{"id":17137,"date":"2014-02-06T12:24:43","date_gmt":"2014-02-06T12:24:43","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107446"},"modified":"2014-02-06T12:24:43","modified_gmt":"2014-02-06T12:24:43","slug":"o-caminho-de-damasco-a-moscou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/o-caminho-de-damasco-a-moscou\/","title":{"rendered":"O caminho de Damasco a Moscou"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107447\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/delegado.jpg\"><img class=\" wp-image-107447 \" alt=\"delegado O caminho de Damasco a Moscou\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/delegado.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"O caminho de Damasco a Moscou\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">Um delegado da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria em Genebra II. Foto: UN Photo\/Eskinder Debebe<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Genebra, Su\u00ed\u00e7a, 6\/2\/2014 \u2013 O peso de uma sa\u00edda negociada para a guerra civil na S\u00edria agora recai sobre as pot\u00eancias, Estados Unidos e R\u00fassia, que atuam nos bastidores desde que h\u00e1 tr\u00eas anos come\u00e7ou o conflito armado entre o regime de Bashar al Assad e a oposi\u00e7\u00e3o rebelde.<\/p>\n<p>Assim ser\u00e1 pelo menos at\u00e9 a pr\u00f3xima semana, enquanto s\u00e3o interrompidas as negocia\u00e7\u00f5es patrocinadas pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) ap\u00f3s o magro resultado da primeira rodada, encerrada no dia 31 de janeiro.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o se concentra em Moscou, que, apesar de apoiar desde o primeiro dia o governo de Assad, emite alguns sinais que abrem perspectivas diferentes. Washington, por outro lado, persiste em uma rejei\u00e7\u00e3o frontal ao regime de Damasco, sem o menor sinal de abertura. As \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es de seu secret\u00e1rio de Estado, John Kerry, mostraram um endurecimento e inclusive veladas amea\u00e7as de uso da for\u00e7a.<\/p>\n<p>O governo de Barack Obama teve que desistir dos planos de interven\u00e7\u00e3o armada na S\u00edria pelas obje\u00e7\u00f5es surgidas nos Estados Unidos e no plano internacional, e tamb\u00e9m pela repercuss\u00e3o da rejei\u00e7\u00e3o por parte do parlamento da Gr\u00e3-Bretanha, em outubro. Por sua vez, Moscou, que conseguiu flexibilizar a postura de Damasco em mat\u00e9ria de armas qu\u00edmicas, acesso da ajuda humanit\u00e1ria e eventuais cessar-fogos localizados, agora surpreende ao receber uma delega\u00e7\u00e3o das for\u00e7as opositoras a Assad.<\/p>\n<p>Uma miss\u00e3o de rebeldes s\u00edrios viajou para Moscou, no dia 4, a convite do governo russo, confirmou o porta-voz da coaliz\u00e3o, Louay Safi. Fontes russas disseram \u00e0 IPS que o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Serguei Lavrov, fez o convite quando encontrou, h\u00e1 duas semanas, dirigentes opositores s\u00edrios em Paris.<\/p>\n<p>\u201cAgora dependemos dos russos\u201d, disse Safi em um encontro com a imprensa no dia 31 de janeiro, ap\u00f3s finalizar a primeira rodada de oito dias das negocia\u00e7\u00f5es denominadas Genebra II. \u201cForam eles (os russos) que obrigaram o regime de Assad a vir aqui\u201d, acrescentou Safi. Os russos sabem quanto derramamento de sangue causou o regime com seus atos, que caem na categoria de crimes de guerra e de lesa humanidade, ressaltou.<\/p>\n<p>\u201cA R\u00fassia pressiona e n\u00f3s temos esperan\u00e7as de que convencer\u00e1 o chefe do regime a aceitar a solu\u00e7\u00e3o segura para todos os segmentos da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria e para o futuro do pa\u00eds, com sua sa\u00edda do poder\u201d, afirmou Safi. O afastamento de Assad \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o essencial apresentada pela coaliz\u00e3o opositora nas negocia\u00e7\u00f5es de Genebra II, iniciadas no dia 24 sob patroc\u00ednio da ONU.