{"id":1707,"date":"2006-04-20T00:00:00","date_gmt":"2006-04-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1707"},"modified":"2006-04-20T00:00:00","modified_gmt":"2006-04-20T00:00:00","slug":"politica-a-historia-se-repete","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/politica-a-historia-se-repete\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica: A hist\u00f3ria se repete"},"content":{"rendered":"<p>Oakland,  EUA, 20\/04\/2006 &ndash; Algumas figuras da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos chamam por uma &quot;mudan\u00e7a de regime&quot; no Ir\u00e3. <!--more--> Esses mesmos c\u00edrculos pediam o mesmo em rela\u00e7\u00e3o ao Iraque nos meses, e inclusive anos, que precederam a invas\u00e3o a esse pa\u00eds do Golfo. Michael Ledeen, do Instituto da Empresa Norte-Americana, \u00e9 uma das personalidades que encabe\u00e7aram as duas campanhas. Embora n\u00e3o seja muito conhecido fora de Washington, suas opini\u00f5es &quot;virtualmente definem a dr\u00e1stica mudan\u00e7a dr filosofia da pol\u00edtica externa norte-americana que existia antes da trag\u00e9dia de 11 de setembro de 2001&quot;, comentou, em maio de 2003, William Beeman, especialista da ag\u00eancia de not\u00edcias Pacific News Service.   <\/p>\n<p>&quot;Basicamente, ele acredita que o destino manifesto dos Estados Unidos \u00e9 o exerc\u00edcio da viol\u00eancia a servi\u00e7o da propaga\u00e7\u00e3o da democracia. Conseq\u00fcentemente, se tornou o legitimador filos\u00f3fico da ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana do Iraque&quot;, afirmou Beeman. Mais al\u00e9m do que Ledeen possa pensar sobre o conflito no Oriente M\u00e9dio, o Ir\u00e3 esteve na mira de George W. Bush durante muito tempo. Funcion\u00e1rios dos governos dos Estados Unidos e da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia advertiram que um conflito com o Ir\u00e3 em torno de seu programa nuclear pode ser inevit\u00e1vel, particularmente \u00e0 luz do an\u00fancio, na semana passada, de que esse pa\u00eds est\u00e1 preparado para aperfei\u00e7oar seu processo de enriquecimento de ur\u00e2nio.<\/p>\n<p>Em seu recente documento de pol\u00edtica de defesa Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a, a Casa Branca colocou o Ir\u00e3 diretamente no centro de interesse. Ainda falta saber em que derivar\u00e1 a pol\u00edtica de Washington para Teer\u00e3, mas as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e o uso da for\u00e7a militar parecem op\u00e7\u00f5es \u00e0 mesa. Se o desenvolvimento do conflito com o Ir\u00e3 parece familiar \u00e9 porque, efetivamente, o \u00e9. As inst\u00e2ncias em curso, em que se lida com a possibilidade de um ataque militar contra esse pa\u00eds, n\u00e3o parecem refletir diretamente a mesma etapa no processo da Guerra no Iraque, mas h\u00e1 v\u00e1rias semelhan\u00e7as.<\/p>\n<p>Como no caso iraquiano, organiza\u00e7\u00f5es de especialistas de direita e neoconservadores ligados ao governo pressionam para que se produza uma mudan\u00e7a de regime. Como antes da invas\u00e3o do Iraque, funcion\u00e1rios governamentais alegam que o programa nuclear iraniano constitui uma amea\u00e7a contra os Estados Unidos. Organiza\u00e7\u00f5es de exilados iranianos e seus dirigentes competem pela aten\u00e7\u00e3o e pelo apoio financeiro do governo norte-americano. O mesmo aconteceu com os exilados iraquianos, entre eles Ahma Chalabi, antes favorito dos Estados Unidos para substituir Saddam Hussein no poder no Iraque e depois acusado de transmitir informa\u00e7\u00e3o secreta ao Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Dentro do governo houve desacordos pol\u00edticos sobre como proceder. Isso n\u00e3o impediu que o caso do Ir\u00e3 esteja sob considera\u00e7\u00e3o do Conselho de Seguran\u00e7a da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. O presidente da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), Mohamed El Baradei, lembra muito bem aqueles dias t\u00e3o carregados pol\u00edtica e emocionalmente na ONU, antes da Guerra no Iraque. Em um recente f\u00f3rum em Doha, capital do Catar, El Baradei disse que a comunidade internacional deveria &quot;afastar-se das amea\u00e7as de san\u00e7\u00f5es contra o Ir\u00e3&quot;. O programa nuclear desse pa\u00eds n\u00e3o constitui &quot;uma amea\u00e7a iminente&quot; e chegou o momento de &quot;baixar o tom&quot; do debate, assegurou.<\/p>\n<p>Os coment\u00e1rios conciliadores de El Baradei no Catar ocorreram depois que o Conselho de Seguran\u00e7a decidiu, no final de mar\u00e7o, dar ao Ir\u00e3 um m\u00eas de prazo para que cumpra os requisitos da AIEA e detenha seus processos de enriquecimento de ur\u00e2nio. &quot;N\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o militar para esta situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 inconceb\u00edvel. