{"id":17094,"date":"2014-01-27T12:41:50","date_gmt":"2014-01-27T12:41:50","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106771"},"modified":"2014-01-27T12:41:50","modified_gmt":"2014-01-27T12:41:50","slug":"os-premios-da-vergonha-de-davos-vao-para-gap-e-gazprom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/os-premios-da-vergonha-de-davos-vao-para-gap-e-gazprom\/","title":{"rendered":"Os pr\u00eamios da vergonha de Davos v\u00e3o para\u2026 Gap e Gazprom!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106772\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Davos.jpg\"><img class=\" wp-image-106772 \" alt=\"Davos Os pr\u00eamios da vergonha de Davos v\u00e3o para... Gap e Gazprom!\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Davos.jpg\" width=\"529\" height=\"253\" title=\"Os pr\u00eamios da vergonha de Davos v\u00e3o para... Gap e Gazprom!\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Liana Foxvog, \u00e0 esquerda, e Kalpona Akter pensam em levar o antipr\u00eamio de Davos \u00e0 sede da Gap em S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos. Foto: Ray Smith\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Davos, Su\u00ed\u00e7a, 27\/1\/2014 \u2013 A norte-americana Gap e a russa Gazprom, duas gigantes do setor t\u00eaxtil e energ\u00e9tico, respectivamente, foram agraciadas nesta cidade su\u00ed\u00e7a com os temidos pr\u00eamios Public Eye (Olho P\u00fablico) por sua falta de responsabilidade ambiental e social, enquanto a pouca dist\u00e2ncia acontecia o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. O j\u00fari, composto por organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, elegeu a GPA, enquanto 95 mil pessoas votaram pela internet na Gazprom.<\/p>\n<p>\u201cLamentavelmente, continua existindo a necessidade de campanhas como a nossa para exigir transpar\u00eancia das empresas\u201d, advertiu Silvie Lang em nome dos dois organizadores, Declara\u00e7\u00e3o de Berna, promotora de uma rela\u00e7\u00e3o mais equitativa entre Norte e Sul, e Greenpeace Su\u00ed\u00e7a. \u201cEstamos aqui para recordar, ao mundo empresarial e aos que se escondem atr\u00e1s das portas fechadas em Davos, que as consequ\u00eancias sociais e ambientais de suas atividades de neg\u00f3cios n\u00e3o afetam apenas as pessoas e o meio ambiente, mas tamb\u00e9m a reputa\u00e7\u00e3o de suas companhias\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Para a Declara\u00e7\u00e3o de Berna, n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, que acontece h\u00e1 44 anos consecutivos, desta vez entre os dias 22 e 25 deste m\u00eas. \u201cEsse tipo de inclus\u00e3o \u00e9 muito menos eficaz do que a cr\u00edtica de fora\u201d, disse seu porta-voz, Oliver Classen, \u00e0 IPS. \u201cDavos \u00e9 a vitrine mundial da pol\u00edtica simb\u00f3lica, onde os incendi\u00e1rios se disfar\u00e7am de bombeiros por alguns dias\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Este ano, as ONGs internacionais propuseram 15 candidatos para os dois pr\u00eamios da vergonha. Entre eles est\u00e3o Glencore Xstrata e Basf, como representantes da ind\u00fastria da extra\u00e7\u00e3o, produtores de praguicidas e a GAP, empresa de vestu\u00e1rio que ficou com o pr\u00eamio do j\u00fari. \u201cConcedemos esta vergonha \u00e0 GAP por suas monstruosas e pouco sinceras pr\u00e1ticas comerciais, que s\u00e3o obst\u00e1culos para acordos juridicamente vinculantes para melhorar substancialmente as condi\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d de seus empregados, afirmou o diretor-executivo do Greenpeace Internacional, Kumi Naidoo, em nome do J\u00fari.<\/p>\n<p>A Gap n\u00e3o estava presente para receber o pr\u00eamio. Em seu lugar o receberam Kalpona Akter, do Centro de Bangladesh de Solidariedade com os Trabalhadores, e Liana Foxvog, do F\u00f3rum Internacional para os Direitos Trabalhistas (ILRF). Akter, uma ativista de base implac\u00e1vel, foi no passado oper\u00e1ria t\u00eaxtil de roupa infantil. \u201cCosturava roupas para as empresas milion\u00e1rias e ganhava menos de US$ 10 por m\u00eas por 450 horas de trabalho\u201d, afirmou. Atualmente, o sal\u00e1rio m\u00ednimo em Bangladesh chega a US$ 68 mensais. \u201cPela infla\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 muito mais do que eu costumava receber\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Contudo, sua principal preocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o os baixos sal\u00e1rios. \u201cQuando os trabalhadores reclamam pelos riscos de seguran\u00e7a, n\u00e3o s\u00e3o ouvidos\u201d, pontuou. H\u00e1 tr\u00eas anos, 29 oper\u00e1rios morreram em uma das f\u00e1bricas fornecedoras da GAP em Bangladesh. Depois dessa trag\u00e9dia, organiza\u00e7\u00f5es sindicais e trabalhistas negociaram com a empresa transnacional para acabar com a mortandade em constante crescimento na ind\u00fastria do vestu\u00e1rio. No total, 1.129 trabalhadores bengali morreram em inc\u00eandios em f\u00e1bricas de roupas no ano passado.