{"id":17105,"date":"2014-01-29T13:35:13","date_gmt":"2014-01-29T13:35:13","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106921"},"modified":"2014-01-29T13:35:13","modified_gmt":"2014-01-29T13:35:13","slug":"jornalismo-investigativo-avanca-entre-rigor-e-experimentacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/jornalismo-investigativo-avanca-entre-rigor-e-experimentacao\/","title":{"rendered":"Jornalismo investigativo avan\u00e7a entre rigor e experimenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106922\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/coling-2013-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-106922 \" alt=\"coling 2013 629x419 Jornalismo investigativo avan\u00e7a entre rigor e experimenta\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/coling-2013-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Jornalismo investigativo avan\u00e7a entre rigor e experimenta\u00e7\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os ganhadores do Pr\u00eamio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo, organizado pelo IPYS, durante o ato de entrega por ocasi\u00e3o da Confer\u00eancia Global de Jornalismo Investigativo, realizada no Rio de Janeiro entre 12 e 15 de outubro de 2013. Foto: Cortesia IPYS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lima, Peru, 29\/1\/2014 \u2013 O jornalismo investigativo de m\u00eddia convencional e digital vive tempos de pr\u00eamios e inusitado impacto social na Am\u00e9rica Latina. Significa que existe um auge deste g\u00eanero, favorecido pela internet? Tr\u00eas destaques do fen\u00f4meno exploraram para a IPS algumas respostas.<\/p>\n<p>Em um pr\u00e9dio silencioso, uma equipe de cinco jornalistas, um engenheiro de sistemas e um desenvolvedor web est\u00e3o afastados da reda\u00e7\u00e3o principal para trabalharem sem interrup\u00e7\u00e3o. A jornalista que dirige o grupo olha fixamente para o monitor de 23 polegadas de seu computador, enquanto move com firmeza o mouse com a m\u00e3o direita engessada. Parecer ter se acostumado a dominar a dificuldade.<\/p>\n<p>Trata-se de Giannina Segnini, chefe da Unidade de Investiga\u00e7\u00e3o e Intelig\u00eancia de Dados do jornal <i>La Naci\u00f3n<\/i>, da Costa Rica, que em novembro recebeu o pr\u00eamio Gabriel Garc\u00eda M\u00e1rquez de excel\u00eancia jornal\u00edstica, concedido pela Funda\u00e7\u00e3o para o Novo Jornalismo Iberoamericano, com sede na cidade colombiana de Cartagena.<\/p>\n<p>Segnini denunciou v\u00e1rios casos de corrup\u00e7\u00e3o e irregularidades que levaram \u00e0 pris\u00e3o ex-presidentes de seu pa\u00eds. Nos \u00faltimos anos, potencializou suas investiga\u00e7\u00f5es com bases de dados e um trabalho em equipe, com profissionais de outras disciplinas, em busca da verdade.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que abre oportunidades para os que querem aproveit\u00e1-la. N\u00e3o creio que exista um auge do jornalismo investigativo, mas um momento hist\u00f3rico para fazer bom jornalismo experimentando em m\u00faltiplas plataformas\u201d, opinou Segnini, em seu escrit\u00f3rio em San Jos\u00e9. H\u00e1 quatro meses, ela e sua equipe come\u00e7aram a mergulhar, contra o tempo, em mares de dados p\u00fablicos dos candidatos \u00e0s elei\u00e7\u00f5es gerais de 2 de fevereiro na Costa Rica.