{"id":17103,"date":"2014-01-28T13:41:13","date_gmt":"2014-01-28T13:41:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106844"},"modified":"2014-01-28T13:41:13","modified_gmt":"2014-01-28T13:41:13","slug":"a-despedida-dos-camicases","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/a-despedida-dos-camicases\/","title":{"rendered":"A despedida dos camicases"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106845\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/aviao.jpg\"><img class=\" wp-image-106845 \" alt=\"aviao A despedida dos camicases\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/aviao.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"A despedida dos camicases\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um avi\u00e3o camicase em exibi\u00e7\u00e3o no Museu da Paz dos Pilotos Camicases em Chiran, no Jap\u00e3o. Foto: Suvendrini Kakuchi\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Chiran, Jap\u00e3o, 28\/1\/2014 \u2013 Durante a Segunda Guerra Mundial os pilotos camicases se lan\u00e7avam em queda livre sobre embarca\u00e7\u00f5es inimigas com seus avi\u00f5es carregados de explosivos. Agora, um museu na localidade japonesa de Chiran pretende registrar as \u00faltimas cartas daqueles legend\u00e1rios atacantes suicidas como documentos pertencentes \u00e0 Mem\u00f3ria do Mundo da Unesco. O museu considera que estes registros s\u00e3o \u201csimb\u00f3licos\u201d com rela\u00e7\u00e3o ao compromisso do Jap\u00e3o com a paz.<\/span><\/p>\n<p>A medida de buscar reconhecimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) acontece em meio a cont\u00ednuas tens\u00f5es pol\u00edticas entre Jap\u00e3o e suas ex-col\u00f4nias da \u00c1sia oriental, China e pen\u00ednsula coreana, em torno de seu passado b\u00e9lico. Os pilotos suicidas foram uma for\u00e7a especial destinada a proteger seu pa\u00eds dos aliados ocidentais na fase final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Segundo dados oficiais, 1.036 camicases morreram.<br \/>\nNarradores contratados pelo Museu da Paz dos Pilotos Camicases os descrevem como jovens valentes que se sacrificaram para proteger o Jap\u00e3o das pot\u00eancias invasoras coloniais do Ocidente.<\/p>\n<p>\u201cAs \u00faltimas cartas escritas pelos camicases antes de decolarem mostram que n\u00e3o odiavam o inimigo e que s\u00f3 queriam servir ao seu pa\u00eds e proteger suas fam\u00edlias\u201d, explicou Satoshi Yamaki, o curador da mostra. \u201cRegistrar suas mensagens como documento mundial \u00e9 reconhecer sua valentia e o compromisso do Jap\u00e3o de nunca voltar a entrar em uma guerra. Suas cartas simbolizam o compromisso do Jap\u00e3o com a paz\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Yamaki dirige o Museu da Paz dos Pilotos Camicases, inaugurado em 1988, localizado entre as silenciosas colinas verdes de Chiran, na prefeitura de Kagoshima, na ilha de Kyushu. Em Chiran funcionou uma pista de onde os camicases decolaram em 1944 para se chocarem com os navios dos Estados Unidos que se aproximavam de Okinawa. Esta ilha foi o local onde o Jap\u00e3o travou a \u00fanica batalha em terra antes da rendi\u00e7\u00e3o japonesa, em 15 de agosto de 1945.<\/p>\n<p>\u201cAdeus. Te desejo apenas felicidade\u201d, escreveu o capit\u00e3o Toshio Anazawa, de 23 anos, \u00e0 sua namorada. \u201cEsque\u00e7a o passado. Viva o presente\u201d, disse em sua carta o tenente Aihana Shoi Heart.<\/p>\n<p>Financiado pelo governo local de Kyushu Sul, o Museu recebe mais de 700 mil visitantes por ano. A iniciativa de recuperar as hist\u00f3rias dos camicases, quase 70 anos depois de o Jap\u00e3o se render e se comprometer a ser uma na\u00e7\u00e3o de paz, simboliza os sentimentos e a permanente luta dos japoneses para assumir o fraturado passado b\u00e9lico de sua na\u00e7\u00e3o, afirmam analistas.<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria dos camicases \u00e9 tr\u00e1gica e valente, e h\u00e1 um anseio nacional de obter o reconhecimento mundial. Mas o duelo japon\u00eas se tornou cada vez mais sinistro em um contexto de explora\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do passado b\u00e9lico\u201d do pa\u00eds, afirmou Yoshio Hotta, especialista em rela\u00e7\u00f5es entre Jap\u00e3o e Estados Unidos.