<\/p>\n<p>Em um comunicado de imprensa a GAP afirma ser membro fundador da Alian\u00e7a para a Seguran\u00e7a dos Trabalhadores de Bangladesh. \u201cEsta organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um compromisso s\u00e9rio, transparente e vinculante por parte de seus membros para realizar melhorias urgentes pela seguran\u00e7a dos trabalhadores em Bangladesh\u201d, afirma a nota.<\/p>\n<p>Para Fogvog, a Alian\u00e7a \u00e9 pouco mais que uma lavagem\u201d. A ativista se comprometeu a levar o pr\u00eamio diretamente \u00e0 sede da GAP na cidade de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos. \u201cN\u00e3o queremos que as empresas deixem nossos pa\u00edses. Queremos empregos\u201d, destacou Akter. \u201cQueremos empregos, mas devem ser postos de trabalho com dignidade. As corpora\u00e7\u00f5es mundiais devem deixar de lucrar com esse sistema de m\u00e3o dupla\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Um ter\u00e7o das 280 mil pessoas que participaram da vota\u00e7\u00e3o pela internet escolheu o gigante energ\u00e9tico Gazprom para o pr\u00eamio popular. N\u00e3o \u00e9 de surpreender, j\u00e1 que a empresa recebeu muita aten\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses. Em setembro, as for\u00e7as de seguran\u00e7a russas detiveram 28 ativistas do Greenpeace e dois jornalistas durante um protesto contra a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em sua plataforma mar\u00edtima Prirazlomnaya. No m\u00eas passado, a Gazprom se converteu na primeira companhia a extrair petr\u00f3leo no Oceano \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Segundo o Greenpeace, Prirazlomnaya n\u00e3o \u00e9, em absoluto, uma unidade de perfura\u00e7\u00e3o de vanguarda. Preocupa os ativistas n\u00e3o estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do p\u00fablico um plano de resposta convincente diante de um eventual vazamento de petr\u00f3leo em um dos ambientes mais extremos do mundo. A organiza\u00e7\u00e3o afirma que os m\u00e9todos tradicionais de limpeza que a Gazprom usa simplesmente n\u00e3o funcionariam em condi\u00e7\u00f5es geladas.<\/p>\n<p>A IPS pediu \u00e0 Gazprom para comentar o pr\u00eamio que ganhou por \u201cconduta empresarial irrespons\u00e1vel \u00e0 custa das pessoas e do meio ambiente\u201d. O porta-voz da empresa, Sergey Kupriyanov, n\u00e3o deu detalhes quanto a uma poss\u00edvel rea\u00e7\u00e3o, mas destacou que a companhia est\u00e1 plenamente comprometida com os padr\u00f5es ambientais mais elevados. \u201cPortanto, estamos muito surpresos pela decis\u00e3o dos jurados dos pr\u00eamios Public Eye, que, ao que parece, est\u00e1 motivado por inquietudes alheias \u00e0 ecologia\u201d, declarou \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O porta-voz disse que a plataforma foi projetada especificamente para climas hostis. \u201cAs t\u00e9cnicas de perfura\u00e7\u00e3o aplicadas evitam a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua subterr\u00e2nea e a mescla de res\u00edduos da perfura\u00e7\u00e3o e da produ\u00e7\u00e3o com \u00e1gua do mar\u201d, explicou o porta-voz \u00e0 IPS. \u201cOs planos de preven\u00e7\u00e3o e de resposta especialmente desenhados para vazamento de petr\u00f3leo garantem que a tripula\u00e7\u00e3o da plataforma esteja bem equipada para as situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Naidoo afirmou que sua organiza\u00e7\u00e3o considera realizar um chamado de boicote \u00e0 Gazprom e sua s\u00f3cia, Shell, que no ano passado recebeu outro pr\u00eamio da vergonha em Davos. \u201cNosso protesto pac\u00edfico no \u00c1rtico conscientizou muitos. Cerca de cinco milh\u00f5es de pessoas assinaram nossa campanha do \u00c1rtico e o melhor est\u00e1 por vir\u201d, indicou.<\/p>\n<p>Utilizar os pr\u00eamios Public Eye para conscientizar ainda mais as pessoas pode ser mais f\u00e1cil para as organiza\u00e7\u00f5es que se ocupam da Gap, j\u00e1 que sua base de consumidores difere muito da referente \u00e0 Gazprom. A roupa da Gap n\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para ningu\u00e9m, mas muitos dependem do petr\u00f3leo e do g\u00e1s da empresa russa.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel que as cr\u00edticas \u00e0 empresa energ\u00e9tica n\u00e3o sejam ouvidas. \u201cMas, mesmo Gazprom, Rosneft e Chevron n\u00e3o s\u00e3o completamente imunes \u00e0 press\u00e3o p\u00fablica\u201d, opinou Naidoo. E acrescentou que essas transnacionais ignoram que \u201cas rela\u00e7\u00f5es e a reputa\u00e7\u00e3o s\u00e3o um capital t\u00e3o importante para o sucesso quanto o capital convencional\u201d. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Davos, Su&iacute;&ccedil;a, 27\/1\/2014 &ndash; A norte-americana Gap e a russa Gazprom, duas gigantes do setor t&ecirc;xtil e energ&eacute;tico, respectivamente, foram agraciadas nesta cidade su&iacute;&ccedil;a com os temidos pr&ecirc;mios Public Eye (Olho P&uacute;blico) por sua falta de responsabilidade ambiental e social, enquanto a pouca dist&acirc;ncia acontecia o F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial. 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