{"id":17054,"date":"2014-01-16T12:49:28","date_gmt":"2014-01-16T12:49:28","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106178"},"modified":"2014-01-16T12:49:28","modified_gmt":"2014-01-16T12:49:28","slug":"mafiosos-contra-empresarios-chineses-no-quirguistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/mafiosos-contra-empresarios-chineses-no-quirguistao\/","title":{"rendered":"Mafiosos contra empres\u00e1rios chineses no Quirguist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Quirguistao.gif\"><img class=\"alignleft size-medium wp-image-106179\" alt=\"Quirguistao 300x199 Mafiosos contra empres\u00e1rios chineses no Quirguist\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Quirguistao-300x199.gif\" width=\"300\" height=\"199\" title=\"Mafiosos contra empres\u00e1rios chineses no Quirguist\u00e3o\" \/><\/a><\/p>\n<p>Bisqueque, Quirguist\u00e3o, 16\/1\/2014 (EurasiaNet) \u2013 O Ano da Serpente esteve repleto de surpresas ingratas para os chineses que vivem no Quirguist\u00e3o. Em um contexto de crescente nacionalismo econ\u00f4mico e escassa aplica\u00e7\u00e3o da lei, os imigrantes de origem chinesa se queixam de serem v\u00edtimas de roubos e extors\u00f5es, especialmente por parte de funcion\u00e1rios que deveriam proteg\u00ea-los.<\/p>\n<p>Em dezembro, meios de comunica\u00e7\u00e3o estatais chineses denunciaram uma \u201conda\u201d de ataques contra empres\u00e1rios e estudantes da China em Bisqueque, capital do Quirguist\u00e3o, e seus arredores. O informe, publicado no Global Times, com sede em Pequim, dizia que muitas v\u00edtimas se sentiam alvo de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9tnica, e que a pol\u00edcia local era c\u00famplice de ataques violentos.<\/p>\n<p>No mesmo m\u00eas, a embaixada da China em Bisqueque tomou a incomum medida de emitir um \u201calerta de seguran\u00e7a de emerg\u00eancia\u201d, advertindo seus cidad\u00e3os a ficarem atentos. Outro comunicado divulgado pela embaixada repreendeu as autoridades do Quirguist\u00e3o por n\u00e3o protegerem os cidad\u00e3os chineses.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 EurasiaNet, um cuidadoso chin\u00eas radicado em Bisqueque, onde \u00e9 propriet\u00e1rio de um restaurante, contou a delicada situa\u00e7\u00e3o vivida por muitos como ele. As m\u00e1fias, comumente protegidas pela pol\u00edcia, veem os com\u00e9rcios chineses como de pouca import\u00e2ncia, como \u201cm\u00e1quinas de dinheiro\u201d, disse a fonte, pedindo para n\u00e3o ter o nome revelado. \u201cVivemos com simplicidade e tentamos economizar dinheiro como todo mundo. Mas as gangues pensam que, como a China tem dinheiro, n\u00f3s tamb\u00e9m temos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Por outro lado, grupos de oper\u00e1rios chineses, que frequentemente trabalham em projetos de constru\u00e7\u00e3o administrados por empresas estatais de seu pa\u00eds, s\u00e3o submetidos a repentinas revis\u00f5es de documentos por parte de grupos nacionalistas. Estes, que consideram os imigrantes chineses uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a nacional, prosperam com base no ressentimento: muitos quirguistaneses n\u00e3o entendem porque os chineses ficam com empregos escassos e desejados, enquanto centenas de nacionais s\u00e3o obrigados a trabalhar na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Um dos grupos, o Erkin El, afirma que cerca de 300 mil chineses j\u00e1 vivem no Quirguist\u00e3o, pa\u00eds com cerca de 5,5 milh\u00f5es de habitantes. O <i>Global Times <\/i>estima que esse n\u00famero est\u00e1 mais para 80 mil. A Coaliz\u00e3o de Uma Nova Gera\u00e7\u00e3o \u00e9 outro grupo juvenil que atua como inspetor autodesignado dos documentos dos trabalhadores chineses. As revis\u00f5es, algumas filmadas e divulgadas na internet, s\u00e3o semelhantes \u00e0s que os grupos nacionalistas russos realizam contra imigrantes da \u00c1sia central. Os representantes da coaliz\u00e3o n\u00e3o responderam aos reiterados pedidos de entrevista feitos pela EurasiaNet.<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o em idioma quirguistan\u00eas t\u00eam o costume de fazer coment\u00e1rios racistas e utilizar hip\u00e9rboles de inspira\u00e7\u00e3o nacionalista. Muitos deles ajudam a avivar o sentimento antichin\u00eas. Em julho, por exemplo, o jornal <i>Alibi<\/i> buscou culpar a China pela instabilidade cr\u00f4nica do Quirguist\u00e3o, em um artigo intitulado Migrantes Chineses Podem Realizar a Terceira Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Aigul Ryskulova, ex-ministra do Trabalho, que lidera um grupo sobre migra\u00e7\u00f5es no governo do presidente Almazbek Atambayev, disse \u00e0 EurasiaNet que as migra\u00e7\u00f5es chinesas n\u00e3o s\u00e3o \u201ct\u00e3o catastr\u00f3ficas\u201d como os grupos nacionalistas as descrevem. Em novembro do ano passado, funcion\u00e1rios do Minist\u00e9rio de Trabalho, Migra\u00e7\u00f5es e Juventude disseram no parlamento que os cidad\u00e3os chineses representavam cerca de 70% das 12.990 permiss\u00f5es de trabalho emitidas em 2013.