{"id":17114,"date":"2014-01-31T12:43:09","date_gmt":"2014-01-31T12:43:09","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107075"},"modified":"2014-01-31T12:43:09","modified_gmt":"2014-01-31T12:43:09","slug":"chilenos-e-peruanos-se-afastam-de-conflitos-de-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/chilenos-e-peruanos-se-afastam-de-conflitos-de-estado\/","title":{"rendered":"Chilenos e peruanos se afastam de conflitos de Estado"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107076\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Chile-chica-629x416.jpg\"><img class=\" wp-image-107076 \" alt=\"Chile chica 629x416 Chilenos e peruanos se afastam de conflitos de Estado\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Chile-chica-629x416.jpg\" width=\"529\" height=\"316\" title=\"Chilenos e peruanos se afastam de conflitos de Estado\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">O peruano Juan Gonz\u00e1lez (esquerda) e o chileno Luis Monsalve se abra\u00e7am diante da banca de jornais do segundo, na Pra\u00e7a das Armas de Santiago do Chile, em uma fraternidade alheia \u00e0 quest\u00e3o lim\u00edtrofe binacional decidida pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Haia. Foto: Marianella Jarroud\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Santiago, Chile, 31\/1\/2014 \u2013 Juan Gonz\u00e1lez e Luis Monsalve t\u00eam origens distintas, mas muito em comum. Gonz\u00e1lez, um imigrante peruano de 40 anos, que h\u00e1 oito vive em Santiago, e Monsalve, chileno de 63, concordam que os conflitos lim\u00edtrofes nunca beneficiam os povos. Ambos viveram a expectativa gerada pela decis\u00e3o do Tribunal Internacional de Justi\u00e7a, em Haia, que acolheu parcialmente, no dia 27, os argumentos de Chile e Peru, mas que entregou milhares de quil\u00f4metros quadrados a Lima, que at\u00e9 agora estavam sob controle de Santiago.<\/p>\n<p>Na Pra\u00e7a de Armas de Santiago, onde ambos trabalham, unidades m\u00f3veis de televis\u00e3o, jornalistas e fot\u00f3grafos se instalaram nesse dia para registrar as rea\u00e7\u00f5es de chilenos e peruanos \u00e0 decis\u00e3o, que dirimiu um dos diferendos lim\u00edtrofes pendentes na Am\u00e9rica Latina. \u201cSe conseguiu um peda\u00e7o de mar que \u00e9 mais importante para os grandes dirigentes (autoridades) porque para n\u00f3s, chilenos e peruanos, n\u00e3o nos d\u00e1 nem um peixe\u201d, afirmou Gonz\u00e1lez, vendedor de comida peruana na Pra\u00e7a, ao conversar com a IPS, no dia 29.<\/p>\n<p>Para Monsalve, que possui uma banca de jornais na Pra\u00e7a, a quest\u00e3o \u201c\u00e9 um tema distante, porque nossos problemas reais se centram em como dar de comer \u00e0s nossas fam\u00edlias\u201d. A Pra\u00e7a \u00e9 o marco zero do Chile e o lugar onde habitualmente passeia grande parte dos 103.624 peruanos residentes, que comp\u00f5em a principal comunidade de emigrantes no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Tribunal fixou novos limites mar\u00edtimos bilaterais e concedeu ao Peru cerca de 22 mil quil\u00f4metros quadrados daquela que foi zona econ\u00f4mica exclusiva do Chile por mais de 60 anos. A senten\u00e7a, considerada salom\u00f4nica nas duas capitais, respeitou o chamado Marco 1 como o nascimento do paralelo demarcador da fronteira, pretendido por Santiago, cortou a linha na milha 80 e n\u00e3o nas 200 milhas, como desejava o governo chileno.<\/p>\n<p>A zona at\u00e9 agora em lit\u00edgio \u00e9 frequentada por cerca de 1.300 pescadores artesanais de anchova, utilizada principalmente para fazer farinha de pescado, mas \u00e9 controlada por um grande cons\u00f3rcio do Grupo Angelini, o terceiro mais poderoso do Chile.<\/p>\n<p>\u201cO Tribunal de Haia resguardou a pesca dos pescadores artesanais mas tamb\u00e9m a da grande ind\u00fastria, que explora o recurso at\u00e9, mais ou menos, a milha 60\u201d, disse \u00e0 IPS o economista Claudio Lara. \u201cPortanto, os interesses da pesca chilena, principalmente a empresarial, foram resguardados pela senten\u00e7a\u201d, disse o diretor de mestrado de economia da Escola Latino-Americana de Estudos de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Arcis.