<\/p>\n<p>Usaram 32 fontes diferentes de dados p\u00fablicos (demandas judiciais, san\u00e7\u00f5es, neg\u00f3cios privados, contrata\u00e7\u00f5es com o Estado, entre outros) que cruzaram com uma lista de 340 candidatos com possibilidades de serem eleitos para a Presid\u00eancia, vice-presid\u00eancias ou Assembleia Legislativa. A s\u00e9rie de reportagens come\u00e7ou a ser publicada na terceira semana de janeiro sob o t\u00edtulo <i>Novotoaciegas<\/i>, com uma aplica\u00e7\u00e3o para que cada leitor possa buscar os antecedentes do candidato de seu interesse na edi\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>O experiente jornalista peruano Gustavo Gorriti \u2013 que recebeu diversos pr\u00eamios, entre eles o Mar\u00eda Moors Cabot, da Universidade de Col\u00fambia, nos Estados Unidos, em 1992 \u2013 reconheceu as possibilidades abertas pela internet e pela tecnologia. Ele ponderou que o que existe atualmente \u00e9 uma tremenda aposta de alguns jornalistas comprometidos nos meios tradicionais e \u201cesfor\u00e7os tit\u00e2nicos de sobreviv\u00eancia dos novos meios digitais\u201d que investigam. Contudo, destacou que o jornalismo investigativo ainda tem \u201cuma grande d\u00edvida\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFalta qualidade e quantidade\u201d, apontou Gorriti. H\u00e1 temas pendentes a serem investigados como \u201ca corrup\u00e7\u00e3o corporativa, o peso dos oligop\u00f3lios nas economias e o custo que os cidad\u00e3os t\u00eam de pagar por isso\u201d. Ele n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que pensa assim. \u201cH\u00e1 muito de jornalismo de filtragem. Algumas unidades de investiga\u00e7\u00e3o t\u00eam um golpe informativo filtrado por um interesse\u201d, disse Segnini.<\/p>\n<p>Precisamente por essa necessidade de melhorar os padr\u00f5es de qualidade deste of\u00edcio, Gorriti e outros jornalistas latino-americanos migraram para a plataforma digital, em meio \u00e0 crise que enfrentam alguns meios impressos pelo avan\u00e7o da internet e pela falta de rigor.<\/p>\n<p>Em 2010, Gorriti criou o portal de jornalismo de investiga\u00e7\u00e3o IDL-Reporteros, que faz parte de uma alian\u00e7a com outros meios digitais independentes de Argentina, Brasil, Chile, Col\u00f4mbia, El Salvador, Guatemala, M\u00e9xico e Nicar\u00e1gua. V\u00e1rios deles receberam pr\u00eamios e publicaram s\u00e9ries investigativas de grande impacto em seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Esses meios se mant\u00eam principalmente pela coopera\u00e7\u00e3o internacional. Seguem o modelo do portal ProPublica, que Paul Steiger criou nos Estados Unidos em plena crise financeira, quando v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds come\u00e7aram a reduzir as unidades investigativas.<\/p>\n<p>\u201cMesmo com todos esses esfor\u00e7os importantes, estamos longe de cumprir a miss\u00e3o de gerar reformas legais e culturais para que haja uma sociedade muito mais justa onde se possa combater a corrup\u00e7\u00e3o e os abusos. Isto n\u00e3o \u00e9 uma utopia, j\u00e1 ocorreu em outras \u00e9pocas da hist\u00f3ria\u201d, enfatizou Gorriti, na sede de seu portal na capital peruana.<\/p>\n<p>O jornalista acrescentou que o principal desafio desses novos meios \u00e9 sobreviver financeiramente, para depois crescer e chegar a uma audi\u00eancia maior. \u201cDedicar imensas energias, deixar a vida nisto, para ter um jornalismo de fachada? N\u00e3o \u00e9 a ideia. No longo prazo o jornalismo investigativo deve chegar de maneira direta a mais pessoas\u201d, afirmou Gorriti.<\/p>\n<p>No entanto, al\u00e9m dos desafios, h\u00e1 not\u00edcias que causam esperan\u00e7a. O Brasil mostra importantes avan\u00e7os por duas raz\u00f5es, \u201cpelo n\u00famero de boas investiga\u00e7\u00f5es feitas e porque uma porcentagem importante procede dos meios tradicionais de alguns Estados. H\u00e1 uma descentraliza\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou Gorriti.