{"id":171,"date":"2005-01-23T00:00:00","date_gmt":"2005-01-23T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=171"},"modified":"2005-01-23T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-23T00:00:00","slug":"direitos-humanos-genocida-na-guatemala-foragido-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-genocida-na-guatemala-foragido-internacional\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Genocida na Guatemala &eacute; foragido internacional"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 23\/01\/2005 &ndash; Em 1980, ordenou que retirassem um ferido do hospital para espanc&aacute;-lo, execut&aacute;-lo e jogar seu corpo na rua. Tinha um centro de torturas em sua casa e organizava esquadr&otilde;es da morte. Trata-se do ex-ministro guatemalteco Donaldo Alvarez, foragido internacional. O ex-ministro do Interior, acusado de cometer e ordenar horrendos crimes entre 1978 e 1982, viveu sem sobressaltos os &uacute;ltimos 22 anos no M&eacute;xico, com resid&ecirc;ncia legal e quase despercebido. Mas, este m&ecirc;s, passou a ser perseguido pela Justi&ccedil;a, por uma ordem de pris&atilde;o internacional do juiz espanhol Fernando Grande-Marlaska, que pediu sua extradi&ccedil;&atilde;o ao M&eacute;xico pelos assassinatos de sete cidad&atilde;os espanh&oacute;is na Guatemala.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;Cremos que Alvarez ainda est&aacute; nesse pa&iacute;s protegido pelo c&iacute;rculo de familiares e gente de certo poder que construiu nos &uacute;ltimos anos&quot;, disse &agrave; IPS o guatemalteco Emilio Godoy, um dos porta-vozes no M&eacute;xico da Funda&ccedil;&atilde;o Rigoberta Mench&uacute;. Alvarez fugiu de sua casa na capital mexicana antes que o M&eacute;xico recebesse o pedido formal de deten&ccedil;&atilde;o. Grupos humanit&aacute;rios acusaram o governo mexicano de neglig&ecirc;ncia pela fuga do acusado, o primeiro repressor guatemalteco dos anos 70 e 80 contra quem h&aacute; um pedido de pris&atilde;o. Mas, o secret&aacute;rio do Interior do M&eacute;xico, Santiago Creel, garantiu que a fuga aconteceu muito antes da chegada da peti&ccedil;&atilde;o oficial enviada pela Justi&ccedil;a espanhola.<\/p>\n<p> A Funda&ccedil;&atilde;o Rigoberta Mench&uacute;, que em 1999 apresentou junto com as v&iacute;timas da repress&atilde;o uma queixa contra ex-funcion&aacute;rios guatemaltecos perante tribunais espanh&oacute;is, mant&eacute;m contatos de &quot;primeiro n&iacute;vel&quot; com funcion&aacute;rios mexicanos para acompanhar o caso de Alvarez, disse Godoy. H&aacute; estreita colabora&ccedil;&atilde;o, destacou. Suspeita-se que o ex-ministro est&aacute; se movendo por diferentes lugares do M&eacute;xico, enquanto um grupo especial da pol&iacute;cia segue seu rastro. Se for detido, ser&aacute; levado a uma pris&atilde;o local onde aguardar&aacute; o processo de extradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Procedimento similar aconteceu com rela&ccedil;&atilde;o ao ex-repressor argentino Ricardo Miguel Cavallo, que foi extraditado em junho de 2003 do M&eacute;xico para a Espanha, onde &eacute; julgado por crimes contra a humanidade cometidos durante a &uacute;ltima ditadura militar na Argentina (1975-1983). &Aacute;lvares &eacute; considerado um dos funcion&aacute;rios-chave na repress&atilde;o exercida por diversos regimes na Guatemala no contexto da guerra civil entre 1960 e 1996, com o saldo de 200 mil assassinatos (45 mil deles desaparecimentos) em m&atilde;os das for&ccedil;as de seguran&ccedil;a, em sua maioria ind&iacute;genas maias.<\/p>\n<p> Nesse per&iacute;odo foram registrados tamb&eacute;m um milh&atilde;o de refugiados internos, 500 mil refugiados no M&eacute;xico e 250 mil meninos e meninas &oacute;rf&atilde;os da guerra. O ex&eacute;rcito aparece como respons&aacute;vel por arrasar 450 aldeias e cometer mais de 600 massacres. Todos estes fatos foram documentados pela Comiss&atilde;o de Esclarecimento Hist&oacute;rico, patrocinada pe&atilde; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Segundo esses documentos, a repress&atilde;o foi ordenada pelos militares que comandaram ditaduras, como Fernando Lucas Garc&iacute;a (1978-1982), Efra&iacute;n Rios Montt (1982-1983) e Oscar Mej&iacute;a (1983-1986). Entretanto, nenhum deles responderam perante a Justi&ccedil;a nem na Guatemala nem no exterior.