{"id":17057,"date":"2014-01-17T11:53:14","date_gmt":"2014-01-17T11:53:14","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106249"},"modified":"2014-01-17T11:53:14","modified_gmt":"2014-01-17T11:53:14","slug":"narcotrafico-engole-produtores-de-milho-no-mexico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/narcotrafico-engole-produtores-de-milho-no-mexico\/","title":{"rendered":"Narcotr\u00e1fico engole produtores de milho no M\u00e9xico"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106251\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/milho.jpg\"><img class=\" wp-image-106251\" alt=\"milho Narcotr\u00e1fico engole produtores de milho no M\u00e9xico\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/milho.jpg\" width=\"529\" height=\"369\" title=\"Narcotr\u00e1fico engole produtores de milho no M\u00e9xico\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O milho, principal cultivo do M\u00e9xico e base de sua dieta, enfrenta amea\u00e7as como sua substitui\u00e7\u00e3o por planta\u00e7\u00e3o de entorpecentes. Foto: Emilio Godoy\/IPS<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 17\/1\/2014 \u2013 A completar 20 anos do Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (TLCAN), o M\u00e9xico sofre a substitui\u00e7\u00e3o de cultivos como o milho pelos de maconha e papoula, diante da queda dos pre\u00e7os do mais importante item agr\u00edcola do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Desde que o TLCAN \u2013 entre Canad\u00e1, Estados Unidos e M\u00e9xico \u2013 entrou em vigor, em janeiro de 1994, os pre\u00e7os do milho e de outros produtos agr\u00edcolas come\u00e7aram a cair acentuadamente, em detrimento da renda dos agricultores com menos terra e menor colheita, o que os colocou na mira das m\u00e1fias do tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o ocorre em regi\u00f5es de agricultores pobres, onde o pre\u00e7o caiu e a produtividade \u00e9 baixa. Precisam recorrer aos narcotraficantes, que lhes emprestam dinheiro ou arrendam terras\u201d, disse V\u00edctor Quintana, assessor da n\u00e3o governamental Frente Democr\u00e1tica Camponesa no Estado de Chihuahua, norte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quintana contou \u00e0 IPS o caso dos ind\u00edgenas pimas, que habitam em Chihuahua e o vizinho Estado de Sonora, que se converteram, segundo seus dados, em fornecedores de mat\u00e9ria-prima para os grupos criminosos que disputam violentamente entre si as rotas de distribui\u00e7\u00e3o para o vizinho e lucrativo mercado norte-americano.<\/p>\n<p>\u201cO processo come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1980, mas com a penetra\u00e7\u00e3o dos cart\u00e9is de Sinaloa e Ju\u00e1rez vem aumentando desde 2006\u201d, explicou Quintana se referindo \u00e0 disputa entre as duas m\u00e1fias da droga pelo controle dessa regi\u00e3o fronteiri\u00e7a.<\/p>\n<p>O milho tem especial simbolismo para o M\u00e9xico, considerado como o local de origem desse cereal com 59 tipos aut\u00f3ctones e 209 variedades, que constituem um componente essencial da dieta de sua popula\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds produz cerca de 22 milh\u00f5es de toneladas, mas precisa importar outros dez milh\u00f5es para atender a demanda, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura e organiza\u00e7\u00f5es de produtores. Cerca de tr\u00eas milh\u00f5es de agricultores semeiam aproximadamente oito milh\u00f5es de hectares de milho, mas dois milh\u00f5es deles destinam sua colheita unicamente para o consumo familiar.<\/p>\n<p>Omar Garc\u00eda Ponce, acad\u00eamico do Departamento de Pol\u00edtica da Universidade de Nova York, disse \u00e0 IPS que \u201ca deteriora\u00e7\u00e3o da economia dos munic\u00edpios produtores de milho est\u00e1 vinculada de forma muito estreita ao cultivo de drogas\u201d. A seu ver, essa deteriora\u00e7\u00e3o explica o motivo de o pa\u00eds ter se convertido em um dos produtores mais importantes de maconha e papoula.<\/p>\n<p>Ponce, Oeindrila Dube e Kevin Thom, tamb\u00e9m da universidade norte-americana, publicaram em agosto o estudo <i>From Maize to Haze: Agricultural Shocks and the Growth of the Mexican Drug Sector<\/i> (Do Milho \u00e0 N\u00e9voa: Choques Agr\u00edcolas e o Crescimento do Setor Mexicano de Drogas), que conclui que a queda dos pre\u00e7os fez aumentar os cultivos proibidos nos munic\u00edpios climaticamente mais aptos para a planta\u00e7\u00e3o de milho.<\/p>\n<p>Os autores analisaram dados de mais de 2.200 munic\u00edpios durante o per\u00edodo 1990-2010, sobre produ\u00e7\u00e3o, emprego agr\u00edcola e renda. Tamb\u00e9m mediram o impacto do vai e vem no pre\u00e7o no pre\u00e7o do milho sobre o cultivo de drogas e a viol\u00eancia desatada pela atividade ilegal. O estudo destaca que o TLCAN for\u00e7ou a liberaliza\u00e7\u00e3o do setor, expandindo as cotas de exporta\u00e7\u00e3o do gr\u00e3o e reduzindo tarifas alfandeg\u00e1rias, al\u00e9m de precipitar uma grande queda no pre\u00e7o do milho no M\u00e9xico.