{"id":17120,"date":"2014-02-03T12:10:01","date_gmt":"2014-02-03T12:10:01","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107166"},"modified":"2014-02-03T12:10:01","modified_gmt":"2014-02-03T12:10:01","slug":"ajustes-cambiais-na-argentina-repercutem-na-relacao-com-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/ajustes-cambiais-na-argentina-repercutem-na-relacao-com-o-brasil\/","title":{"rendered":"Ajustes cambiais na Argentina repercutem na rela\u00e7\u00e3o com o Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107168\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/argentina-chica-629x472.jpg\"><img class=\" wp-image-107168 \" alt=\"argentina chica 629x472 Ajustes cambiais na Argentina repercutem na rela\u00e7\u00e3o com o Brasil\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/argentina-chica-629x472.jpg\" width=\"529\" height=\"372\" title=\"Ajustes cambiais na Argentina repercutem na rela\u00e7\u00e3o com o Brasil\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Os argentinos, como os que transitam pelas ruas centrais de Buenos Aires, est\u00e3o pendentes da cota\u00e7\u00e3o do peso e da possibilidade de economizar d\u00f3lares. Foto: Fabiana Frayssinet\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buenos Aires, Argentina, 3\/2\/2014 \u2013 Os ajustes na pol\u00edtica cambial da Argentina preocupam o Brasil e trazem consigo a necessidade de uma \u201cagenda\u201d positiva de integra\u00e7\u00e3o, destinada a compensar desequil\u00edbrios comerciais, em caso de repentinas mudan\u00e7as macroecon\u00f4micas que afetem um ou outro pa\u00eds. A palavra \u201cincerteza\u201d se estendeu na \u00faltima semana de janeiro pelo Mercado Comum do Sul (Mercosul), devido \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e da flexibiliza\u00e7\u00e3o do mercado de divisas da Argentina.<\/p>\n<p>O ministro da fazenda do Brasil, Guido Mantega, garantiu que a deprecia\u00e7\u00e3o do peso argentino, e uma consequente redu\u00e7\u00e3o de seu poder de compra, e n\u00e3o teria impacto na economia brasileira. Mas os especialistas temem que afetem suas exporta\u00e7\u00f5es. Afirmam que a uni\u00e3o aduaneira do Mercosul \u00e9 o espa\u00e7o para enfrentar o vai e vem econ\u00f4mico interno do Brasil, em especial Argentina, segunda economia do bloco, tamb\u00e9m formado por Paraguai, Uruguai e Venezuela.<\/p>\n<p>A Argentina \u00e9 o maior mercado para as exporta\u00e7\u00f5es manufatureiras brasileiras, com 20% das vendas ao exterior de seu setor de transforma\u00e7\u00e3o. Em termos globais, a Argentina foi o terceiro destino das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras em 2013, embora bem atr\u00e1s de China e Estados Unidos,<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o ser\u00e1 surpresa se este ano o Brasil registrar d\u00e9ficit no com\u00e9rcio bilateral com a Argentina, o que n\u00e3o acontece desde 2003\u201d, disse \u00e0 IPS o vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Com\u00e9rcio Exterior, Jos\u00e9 Augusto de Castro. \u201cO setor automobil\u00edstico \u00e9 o que mais sofrer\u00e1 porque concentrava at\u00e9 o ano passado 44% das exporta\u00e7\u00f5es do Brasil para a Argentina\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O governo da presidente Cristina Fern\u00e1ndez eliminou, desde o dia 27 de janeiro, a proibi\u00e7\u00e3o de adquirir d\u00f3lares para os poupadores, em vigor desde 2011, e reduziu os impostos sobre essa opera\u00e7\u00e3o, embora mantendo o requisito de declarar ao fisco a origem dos fundos. A flexibiliza\u00e7\u00e3o da chamada \u201carmadilha cambial\u201d foi adotada depois que o peso argentino teve desvaloriza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica nos \u00faltimos 12 anos e seu valor em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar caiu 11% em um s\u00f3 dia, no dia 24 de janeiro.