{"id":17068,"date":"2014-01-20T13:10:21","date_gmt":"2014-01-20T13:10:21","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106355"},"modified":"2014-01-20T13:10:21","modified_gmt":"2014-01-20T13:10:21","slug":"alto-maipo-o-projeto-que-ameaca-a-agua-de-santiago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/alto-maipo-o-projeto-que-ameaca-a-agua-de-santiago\/","title":{"rendered":"Alto Maipo, o projeto que amea\u00e7a a \u00e1gua de Santiago"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106356\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Chile-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-106356 \" alt=\"Chile 629x419 Alto Maipo, o projeto que amea\u00e7a a \u00e1gua de Santiago\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Chile-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Alto Maipo, o projeto que amea\u00e7a a \u00e1gua de Santiago\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Ativistas chilenos protestam no centro de Santiago contra o projeto hidrel\u00e9trico do Alto Maipo. Foto: Coordenadoria R\u00edos del Maipo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santiago, Chile, 20\/1\/2014 \u2013 Um projeto hidrel\u00e9trico que est\u00e1 sendo constru\u00eddo nas proximidades da capital do Chile amea\u00e7a o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel de mais de seis milh\u00f5es de pessoas que vivem na regi\u00e3o metropolitana. A Central de Pasada Alto Maipo ser\u00e1 composta por duas unidades que em conjunto v\u00e3o gerar 531 megawatts (MW) de pot\u00eancia instalada e 2.465 gigawatts\/hora de energia m\u00e9dia anual.<\/p>\n<p>Para essa produ\u00e7\u00e3o, a central utilizar\u00e1 parte das \u00e1guas dos rios Volc\u00e1n, Yeso e Colorado, que comp\u00f5em a Bacia do Rio Maipo, que possui uma vasta biodiversidade e abastece mais de 60% da \u00e1gua pot\u00e1vel da regi\u00e3o metropolitana, onde fica Santiago. O projeto \u00e9 controlado por duas empresas chilenas: AES Gener, com 60% de participa\u00e7\u00e3o, e Antofagasta Minerals, do Grupo Luksic, o mais rico do pa\u00eds. Essa alian\u00e7a \u00e9, para grupos ambientalistas, a prova de que a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica tem o objetivo de abastecer a grande mineradora do norte do Chile, sedenta por energia, e n\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O rio Maipo cruza o c\u00e2nion de mesmo nome, na Cordilheira dos Andes, a 46 quil\u00f4metros de Santiago, onde crescem florestas de <i>peumos<\/i> (<i>Cryptocarya alba<\/i>), <i>litres<\/i> (<i>Lithraea caustica<\/i>) e <i>quilaias<\/i> (<i>Quillaja saponaria<\/i>), onde interagem pumas, raposas e condores andinos, entre outros. \u201cA bacia do rio Maipo est\u00e1 superexplorada pelos diferentes tipos de usu\u00e1rios estabelecidos nos rios do C\u00e2nion do Maipo, entre eles AES Gener, que possui quatro hidrel\u00e9tricas na \u00e1rea\u201d, detalhou \u00e0 IPS a porta-voz da Coordenadoria R\u00edos del Maipo, Marcela Mella. \u201cEm pa\u00edses desenvolvidos, todas as bacias que abastecem de \u00e1gua pot\u00e1vel as capitais, importantes ou estrat\u00e9gicas do ponto de vista demogr\u00e1fico, est\u00e3o protegidas\u201d, acrescentou .<\/p>\n<p>Santiago tem 40% da popula\u00e7\u00e3o total desse pa\u00eds de 17 milh\u00f5es de habitantes. Segundo especialistas em ambiente, h\u00e1 riscos s\u00e9rios de essa cidade ficar sem \u00e1gua pot\u00e1vel caso ocorram alguns fatores. O acad\u00eamico Roberto Rom\u00e1n, especialista em Energias Renov\u00e1veis da Universidade do Chile, disse \u00e0 IPS que, se a Alto Maipo manejar mal o sistema, \u201cpoder\u00e1 haver efeitos negativos\u201d para o fornecimento de \u00e1gua \u00e0 capital.<\/p>\n<p>Um risco real \u00e9 um acordo obtido entre a AES Gener e a \u00c1guas Andinas, a principal abastecedora de \u00e1gua pot\u00e1vel da capital, que consiste na utiliza\u00e7\u00e3o das reservas de \u00e1gua da regi\u00e3o metropolitana para a gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica. Rom\u00e1n recordou que isto \u201cn\u00e3o \u00e9 s\u00f3 teoria\u201d, pois j\u00e1 ocorreu no final da d\u00e9cada de 1990, quando a empresa Endesa, atualmente filial da italiana Enel, construiu uma central com turbina a g\u00e1s nas proximidades de Quintero, 180 quil\u00f4metros ao norte de Santiago.<\/p>\n<p>\u201cO projeto atrasou e, como a empresa tinha contratos vigentes para entrega de energia, simplesmente consumiu as reservas da Laguna del Laja (maior represa natural do pa\u00eds) apostando que naquele ano o outono seria normal\u201d, recordou Rom\u00e1n. Por\u00e9m, 1998 foi um ano muito seco e a Endesa n\u00e3o teve com gerar energia. Em consequ\u00eancia, houve apag\u00f5es em todo o pa\u00eds, primeiro espont\u00e2neos e depois programados. Al\u00e9m da teoria, \u201ca pr\u00e1tica mostra que, quando a algum engenheiro comercial ocorre maximizar lucros, se esquece dos efeitos secund\u00e1rios de suas medidas\u201d.