{"id":17070,"date":"2014-01-20T12:45:46","date_gmt":"2014-01-20T12:45:46","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106346"},"modified":"2014-01-20T12:45:46","modified_gmt":"2014-01-20T12:45:46","slug":"arranca-o-espinhoso-processo-de-paz-da-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/arranca-o-espinhoso-processo-de-paz-da-siria\/","title":{"rendered":"Arranca o espinhoso processo de paz da S\u00edria"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106348\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/siria6401.jpg\"><img class=\" wp-image-106348 \" alt=\"siria6401 Arranca o espinhoso processo de paz da S\u00edria\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/siria6401.jpg\" width=\"529\" height=\"288\" title=\"Arranca o espinhoso processo de paz da S\u00edria\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os civis s\u00edrios, como estes de Maa\u2019rrat An-Numan, na prov\u00edncia de Idlib, suportam todo tipo de pen\u00faria pela guerra come\u00e7ada h\u00e1 quase tr\u00eas anos. Foto: Shelly Kittleson\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 20\/1\/2014 \u2013 A sorte do complexo conflito armado da S\u00edria, no qual confluem fatores religiosos e \u00e9tnicos, junto a press\u00f5es dos pa\u00edses vizinhos e interesses estrat\u00e9gicos de grandes pot\u00eancias, come\u00e7ar\u00e1 a ser definida a partir desta semana, na confer\u00eancia denominada Genebra II. No dia 24, se saber\u00e1 se as partes que se enfrentam na guerra da S\u00edria aceitam uma sa\u00edda negociada para o conflito de quase tr\u00eas anos, que j\u00e1 causou mais de cem mil mortes e 2,3 milh\u00f5es de refugiados, enquanto outros 9,3 milh\u00f5es de habitantes sobrevivem em estado de extrema falta de prote\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Nesse dia dever\u00e3o se reunir na cidade su\u00ed\u00e7a os representantes do governo do presidente Bashar al Assad e as delega\u00e7\u00f5es das for\u00e7as rebeldes que o combatem desde mar\u00e7o de 2011. At\u00e9 agora, nenhuma das duas partes deu sinais claros de sua disposi\u00e7\u00e3o de participar das conversa\u00e7\u00f5es, em uma dila\u00e7\u00e3o destinada, aparentemente, a obter a melhor posi\u00e7\u00e3o na mesa de negocia\u00e7\u00e3o. As perspectivas da negocia\u00e7\u00e3o parecem ter sofrido altera\u00e7\u00f5es nas \u00faltimas semanas, nas quais houve combates entre essas for\u00e7as opositoras e o governo.<\/p>\n<p>Uma fonte, \u00edntima conhecedora da situa\u00e7\u00e3o interna na S\u00edria, disse \u00e0 IPS que alguns grupos de oposi\u00e7\u00e3o pretendem obter a concess\u00e3o de liberdade para combater outras for\u00e7as, que tamb\u00e9m enfrentam Assad. Neste momento, parece que os rebeldes \u201cmais moderados\u00a0 est\u00e3o se impondo nas opera\u00e7\u00f5es militares contra os grupos mais radicais da Al Qaeda\u201d, que se negam a qualquer possibilidade de um cessar-fogo, afirmou a fonte.<\/p>\n<p>De todo modo, a confer\u00eancia de Genebra II, promovida pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), come\u00e7ar\u00e1 de maneira formal no dia 22, na cidade de Montreux, na regi\u00e3o do lago Leman, o mesmo que banha Genebra no extremo oposto. Da sess\u00e3o de Montreux participar\u00e3o os governos de 30 pa\u00edses e delegados de organiza\u00e7\u00f5es internacionais, al\u00e9m da ONU, com o secret\u00e1rio-geral, Ban Ki-moon, \u00e0 frente. S\u00e3o esperados discursos com exorta\u00e7\u00f5es \u00e0 paz e em sua maioria cr\u00edticos do regime de Assad.<\/p>\n<p>Estados Unidos e R\u00fassia intensificaram nas \u00faltimas semanas suas iniciativas para encaminhar a negocia\u00e7\u00e3o com dois objetivos primordiais para a primeira etapa: alcan\u00e7ar o cessar-fogo e habilitar corredores para envio de assist\u00eancia \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais necessitadas. David Harland, diretor-executivo do Centro para o Di\u00e1logo Humanit\u00e1rio (HD), organiza\u00e7\u00e3o privada com sede em Genebra, estima que a melhor solu\u00e7\u00e3o para enfrentar as dificuldades humanit\u00e1rias \u00e9 distribuir a ajuda com a coopera\u00e7\u00e3o do governo e de todas as partes. \u201cIsso n\u00e3o ocorre atualmente, quando numerosos comboios transportando ajuda s\u00e3o bloqueados\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>A maioria foi detida por n\u00e3o contar com autoriza\u00e7\u00e3o do governo de Damasco, porque foram interceptadas pelos combatentes, por grupos criminosos ou por extremistas, acrescentou Harland. \u201cAtualmente \u00e9 muito dif\u00edcil trabalhar em quest\u00f5es humanit\u00e1rias dentro das zonas controladas pela oposi\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Na antessala da confer\u00eancia, considera-se que o cessar-fogo \u00e9 muito poss\u00edvel em \u00e1reas onde a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 cercada, como na regi\u00e3o de Hula e na cidade de Homs, na prov\u00edncia de mesmo nome, oeste do pa\u00eds. tamb\u00e9m \u00e9 fact\u00edvel em pontos onde o governo ret\u00e9m posi\u00e7\u00f5es dentro de territ\u00f3rio controlado pela oposi\u00e7\u00e3o, como ocorre em lugares como Dar\u2019a e Dayr Az Zawr, a nordeste, e Idlib, ao norte.