<\/p>\n<p>O governo explicou que liberou o mercado de divisas quando a rela\u00e7\u00e3o com o d\u00f3lar atingiu um n\u00edvel adequado para suas contas internas. Por\u00e9m, Castro afirmou que tais medidas ser\u00e3o insuficientes para \u201cconter suas importa\u00e7\u00f5es\u201d, o que for\u00e7ar\u00e1 o governo de Fern\u00e1ndez a novas decis\u00f5es para limitar as compras no exterior. Diante de um ciclo de menor demanda internacional das mat\u00e9rias-primas, base da economia argentina, exporta\u00e7\u00f5es como as de trigo cair\u00e3o em quantidade e divisas, acrescentou. Isso tamb\u00e9m \u201cobrigar\u00e1 Buenos Aires a comprar menos\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O real tamb\u00e9m caiu 15% em 2013 em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar e poder\u00e1 cair mais este ano, arrastado pelo que ocorrer na Argentina. Neste pa\u00eds a divisa norte-americana valorizou 60% em rela\u00e7\u00e3o ao peso oficial no ano passado e em janeiro mais 35%. As perdas do Brasil \u201cno com\u00e9rcio com a Argentina ser\u00e3o maiores do que os benef\u00edcios da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real\u201d, pontuou Castro. A Argentina representa \u201cperdas concretas contra ganhos te\u00f3ricos da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real\u201d, destacou.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 ruim para o Brasil, mas era esperado\u201d, afirmou, por sua vez, a consultora brasileira da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, Sandra Rios. A tamb\u00e9m diretora do Centro de Estudos de Integra\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento considera que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real \u201ccompensa em parte\u201d as perdas da ind\u00fastria brasileira. Em termos globais, o com\u00e9rcio externo brasileiro ter\u00e1 em 2014 \u201cresultados melhores do que os de 2013\u201d, gra\u00e7as \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, \u201cmas uma melhora nada significativa\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Segundo Rios, o Mercosul \u201cj\u00e1 vinha sofrendo uma deteriora\u00e7\u00e3o que se agravou. N\u00e3o vejo mecanismos do bloco para lidar com a situa\u00e7\u00e3o. Enquanto a Argentina tenta seus ajustes dom\u00e9sticos, os demais s\u00f3cios tentar\u00e3o manter seus interesses\u201d. Diego Coatz, economista-chefe da Uni\u00e3o Industrial Argentina, disse \u00e0 IPS que ainda \u201c\u00e9 muito cedo para afirma\u00e7\u00f5es contundentes\u201d sobre a rela\u00e7\u00e3o com o Brasil. O panorama cambial argentino \u00e9 incerto e exige novas a\u00e7\u00f5es do governo, destacou.<\/p>\n<p>Coatz acrescentou que o que houve na Argentina \u201cn\u00e3o foi uma deprecia\u00e7\u00e3o competitiva em busca de gerar vantagens em particular no com\u00e9rcio, mas a resposta para um problema financeiro\u201d. A Argentina sofre vertiginosa queda de suas reservas de divisas, de aproximadamente US$ 23 bilh\u00f5es desde 2011. Isso, somado \u00e0s dificuldades para ter acesso ao cr\u00e9dito internacional ap\u00f3s a suspens\u00e3o de pagamentos de 2001, obrigou ao controle cambial em outubro de 2011.<\/p>\n<p>Os efeitos na balan\u00e7a bilateral \u201cest\u00e3o por se ver\u201d e tamb\u00e9m depender\u00e3o \u201cdo menor dinamismo da economia brasileira\u201d, apontou Coatz. Para o especialista argentino, este \u00e9 o momento oportuno para reabilitar \u201cuma agenda positiva\u201d na regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o competitiva e negativa, mas de complementaridade, com \u00eanfase na intera\u00e7\u00e3o produtiva\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil, com uma situa\u00e7\u00e3o financeira mais s\u00f3lida e maior apoio de reservas internacionais do que a Argentina, \u201ctem uma importante responsabilidade\u201d diante de seu principal s\u00f3cio comercial, para evitar que sua economia se ressinta. \u201cFortalecer a demanda da Argentina favorece o Brasil\u201d, ressaltou Coatz.