{"id":17080,"date":"2014-01-21T13:12:40","date_gmt":"2014-01-21T13:12:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106440"},"modified":"2014-01-21T13:12:40","modified_gmt":"2014-01-21T13:12:40","slug":"birmania-abre-as-portas-as-transnacionais-mas-com-sombras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/birmania-abre-as-portas-as-transnacionais-mas-com-sombras\/","title":{"rendered":"Birm\u00e2nia abre as portas \u00e0s transnacionais, mas com sombras"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106441\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Birmania.jpg\"><img class=\" wp-image-106441 \" alt=\"Birmania Birm\u00e2nia abre as portas \u00e0s transnacionais, mas com sombras\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Birmania.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Birm\u00e2nia abre as portas \u00e0s transnacionais, mas com sombras\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\"><br \/>Grandes empresas transnacionais come\u00e7am a entrar na Birm\u00e2nia, pa\u00eds com grandes car\u00eancias em mat\u00e9ria de infraestrutura. Foto: F. A. Sheikh\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rangum, Birm\u00e2nia, 21\/1\/2014 \u2013 A mesma ditadura militar que durante d\u00e9cadas deixou paralisar a economia da Birm\u00e2nia agora abre de vez as portas ao investimento estrangeiro. Grandes empresas globais, como Coca-Cola, Unilever e Samsung, come\u00e7am seu caminho no mercado deste pa\u00eds do sudeste asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Os cons\u00f3rcios transnacionais parecem entusiasmados pelo potencial n\u00e3o explorado do pa\u00eds de 60 milh\u00f5es de habitantes que, segundo a consultoria McKinsey &amp; Company, esta na regi\u00e3o de crescimento mais r\u00e1pido do mundo. Por\u00e9m, h\u00e1 altos e baixos no caminho dessa nova fronteira econ\u00f4mica, afirmam especialistas.<\/p>\n<p>O governo da Birm\u00e2nia prop\u00f5e leis de investimentos, ambientais e trabalhistas por meio de \u201cum parlamento escasso em recursos\u201d, segundo Vicky Bowman, diretora do Myanmar Centre for Responsible Business, uma consultoria empresarial com sede em Rangum. \u201cMuitas dessas leis n\u00e3o est\u00e3o sendo processadas de maneira transparente\u201d, afirmou, acrescentando que o governo est\u00e1 experimentando \u201cproblemas de denti\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Os investidores internacionais enfrentam outro fato preocupante. A maioria das empresas birmanesas \u201ctem dois livros de balan\u00e7o cont\u00e1bil\u201d e \u201cn\u00e3o tem certeza sobre quantos impostos devem pagar\u201d, disse Bowman. \u201cOs s\u00f3cios estrangeiros chegam e querem ver as contas dos \u00faltimos cinco anos\u201d, acrescentou. Por outro lado, o pa\u00eds sempre funcionou com \u201cum forte clima de corrup\u00e7\u00e3o\u201d, pelo qual o governo outorgou projetos e oportunidades de bens de raiz sem um processo de licita\u00e7\u00e3o transparente, destacou.<\/p>\n<p>Em 2013, a organiza\u00e7\u00e3o independente Transpar\u00eancia Internacional qualificou a Birm\u00e2nia com apenas 21 dos cem pontos que integram seu \u00edndice da corrup\u00e7\u00e3o no setor p\u00fablico. Quanto mais baixo o n\u00famero maior o n\u00edvel de irregularidade.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a nova administra\u00e7\u00e3o do presidente Thein Sein declarou sua inten\u00e7\u00e3o de incorporar o pa\u00eds \u00e0 Iniciativa de Transpar\u00eancia das Ind\u00fastrias de Extra\u00e7\u00e3o, para demonstrar que o fornecimento de minerais e energia do pa\u00eds est\u00e3o se desenvolvendo de maneira respons\u00e1vel. Mas, enquanto o parlamento aprovou uma lei contra a corrup\u00e7\u00e3o em agosto, h\u00e1 quem critique a iniciativa por sua inefic\u00e1cia, em parte porque n\u00e3o criou um organismo de luta contra a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o mais importante para alguns rec\u00e9m-chegados ao mundo dos neg\u00f3cios da Birm\u00e2nia parece ser o acesso \u00e0 terra. Persiste \u201cuma grande confus\u00e3o em torno da terra\u201d, contou Bowman. Os agricultores que perderam suas propriedades pelo fato de o Estado t\u00ea-las entregue \u00e0s empresas exigem uma indeniza\u00e7\u00e3o com base nos pre\u00e7os de mercado. Por causa dessa pol\u00eamica, os fabricantes internacionais de alimentos \u2013 por exemplo, os que se abastecem de a\u00e7\u00facar da Birm\u00e2nia \u2013 podem ter problemas jur\u00eddicos ou manchar sua reputa\u00e7\u00e3o, alertou a consultora.<\/p>\n<p>A Birm\u00e2nia teve \u201cprotestos muito difundidos\u201d em suas minas de ouro e cobre, e controv\u00e9rsias que op\u00f5em os setores de \u201calimentos e energia\u201d, afirmou Lynn Thiesmeyer, vice-presidente do Instituto de Pesquisa Ambiental e Econ\u00f4mica da Birm\u00e2nia, com sede em Rangum, em refer\u00eancia \u00e0 entrega pelo Estado de grandes extens\u00f5es de terra f\u00e9rtil \u00e0s empresas de energia.