{"id":17106,"date":"2014-01-29T12:45:43","date_gmt":"2014-01-29T12:45:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=106918"},"modified":"2014-01-29T12:45:43","modified_gmt":"2014-01-29T12:45:43","slug":"obstaculos-aos-transgenicos-cedem-na-africa-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/obstaculos-aos-transgenicos-cedem-na-africa-do-sul\/","title":{"rendered":"Obst\u00e1culos aos transg\u00eanicos cedem na \u00c1frica do Sul"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_106919\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/sudafrica640.jpg\"><img class=\" wp-image-106919 \" alt=\"sudafrica640 Obst\u00e1culos aos transg\u00eanicos cedem na \u00c1frica do Sul\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/sudafrica640.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Obst\u00e1culos aos transg\u00eanicos cedem na \u00c1frica do Sul\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Apesar de Sophie Mabhena estar feliz com a pol\u00edtica sul-africana de promover a biotecnologia na agricultura, ativistas contra os transg\u00eanicos alertam que esta n\u00e3o necessariamente levar\u00e1 \u00e0 seguran\u00e7a alimentar. Foto: Busani Bafana\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Masopane, \u00c1frica do Sul, 29\/1\/2014 \u2013 Em uma propriedade familiar entre as colinas de Masopane, a 40 quil\u00f4metros de Pret\u00f3ria, Sophie Mabhena, de 35 anos, sonha alto com seus cultivos de milho geneticamente modificado. \u201cEste \u00e9 meu sonho, e sei que estou contribuindo para a seguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica do Sul\u201d, disse \u00e0 IPS. Por\u00e9m, aumenta o debate sobre a pol\u00edtica governamental de promover os cultivos transg\u00eanicos.<\/p>\n<p>A \u00c1frica do Sul lan\u00e7ou este m\u00eas uma nova estrat\u00e9gia de bioeconomia, que segundo o governo impulsionar\u00e1 o acesso p\u00fablico \u00e0 seguran\u00e7a alimentar, ao atendimento na \u00e1rea da sa\u00fade, a empregos e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o ambiental. A nova pol\u00edtica promove associa\u00e7\u00f5es multissetoriais e maior consci\u00eancia p\u00fablica sobre os benef\u00edcios da biotecnologia, inclu\u00eddo o uso de cultivos geneticamente modificados.<\/p>\n<p>Mabhena planta milho transg\u00eanico em parte da Fazenda Onverwaght, de 385 hectares, propriedade de sua fam\u00edlia, porque, segundo ela, com esse produto economiza por temporada US$ 218, que antes gastava no combate a pestes e ervas daninhas. \u201cCultivar milho reduziu meus custos com pesticidas e m\u00e3o de obra, mas os principais benef\u00edcios s\u00e3o os bons rendimentos e a renda derivada de cultivar essa variedade melhorada\u201d, contou. Nesta temporada ela espera colher at\u00e9 sete toneladas por hectare em sua propriedade.<\/p>\n<p>O milho de resist\u00eancia intr\u00ednseca aos insetos (Bt) \u00e9 cultivado na \u00c1frica do Sul h\u00e1 15 anos, apesar da oposi\u00e7\u00e3o dos ativistas contra os transg\u00eanicos. Os benef\u00edcios do milho geneticamente modificado dos quais fala Mabhena n\u00e3o s\u00e3o compartilhados por Haidee Swanby, pesquisadora do Centro Africano para a Biosseguran\u00e7a, que est\u00e1 na primeira linha das campanhas contra os alimentos transg\u00eanicos na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Swanby afirmou que a tecnologia transg\u00eanica se ajusta a um sistema de agricultura concentrada, que exige grandes volumes baseados em economias de escala, mas que n\u00e3o d\u00e1 meios de sustento ou alimentos saud\u00e1veis e acess\u00edveis para os sul-africanos comuns. \u201cPrecisamos dar um passo atr\u00e1s e olhar nosso sistema alimentar de modo integral e decidir qual sistema \u00e9 equitativo, ambientalmente sadio e que fornece alimentos nutritivos para todos\u201d, disse a pesquisadora \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO sistema no qual entram os organismos geneticamente modificados n\u00e3o pode fazer isso. Al\u00e9m do fracasso tecnol\u00f3gico \u2013 por exemplo, para o desenvolvimento de superervas e ervas resistentes \u2013, adotar essa tecnologia leva \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de poder, dinheiro e terras em m\u00e3os de pouqu\u00edssimos, e n\u00e3o necessariamente \u00e0 seguran\u00e7a alimentar\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Segundo Swanby, \u00e9 uma profunda ironia os reguladores terem deixado de lado a controvertida pesquisa sobre o milho transg\u00eanico realizada pelo professor Gilles-Eric S\u00e9ralini, da Universidade de Caen, na Fran\u00e7a, e, em troca, terem se baseado no que Swanby chama de \u201cuma ci\u00eancia muito escassa em mat\u00e9ria de detalhes e n\u00e3o avaliada por colegas\u201d.