<\/p>\n<p>A cota\u00e7\u00e3o do cereal caiu 59% entre 1990 e 2005, o que se traduziu em uma redu\u00e7\u00e3o de 25% na renda dos produtores de milho. Em paralelo, os assassinatos relacionados com o tr\u00e1fico de drogas aumentaram, em m\u00e9dia, 62% nos munic\u00edpios com condi\u00e7\u00f5es adequadas para o cultivo, afirma o estudo.<\/p>\n<p>Com a crise mundial de alimentos de 2007, o pre\u00e7o do milho subiu 8% entre esse ano e o seguinte, enquanto os homic\u00eddios ligados ao narcotr\u00e1fico ca\u00edram 12% nos munic\u00edpios produtores de milho. A apreens\u00e3o de drogas aumentou 16% e a erradica\u00e7\u00e3o de plantios 8%, ao contr\u00e1rio do ocorrido em zonas n\u00e3o produtoras de milho, cuja produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m enfrenta o fantasma da autoriza\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00e3o comercial de gr\u00e3o transg\u00eanico.<\/p>\n<p>\u201cA queda no pre\u00e7o do milho contribuiu para a bonan\u00e7a do narcotr\u00e1fico no M\u00e9xico\u201d, diz o documento, o primeiro a vincular a crise rural com o desenvolvimento do tr\u00e1fico de drogas no M\u00e9xico. A pesquisa mapeou zonas dos Estados de Sinaloa, Guerrero, Michoac\u00e1n, Chiapas, Oaxaca, Tamaulipas, Yucat\u00e1n e Campeche, que experimentaram a substitui\u00e7\u00e3o do cultivo. A erradica\u00e7\u00e3o da droga se concentra ao longo das faixas ocidental e sul de Sierra Madre e \u00e1reas adjacentes.<\/p>\n<p>Dados do Minist\u00e9rio da Defesa Nacional indicam que a erradica\u00e7\u00e3o do plantio de maconha aumentou entre 1990 e 2003, quando passou de 5.400 hectares para 34 mil, depois caiu<b> <\/b>at\u00e9 ficar em 17.900, em 2010. Entre dezembro de 2006 e novembro de 2012, o per\u00edodo de governo do conservador Felipe Calder\u00f3n, as for\u00e7as armadas arrasaram 98.354 hectares, enquanto em 2013, primeiro ano da gest\u00e3o do tamb\u00e9m conservador Enrique Pe\u00f1a Nieto, essa quantidade foi de 5.096.<\/p>\n<p>A erradica\u00e7\u00e3o de papoula come\u00e7ou com 5.950 hectares em 1990, subiu para 20.200 em 2005, e caiu para 15.331 em 2010. Entre dezembro de 2006 e novembro de 2012 os militares arrasaram 86.428 hectares. No ano passado chegou a 14.419 hectares.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 tabu nas zonas de milho, onde s\u00e3o muitos os boatos de que os agricultores dissimulam plantios il\u00edcitos entre outros em suas terras e ningu\u00e9m reconhece abertamente que est\u00e1 vinculado a essa atividade. \u201cOuve-se que este ou aquele produtor semeia droga, h\u00e1 muito medo de falar disso\u201d, disseram \u00e0 IPS colhedores dos Estados de Jalisco e Guerrero, que pediram para n\u00e3o serem identificados. Desde 2011, os meios de comunica\u00e7\u00e3o mexicanos e a Procuradoria Geral difundiram ao menos dois casos de camponeses presos por cultivarem drogas, nos Estados de Puebla e Guerrero.<\/p>\n<p>Pe\u00f1a Nieto anunciou para este ano or\u00e7amento de US$ 26 bilh\u00f5es para o campo e \u201cuma reforma profunda do setor\u201d. Mas os especialistas duvidam que essas medidas alterem a situa\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores. \u201cSe se concentram em um punhado de estados e n\u00e3o mudam a estrutura de distribui\u00e7\u00e3o de recursos, continuar\u00e1 a mesma situa\u00e7\u00e3o no campo\u201d, e em particular com os cultivos de drogas, opinou Quintana.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u201cse aproveitarem terras ociosas, aumentarem a capacidade produtiva, apoiarem tecnicamente camponeses pobres e ind\u00edgenas, o problema diminuir\u00e1\u201d, enfatizou Quintana, assessor de produtores de milho, que sugere pre\u00e7o m\u00ednimo de garantia para o milho a fim de enfrentar o desmantelamento dos apoios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o local, por causa do TLCAN.<\/p>\n<p>Ponce aconselha \u201cmaior \u00eanfase na ajuda aos agricultores que s\u00e3o mais suscet\u00edveis. A situa\u00e7\u00e3o do campo e os incentivos que fizeram os agricultores se voltarem para os cultivos il\u00edcitos s\u00e3o ignorados pelas pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d. A pesquisa concluiu tamb\u00e9m que a queda do pre\u00e7o do milho redunda em aumento de 5% na possibilidade de aparecer um cartel em um munic\u00edpio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M&eacute;xico, M&eacute;xico, 17\/1\/2014 &ndash; A completar 20 anos do Tratado de Livre Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica do Norte (TLCAN), o M&eacute;xico sofre a substitui&ccedil;&atilde;o de cultivos como o milho pelos de maconha e papoula, diante da queda dos pre&ccedil;os do mais importante item agr&iacute;cola do pa&iacute;s. 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