{"id":17087,"date":"2014-01-23T11:57:29","date_gmt":"2014-01-23T11:57:29","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106596"},"modified":"2014-01-23T11:57:29","modified_gmt":"2014-01-23T11:57:29","slug":"homofobia-na-ordem-do-dia-em-uganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/homofobia-na-ordem-do-dia-em-uganda\/","title":{"rendered":"Homofobia na ordem do dia em Uganda"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106598\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/uganda640.jpg\"><img class=\" wp-image-106598 \" alt=\"uganda640 Homofobia na ordem do dia em Uganda\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/uganda640.jpg\" width=\"529\" height=\"282\" title=\"Homofobia na ordem do dia em Uganda\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os homossexuais das zonas rurais de Uganda n\u00e3o t\u00eam acesso nem a camisinhas nem a lubrificantes. Foto: Mercedes Sayagues\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Kampala, Uganda, 23\/1\/2014 \u2013 O presidente de Uganda, Yoweri Muyseveni, se negou a assinar um controvertido projeto de lei que condena \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua pessoas sentenciadas por cometerem \u201catos homossexuais\u201d. Mesmo assim, a discrimina\u00e7\u00e3o contra l\u00e9sbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) continua se agravando neste pa\u00eds do leste da \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas pensam que o projeto j\u00e1 \u00e9 lei\u201d, disse Judith, que pediu para n\u00e3o publicar seu sobrenome. \u201cAprovando ou n\u00e3o o projeto, estamos sofrendo\u201d, afirmou. A jovem, de 25 anos, tem HIV (v\u00edrus causador da aids) e \u00e9 um homem preso no corpo de uma mulher que recorreu ao trabalho sexual para sobreviver depois que seus pais suspeitaram de sua condi\u00e7\u00e3o sexual, quando tinha 16 anos, e a expulsaram de casa.<\/p>\n<p>Para ela, a rejei\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7ou. Por exemplo, foi discriminada no come\u00e7o deste m\u00eas na cl\u00ednica que visita regularmente em Kampala. Judith foi diagnosticada com HIV positiva em 2008 e tem um sistema imunol\u00f3gico perigosamente fraco, al\u00e9m de gonorreia. A m\u00e9dica que a atendeu lhe disse que outros pacientes estavam se queixando de que a cl\u00ednica tratava uma pessoa \u201cgay\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o volte\u201d, ela me disse. \u201cOs pacientes se queixam de que estamos trabalhando com homossexuais\u201d, contou Judith \u00e0 IPS, acrescentando que \u201cem nossa cultura n\u00e3o \u00e9 permitido. E sou crist\u00e3. Me senti muito mal e quase chorei, mas estou a costumada a isso. Fiquei sem palavras e fui embora imediatamente\u201d. Segundo a jovem, a maioria dos ugandenses n\u00e3o entende a ideia de ser transg\u00eanero. \u201cAqui as pessoas nada sabem sobre assuntos transexuais. Sabem apenas que existem gays e l\u00e9sbicas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A maneira como Judith foi tratada \u201cn\u00e3o surpreende\u201d, disse \u00e0 IPS Enrique Restoy, alto assessor para direitos humanos da Alian\u00e7a Internacional contra o HIV\/aids. \u201cJ\u00e1 h\u00e1 anos que em Uganda recebemos informes sobre servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o de HIV negado a homens que mant\u00eam sexo com homens e a pessoas transg\u00eanero\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Apesar do veto do presidente, a aprova\u00e7\u00e3o no parlamento, no dia 20 de dezembro, do draconiano projeto de lei enviou \u201cum sinal devastador a todos os cidad\u00e3os de que est\u00e1 certo discriminar e estigmatizar as pessoas com base em sua orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero\u201d, destacou Restoy. \u201cO projeto vem corroendo os direitos humanos das pessoas LGBT e afastando-as dos servi\u00e7os essenciais de HIV, inclusive desde que foi apresentado no parlamento, em 2009\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Para Restoy, a legisla\u00e7\u00e3o infringe conven\u00e7\u00f5es de direitos humanos e compromissos pol\u00edticos sobre a resposta ao HIV assinados por Uganda. Na Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre HIV\/aids, todos os Estados membros se comprometeram a aprovar leis para proteger popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis a esse v\u00edrus. Por\u00e9m, nos \u00faltimos anos, Uganda, Nig\u00e9ria e Malawi propuseram ou aprovaram leis homof\u00f3bicas.