<\/p>\n<p>Mauri K\u00f6nig, jornalista brasileiro da <i>Gazeta do Povo<\/i>, do Estado do Paran\u00e1, e ganhador do pr\u00eamio Mar\u00eda Moors Cabot em 2013, garantiu que \u201cnunca antes houve tantas reportagens investigativas no Brasil com o financiamento dos jornais que agora est\u00e3o em crise\u201d. Isso permite que grupos de jornalistas com grande iniciativa e perseveran\u00e7a desenvolvam reportagens investigativas durante meses, e inclusive anos, com o financiamento das empresas onde trabalham.<\/p>\n<p>K\u00f6nig liderou essas equipes mais de uma vez. A mais recente foi quando demonstrou o desvio de dinheiro destinado ao funcionamento das delegacias no Paran\u00e1. A investiga\u00e7\u00e3o ficou em segundo lugar no Pr\u00eamio Latino-Americano de Jornalismo Investigativo 2013, organizado pelo Instituto de Imprensa e Sociedade (IPYS), promotor do jornalismo independente na regi\u00e3o, com apoio da organiza\u00e7\u00e3o Transpar\u00eancia Internacional.<\/p>\n<p>Gorriti integrou o j\u00fari que tamb\u00e9m deu o terceiro lugar a um trabalho de Segnini, em um dos pr\u00eamios entregues durante a Confer\u00eancia Global de Jornalismo Investigativo, realizada no Rio de Janeiro, em outubro. Em 2011, a <i>Gazeta do Povo<\/i> ficou em primeiro lugar nesse concurso, com uma investiga\u00e7\u00e3o dirigida pelo jornalista James Alberti, que demorou dois anos nesse trabalho e demonstrou a exist\u00eancia de um esquema milion\u00e1rio de desvio de recursos p\u00fablicos na Assembleia Legislativa do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>O jornal <i>Folha de S. Paulo<\/i>, um dos meios de comunica\u00e7\u00e3o mais influentes da Am\u00e9rica Latina, continua apostando no jornalismo investigativo apesar de j\u00e1 n\u00e3o vender o milh\u00e3o de exemplares di\u00e1rios como h\u00e1 alguns anos. K\u00f6nig destacou que, apesar da crise de leitores, a <i>Folha<\/i> enviou em 2013 uma equipe de jornalistas para fazer um trabalho de multim\u00eddia de quase um ano sobre a pol\u00eamica represa de Belo Monte, no Par\u00e1. Esse n\u00edvel de investimento n\u00e3o se compara com o que acontece em outros pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Segnini, o caminho \u00e9 os pr\u00f3prios jornalistas experimentarem novos modelos de neg\u00f3cios para tornar sustent\u00e1vel a investiga\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o eles que conhecem os limites \u00e9ticos. \u201cPrecisamente onde vejo mais fome e vontade de experimentar \u00e9 na Am\u00e9rica Latina, mais do que em qualquer outra parte do mundo\u201d, opinou. \u201cTem de haver alguma forma para isso ser sustent\u00e1vel. Me nego a crer que tenha que se viver da caridade. Algu\u00e9m tem de pagar pela democracia\u201d, argumentou a jornalista.<\/p>\n<p>Por sua vez, Gorriti acredita que alguns dos melhores profissionais encontrar\u00e3o a f\u00f3rmula para manter vivo o jornalismo de investiga\u00e7\u00e3o. E por isso considera importante a promo\u00e7\u00e3o de encontros entre os que se dedicam a buscar fundos para novos empreendimentos e os que sabem como fazer jornalismo. \u201cTemos que aprender uns com outros\u201d, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Lima, Peru, 29\/1\/2014 &ndash; O jornalismo investigativo de m&iacute;dia convencional e digital vive tempos de pr&ecirc;mios e inusitado impacto social na Am&eacute;rica Latina. Significa que existe um auge deste g&ecirc;nero, favorecido pela internet? Tr&ecirc;s destaques do fen&ocirc;meno exploraram para a IPS algumas respostas. 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