{"id":17121,"date":"2014-02-04T12:34:39","date_gmt":"2014-02-04T12:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107262"},"modified":"2014-02-04T12:34:39","modified_gmt":"2014-02-04T12:34:39","slug":"os-fantasmas-de-1914-rondam-china-e-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/os-fantasmas-de-1914-rondam-china-e-japao\/","title":{"rendered":"Os fantasmas de 1914 rondam China e Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107263\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Primera-guerra-mundial-tropas-inglesas-629x437.jpg\"><img class=\" wp-image-107263 \" alt=\"Primera guerra mundial tropas inglesas 629x437 Os fantasmas de 1914 rondam China e Jap\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/Primera-guerra-mundial-tropas-inglesas-629x437.jpg\" width=\"529\" height=\"337\" title=\"Os fantasmas de 1914 rondam China e Jap\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Soldados ingleses em uma trincheira durante a Primeira Guerra Mundial. Foto: Dom\u00ednio p\u00fablico<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 4\/2\/2014 \u2013 No ano do centen\u00e1rio do in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa est\u00e1 em paz. N\u00e3o h\u00e1 grandes disputas fronteiri\u00e7as. Os pa\u00edses integram um bloco econ\u00f4mico unificado em lugar de alian\u00e7as rivais. Mas seus fantasmas rondam de longe Jap\u00e3o e China.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 70 anos, o \u00fanico conflito armado na Europa ocorreu durante a desintegra\u00e7\u00e3o da Iugosl\u00e1via, na d\u00e9cada de 1990. Na Sarajevo atual, onde come\u00e7ou a Primeira Guerra Mundial, com o assassinato do arquiduque Francisco Fernando e cujos habitantes sofreram um ass\u00e9dio brutal, tudo est\u00e1 tranquilo.<\/p>\n<p>N\u00e3o ocorre o mesmo na \u00c1sia. O primeiro-ministro japon\u00eas, Shinzo Abe, comparou recentemente o conflito emergente entre seu pa\u00eds e a China com a rela\u00e7\u00e3o anglo-alem\u00e3 de 1914. Nos dois casos, ambos pa\u00edses mantiveram rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, inclusive enquanto fortaleciam suas for\u00e7as armadas. A rela\u00e7\u00e3o comercial entre Gr\u00e3-Bretanha e Alemanha n\u00e3o impediu a catastr\u00f3fica guerra.<\/p>\n<p>Jap\u00e3o e China t\u00eam uma longa hist\u00f3ria de conflitos. No s\u00e9culo 13, os mong\u00f3is da China tentaram invadir o Jap\u00e3o em duas ocasi\u00f5es e foram derrotados em ambas pelos camicases e apelos \u201cventos divinos\u201d de dois tuf\u00f5es. No final do s\u00e9culo 16, o Jap\u00e3o invadiu a Coreia, com o olhar voltado para a conquista da China, mas, finalmente, teve que se retirar.<\/p>\n<p>Na era moderna, os dois pa\u00edses foram \u00e0 guerra em 1894. Durou nove meses e o Jap\u00e3o tomou Taiwan como trof\u00e9u de guerra. Foi o come\u00e7o da ascens\u00e3o imperial japonesa. Mais tarde anexaria a Coreia, expandiria sua influ\u00eancia na China durante a Primeira Guerra Mundial, se apoderaria da Manch\u00faria e tomaria as principais cidades chinesas no per\u00edodo anterior \u00e0 Segundo Guerra Mundial (1939-1945).<\/p>\n<p>Os historiadores asi\u00e1ticos citam com frequ\u00eancia o prov\u00e9rbio chin\u00eas \u201cdois tigres n\u00e3o podem compartilhar uma montanha\u201d para analisar a luta pelo dom\u00ednio entre Jap\u00e3o e China nos \u00faltimos mil anos. Em sua maior parte, os dois tigres compartilharam o dom\u00ednio regional.<\/p>\n<p>O primeiro-ministro japon\u00eas expressou sua grande preocupa\u00e7\u00e3o pelo gasto militar chin\u00eas. Pequim aumentou seu or\u00e7amento de defesa em dois d\u00edgitos anuais nos \u00faltimos 20 anos, e \u00e9 o segundo pa\u00eds do mundo, atr\u00e1s dos Estados Unidos, que mais gasta com suas for\u00e7as armadas. Washington gasta cerca de quatro vezes mais. O Jap\u00e3o ocupa o quinto lugar no gasto militar por pa\u00eds. O governo de Abe anunciou este m\u00eas aumento de 5% no or\u00e7amento militar japon\u00eas nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n<p>A fa\u00edsca que desencadearia uma reedi\u00e7\u00e3o de 1914 na \u00c1sia \u00e9 o conflito atual por um pequeno arquip\u00e9lago das ilhas desabitadas no Mar da China Oriental, chamado Senkaku, em japon\u00eas, e Diaoyu, em chin\u00eas, que ocupam apenas sete quil\u00f4metros quadrados. T\u00f3quio controla atualmente o territ\u00f3rio e sua soberania sobre as ilhas remonta \u00e0 derrota da China em 1895. Mas Pequim afirma que o arquip\u00e9lago era parte de seu dom\u00ednio antes desse ano. Taiwan tamb\u00e9m reclama sua soberania.