<\/p>\n<p>Em um comunicado, a Alian\u00e7a disse que o projeto teria \u201cum impacto desastroso sobre a resposta ao HIV\u201d. A ONU, a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos tamb\u00e9m o criticaram. O projeto de lei condena \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua todos os sentenciados por \u201chomossexualidade agravada\u201d, o que inclui atos homossexuais com crian\u00e7as ou com qualquer pessoa que seja HIV positivo.<\/p>\n<p>Segundo um informe, o projeto tamb\u00e9m converteu em crime \u201cpromover\u201d a homossexualidade, o que poderia incluir oferecer assessoria sobre HIV a gays. Isto poderia afetar organiza\u00e7\u00f5es locais, apoiadas pela Alian\u00e7a e por outros doadores, que proporcionam preven\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus e aconselham pessoas gays.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil ter acesso a estat\u00edsticas sobre homens gays e HIV, mas, segundo uma pesquisa financiada pelo Plano de Emerg\u00eancia do Presidente dos Estados Unidos para o Al\u00edvio da Aids, os 455 homens que mant\u00eam sexo com homens em Kampala correm um \u201crisco substancialmente maior\u201d de contrair o HIV do que o resto da popula\u00e7\u00e3o masculina adulta em geral.<\/p>\n<p>Estudo divulgado em 2009 pela Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Makerere sobre homens gays em Kampala concluiu que a preval\u00eancia de suas infec\u00e7\u00f5es com HIV era quase o dobro, 13%, do que a m\u00e9dia nacional, que \u00e9 de 7%. Sam Okuonzi, m\u00e9dico e parlamentar, considera que a homossexualidade \u00e9 uma \u201canomalia\u201d, mas diz que s\u00f3 se deveria punir os que \u201ca promovem, incentivam e glorificam\u201d. Ele \u00e9 categ\u00f3rico ao dizer que o projeto de lei n\u00e3o impedir\u00e1 que os homossexuais HIV positivos usem os servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cQualquer disposi\u00e7\u00e3o proibitiva a esse efeito deve ter sido eliminada ou ser\u00e1\u201d, assegurou \u00e0 IPS. \u201cIsto deveria habilitar todos os pacientes com HIV\/aids a terem acesso a tratamento m\u00e9dico sem medo de serem levados \u00e0 justi\u00e7a\u201d, acrescentou. Okuonzi disse que os pontos de vista de seus eleitores no condado de Vura, distrito de Arua, no norte do pa\u00eds, s\u00e3o \u201cmais extremos\u201d do que os seus.<\/p>\n<p>Durante recente viagem a Soroti, no leste de Uganda, Judith viu que as pessoas LGBT nas \u00e1reas rurais enfrentam uma verdadeira batalha na hora de ter acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade, al\u00e9m de suportar discrimina\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o t\u00eam camisinhas, n\u00e3o t\u00eam lubrificantes, s\u00e3o colocados para fora de suas casas\u201d, contou. Apesar de sentir que n\u00e3o \u00e9 bem-vinda, Judith acredita que a m\u00e9dica que a atendeu em Kampala n\u00e3o \u00e9 homof\u00f3bica. \u201cH\u00e1 press\u00e3o por parte de outras pessoas. Ela quer manter seu emprego. Esse projeto de lei nos afetou muito\u201d, resumiu a jovem. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Kampala, Uganda, 23\/1\/2014 &ndash; O presidente de Uganda, Yoweri Muyseveni, se negou a assinar um controvertido projeto de lei que condena &agrave; pris&atilde;o perp&eacute;tua pessoas sentenciadas por cometerem &ldquo;atos homossexuais&rdquo;. 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