<\/p>\n<p>Essa agenda de integra\u00e7\u00e3o mais profunda teria por objetivo balancear os desequil\u00edbrios comerciais quando a situa\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica de um dos membros do Mercosul pode afetar a produ\u00e7\u00e3o do outro. Os mecanismos de assist\u00eancia poderiam ser, por exemplo, financiar grandes obras de impacto na competitividade do Mercosul, em setores como infraestrutura e transporte, ou apoiar economias latino-americanas vinculadas ao grupo, por interm\u00e9dio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m poderiam ser inclu\u00eddas medidas como empr\u00e9stimos contingenciais do governo brasileiro para evitar que uma crise cambial afete a compra de seus produtos, ou uma linha de cr\u00e9dito para financiar as aquisi\u00e7\u00f5es por s\u00f3cios do Mercosul. Uma esp\u00e9cie de \u201cajudar o outro para ajudar a si mesmo\u201d que o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva chamou de \u201cgenerosidade\u201d em termos de coopera\u00e7\u00e3o Sul-Sul, que exigiria adiados mecanismos de di\u00e1logo e coordena\u00e7\u00e3o permanentes.<\/p>\n<p>Para Coatz a conjuntura cambial poderia ser a oportunidade para impulsionar uma integra\u00e7\u00e3o complementar, a partir do desenvolvimento produtivo de recursos naturais, como ferro e petr\u00f3leo, ou de infraestrutura de transporte e energia. \u201cIsso abre a oportunidade de gerar neg\u00f3cios conjuntos em grande escala\u201d, destacou.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o produtiva \u00e9 muito discutida no Mercosul, e foi tentada principalmente no setor automotivo, recordou Coatz. Mas o Brasil, com apoio do BNDES, avan\u00e7ou mais nessa integra\u00e7\u00e3o com o Peru e inclusive com Bol\u00edvia, Col\u00f4mbia e pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, do que com a Argentina. Passadas as crises conjunturais, ser\u00e1 preciso estabelecer uma explica\u00e7\u00e3o sobre os motivos e as mudan\u00e7as de rumos, afirmaram analistas entrevistados na Argentina e no Brasil.<\/p>\n<p><b>2014 turbulento, alerta o FMI<\/b><\/p>\n<p>O Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) alertou, no dia 30 de janeiro, que este ano ser\u00e1 de \u201cturbul\u00eancias\u201d financeiras e cen\u00e1rio \u201cvol\u00e1til\u201d para as economias latino-americanas, devido \u00e0 \u201cmodera\u00e7\u00e3o\u201d nos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas e ao \u201creequil\u00edbrio\u201d da China em seu papel de locomotiva mundial.<\/p>\n<p>O diretor do FMI para o Hemisf\u00e9rio Ocidental, Alejandro Werner, disse que o Brasil estar\u00e1 no grupo de pa\u00edses sul-americanos que, por serem \u201cgrandes exportadores de mat\u00e9rias-primas e abertos financeiramente\u201d, crescer\u00e3o quase 4%. Contudo, se ver\u00e3o particularmente restringidos pela falta de investimento, quase igual a 2013.<\/p>\n<p>A Argentina situa-se entre os que viver\u00e3o um cen\u00e1rio \u201cmenos favor\u00e1vel\u201d, por press\u00f5es como infla\u00e7\u00e3o, balan\u00e7a de pagamentos e situa\u00e7\u00e3o do mercado de c\u00e2mbio. Assegura-se que o peso argentino poderia ser alterado em seu valor pela paulatina retirada de est\u00edmulos monet\u00e1rios que est\u00e1 sendo executada pelo Federal Reserve dos Estados Unidos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>* Com colabora\u00e7\u00e3o de Mario Osava, do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Buenos Aires, Argentina, 3\/2\/2014 &ndash; Os ajustes na pol&iacute;tica cambial da Argentina preocupam o Brasil e trazem consigo a necessidade de uma &ldquo;agenda&rdquo; positiva de integra&ccedil;&atilde;o, destinada a compensar desequil&iacute;brios comerciais, em caso de repentinas mudan&ccedil;as macroecon&ocirc;micas que afetem um ou outro pa&iacute;s. 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