<\/p>\n<p>As grandes represas constru\u00eddas pela China ao longo do rio Salween, bem como outras projetadas na cidade de Sittwe, representam \u201cperda de alimentos e perda de terras, o \u00fanico ativo ao qual tem acesso a popula\u00e7\u00e3o rural pobre\u201d, disse Thiesmeyer \u00e0 IPS. Nesse contexto espinhoso, o Centre for Responsible Business, financiado por doadores europeus, ajuda as companhias estrangeiras em sua entrada no mercado, ao apresentar ao governo assuntos que s\u00e3o inc\u00f4modos para os investidores internacionais.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m busca capacitar as empresas locais em mat\u00e9ria de neg\u00f3cios e direitos humanos. Nos pr\u00f3ximos dois anos, a equipe de Bowman avaliar\u00e1 os setores de turismo, petr\u00f3leo e g\u00e1s, agricultura, ind\u00fastria da informa\u00e7\u00e3o e tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o. Um punhado de empresas ocidentais aproveitou a abertura, com a promessa de apresentar em troca uma grande quantidade de benef\u00edcios como empregos, desenvolvimento agr\u00edcola e programas de sa\u00fade e higiene para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A atividade no setor energ\u00e9tico aumentou gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de vastas jazidas de petr\u00f3leo e g\u00e1s. O governo anunciou recentemente os ganhadores internacionais de uma licita\u00e7\u00e3o para extrair esses hidrocarbonos. Mas a entrega da \u00e1rea em quest\u00e3o ficar\u00e1 sujeita \u00e0s empresas realizarem estudos de impacto ambiental e social no prazo de seis meses ap\u00f3s a assinatura dos contratos.<\/p>\n<p>Enquanto o governo experimentou problemas com a China com rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo e ao g\u00e1s, a l\u00edder opositora Aung San Suu Kyi declarou \u00e0 imprensa em 2012 que n\u00e3o ia convencer as companhias Chevron ou Total a abandonar a Birm\u00e2nia. Essa \u00faltima \u00e9 \u201csens\u00edvel \u00e0s quest\u00f5es de direitos humanos e ambientais\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chegou mais investimento estrangeiro no setor do turismo, com a incorpora\u00e7\u00e3o de redes como a norte-americana Western International ou a francesa Accor. Ambas abrir\u00e3o novos hot\u00e9is, enquanto aumenta o n\u00famero de visitantes estrangeiros. A fabricante italiana de doces Ferrero e a alem\u00e3 Haribo anunciaram em 2013 seu desembarque na Birm\u00e2nia. A norte-americana PepsiCo tamb\u00e9m anunciou a amplia\u00e7\u00e3o de seus interesses comerciais nesse pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Nestl\u00e9, gigante su\u00ed\u00e7a de alimentos e bebidas, tamb\u00e9m concretizou sua entrada no pa\u00eds. Contudo, seu porta-voz, Myat Thu Aye, disse que a empresa est\u00e1 \u201cem uma fase muito precoce de instala\u00e7\u00e3o, sendo prematuro fazer coment\u00e1rios a respeito\u201d. Outra grande multinacional, a anglo-alem\u00e3 Unilever, anunciou em maio seu reingresso na Birm\u00e2nia, com nova f\u00e1brica e sede em Rangum.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio se destaca o ressurgimento do grupo norte-americano Coca-Cola. Em 2013, a fabricante de bebidas abriu uma engarrafadora e anunciou investimento de US$ 200 milh\u00f5es nos pr\u00f3ximos quatro a cinco anos, segundo Rehan Khan, diretor-geral da empresa na Birm\u00e2nia. A partir de 2009, o processo implicou \u201cum estudo amplo do panorama pol\u00edtico e econ\u00f4mico, incluindo o potencial de mercado e de riscos\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>A Coca-Cola descobriu a pr\u00e1tica de discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a idade e g\u00eanero em duas unidades engarrafadoras associadas, que posteriormente procurou corrigir. A empresa espera gerar 22 mil postos de trabalho ao longo de toda sua cadeia produtiva, incluindo 2.500 empregos diretos, acrescentou Khan \u00e0 IPS. Tamb\u00e9m destacou uma iniciativa comunit\u00e1ria da empresa, chamada Swan Yi, que incentiva a educa\u00e7\u00e3o financeira, e a capacidade e gest\u00e3o empresariais das mulheres e desde 2012 empoderou mais de 15 mil birmanesas.<\/p>\n<p>Embora v\u00e1rias marcas internacionais procurem abrir espa\u00e7o nesse mercado pujante, em sua maior parte \u201cas grandes empresas s\u00e3o poucas. \u00c9 um mito que estejam chegando aos montes. Supomos que tudo isso vai se acertar, mas no momento os problemas legais desanimam os investidores\u201d, ressaltou Bowman. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Rangum, Birm&acirc;nia, 21\/1\/2014 &ndash; A mesma ditadura militar que durante d&eacute;cadas deixou paralisar a economia da Birm&acirc;nia agora abre de vez as portas ao investimento estrangeiro. Grandes empresas globais, como Coca-Cola, Unilever e Samsung, come&ccedil;am seu caminho no mercado deste pa&iacute;s do sudeste asi&aacute;tico. 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