{"id":17115,"date":"2014-01-31T12:38:19","date_gmt":"2014-01-31T12:38:19","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107071"},"modified":"2014-01-31T12:38:19","modified_gmt":"2014-01-31T12:38:19","slug":"refugiados-nao-tem-como-escapar-do-frio-no-paquistao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/01\/ultimas-noticias\/refugiados-nao-tem-como-escapar-do-frio-no-paquistao\/","title":{"rendered":"Refugiados n\u00e3o t\u00eam como escapar do frio no Paquist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107073\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/paki6401.jpg\"><img class=\" wp-image-107073 \" alt=\"paki6401 Refugiados n\u00e3o t\u00eam como escapar do frio no Paquist\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/paki6401.jpg\" width=\"529\" height=\"314\" title=\"Refugiados n\u00e3o t\u00eam como escapar do frio no Paquist\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Refugiados que fogem do Talib\u00e3 e das opera\u00e7\u00f5es militares se esfor\u00e7am para preparar uma comida quente e assim manter o frio sob controle. Foto: Ashfaq Yusufzai\/IPSfugia<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Peshawar, Paquist\u00e3o, 31\/1\/2014 \u2013 Enquanto a temperatura cai a zero grau, um arrepio percorre as costas de gente como Rasool Kan, no acampamento de refugiados de Jalozai, no Paquist\u00e3o. Amontoados em barracas diminutas, com apenas uma cobertura de pl\u00e1stico sobre suas cabe\u00e7as, sem nada que lhes d\u00ea calor, passam noites sem dormir no amargo frio. \u201cMeus dois filhos est\u00e3o doentes do peito\u201d, contou \u00e0 IPS este homem de 44 anos, que vive no acampamento com dez familiares. \u201cJ\u00e1 est\u00e1vamos rodeados de muitos problemas, mas o tempo gelado tornou tudo mais prec\u00e1rio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O acampamento de Jalozai, com crescimento descontrolado, fica perto de Peshawar, em Jyber Pajtunjwa, onde vivem refugiados das vizinhas \u00c1reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), no norte do pa\u00eds. \u201cAs crian\u00e7as e os idosos est\u00e3o ficando doentes\u201d, disse Kan, que deixou sua casa na ag\u00eancia de Jyber em agosto de 2012. \u201cPermanecemos em barracas muito desgastadas, que n\u00e3o nos protegem do frio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em abril de 2012 o governo lan\u00e7ou uma opera\u00e7\u00e3o militar contra o movimento extremista talib\u00e3 na ag\u00eancia de Jyber, e cerca de 200 mil residentes fugiram e se refugiaram em Jalozai. O acampamento abriga 60.765 pessoas, de 12.580 fam\u00edlias. Como se deixar suas casas e ra\u00edzes para tr\u00e1s n\u00e3o bastasse, agora o inverno torna suas vidas ainda mais miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos afirmam que 90% dos habitantes do acampamento sofrem doen\u00e7as relacionadas com o frio, como congest\u00e3o respirat\u00f3ria, dor de garganta e febre. \u201cSua cont\u00ednua exposi\u00e7\u00e3o ao tempo seco e gelado, junto com a falta de g\u00e1s e lenha para se aquecer, os deixa \u00e0 merc\u00ea de um clima implac\u00e1vel. N\u00e3o tem como usar a \u00e1gua gelada\u201d, disse o m\u00e9dico Samiullah Kan. \u201cAs mulheres e as crian\u00e7as s\u00e3o os mais prejudicados. Entre 1\u00ba e 22 de janeiro examinamos 7.548 crian\u00e7as e 6.587 mulheres. O inverno rigoroso \u00e9 respons\u00e1vel por essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, enfatizou<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas ficaram particularmente adversas logo no in\u00edcio de 2014. Nos dias mais frios, 11 e 12 deste m\u00eas, foram registradas temperaturas de dois graus abaixo de zero. Dificilmente as barracas cobertas com pl\u00e1stico poderiam oferecer prote\u00e7\u00e3o contra semelhante inclem\u00eancia.