<\/p>\n<p>A empresa garante em seu site que as \u00e1guas utilizadas \u201cser\u00e3o integralmente devolvidas ao rio Maipo, cinco quil\u00f4metros \u00e1guas acima da tomada de \u00e1gua da empresa \u00c1guas Andinas, n\u00e3o afetando o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel para Santiago, seu uso para irriga\u00e7\u00e3o e as atividades esportivas que acontecem em torno do rio Maipo\u201d. A Central, que entrar\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o em 2018 e cujo custo supera os US$ 2 bilh\u00f5es, movimentar\u00e1 turbinas mediante a \u201cpassagem\u201d da \u00e1gua natural do rio, sem necessidade de represamento.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o oficial \u00e9 que sua energia abastecer\u00e1 o Sistema Interligado Central, que fornecer\u00e1 a eletricidade para quase todo o pa\u00eds. Rom\u00e1n lembrou que o abastecimento h\u00eddrico do C\u00e2nion do Maipo \u00e9 muito prec\u00e1rio, o que se traduz em \u201cv\u00e1rias localidades sem sistemas de \u00e1gua pot\u00e1vel e dependendo de redes de tubula\u00e7\u00e3o que se nutrem de pequenos charcos. Tamb\u00e9m h\u00e1 grande quantidade de usos da \u00e1gua de fato, o que faz demorar muito para estabelecer os verdadeiros direitos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Rom\u00e1n se refere ao C\u00f3digo de \u00c1guas de 1981, da \u00e9poca da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), que transformou a \u00e1gua em propriedade privada e conferiu ao Estado a faculdade de conceder a privados direitos de aproveitamento de \u00e1guas de forma gratuita e perp\u00e9tua. Al\u00e9m disso, permite comprar, vender ou arrendar esses direitos sem considerar prioridades de uso. \u201cPor isso, embora teoricamente o projeto da Alto Maipo n\u00e3o afete o abastecimento de \u00e1gua do C\u00e2nion do Maipo, na pr\u00e1tica, uma situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 prec\u00e1ria poderia piorar\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Atualmente, a popula\u00e7\u00e3o do C\u00e2nion do Maipo est\u00e1 dividida em rela\u00e7\u00e3o ao projeto. \u201cH\u00e1 um setor, que majoritariamente trabalha ou tem seus meios de vida fora do C\u00e2nion, que, em geral, se op\u00f5e. E tamb\u00e9m h\u00e1 um setor \u2013 especialmente de gente com renda menor e vari\u00e1vel \u2013 que o v\u00ea como uma oportunidade de trabalho direto ou indireto\u201d, pontuou o especialista.<\/p>\n<p>Adolfo Astorga, presidente da Junta de Moradores de San Jos\u00e9 de Maipo, passeia com frequ\u00eancia pela pra\u00e7a do povoado, local pouco agrad\u00e1vel, apesar da alta aflu\u00eancia tur\u00edstica da regi\u00e3o. Em seu duplo papel de cidad\u00e3o e dirigente local, Astorga mostra uma postura amb\u00edgua sobre o projeto. \u201cPessoalmente n\u00e3o concordo, porque obteremos benef\u00edcios m\u00ednimos, <i>versus<\/i> o impacto que o projeto causar\u00e1\u201d, declarou \u00e0 IPS. Mas garante que defende os moradores que apoiam a Alto Maipo e at\u00e9 os compreende, porque representa uma oportunidade de trabalho \u201cainda que por pouco tempo\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Marcela Mella, a oposi\u00e7\u00e3o ao projeto soma mais e mais argumentos porque, al\u00e9m do risco de destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade e do abastecimento seguro de \u00e1gua pot\u00e1vel, \u201ch\u00e1 a possibilidade de no curto prazo se causar a desertifica\u00e7\u00e3o de mais de cem mil hectares do C\u00e2nion do Maipo\u201d, pela constru\u00e7\u00e3o das duas centrais e do t\u00fanel de \u00e1gua, que se estender\u00e1 por 70 quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>No momento, apenas algumas centenas de opositores tentam deter o avan\u00e7o silencioso da Alto Maipo, com mobiliza\u00e7\u00f5es que n\u00e3o contam com poder de comunica\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio da empresa. Enquanto isso, os habitantes de Santiago parecem n\u00e3o se dar conta da amea\u00e7a. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Santiago, Chile, 20\/1\/2014 &ndash; Um projeto hidrel&eacute;trico que est&aacute; sendo constru&iacute;do nas proximidades da capital do Chile amea&ccedil;a o abastecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel de mais de seis milh&otilde;es de pessoas que vivem na regi&atilde;o metropolitana. 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