>\n<p>Atualmente vemos esse fen\u00f4meno na S\u00edria, no Iraque e em outras partes. O Estado Isl\u00e2mico da S\u00edria e do Levante n\u00e3o surgiu do nada. O jihadismo sunita radical e intolerante, que Bahrein e Ar\u00e1bia Saudita estiveram impulsionando na S\u00edria, e antes disso no Iraque, \u00e9 o germe do terrorismo. E isso acabar\u00e1 tendo um pre\u00e7o.<\/p>\n<p>A sobreviv\u00eancia do regime de Al Khalifa s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se a fam\u00edlia governante deixar de jogar seu jogo de apartheid repressor e se comprometer com seu povo, com o olhar voltado para compartilhar o poder e em uma reforma genu\u00edna.<\/p>\n<p>O rei Hamad ainda tem a oportunidade de implantar as recomenda\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o de modo exaustivo e transparente.<\/p>\n<p>Pode reunir um grupo de destacados bareinitas, tanto sunitas como xiitas, e encomendar-lhes a reda\u00e7\u00e3o de uma nova Constitui\u00e7\u00e3o que inclua um parlamento nacionalmente eleito com plenos poderes legislativos e um sistema de controles sobre o Poder Executivo.<\/p>\n<p>Isto deveria ser feito logo, porque para o rei e sua fam\u00edlia o tempo est\u00e1 acabando. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Emile Nakhleh <\/b>\u00e9 ex-funcion\u00e1rio de Intelig\u00eancia, professor da Universidade do Novo M\u00e9xico e autor de <\/i>A Necessary Engagement: Reinventing America\u2019s Relations with the Muslim World<i> (Um Compromisso Necess\u00e1rio: Reinventando as Rela\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos com o Mundo Mu\u00e7ulmano) e <\/i>Bahrain: Political Development in a Modernizing Society<i> (Bahrein: Desenvolvimento Pol\u00edtico em uma Sociedade que se Moderniza).<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, janeiro\/2014 &ndash; Funcion&aacute;rios do Bahrein anunciaram que frustraram &ldquo;uma tentativa de fazer entrar no pa&iacute;s, de contrabando e por mar, explosivos e armas, algumas fabricadas no Ir&atilde; e na S&iacute;ria&rdquo;. O governo tamb&eacute;m assegurou que havia desativado um carro-bomba e confiscado armamento em diferentes pontos do pa&iacute;s. 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