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico Mahmood Ali, que trabalha no distrito de Bannu, perto do Wazirist\u00e3o do Norte, cita dados dessa ag\u00eancia para dizer que, \u201cal\u00e9m, de tosse, gripe e outras doen\u00e7as geradas pelo inverno, as pessoas tamb\u00e9m contra\u00edram enfermidades causadas pela m\u00e1 qualidade da \u00e1gua, com diarreia e disenteria\u201d. O frio faz cair a imunidade das pessoas, deixando-as mais vulner\u00e1veis \u00e0s doen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o de refugiados n\u00e3o tem uma prote\u00e7\u00e3o adequada\u201d, pontuou Ali Akbar, que chegou a Jalozai depois que as for\u00e7as armadas come\u00e7aram as opera\u00e7\u00f5es contra o Talib\u00e3 em sua ag\u00eancia natal, Bajaur, em 2008. No acampamento vivem 2.351 fam\u00edlias de Bajaur, uma das sete ag\u00eancias das Fata. O Comit\u00ea Nacional para Manejo de Desastres disse que 2,1 milh\u00f5es de pessoas abandonaram suas casas por causa da viol\u00eancia do Talib\u00e3 e das posteriores opera\u00e7\u00f5es militares nas Fata. Vivem em acampamentos ou casas alugadas em Jyber Pajtunjwa.<\/p>\n<p>Ghufrana Bibi, da ag\u00eancia do Wazirist\u00e3o do Sul, que chegou ao acampamento h\u00e1 dois anos, disse que seus sete filhos ficaram doentes. \u201cT\u00eam febre. Nos faltam cobertas e roupas adequadas, e n\u00e3o h\u00e1 eletricidade\u201d, detalhou Bibi, de 52 anos. Ela contou que perdeu o marido durante o bombardeio de 2011 e que ent\u00e3o seus filhos eram muito pequenos para trabalhar. \u201cDependemos das escassas instala\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do acampamento, porque n\u00e3o podemos pagar tratamentos privados\u201d, disse a mulher.<\/p>\n<p>Para a maioria, o al\u00edvio s\u00f3 chegar\u00e1 quando acabar o inverno boreal. \u201cN\u00e3o h\u00e1 esperan\u00e7a de assist\u00eancia m\u00e9dica. Nossa \u00fanica esperan\u00e7a \u00e9 que o tempo fique mais quente\u201d, disse Abdul Wadood, que est\u00e1 no acampamento desde 2011. Wadood, de 55 anos, diz que as pessoas v\u00e3o em grupos ver os m\u00e9dicos do acampamento a cada manh\u00e3.<\/p>\n<p>Os refugiados do distrito de Dera Ismail Kan, perto do Wazirist\u00e3o do Sul, enfrentam problemas semelhantes. \u201cAs pessoas chegam em grande n\u00famero ao nosso hospital por causa do frio severo. Prescrevemos medicamentos e pedimos para se manterem quentes, mas eles simplesmente n\u00e3o t\u00eam como\u201d, explicou o m\u00e9dico Abdul Malik, que trabalha no hospital distrital de Dera Ismail Kan. Os residentes do acampamento querem desesperadamente que a insurg\u00eancia acabe para poderem voltar \u00e0s suas aldeias ancestrais.<\/p>\n<p>\u201cA \u00fanica maneira de p\u00f4r fim aos nossos sofrimentos \u00e9 a repatria\u00e7\u00e3o para nossas aldeias. Precisamos de paz para voltarmos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel\u201d, disse \u00e0 IPS Shafique Afridi, que vive no acampamento de Jalozai. Ele tem 54 anos e era comerciante em Jyber, e conta que tinha uma prec\u00e1ria moradia de barro, mas ao menos protegia sua fam\u00edlia do frio. \u201cAqui n\u00e3o temos nada. Enfrentamos o inverno e o ver\u00e3o sem eletricidade. Na aldeia us\u00e1vamos lenha para nos aquecer, mas aqui n\u00e3o podemos fazer isso\u201d, lamentou.<\/p>\n<p>Faisal Kan, funcion\u00e1rio do acampamento, disse que foram distribu\u00eddos suprimentos de inverno. \u201cDemos a cada fam\u00edlia cinco mantas, duas colchas e cinco colch\u00f5es\u201d, afirmou. Entretanto, admite que, simplesmente, isso n\u00e3o foi suficiente. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Peshawar, Paquist&atilde;o, 31\/1\/2014 &ndash; Enquanto a temperatura cai a zero grau, um arrepio percorre as costas de gente como Rasool Kan, no acampamento de refugiados de Jalozai, no Paquist&atilde;o. 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