<\/p>\n<p>O Peru se declarou ganhador do processo que iniciou em 2008 com seu recurso a Haia, enquanto o Chile minimizou a perda ao dizer que o Tribunal reconheceu sua posi\u00e7\u00e3o de que os limites mar\u00edtimos estavam tra\u00e7ados. Enquanto o presidente do tribunal internacional, Peter Tomka, lia a senten\u00e7a inapel\u00e1vel na cidade holandesa de Haia, na Pra\u00e7a das Armas dezenas de imigrantes peruanos e cidad\u00e3os chilenos conversavam sobre suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>O Chile enfrentou a Bol\u00edvia e o Peru na sangrenta Guerra do Pac\u00edfico (1879-1883), na qual Lima perdeu as prov\u00edncias de Arica e Iquique, e a Bol\u00edvia perdeu a de Antofagasta. A guerra deixou o Peru sem a extens\u00e3o mar\u00edtima que reclamou em Haia, enquanto deixou a Bol\u00edvia sem sa\u00edda para o Oceano Pac\u00edfico, em um processo ainda a ser resolvido.<\/p>\n<p>Durante o conflito os soldados chilenos saquearam diferentes regi\u00f5es peruanas, incluindo Lima, roubaram valiosas obras de arte e livros, violaram mulheres e queimaram casas. Entretanto, 130 anos depois, Chile e Peru compartilham muito: s\u00e3o membros da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico (com Col\u00f4mbia e M\u00e9xico) e convivem em numerosos mecanismos regionais e internacionais. Al\u00e9m disso, os investimentos chilenos no Peru somaram US$ 13,6 bilh\u00f5es entre 1990 e 2013, e os investimentos peruanos no Chile US$ 8 bilh\u00f5es, segundo o escrit\u00f3rio do ProChile em Lima.<\/p>\n<p>Na zona de fronteira, centenas de milhares de pessoas dos dois pa\u00edses viajam livremente entre a chilena Arica e a peruana Tacna. Os chilenos v\u00e3o a hospitais de Tacna, onde o acesso \u00e0 sa\u00fade \u00e9 mais barato e o atendimento mais cordial, afirmam. Segundo o prefeito de Arica, Salvador Urrutia, cerca de cinco mil pessoas cruzam a fronteira diariamente, n\u00famero que triplica nos finais de semana.<\/p>\n<p>A cientista pol\u00edtica Francisca Quiroga, professora da governamental Academia Diplom\u00e1tica do Chile, acredita que, al\u00e9m da posi\u00e7\u00e3o dos Estados, \u201choje a sociedade se mobiliza, se gera maior mobilidade social e, portanto, se estabelece um olhar a partir de outros pontos de vista, e n\u00e3o apenas do Estado-na\u00e7\u00e3o\u201d. O discurso do inimigo externo hoje enfrenta uma sociedade que apresenta novas formas de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos.<\/p>\n<p>Para o peruano Gonz\u00e1lez a senten\u00e7a \u00e9 boa. \u201cFoi melhor assim, para n\u00e3o ficar lutando. Se tivessem dado mais um peda\u00e7o ao Peru, para os chilenos teria sido pior e a coisa poderia ficar mais s\u00e9ria\u201d, afirmou. \u201cFoi tudo normal, tranquilo. Havia diferentes opini\u00f5es, dos peruanos e nossas, mas nunca houve clima de \u00f3dio\u201d, pontuou Monsalve. Os dois concordam que a rela\u00e7\u00e3o entre chilenos e peruanos \u00e9 cordial. Convivem na Pra\u00e7a das Armas, onde se vende frutos e comidas do Peru.<\/p>\n<p>Quiroga disse que a cidadania avan\u00e7ou para outras formas de se relacionar, embora os Estados da regi\u00e3o se mantenham em uma postura sobre soberania bastante r\u00edgida. Como exemplo citou a Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul), que \u201cem seu tratado constitutivo mant\u00e9m o princ\u00edpio de soberania muito r\u00edgido, sustenta o princ\u00edpio de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e de defesa ao interior de cada na\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Chile e Peru, com sua pol\u00edtica de estrat\u00e9gias paralelas, estabeleceram um olhar pol\u00edtico-jur\u00eddico para a senten\u00e7a, sem tocar no econ\u00f4mico, acrescentou Lara, assegurando que desde o in\u00edcio do processo, em 2008, os chilenos investiram no Peru mais de US$ 8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No dia 29, em reuni\u00e3o bilateral durante a II C\u00fapula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Havana, os presidentes Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era, do Chile, e seu colega peruano, Ollanta Humala, acordaram implantar gradualmente a senten\u00e7a, em um clima cordial de vizinhan\u00e7a. Enquanto isso, em Santiago, Gonz\u00e1lez e Monsalve conversavam pela primeira vez, apesar de trabalharem a meio quarteir\u00e3o de dist\u00e2ncia. Nos pr\u00f3ximos dias, Luis vai comer na barraca de Juan, que disse que o receber\u00e1 com prazer. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Santiago, Chile, 31\/1\/2014 &ndash; Juan Gonz&aacute;lez e Luis Monsalve t&ecirc;m origens distintas, mas muito em comum. Gonz&aacute;lez, um imigrante peruano de 40 anos, que h&aacute; oito vive em Santiago, e Monsalve, chileno de 63, concordam que os conflitos lim&iacute;trofes nunca beneficiam os povos. 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