{"id":17122,"date":"2014-02-04T12:31:25","date_gmt":"2014-02-04T12:31:25","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107259"},"modified":"2014-02-04T12:31:25","modified_gmt":"2014-02-04T12:31:25","slug":"o-genero-conta-apos-um-desastre-no-caribe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/o-genero-conta-apos-um-desastre-no-caribe\/","title":{"rendered":"O g\u00eanero conta ap\u00f3s um desastre no Caribe"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107260\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/genero.jpg\"><img class=\" wp-image-107260 \" alt=\"genero O g\u00eanero conta ap\u00f3s um desastre no Caribe\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/genero.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"O g\u00eanero conta ap\u00f3s um desastre no Caribe\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um padre reza com Collen James em Cane Grove, em S\u00e3o Vicente e Granadinas. A irm\u00e3 de James morreu nas inunda\u00e7\u00f5es que atingiram este pa\u00eds na v\u00e9spera de Natal. Sua filha de dois anos ainda estava desaparecida. Foto: Desmond Brown\/IPS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 4\/2\/2014 \u2013 Os cada vez mais numerosos desastres naturais no Caribe, causados pela mudan\u00e7a clim\u00e1tica, afetam de forma diferente homens e mulheres, em grande parte devido aos pap\u00e9is de g\u00eanero constru\u00eddos pela sociedade. Embora seja certo que as mulheres s\u00e3o as que mais sofrem nestas situa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas que foquem em ajudar os homens, afirmou Elizabeth Riley, subdiretora-executiva da Ag\u00eancia Caribenha de Gest\u00e3o de Emerg\u00eancias por Desastres (CDEMA).<\/p>\n<p>\u201cNa regi\u00e3o do Caribe as discuss\u00f5es sobre os impactos de g\u00eanero se reduzem a falar sobre as mulheres\u201d, disse Riley \u00e0 IPS. No entanto, a experi\u00eancia com os desastres naturais indica que tamb\u00e9m s\u00e3o necess\u00e1rios programas de apoio psicossocial para os homens, ressaltou. Um informe preparado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), intitulado Refor\u00e7ando a Visibilidade de G\u00eanero no Manejo de Riscos de Desastres e a Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica no Caribe, tamb\u00e9m destaca essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O estudo indica que os homens caribenhos, em geral, n\u00e3o est\u00e3o preparados para enfrentar as consequ\u00eancias de um furac\u00e3o, e depois de sofrer um desastre s\u00e3o propensos a cair no alcoolismo ou sofrer estresse e ataques de raiva. Por outro lado, as mulheres respondem a esses desastres \u201cse ligando com todo o conceito de capital social, dependendo umas das outras, das liga\u00e7\u00f5es familiares e dos amigos\u201d, detalhou Riley. As mulheres se voltam a consolar os filhos, cozinhar para toda a comunidade e a \u201cestimular as pessoas a se recuperarem\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Outros informes indicam que os homens mostravam capacidade de resist\u00eancia diante dos desastres quando se dedicavam a construir moradias. Mas informes regionais revelam outras vulnerabilidades masculinas. Riley apontou que estudos mostram que \u201cos homens idosos s\u00e3o abandonados, incapazes de se alimentarem sozinhos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIsso est\u00e1 estreitamente ligado a uma cultura na qual os homens t\u00eam muitas mulheres (ao longo da vida) e quando ficam velhos n\u00e3o contam com capital social que os apoie\u201d, explicou Riley. \u201cEsse \u00e9 o resultado do papel socialmente constru\u00eddo dos homens como \u2018machos\u2019 que devem ter filhos com v\u00e1rias mulheres\u201d, afirmou. Em sua avalia\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica e social de 2004 sobre o dano causado pelo furac\u00e3o Iv\u00e3 em Granada, a Organiza\u00e7\u00e3o de Estados do Caribe Oriental declarou que \u201c69% das v\u00edtimas eram homens e que 70% de todos os falecidos tinham mais de 60 anos\u201d.<\/p>\n<p>Os homens t\u00eam maior probabilidade de sofrer danos f\u00edsicos em uma cat\u00e1strofe, pontuou Asha Kambon, conselheira sobre desastres naturais e seu impacto nos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. \u201cN\u00f3s, as mulheres, n\u00e3o somos t\u00e3o propensas a assumir riscos como os homens\u201d, acrescentou a especialista, que trabalhou por 20 anos na Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal).<\/p>\n<p>Embora geralmente morram mais mulheres do que homens em um evento clim\u00e1tico extremo, a diferen\u00e7a pode variar \u201cdependendo do ambiente e de outras circunst\u00e2ncias\u2019, disse Kambon \u00e0 IPS. Por exemplo, os seis mortos nas \u00faltimas inunda\u00e7\u00f5es em Santa L\u00facia, na \u00faltima semana de 2013, eram homens. A maioria tentava conduzir seus autom\u00f3veis apesar dos transbordamentos.<\/p>\n<p>Kambon tamb\u00e9m recordou que, em algumas das \u00faltimas inunda\u00e7\u00f5es que atingiram a Guiana, v\u00e1rios homens morreram de leptospirose por terem caminhado pelas \u00e1guas, enquanto nenhuma mulher sofreu esta doen\u00e7a. A especialista apontou que as guianesas tomaram os medicamentos recomendados e evitaram o contato com a \u00e1gua contaminada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os desastres naturais colocam uma carga especial sobre as costas das mulheres, de formas muito semelhantes \u00e0s experi\u00eancias em outras partes do mundo. No Caribe, as escolas e igrejas s\u00e3o os primeiros lugares que oferecem abrigo depois de uma cat\u00e1strofe natural. Isso aumenta a carga sobre as mulheres, disse Kambon, j\u00e1 que estas \u201cs\u00e3o respons\u00e1veis pelas crian\u00e7as e pelos idosos, e frequentemente as escolas n\u00e3o abrem rapidamente ap\u00f3s um desastre. Assim, elas t\u00eam de cuidar dessas crian\u00e7as e n\u00e3o podem sair em busca de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>Segundo o estudo <i>Tornando mais Seguros os Ambientes Perigosos<\/i>, da Divis\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Progresso da Mulher, \u201co trabalho dom\u00e9stico aumenta enormemente quando os sistemas de apoio, como a aten\u00e7\u00e3o infantil, escolas, cl\u00ednicas, o transporte p\u00fablico e as redes familiares s\u00e3o prejudicados ou destru\u00eddos\u201d.<\/p>\n<p>Muitas mulheres pobres no Caribe ocupam os n\u00edveis mais baixos da ind\u00fastria tur\u00edstica, e como os desastres afetam severamente o setor, muitas ficam desempregadas porque suas habilidades n\u00e3o s\u00e3o transfer\u00edveis, isto \u00e9, n\u00e3o podem ser usadas em outros empregos. \u201cOs homens conseguem entrar no mercado mais r\u00e1pido, porque as habilidades que possuem s\u00e3o transfer\u00edveis. Al\u00e9m disso, os homens t\u00eam algumas habilidades de constru\u00e7\u00e3o, e podem conseguir emprego nesses setores e receber um sal\u00e1rio\u201d, destacou Kambon.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres t\u00eam menos probabilidade de serem beneficiadas nos programas de \u201cdinheiro por trabalho\u201d, comumente implantados ap\u00f3s um desastre para reconstruir a infraestrutura de um pa\u00eds e oferecer emprego, observou Riley. Os homens t\u00eam a vantagem de possu\u00edrem maior for\u00e7a f\u00edsica para esses trabalhos. As caribenhas ficam relegadas \u00e0s suas casas, onde cuidam de familiares idosos, e por isso n\u00e3o podem ocupar postos nos programas de reconstru\u00e7\u00e3o. Talvez se pudesse implantar um programa de \u201cdinheiro por cuidados\u201d, opinou Riley, para garantir uma renda \u00e0s mulheres que cuidam de membros dependentes da comunidade.<\/p>\n<p>Kambon indicou que isto revela a import\u00e2ncia de conhecer a situa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na comunidade na hora de desenhar os programas de resposta aos desastres. \u201cA falta de conhecimento que t\u00eam os trabalhadores de ajuda sobre as desigualdades de g\u00eanero pode perpetuar os preconceitos e deixar a mulher em maior desvantagem na hora de ter acesso a medidas de al\u00edvio e a outras oportunidades e outros benef\u00edcios\u201d, diz o estudo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>Kambon tamb\u00e9m afirmou que ap\u00f3s os \u00faltimos desastres naturais na regi\u00e3o houve problemas sobre \u201ca seguran\u00e7a e integridade de mulheres e meninas\u201d, j\u00e1 que houve uma ruptura da ordem p\u00fablica. At\u00e9 as instala\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas apresentaram inconvenientes para as mulheres nos abrigos de emerg\u00eancia. \u201cO que era adequado para homes era completamente inadequado para mulheres em termos de limpeza, seguran\u00e7a, localiza\u00e7\u00e3o e acessibilidade\u201d, enfatizou a especialista. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Porto Espanha, Trinidad e Tobago, 4\/2\/2014 &ndash; Os cada vez mais numerosos desastres naturais no Caribe, causados pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, afetam de forma diferente homens e mulheres, em grande parte devido aos pap&eacute;is de g&ecirc;nero constru&iacute;dos pela sociedade. 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