<\/p>\n<p>Um problema importante, segundo Ryskulova, \u00e9 a natureza convulsionada do contexto migrat\u00f3rio do Quirguist\u00e3o. A racionaliza\u00e7\u00e3o pode beneficiar o sistema, afirmou. \u201cOs acordos intergovernamentais que operam fora do sistema de cotas, as demoras nos departamentos e os programas anticorrup\u00e7\u00e3o no processo de prorroga\u00e7\u00e3o de vistos\u201d significam que o n\u00famero total de chineses trabalhando no pa\u00eds seja v\u00e1rias vezes superior ao da cota oficial anual, ressaltou.<\/p>\n<p>Essa brecha faz com que ganhem for\u00e7a os \u201cmitos\u201d sobre a quantidade de imigrantes chineses no pa\u00eds, al\u00e9m de fomentar uma sensa\u00e7\u00e3o de indefesa entre os cidad\u00e3os quirguistaneses, acrescentou Ryskulova. Embora a visibilidade cada vez maior dos trabalhadores chineses, sem d\u00favida, alimentou a xenofobia, os motivos que h\u00e1 por tr\u00e1s da recente onda de ataques violentos podem ser mais calculados, segundo Li Lifan, da Academia de Ci\u00eancias Sociais de Xangai.<\/p>\n<p>Os expatriados chineses, em particular empres\u00e1rios privados, \u201ctendem a acumular grandes somas em divisas, especialmente d\u00f3lares\u201d, para evitar os pre\u00e7os punitivos das transfer\u00eancias banc\u00e1rias do Quirguist\u00e3o para a China. Isto, combinado com o fato de os chineses \u201craramente se queixarem\u201d e frequentemente n\u00e3o informarem os crimes ou tentativas de extors\u00e3o, os torna \u201calvos f\u00e1ceis para as gangues locais\u201d, disse Lifan \u00e0 EurasiaNet. Diplomatas da embaixada da China se negaram a falar sobre este tema \u00e0 EurasiaNet.<\/p>\n<p>O dono de um restaurante chin\u00eas em Bisqueque, nascido em Sichuan, disse que as extors\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o novidade. Seu estabelecimento, no centro da cidade, \u00e9 um dos, pelo menos, dez restaurantes de propriet\u00e1rios chineses que h\u00e1 na capital, e recebeu amea\u00e7as de mafiosos. Uma vez, cinco homens entraram no restaurante e pediram US$ 2 mil em dinheiro, contou a fonte.<\/p>\n<p>\u201cQuando dissemos que n\u00e3o pod\u00edamos pagar, voltaram no dia seguinte, pediram uma grande refei\u00e7\u00e3o e sa\u00edram sem pagar. Quando chamamos a pol\u00edcia, os oficiais disseram que o grupo n\u00e3o cometera nenhum crime e que n\u00f3s mostramos nossa hospitalidade. Isso continuou ocorrendo duas vezes por semana durante um m\u00eas\u201d, disse o empres\u00e1rio. Os mafiosos finalmente deixaram de aparecer ap\u00f3s verem que o restaurante rendia pouco dinheiro.<\/p>\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de envolvimento da pol\u00edcia com as m\u00e1fias e em fatos de viol\u00eancia s\u00e3o comuns. E isso \u00e9 veross\u00edmil em um pa\u00eds onde, segundo estudo de 2012 financiado pelo governo dos Estados Unidos, a pol\u00edcia \u00e9 a segunda institui\u00e7\u00e3o que gera menos confian\u00e7a, depois do Poder Judicial. Segundo um entrevistado citado no informe do <i>Global Times<\/i>, um policial de Bisqueque \u00e9 suspeito de pelo menos um ataque contra um com\u00e9rcio chin\u00eas cometido em 2012, no qual morreu um chin\u00eas.<\/p>\n<p>O dono do restaurante de Bisqueque disse que a comunidade chinesa ficou \u201cextremamente atemorizada\u201d no \u00faltimo ver\u00e3o boreal pela morte de Guan Joon Chan, dono de uma rede de lojas de \u00f3culos para sol na cidade. Segundo v\u00e1rios informes da imprensa local, Guan foi encontrado inconsciente pelos golpes recebidos na \u00faltima hora do dia 24 de julho. Morreu em seguida no hospital.<\/p>\n<p>Citando fontes an\u00f4nimas, o <i>Vechernii Bishkek<\/i>, publicado em russo, informou, no dia 30 de julho, que Guan havia pago com regularidade \u00e0 pol\u00edcia local em troca de prote\u00e7\u00e3o, e que o golpe ocorreu pouco depois de discordar com um chefe de pol\u00edcia a respeito dessa quantia. Atualmente, dois homens s\u00e3o julgados em conex\u00e3o com a morte de Guan. Um \u00e9 um alto funcion\u00e1rio do Departamento de Pol\u00edcia do distrito de Sverdlosvsk. O outro \u00e9 um ex-membro das for\u00e7as policiais especiais. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><i>* <b>Chris Rickleton <\/b>\u00e9 jornalista, radicado em Bisqueque. Este artigo foi publicado originariamente na EurasiaNet.org.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bisqueque, Quirguist&atilde;o, 16\/1\/2014 (EurasiaNet) &ndash; O Ano da Serpente esteve repleto de surpresas ingratas para os chineses que vivem no Quirguist&atilde;o. Em um contexto de crescente nacionalismo econ&ocirc;mico e escassa aplica&ccedil;&atilde;o da lei, os imigrantes de origem chinesa se queixam de serem v&iacute;timas de roubos e extors&otilde;es, especialmente por parte de funcion&aacute;rios que deveriam proteg&ecirc;-los. 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