<\/p>\n<p>As ilhas s\u00e3o menos importantes do que o Mar \u00e0 sua volta. A Jap\u00e3o e China interessa principalmente a pesca, o potencial petroleiro sob suas \u00e1guas e o controle das rotas de navega\u00e7\u00e3o. Em 2008, os dois pa\u00edses negociaram um acordo sobre a explora\u00e7\u00e3o conjunta de petr\u00f3leo ao redor das ilhas, mas n\u00e3o chegaram a aplic\u00e1-lo. Houve colis\u00f5es no Mar, como a de 2010, entre um pesqueiro chin\u00eas e um barco-patrulha japon\u00eas, e T\u00f3quio amea\u00e7ou derrubar avi\u00f5es n\u00e3o tripulados chineses que se aproximassem das ilhas.<\/p>\n<p>A alus\u00e3o hist\u00f3rica a 1914 \u00e9 preocupante em outro sentido. A Europa, antes da Primeira Guerra, desfrutou de quase um s\u00e9culo de rivalidade latente como parte do Concerto da Europa, que regulava as rela\u00e7\u00f5es entre os imp\u00e9rios na esteira da derrota de Napole\u00e3o (1815).<\/p>\n<p>A disputa entre China e Jap\u00e3o ocorre de maneira semelhante dentro de um equil\u00edbrio de poder que se mant\u00e9m no nordeste da \u00c1sia, mais ou menos, desde o final da Guerra da Coreia (1950-1953). Na disputa, China e Coreia do Norte aparecem como aliados inc\u00f4modos, junto com a participa\u00e7\u00e3o ocasional da R\u00fassia, diante da alian\u00e7a entre Jap\u00e3o, Coreia do Sul e Estados Unidos.<\/p>\n<p>A Primeira Guerra se intensificou rapidamente porque as obriga\u00e7\u00f5es das alian\u00e7as empurraram as grandes pot\u00eancias para uma guerra. Os Estados Unidos mant\u00eam o compromisso de aliar-se ao Jap\u00e3o em caso de um choque com a China pelas ilhas Senkaku\/Diaoyu.<\/p>\n<p>Abe deu todos os ind\u00edcios de que n\u00e3o retroceder\u00e1 nesse tema. Cultiva a imagem de um nacionalista orgulhoso. Semeou essa reputa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds e provocou seus vizinhos com a visita, em 26 de dezembro, ao santu\u00e1rio Yasukuni, onde s\u00e3o honradas as almas de 14 criminosos de guerra. Abe se comprometeu a rever a \u201cconstitui\u00e7\u00e3o da paz\u201d de seu pa\u00eds e a restaurar uma verdadeira capacidade ofensiva das For\u00e7as de Autodefesa japonesas. Tamb\u00e9m impulsionou uma lei para estabelecer um Conselho de Seguran\u00e7a Nacional e controlar com maior rigor a dissid\u00eancia interna.<\/p>\n<p>Este nacionalismo segue junto com a estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a dos Estados Unidos, sem opor-se a ela. A visita de Yasukuni e o discurso mais duro contra a China n\u00e3o ca\u00edram bem em Washington, mas Abe, em outros aspectos, empreendeu uma ofensiva de sedu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao seu principal aliado. O aumento do or\u00e7amento militar inclui a compra de 28 avi\u00f5es de combate F-35 e dois destr\u00f3ieres equipados com sistemas Aegis.<\/p>\n<p>Uma promessa cuidadosamente calibrada de investimento econ\u00f4mico em Okinawa acabou com a oposi\u00e7\u00e3o do governador local \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma nova base militar norte-americana na ilha, que \u00e9 um ponto de atrito importante nas rela\u00e7\u00f5es entre os dois pa\u00edses. H\u00e1, de todo modo, muitas raz\u00f5es pelas quais 1914 n\u00e3o seria uma analogia adequada para a situa\u00e7\u00e3o atual no nordeste da \u00c1sia. O equil\u00edbrio da regi\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que ocorria na Europa h\u00e1 cem anos, n\u00e3o est\u00e1 amea\u00e7ado por imp\u00e9rios em decad\u00eancia.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de armas nucleares \u00e9 um obst\u00e1culo para a escalada e tamb\u00e9m uma garantia de que a guerra total teria consequ\u00eancias mundiais imediatas. E a experi\u00eancia da Primeira Guerra assegura que nenhum l\u00edder nacional possa pretender que o pr\u00f3ximo conflito ser\u00e1 a \u201cguerra que acabar\u00e1 com todas as guerras\u201d.<\/p>\n<p>Mas as guerras n\u00e3o s\u00e3o assuntos racionais. China e Jap\u00e3o avan\u00e7am para uma colis\u00e3o. Se n\u00e3o encontrarem uma maneira de dar marcha \u00e0 r\u00e9 e manter as apar\u00eancias, nem o conhecimento hist\u00f3rico nem o com\u00e9rcio m\u00fatuo evitar\u00e3o que a \u00c1sia se encaminhe para a loucura. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 4\/2\/2014 &ndash; No ano do centen&aacute;rio do in&iacute;cio da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a Europa est&aacute; em paz. N&atilde;o h&aacute; grandes disputas fronteiri&ccedil;as. Os pa&iacute;ses integram um bloco econ&ocirc;mico unificado em lugar de alian&ccedil;as rivais. Mas seus fantasmas rondam de longe Jap&atilde;o e China. 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