{"id":17067,"date":"2014-01-20T15:18:47","date_gmt":"2014-01-20T15:18:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=17067"},"modified":"2014-01-20T15:22:04","modified_gmt":"2014-01-20T15:22:04","slug":"medo-da-despistagem-vih-entre-adolescentes-zimbabwe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/africa\/medo-da-despistagem-vih-entre-adolescentes-zimbabwe\/","title":{"rendered":"Medo da Despistagem do VIH Entre Adolescentes no Zimbabwe"},"content":{"rendered":"<p>HARARE, 20 de janeiro\u00a0de 2014 \u2013 Natalie Mlambo*, de 17 anos, tem dois bons motivos para fazer o teste de VIH. Tem dois namorados e teve rela\u00e7\u00f5es sexuais sem protec\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 um colega do liceu. O outro \u00e9 mais velho, trabalha num banco e pode oferecer pequenos presentes a Mlambo e algum dinheiro.<\/p>\n<p><!--more-->\u201cSim, durmo com os dois,\u201d disse Mlambo \u00e0 IPS. Uma vez que apenas tem rela\u00e7\u00f5es sexuais com estes dois homens, eles deixaram de usar preservativo, explicou.<\/p>\n<p>Mas Mlambo est\u00e1 aterrorizada com a ideia de fazer um teste de VIH. \u201cTenho medo,\u201d afirmou. \u201c\u00c9 melhor n\u00e3o saber nada do que saber que terei de enfrentar a morte; o tratamento n\u00e3o elimina a doen\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Mlambo, estudante do \u00faltimo ano do liceu no bairro de Kuwadzana, de elevada densidade populacional, em Harare, n\u00e3o \u00e9 um caso \u00fanico \u2013 quer em rela\u00e7\u00e3o ao sexo mercantil e ao facto de ter parceiros sexuais m\u00faltiplos quer sobre o receio de fazer um teste de VIH.<\/p>\n<p>Felicia Chingundu, activista do Shingai-Batanai, grupo de apoio ao VIH\/SIDA, em Masvingo, uma cidade a 300 quil\u00f3metros no sudeste de Harare, todos os dias assiste \u00e0 resist\u00eancia manifestada pelos adolescentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por que N\u00e3o Fazem os Adolescentes o Teste<\/p>\n<p>Na Z\u00e2mbia, pa\u00eds vizinho do Zimbabwe, as raparigas com idades compreendidas entre os 15 e 19 anos divulgaram os receios que as impedem de fazer o teste de VIH:<\/p>\n<p>\u2022 Receio de saber o resultado (58 por cento)<\/p>\n<p>\u2022 Receio de depress\u00e3o e suic\u00eddio (27 por cento)<\/p>\n<p>\u2022 Receio de estigma (24 por cento)<\/p>\n<p>\u2022 Receio de morrer mais depressa (24 por cento)<\/p>\n<p>\u2022 N\u00e3o correr o risco de contrair o VIH (12 por cento)<\/p>\n<p>Fonte: Inqu\u00e9rito Sobre o Comportamento Sexual 2010. M\u00faltipla escolha permitida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs adolescentes t\u00eam um comportamento sexual arriscado mas raramente os vemos nos centros de despistagem do VIH,\u201d disse Chingundu \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O Zimbabwe implementou programas de preven\u00e7\u00e3o precoces e robustos na d\u00e9cada de 90 respons\u00e1veis por terem reduzido a taxa de preval\u00eancia de VIH de 24 por cento em 2001 \u2013 uma das mais elevadas do mundo \u2013 para menos de 15 por cento em 2012, de acordo com o Programa Conjunto das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o VIH\/SIDA (ONUSIDA). Apesar de uma s\u00e9rie de crises pol\u00edticas e econ\u00f3micas depois de 2000 terem reduzido muitos programas, \u00e9 generalizada a sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre a SIDA.<\/p>\n<p>Segundo o Inqu\u00e9rito Demogr\u00e1fico e de Sa\u00fade (DHS) de 2011, um dos resultados \u00e9 o facto de mais de metade dos adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos terem um conhecimento abrangente sobre a SIDA, um n\u00famero superior \u00e0 m\u00e9dia regional. Contudo, o conhecimento n\u00e3o se traduz necessariamente em ac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade criou instala\u00e7\u00f5es de despistagem m\u00f3veis que visitam escolas e outros centros de despistagem em cl\u00ednicas. Mas os adolescentes dizem que os centros n\u00e3o s\u00e3o apelativos aos jovens.