<\/p>\n<p>Um estudo de 2012 realizado por S\u00e9ralini e sua equipe de pesquisadores vinculou o milho transg\u00eanico com o c\u00e2ncer. Desde ent\u00e3o, o estudo foi desprezado por n\u00e3o cumprir os padr\u00f5es cient\u00edficos da Autoridade Europeia de Seguran\u00e7a Alimentar, respons\u00e1vel por avaliar o uso e a autoriza\u00e7\u00e3o de organismos geneticamente modificados.<\/p>\n<p>\u201cMuito raramente vemos informa\u00e7\u00e3o sobre quantos animais foram usados, durante quanto tempo, o que lhes deram para comer e exames completos dos resultados. Porque a pesquisa da Monsanto (empresa agr\u00edcola e fabricante de milho transg\u00eanico) n\u00e3o foi submetida ao mesmo tipo de an\u00e1lise que a de S\u00e9ralini?\u201d, perguntou Swanby.<\/p>\n<p>Um informe do Centro Africano para a Biosseguran\u00e7a, intitulado <i>\u00c1frica Bulliede to Grow Defective Bt Maize: The Failuer of Monsanto\u2019a MON 810 Maize in South Africa<\/i>, divulgado em outubro de 2013, estabelece que o milho Bt da Monsanto fracassou completamente na \u00c1frica apenas 15 anos depois de ter sido introduzido na agricultura comercial.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente, 24% dos sul-africanos v\u00e3o para a cama com fome, mas a ind\u00fastria da biotecnologia habitualmente usa o rendimento como um indicador de sucesso, e isto \u00e9 muito estreito e muito enganoso\u201d, opinou Swanby. O Centro afirma que modificar genes \u00e9 uma nova \u00e1rea da ci\u00eancia cuja sustentabilidade no longo prazo \u00e9 question\u00e1vel, e declara que a tecnologia Bt foi adotada na \u00c1frica do Sul antes que as autoridades tivessem a capacidade de regulament\u00e1-la adequadamente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Nompumelelo Obokoh, presidente da AfricaBio, uma organiza\u00e7\u00e3o biotecnol\u00f3gica com sede em Pret\u00f3ria, disse que a Lei de Organismos Geneticamente Modificados foi aprovada em 1997, e que antes disso os cultivos transg\u00eanicos estavam regulados pela Lei de Pestes Agr\u00edcolas. \u201cOs agricultores s\u00e3o empres\u00e1rios. Se \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ou pouco rent\u00e1vel cultivar milho Bt, por que quase 90% de nosso milho est\u00e1 baseado na biotecnologia? Se os agricultores sul-africanos viram que o milho transg\u00eanico \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil de manejar, por que n\u00e3o se apressaram a volta \u00e0s variedades de milho do passado?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Em 2011 e 2012 foram cultivados 2,3 milh\u00f5es e 2,9 milh\u00f5es de hectares, respectivamente, de transg\u00eanicos na \u00c1frica do Sul, tanto por produtores de pequena escala como comerciais.<\/p>\n<p>\u201cA seguran\u00e7a alimentar \u00e9 um direito fundamental, e a biotecnologia oferece uma das muitas solu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis\u201d, afirmou a presidente da AfricaBio. \u201cEmbora, sem d\u00favida, a \u00c1frica do Sul tenha seguran\u00e7a alimentar como pa\u00eds, ainda sofremos inseguran\u00e7a alimentar no \u00e2mbito das fam\u00edlias, devido \u00e0 carestia e \u00e0 magra renda. \u00c9 ali que a biotecnologia complementa e n\u00e3o compete com a agricultura convencional\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Jeffrey Smith, ativista contra os transg\u00eanicos e diretor-executivo do Instituto para a Tecnologia Respons\u00e1vel, disse \u00e0 IPS, por correio eletr\u00f4nico, que a combina\u00e7\u00e3o de cultivos geneticamente modificados tolerantes a herbicidas com o pr\u00f3prio uso de herbicidas est\u00e1 em conflito com a agricultura. Tamb\u00e9m citou o desvio de d\u00f3lares muito necess\u00e1rios para a pesquisa e o desenvolvimento de custosos transg\u00eanicos, afastando-os de tecnologias mais adequadas.<\/p>\n<p>\u201cOs defensores dos transg\u00eanicos tamb\u00e9m promoveram o mito de que a produtividade dos cultivos pode, por si s\u00f3, erradicar a fome\u201d, pontuou Smith, argumentando que nos \u00faltimos 14 anos informes importantes internacionais descrevem como a economia e a distribui\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais importantes para solucionar esse problema.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em novembro, a Academia Africana de Ci\u00eancias pediu urg\u00eancia aos governos do continente para investirem fortemente em biotecnologia, declarando que as ferramentas e os produtos potencializados por este m\u00e9todo podem ajudar a romper o ciclo da fome, da desnutri\u00e7\u00e3o e do subdesenvolvimento. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Masopane, &Aacute;frica do Sul, 29\/1\/2014 &ndash; Em uma propriedade familiar entre as colinas de Masopane, a 40 quil&ocirc;metros de Pret&oacute;ria, Sophie Mabhena, de 35 anos, sonha alto com seus cultivos de milho geneticamente modificado. &ldquo;Este &eacute; meu sonho, e sei que estou contribuindo para a seguran&ccedil;a alimentar na &Aacute;frica do Sul&rdquo;, disse &agrave; IPS. 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