<br \/>\nA visita feita em dezembro pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, que reivindica um renovado nacionalismo, ao controvertido santu\u00e1rio de Yasukuni, onde se homenageia criminosos de guerra entre outros mortos, exp\u00f5e de maneira viva como o pa\u00eds continua patinando em seu dif\u00edcil passado.<\/p>\n<p>Abe declarou que foi \u201csimplesmente apresentar seus respeitos aos mortos de guerra do Jap\u00e3o\u201d e tamb\u00e9m para se comprometer a n\u00e3o travar uma noutra guerra, mas a visita provocou a condena\u00e7\u00e3o por parte dos l\u00edderes da China e da Coreia do Sul, que acusam o Jap\u00e3o de n\u00e3o se arrepender das agress\u00f5es cometidas na \u00c1sia no passado.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, o Jap\u00e3o ocupou o norte da China e se responsabiliza, entre outros excessos, pelo massacre de Nanking, uma localidade que, assegura-se, o ex\u00e9rcito japon\u00eas saqueou depois de matar pelo menos 250 mil de seus moradores, em 1937. A pen\u00ednsula coreana foi invadia de 1910 a 1945. O Jap\u00e3o imp\u00f4s uma lideran\u00e7a brutal, que incluiu a proibi\u00e7\u00e3o do idioma e da cultura locais. Durante a Segunda Guerra Mundial, dezenas de milhares de coreanos foram enviados para servir no ex\u00e9rcito japon\u00eas ou for\u00e7ados a trabalhar para empresas japonesas.<\/p>\n<p>O sistema das \u201cmulheres de consolo\u201d, principalmente jovens coreanas e tamb\u00e9m da Manchuria chinesa e de outras partes da \u00c1sia, usadas como escravas sexuais pelos soldados japoneses, continua sendo motivo de controv\u00e9rsia bilateral. A decis\u00e3o de Abe de visitar Yasukuni aumentou a tens\u00e3o entre Jap\u00e3o e China, que j\u00e1 se enfrentam por disputas territoriais. Os dois pa\u00edses reclamam a soberania sobre as ilhas Senkaku (segundo os japoneses) ou Daiyou (segundo os chineses), no oriente do Mar da China.<\/p>\n<p>Com reflexo atual de uma amargura hist\u00f3rica que persiste, no m\u00eas passado a Coreia do Sul cancelou uma reuni\u00e3o programada entre a sua presidente, Park Geun-hye, e Abe para discutir o assunto das mulheres de consolo. Os Estados Unidos tamb\u00e9m tomaram a medida sem precedentes de criticar a visita.<br \/>\nPor\u00e9m, os japoneses mais velhos recordam os camicases com rever\u00eancia. Sho Horiyama, de 91 anos, \u00e9 um ex-camicase que visita o Museu, em Chiran, todo m\u00eas de maio para homenagear seus colegas de outrora, e se sente frustrado pelo prolongado e indefinido enfrentamento com os vizinhos do Jap\u00e3o em torno da hist\u00f3ria da guerra.<\/p>\n<p>\u201cQuando ouvi que o imperador Hiroito declarou a rendi\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o em 15 de agosto (de 1945), chorei por n\u00e3o ter morrido por meu pa\u00eds\u201d, contou Horiyama \u00e0 IPS. \u201cPor que o Jap\u00e3o n\u00e3o pode estar orgulhoso dos camicases por seu incr\u00edvel sacrif\u00edcio?\u201d, questionou. Em 1945, ele tinha 22 anos e estava pronto para sua miss\u00e3o, que acabou abortada quando seu pa\u00eds foi derrotado.<\/p>\n<p>Durante a guerra morreram mais de um milh\u00e3o de japoneses, inclu\u00eddos 250 mil soldados, segundo estat\u00edsticas divulgadas pelo Minist\u00e9rio de Sa\u00fade e Bem-Estar.<br \/>\nTakeshi Kawatoko, de 86 anos, narrador no Museu, perguntou: \u201cPor acaso podemos n\u00e3o respeitar sua valentia e seu compromisso com seu pa\u00eds?\u201d. Os camicases representam uma qualidade t\u00edpica dos samurais japoneses, o de colocar a lealdade acima das necessidades pessoais, a qual est\u00e1 profundamente arraigada no imagin\u00e1rio coletivo nacional, disse \u00e0 IPS. \u201c\u00c9 isto o que desejo que o mundo entenda. Me entristece n\u00e3o poder explicar o passado \u00e0s gera\u00e7\u00f5es mais jovens, que cresceu praticamente desconhecendo as valentes a\u00e7\u00f5es de seus ancestrais\u201d, acrescentou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Chiran, Jap&atilde;o, 28\/1\/2014 &ndash; Durante a Segunda Guerra Mundial os pilotos camicases se lan&ccedil;avam em queda livre sobre embarca&ccedil;&otilde;es inimigas com seus avi&otilde;es carregados de explosivos. Agora, um museu na localidade japonesa de Chiran pretende registrar as &uacute;ltimas cartas daqueles legend&aacute;rios atacantes suicidas como documentos pertencentes &agrave; Mem&oacute;ria do Mundo da Unesco. 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