{"id":17112,"date":"2014-01-30T13:12:36","date_gmt":"2014-01-30T13:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107002"},"modified":"2014-12-23T14:00:14","modified_gmt":"2014-12-23T14:00:14","slug":"novo-rosto-e-nova-vida-para-vitimas-do-cancro-oral-na-etiopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/novo-rosto-e-nova-vida-para-vitimas-do-cancro-oral-na-etiopia\/","title":{"rendered":"Novo rosto e nova vida para v\u00edtimas do cancro oral na Eti\u00f3pia"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_18291\" style=\"width: 561px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Yenenesh.jpg\"><img class=\"size-full wp-image-107003\" alt=\"In 2014,  Mozambique vaccinated 8,500 10-year-old girls against the human papilloma virus (HPV) that causes cervical cancer. Vaccination will gradually be extended nationwide. Credit: Mercedes Sayagues\/IPS\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Yenenesh.jpg\" width=\"551\" height=\"472\" title=\"In 2014,  Mozambique vaccinated 8,500 10-year-old girls against the human papilloma virus (HPV) that causes cervical cancer. Vaccination will gradually be extended nationwide. Credit: Mercedes Sayagues\/IPS\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Yenenesh Yigsaw (primeira \u00e0 direita) se recupera de sua \u00faltima cirurgia reconstrutiva. Foto: Nick Ashdown\/IPS<\/p><\/div>\r\n<strong>In 2014,  Mozambique vaccinated 8,500 10-year-old girls against the human papilloma virus (HPV) that causes cervical cancer. Vaccination will gradually be extended nationwide. Credit: Mercedes Sayagues\/IPS<\/strong>\r\n<p>Adis Abeba, Eti\u00f3pia, 30\/1\/2014 \u2013 \u00c9 dif\u00edcil dizer se Gelegay Tsegaye est\u00e1 sorrindo, j\u00e1 que uma prega de pele cobre metade de sua boca. Mas seus olhos brilham quando fala e sua voz ganha um tom de esperan\u00e7a. Est\u00e1 sentado em uma sala especial do Hospital Coreano de Adis Abeba, o centro de sa\u00fade mais moderno da Eti\u00f3pia. A delicadeza de Gelegay \u00e9 not\u00e1vel considerando o que sofre.<\/p>\r\n<p>Este agricultor de 34 anos, origin\u00e1rio de uma aldeia da regi\u00e3o et\u00edope de Gojam, \u00e9 um sobrevivente do cancro oral, ou noma, rara infec\u00e7\u00e3o que destroi as membranas mucosas da boca e outros tecidos. Quando tinha dois anos de idade, Gelegay come\u00e7ou a apresentar manchas negras no nariz, que rapidamente se espalharam para a boca. Recebeu tratamento rudimentar e a doen\u00e7a destruiu parte de seu rosto.<\/p>\r\n<p>O noma ocorre apenas entre meninos e meninas (com maior incid\u00eancia entre um e quatro anos de idade) das regi\u00f5es mais pobres do mundo, como as zonas rurais da \u00c1frica subsaariana e \u00cdndia. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade estima que h\u00e1 140 mil novos casos por ano. A causa principal da doen\u00e7a \u00e9 a pobreza.<\/p>\r\n<p>Segundo a Iniciativa Mundial Contra a Fome e pela Seguran\u00e7a Alimentar, do governo dos Estados Unidos, \u201ca Eti\u00f3pia \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres do mundo, com renda de US$ 471 por habitante\u201d. Esta organiza\u00e7\u00e3o afirma que 38,7% dos pouco mais de 80 milh\u00f5es de habitantes deste pa\u00eds do Chifre da \u00c1frica vivem abaixo da linha de pobreza. O noma s\u00f3 \u00e9 registrado nas aldeias mais pobres, onde a aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica inexiste. N\u00e3o h\u00e1 dados oficiais sobre a preval\u00eancia da doen\u00e7a na Eti\u00f3pia.