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o duradoura \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o negociada&quot;, disse El Baradei. Tr\u00eas anos depois da invas\u00e3o do Iraque, muitos dos proeminentes falc\u00f5es neoconservadores que promoveram a guerra est\u00e3o afastados das c\u00e2meras de televis\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o caso de Michal Ledeen, que trabalhou no Pent\u00e1gono, no Departamento de Estado e no Conselho de Seguran\u00e7a Nacional, e esteve envolvido na trasnfer\u00eancia de armas para o Ir\u00e3 durante o caso conhecido como Irangate, durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989). Especialista do conservador Instituto da Empresa Norte-Americana, com sede em Washington, Ledeen disse \u00e0 jornalista Larisa Alexandrovna que a invas\u00e3o do Iraque, em mar\u00e7o de 2003, foi a &quot;guerra equivocada, no momento equivocado, do modo equivocado e no lugar equivocado&quot;. H\u00e1 v\u00e1rios anos, o interesse de Ledeen \u00e9 que haja &quot;uma mudan\u00e7a de regime&quot; no Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Em uma conversa com Connie Bruck, da revista The New Yorker, Ledeen disse que, j\u00e1 em 2001 e 2002, quando exerceu press\u00e3o no caso do Ir\u00e3 &quot;com amigos no governo&quot;, teve &quot;apoio de funcion\u00e1rios no Pent\u00e1gono e no escrit\u00f3rio do vice-presidente, Dick Cheney&quot;. Segundo Ledeen, entretanto, funcion\u00e1rios do governo sentiram que &quot;o caminho para Teer\u00e3 passa por Bagd\u00e1&quot;. O The New Yorker disse que &quot;Ledeen pregou durante anos que o Ir\u00e3 estava \u00e0 beira de uma revolu\u00e7\u00e3o popular, que precisa apenas alguma ajuda do exterior para convert\u00ea-la em realidade&quot;.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos anos foi desenvolto o suficiente para dizer a um grupo de exilados iranianos em Los Angeles, onde vivem cerca de 600 mil: &quot;Tenho contatos no Ir\u00e3 combatendo o regime. Precisam de fundos. D\u00eaem-me US$ 20 milh\u00f5es e ter\u00e3o sua revolu\u00e7\u00e3o&quot;. Em mar\u00e7o, Ledeen aumentou suas cr\u00edticas ao governo Bush, na publica\u00e7\u00e3o National Review Online, acusando-o de n\u00e3o estar atento diante da amea\u00e7a iraniana. Ledeen alegou que o governo n\u00e3o havia feito nada &quot;para tornar mais dif\u00edceis as vidas dos mulas (cl\u00e9rigos), apesar da abundante evid\u00eancia do envolvimento iraniano no Iraque&quot;, inclu\u00eddos &quot;esfor\u00e7os incessantes para matar soldados norte-americanos&quot;.<\/p>\n<p>Se a Casa Branca tem s\u00e9rias inten\u00e7\u00f5es de expandir a democracia, &quot;n\u00f3s apoiaremos ativamente uma revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica no Ir\u00e3&quot;, escreveu Ledeen. A secret\u00e1ria de Estado, Condoleeza Rice, &quot;pediu ao Congresso US$ 75 milh\u00f5es extras para &#039;apoiar a democracia? no Ir\u00e3&quot;, mas &quot;a letra mi\u00fada mostra que os primeiros US$ 50 milh\u00f5es ser\u00e3o destinados aos tigres sem dentes da Voz dos Estados Unidos da Am\u00e9rica e outros comunicadores norte-americanos oficiais, isto \u00e9, para empregados do Departamento de Estado&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Ledeen recomendou que os Estados Unidos &quot;atuem contra o Ir\u00e3 e sua meia-irm\u00e3 S\u00edria, pela carnificina que desataram contra n\u00f3s e os iraquianos. Conhecemos em detalhe a localiza\u00e7\u00e3o dos acampamentos de treinamento de terroristas dirigidos pelos mestres do terror iranianos e s\u00edrios. Dever\u00edamos atac\u00e1-los e \u00e0s bases dirigidas pelo Hezbol\u00e1 e as Guardas Revolucion\u00e1rias usadas como pontos de partida para miss\u00f5es terroristas no Iraque. Inclusive, poder\u00edamos ampliar a agenda de assuntos iraquianos ao problema real: negociar sua partida, e depois organizar referendos nacionais por governos livres e elei\u00e7\u00f5es para dar poder \u00e0s ex-v\u00edtimas de uma tirania assassina e fan\u00e1tica que convenceu a si mesma de que era invenc\u00edvel&quot;, assegurou.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o de El Baradei sobre a atual situa\u00e7\u00e3o com o Ir\u00e3 se baseia menos em ideologia e mais em seu trabalho em sua \u00e1rea. O governo Bush ignora um detalhe: os inspetores da ONU n\u00e3o encontraram nenhum sinal de um programa de armas nucleares no Iraque. Os anos transcorridos demonstraram que a AIEA tinha raz\u00e3o quando concluiu que o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein (1979-2003) n\u00e3o possu\u00eda nenhuma arma nuclear nem programas para fabric\u00e1-las. &quot;Trabalho com base em fatos&quot;, disse El Baradei \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters. &quot;Felizmente, ficou demonstrado que t\u00ednhamos raz\u00e3o no Iraque. Fomos os \u00fanicos a dizer naquele momento que o Iraque n\u00e3o tinha armas nucleares, e espero que desta vez sejamos ouvidos&quot;, acrescentou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p>(*) Bill Berkowits \u00e9 um destacado observador do movimento conservador norte-americano. Publica periodicamente a coluna Conservative Watch na revista eletr\u00f4nica WorkingForChance.org.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oakland,  EUA, 20\/04\/2006 &ndash; Algumas figuras da pol\u00edtica externa dos Estados Unidos chamam por uma &quot;mudan\u00e7a de regime&quot; no Ir\u00e3. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2006\/04\/mundo\/politica-a-historia-se-repete\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":795,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-1707","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/795"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1707\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}