<\/p>\n<p>O Centro HD \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o de baixo perfil p\u00fablico que presta com \u00eaxito servi\u00e7os de media\u00e7\u00e3o e se especializa em conflitos armados. No caso da S\u00edria, Harland, ex-diplomata neozeland\u00eas, manteve reuni\u00f5es com Assad e com dirigentes da oposi\u00e7\u00e3o armada. Com esses antecedentes, afirmou que \u201cGenebra II n\u00e3o por\u00e1 fim \u00e0 guerra\u201d, enfatizando que \u201cn\u00e3o pode\u201d.<\/p>\n<p>O processo de Genebra d\u00e1 como certo que Estados Unidos e R\u00fassia t\u00eam suficientes credenciais no caso s\u00edrio para levar as coisas adiante. Mas esse entendimento n\u00e3o ficou evidente durante um per\u00edodo em que morreram mais de cem mil pessoas em raz\u00e3o do conflito, ressaltou Harland. O problema est\u00e1 no<b> <\/b>processo de Genebra, que n\u00e3o encontra uma forma de dar voz aos s\u00edrios que desenvolvem sua atividade na oposi\u00e7\u00e3o interna. Isso \u201cprecisa mudar caso se deseje que o processo de paz seja posto em andamento\u201d, alertou.<\/p>\n<p>Genebra II ter\u00e1 \u00eaxito \u201cse abrir as portas para um novo tipo de processo de paz\u201d, afirmou Harland. Um processo pacificador de sucesso teria que ser alimentado pelo pr\u00f3prio povo s\u00edrio, embora aplicado com ajuda externa. Seria como uma dan\u00e7a: consultas com os s\u00edrios no terreno e depois decis\u00f5es no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, baseadas naquelas conclus\u00f5es, ressaltou.<\/p>\n<p>Quanto ao convite ao Ir\u00e3 para assistir a reuni\u00e3o de Montreux, que Moscou incentiva enquanto Washington \u00e9 contra, Harland disse que essa participa\u00e7\u00e3o \u201cpode ser muito proveitosa. Creio que precisamos de um mecanismo em que todos os protagonistas que d\u00e3o forma \u00e0 realidade da S\u00edria estejam presentes nas discuss\u00f5es e assumam suas responsabilidades\u201d.<\/p>\n<p>Para Harland, o conflito da S\u00edria mant\u00e9m semelhan\u00e7as com a Guerra da B\u00f3snia, entre 1992 e 1995, que derivou do desmembramento da antiga Iugosl\u00e1via. Com na B\u00f3snia, aparecem na S\u00edria assuntos pol\u00edticos internos junto a quest\u00f5es \u00e9tnicas e religiosas, igualmente locais, afirmou. Depois aparece um segundo c\u00edrculo, com protagonistas regionais que apoiam determinadas comunidades \u00e9tnicas e religiosas. Por fim, um terceiro c\u00edrculo de pot\u00eancias mundiais, principalmente Estados Unidos e R\u00fassia, mas sem excluir a China.<\/p>\n<p>Diante deste quadro, afirmou Harland, a maior dificuldade que enfrenta o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, que coordena as negocia\u00e7\u00f5es na qualidade de representante especial da ONU e da Liga \u00c1rabe para a S\u00edria, \u201c\u00e9 alinhar os tr\u00eas c\u00edrculos para conseguir uma perspectiva s\u00e9ria de paz\u201d. Isto \u00e9, deve haver alguns acordos entre as partes s\u00edrias, outros entre os protagonistas regionais e, tamb\u00e9m, outros entre Estados Unidos, R\u00fassia e os demais membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Harland concorda que no caso da B\u00f3snia a pacifica\u00e7\u00e3o chegou depois de arrasadores bombardeios sobre alvos s\u00e9rvios por parte das esquadrilhas da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan). \u201cNo caso da S\u00edria, creio que \u00e9 muito improv\u00e1vel uma interven\u00e7\u00e3o estrangeira decisiva\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os casos b\u00f3snio e s\u00edrio apresentam diferen\u00e7as de escala. A B\u00f3snia, com apenas quatro milh\u00f5es de habitantes, \u00e9 um pa\u00eds pr\u00f3ximo \u00e0 Europa e ao Ocidente, na geografia e nos interesses. A S\u00edria, que tem seis vezes mais habitantes, est\u00e1 distante, afirmou o diretor do Centro HD. Uma \u00faltima diferen\u00e7a \u00e9 que o poder relativo dos Estados Unidos atualmente \u00e9 \u201cmenor do que o que tinha em 1995, quando interveio militarmente na B\u00f3snia\u201d, concluiu Harland. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 20\/1\/2014 &ndash; A sorte do complexo conflito armado da S&iacute;ria, no qual confluem fatores religiosos e &eacute;tnicos, junto a press&otilde;es dos pa&iacute;ses vizinhos e interesses estrat&eacute;gicos de grandes pot&ecirc;ncias, come&ccedil;ar&aacute; a ser definida a partir desta semana, na confer&ecirc;ncia denominada Genebra II. 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