<\/p>\n<p>\u201cA maior parte dos jovens n\u00e3o se aproxima desses lugares, dizendo que est\u00e3o sobrecarregados de adultos,\u201d explicou Mavis Chigara, coordenadora da Rede de Jovens para a SIDA no distrito de Mwenezi, na Prov\u00edncia de Masvingo.<\/p>\n<p>Em 2012, esta organiza\u00e7\u00e3o efectuou um inqu\u00e9rito a 12.500 jovens no distrito; s\u00f3 cinco por cento tinha feito o teste do VIH.<\/p>\n<p>\u201cFazer a despistagem do VIH equivale procurar a pena de morte e tomar os medicamentos anti-retrov\u00edricos \u00e9 um fardo que dura a vida inteira,\u201d afirmou Terrence Changara, de 19 anos, proveniente de Highfield, um bairro de baixos rendimentos em Harare.<\/p>\n<p>O estigma tamb\u00e9m contribui para esta atitude. Apesar de uma epidemia generalizada e programas massivos de tratamento e campanhas de informa\u00e7\u00e3o, continua a haver resqu\u00edcios de discrimina\u00e7\u00e3o \u201c<\/p>\n<p>\u201cOs meus dois namorados tro\u00e7am das pessoas que contra\u00edram o VIH\/SIDA,\u201d contou Mlambo. Explicou que tal atitude indicava que n\u00e3o deviam ter SIDA ou ent\u00e3o teriam uma posi\u00e7\u00e3o de maior compreens\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2011, o Inqu\u00e9rito Demogr\u00e1fico e de Sa\u00fade encontrou taxas de preval\u00eancia de cerca de quatro por cento entre os jovens do sexo masculino e mais de seis por cento entre as jovens. Os dados do recenseamento indicam que h\u00e1 3.1 milh\u00f5es de jovens no pa\u00eds com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos.<\/p>\n<p><b>Os Benef\u00edcios do Teste<\/b><\/p>\n<p>Os testes podem ser assustadores e revelar a um conselheiro que se praticou sexo de alto risco pode ser embara\u00e7oso, mas s\u00e3o muitas as vantagens.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que os adolescentes saibam o seu estatuto serol\u00f3gico visto que isso lhes permitir\u00e1 iniciar o tratamento precoce e melhorar a sua sa\u00fade,\u201d afirmou Judith Sherman, especialista em VIH\/SIDA junto do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia no Zimbabwe.<\/p>\n<p>\u201cRelativamente aos adolescentes mais velhos, ir\u00e1 reduzir o risco de transmiss\u00e3o do v\u00edrus a outra pessoa,\u201d acrescentou. \u201cFinalmente, tamb\u00e9m ajuda os adolescentes que n\u00e3o t\u00eam VIH a evitarem ficar infectados.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com o Inqu\u00e9rito Demogr\u00e1fico e de Sa\u00fade, apesar do medo, quatro em cada 10 raparigas sexualmente activas entre os 15 e 19 anos afirmaram que tinham feito um teste de VIH nos \u00faltimos 12 meses. Mas uma raz\u00e3o frequente para a despistagem \u00e9 o facto de as raparigas ficarem gr\u00e1vidas e estarem a receber cuidados cl\u00ednicos pr\u00e9-natais.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 raro que os adolescentes fa\u00e7am o teste do VIH,\u201d sublinhou Mandy Chiwawa, conselheira para a SIDA em Harare. \u201cPrecisam de apoio para fazerem o teste.\u201d<\/p>\n<p>Todavia, um crescente n\u00famero de pessoas com idades compreendidas entre os 15 e 24 anos est\u00e1 agora a fazer o teste, comparado com o Inqu\u00e9rito Demogr\u00e1fico e de Sa\u00fade de 2006. A percentagem de rapazes sexualmente activos que fizeram o teste triplicou para 23 por cento, enquanto que a percentagem de raparigas aumentou cinco vezes mais, para 45 por cento. Trata-se de um n\u00famero mais elevado do que a m\u00e9dia regional de 22 por cento de raparigas e 14 por cento de rapazes.<\/p>\n<p>Apesar de haver um longo caminho a percorrer, e de existirem muitas Mlambos que precisam de ajuda para ultrapassarem os seus receios, a tend\u00eancia \u00e9 encorajadora.<\/p>\n<p>*Nome fict\u00edcio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HARARE, 20 de janeiro\u00a0de 2014 \u2013 Natalie Mlambo*, de 17 anos, tem dois bons motivos para fazer o teste de VIH. Tem dois namorados e teve rela\u00e7\u00f5es sexuais sem protec\u00e7\u00e3o. Um deles \u00e9 um colega do liceu. 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