<\/p>\r\n<p>A infec\u00e7\u00e3o pode acontecer quando uma crian\u00e7a pobre sofre um corte na bochecha. O ferimento infecciona e o noma se propaga rapidamente pelo rosto, causando a morte de 85% dos enfermos nos primeiros dez dias da doen\u00e7a. Os que sobrevivem ficam com partes do rosto mutiladas, e o sofrimento passa a ser psicol\u00f3gico. Desde que se curou, Gelegay n\u00e3o tem mais dor no rosto, mas ficou desfigurado e isso o incomoda diante de outras pessoas. \u201cCostumava ter muita vergonha quando interagia com os demais. Simplesmente me marginalizavam\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\r\n<p>Na Eti\u00f3pia os sobreviventes do noma n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 escola. Normalmente s\u00e3o isolados por sua comunidade, por seus familiares ou por eles mesmos, pois n\u00e3o se sentem c\u00f4modos em sociedade. Yenenesh Yigsaw \u00e9 uma jovem de 19 anos da regi\u00e3o de Tigray, e teve noma quando tinha dois anos. Ela n\u00e3o era muito consciente do estado de seu rosto at\u00e9 que foi para a escola. E ent\u00e3o deixou de ir. \u201cFoi minha decis\u00e3o. Odiava ser diferente dos meus amigos. Sempre tinha que andar escondendo o rosto, e era muito embara\u00e7oso\u201d, contou \u00e0 IPS.<\/p>\r\n<p>O m\u00e9dico Gersan Abera nunca havia visto um caso de noma antes. \u201cEm geral os pacientes simplesmente ficam em suas casas. Nem mesmo buscam tratamento tradicional\u201d, explicou \u00e0 IPS, acrescentando que muitas pessoas interpretavam a doen\u00e7a como um castigo de Deus. H\u00e1 poucos anos, Gelegay e Yenenesh souberam da exist\u00eancia da Facing Africa, organiza\u00e7\u00e3o beneficente com sede na Gr\u00e3-Bretanha que oferece cirurgias reconstrutivas gratuitas aos sobreviventes de noma na Eti\u00f3pia.<\/p>\r\n<p>A iniciativa foi criada h\u00e1 15 anos pelo brit\u00e2nico Chris Lawrence, ap\u00f3s ter experimentado o que descreve como \u201craiva pura\u201d contra esse mal. \u201cRaiva pelo fato de uma doen\u00e7a com esta, causada pela desnutri\u00e7\u00e3o e pobreza extrema, existir no s\u00e9culo 21\u201d, contou \u00e0 IPS. \u201cO noma n\u00e3o tem motivo de existir. Se for detectada em suas fases iniciais pode ser curada muito facilmente\u201d, com simples antibi\u00f3ticos que det\u00eam a infec\u00e7\u00e3o, afirmou. \u201cEntretanto, os pacientes morrem ou, quando os m\u00e9dicos os veem, j\u00e1 perderam metade do rosto\u201d, lamentou.<\/p>\r\n<p>A maioria dos moradores das zonas rurais da Eti\u00f3pia n\u00e3o tem acesso a antibi\u00f3ticos, e n\u00e3o h\u00e1 iniciativas espec\u00edficas do governo para enfrentar a doen\u00e7a. A infec\u00e7\u00e3o pode ser combatida com a moderniza\u00e7\u00e3o completa dos servi\u00e7os de sa\u00fade, bem como melhorando o saneamento e a nutri\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 o governo pode fazer. Entretanto, especialistas afirmam que a aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica melhorou significativamente desde que o governo lan\u00e7ou o Programa de Extens\u00e3o da Sa\u00fade em 2004-2005.<\/p>\r\n<p>\u201cEste programa aumentou maci\u00e7amente o acesso aos servi\u00e7os de sa\u00fade mais b\u00e1sicos e foi de grande ajuda para a redu\u00e7\u00e3o das taxas de mortalidade entre menores de cinco anos\u201d, ressaltou \u00e0 IPS o diretor da organiza\u00e7\u00e3o Care Etiopia, Garth Van\u2019t Hul. Gelegay j\u00e1 se submeteu a tr\u00eas cirurgias para reparar o dano no nariz e na boca, enquanto Yenenesh fez duas opera\u00e7\u00f5es na bochecha. Ambos afirmam que suas vidas melhoraram desde ent\u00e3o. Yenenesh tem mais amigos e as pessoas a tratam melhor. Gelegay afirmou que isso o ajudou a conhecer outros pacientes de noma. \u201cNo come\u00e7o estava muito surpreso, porque pensei que era o \u00fanico\u201d, contou. Envolverde\/IPS<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adis Abeba, Eti&oacute;pia, 30\/1\/2014 &ndash; &Eacute; dif&iacute;cil dizer se Gelegay Tsegaye est&aacute; sorrindo, j&aacute; que uma prega de pele cobre metade de sua boca. Mas seus olhos brilham quando fala e sua voz ganha um tom de esperan&ccedil;a. 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