<\/p>\n<p> Mas, os tr&ecirc;s s&atilde;o acusados no mesmo processo de Alvarez, iniciado em 1999. Do total de acusados, Alvarez e Lucas Garc&iacute;a s&atilde;o os &uacute;nicos que vivem fora da Guatemala. O primeiro no M&eacute;xico e o segundo na Venezuela. Embora a repress&atilde;o e a guerra civil tenham terminado a oito anos na Guatemala com a assinatura de acordos de paz, a Justi&ccedil;a desse pa&iacute;s n&atilde;o conseguiu levar para a pris&atilde;o nenhum dos chefes militares acusados de graves viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos, apesar dos v&aacute;rios processos abertos.<\/p>\n<p> As acusa&ccedil;&otilde;es de torturas, desaparecimentos, persegui&ccedil;&otilde;es e assassinatos de opositores guatemaltecos &eacute; conhecido por grupos humanit&aacute;rios. Por ordem de Alvarez, hoje com 73 anos, em janeiro de 1980 um inc&ecirc;ndio provocado p&ocirc;s fim &agrave; ocupa&ccedil;&atilde;o da embaixada da Espanha na Guatemala, ocupada por ativistas que denunciavam persegui&ccedil;&atilde;o pelo regime. Nessa ocasi&atilde;o morreram 36 pessoas, entre elas Vicente Mench&uacute;, pai de Rigoberta Mench&uacute;, premiada em 1992 com o Nobel da Paz, bem como v&aacute;rios espanh&oacute;is.<\/p>\n<p> Os testemunhos obtidos pelo juiz espanhol Grande-Marlaska indicam que um dos sobreviventes daquele inc&ecirc;ndio foi levado a um hospital com graves queimaduras. Horas depois, foi retirado por ordem do ent&atilde;o ministro para ser torturado e executado. Finalmente, seus restos foram jogados na sede de uma universidade p&uacute;blica. &quot;Alvarez &eacute; um dos piores repressores que j&aacute; existiu no mundo, merece as condena&ccedil;&otilde;es mais dr&aacute;sticas&quot;, disse &agrave; IPS Rigoberta Mench&uacute; dias depois de divulgada a ordem de pris&atilde;o, que colocou o ex-ministro na lista dos procurados pela pol&iacute;cia internacional, a Interpol. Depois da morte de Vicente Mench&uacute; na embaixada da Espanha, sua mulher, Juana, foi torturada e mais tarde seu filho, Victor, morreu assassinado.<\/p>\n<p> Outro testemunho a tribunais espanh&oacute;is afirmam que Alvarez tinha um centro de torturas em sua pr&oacute;pria casa e que organizou v&aacute;rios esquadr&otilde;es da morte. &quot;No dia 4 de dezembro de 1981, os patrulheiros de Xococ (grupo paramilitar ligado a Alvarez) e soldados portando la&ccedil;os e garrotes com ponta gritavam e disparavam, gritando para os homens sa&iacute;rem de casas. Eles os amontoaram, torturaram alguns cortando nariz e orelhas e jogando sal nas feridas&quot;, afirmou uma testemunha.<\/p>\n<p> Segundo acusa&ccedil;&otilde;es em atas o juiz que pediu a deten&ccedil;&atilde;o do ex-ministro, &quot;da detalhada leitura da longa e intensa documenta&ccedil;&atilde;o apresentada pelos denunciantes se infere com total clareza que os fatos cometidos pelos denunciados se encaminharam para o exterm&iacute;nio do povo maia&quot;. Os acusados agiram &quot;por meio da morte, da tortura e do terror como m&eacute;todos de execu&ccedil;&atilde;o&quot;, acrescenta. Apesar de os crimes mencionados cometidos por Alvarez serem muitos e variados, o requerimento judicial se restringe aos casos de sete espanh&oacute;is assassinados na Guatemala. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 23\/01\/2005 &ndash; Em 1980, ordenou que retirassem um ferido do hospital para espanc&aacute;-lo, execut&aacute;-lo e jogar seu corpo na rua. Tinha um centro de torturas em sua casa e organizava esquadr&otilde;es da morte. Trata-se do ex-ministro guatemalteco Donaldo Alvarez, foragido internacional. O ex-ministro do Interior, acusado de cometer e ordenar horrendos crimes entre 1978 e 1982, viveu sem sobressaltos os &uacute;ltimos 22 anos no M&eacute;xico, com resid&ecirc;ncia legal e quase despercebido. Mas, este m&ecirc;s, passou a ser perseguido pela Justi&ccedil;a, por uma ordem de pris&atilde;o internacional do juiz espanhol Fernando Grande-Marlaska, que pediu sua extradi&ccedil;&atilde;o ao M&eacute;xico pelos assassinatos de sete cidad&atilde;os espanh&oacute;is na Guatemala.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-genocida-na-guatemala-foragido-internacional\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-171","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}