<\/p>\n<p>Sobre este ponto, o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, mediador designado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, afirmou que as duas partes reconhecem que um acordo deve incluir a quest\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o de governo transit\u00f3rio. Mas Brahimi tamb\u00e9m admitiu que nessa quest\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es mais importantes ainda est\u00e3o muito distantes.<\/p>\n<p>A coaliz\u00e3o opositora, que aposta todas suas cartas na sa\u00edda de Assad do governo, confia em uma gest\u00e3o da R\u00fassia sobre o assunto. Mas, \u201cse isso acontecer\u00e1 ou n\u00e3o, n\u00e3o posso prever\u201d, observou Safi. Em declara\u00e7\u00e3o \u00e0 televis\u00e3o russa na semana passada, Lavrov disse que o objetivo \u00e9 alcan\u00e7ar o mais r\u00e1pido poss\u00edvel um entendimento entre o governo e uma oposi\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel, secular e patri\u00f3tica, para que, junto com um acordo pol\u00edtico, ajude a combater os terroristas.<\/p>\n<p>Neste ponto, coincide com as posi\u00e7\u00f5es do governo de Assad, que atribui todos os desastres da S\u00edria ao surgimento de grupos militarizados extremistas procedentes de outros pa\u00edses isl\u00e2micos, vinculados \u00e0 rede Al Qaeda. A especialista em pol\u00edtica externa russa Natalia Narochnitskaya, disse \u00e0 IPS que \u201co regime de Assad nunca foi um regime dos anjos. Mas, com suas atrocidades, os fan\u00e1ticos que proclamam lutar pela liberdade cometeram cem vezes mais pecados do que o Estado de Assad\u201d.<\/p>\n<p>Narochnitskaya preside o Instituto da Democracia e da Coopera\u00e7\u00e3o, com sede em Paris, entidade mantida pelo governo russo, reconheceu. A especialista pontuou que \u201cos fan\u00e1ticos mu\u00e7ulmanos que chegaram \u00e0 S\u00edria de todo o mundo n\u00e3o lutam pela democracia\u201d. A primeira v\u00edtima ser\u00e1 a Europa, n\u00e3o a R\u00fassia, os pa\u00edses pr\u00f3ximos, como It\u00e1lia e Fran\u00e7a, que t\u00eam uma crescente popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmanas, afirmou<\/p>\n<p>Narochnitskaya negou que Moscou se mova por interesses geopol\u00edticos. \u201cN\u00e3o estamos encantados com o atual regime s\u00edrio, mas muito mais perigoso para a regi\u00e3o ser\u00e1 o desmembramento da S\u00edria. O que est\u00e1 em jogo \u00e9 muito mais do que a participa\u00e7\u00e3o em contratos petroleiros, ou seja l\u00e1 o que for\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Outro especialista em pol\u00edtica russa, Andr\u00e9 Liebich, ex-professor do Graduate Institute, disse que manter Assad no poder \u00e9 para a R\u00fassia a menos ruim de v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m ruins. Uma vit\u00f3ria dos rebeldes apoiados pelo Ocidente, um resultado cada vez menos prov\u00e1vel, seria para Moscou uma derrota em termos de prest\u00edgio e interesses locais, afirmou em uma declara\u00e7\u00e3o divulgada pelo Graduate Institute, um centro de ensino superior com sede em Genebra.<\/p>\n<p>Liebich considera que um triunfo dos isl\u00e2micos levaria o movimento jihadista \u00e0s portas da R\u00fassia e fortaleceria grupos semelhantes nas fronteiras meridionais russas. O \u00fanico raio de esperan\u00e7a para Moscou \u00e9 o Ocidente se aproximar de suas posi\u00e7\u00f5es, mas falta saber se isso significa que as duas partes podem coincidir em uma alternativa aceit\u00e1vel para Assad, ressaltou. Uma resposta poder\u00e1 ser conhecida quando as negocia\u00e7\u00f5es de paz forem reiniciadas, provavelmente no dia 10, tamb\u00e9m em Genebra. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 6\/2\/2014 &ndash; O peso de uma sa&iacute;da negociada para a guerra civil na S&iacute;ria agora recai sobre as pot&ecirc;ncias, Estados Unidos e R&uacute;ssia, que atuam nos bastidores desde que h&aacute; tr&ecirc;s anos come&ccedil;ou o conflito armado entre o regime de Bashar al Assad e a oposi&ccedil;&atilde;o rebelde. 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