{"id":17138,"date":"2014-02-07T12:58:40","date_gmt":"2014-02-07T12:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/envolverde.com.br\/?p=107521"},"modified":"2014-02-07T12:58:40","modified_gmt":"2014-02-07T12:58:40","slug":"estados-unidos-presenteiam-empresas-privadas-com-jazidas-de-carvao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2014\/02\/ultimas-noticias\/estados-unidos-presenteiam-empresas-privadas-com-jazidas-de-carvao\/","title":{"rendered":"Estados Unidos \u201cpresenteiam\u201d empresas privadas com jazidas de carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_107522\" style=\"width: 539px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/mining-truck-640-629x419.jpg\"><img class=\" wp-image-107522 \" alt=\"mining truck 640 629x419 Estados Unidos \u201cpresenteiam\u201d empresas privadas com jazidas de carv\u00e3o\" src=\"http:\/\/envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/mining-truck-640-629x419.jpg\" width=\"529\" height=\"319\" title=\"Estados Unidos \u201cpresenteiam\u201d empresas privadas com jazidas de carv\u00e3o\" \/><\/a><p class=\"wp-caption-text\">As licita\u00e7\u00f5es para a ind\u00fastria do carv\u00e3o preocupam ambientalistas nos Estados Unidos. Foto: Bigstock<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Washington, Estados Unidos, 7\/2\/2014 \u2013 O governo dos Estados Unidos viola pol\u00edticas federais de licita\u00e7\u00e3o quando outorga terras p\u00fablicas a certas empresas de minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, segundo indica uma nova auditoria. Essa irregularidade pode custar milh\u00f5es de d\u00f3lares aos contribuintes, al\u00e9m de dar impunidade \u00e0s empresas para degradarem a integridade ambiental da bacia do rio Powder, nos Estados de Wyoming e Montana, e para liberar gases-estufa em grande escala.<\/p>\n<p>As disposi\u00e7\u00f5es federais estipulam que o Escrit\u00f3rio de Ordenamento de Terras (BLM, federal) deve licitar as terras mediante um processo competitivo e transparente. Mas um relat\u00f3rio do Escrit\u00f3rio de Responsabilidade do Governo (GAO), divulgado no dia 4, conclui que esse processo n\u00e3o \u00e9 respeitado. Em 90% das 107 licita\u00e7\u00f5es de terras estudadas por esse \u00f3rg\u00e3o, houve apenas uma empresa ofertante.<\/p>\n<p>O GAO \u201coferece um convincente argumento de que o programa carece de integridade\u201d, disse \u00e0 IPS o diretor do Instituto de Economia Energ\u00e9tica e An\u00e1lise Financeira, Tom Sanzillo. \u201cComo nunca houve supervis\u00e3o independente em 30 anos de licita\u00e7\u00f5es federais, nenhuma delas foi revisada\u201d, acrescentou. Sanzillo identificou duas empresas, Arch Coal e Peabody Energy, como as principais benefici\u00e1rias das licita\u00e7\u00f5es da BLM.<\/p>\n<p>Cr\u00edticos dizem que a falta de um processo competitivo desvaloriza as licita\u00e7\u00f5es, reduzindo o ganho do governo, que acaba arrendando terras p\u00fablicas a pre\u00e7os menores. Um informe de junho passado do inspetor-geral do Departamento do Interior (ag\u00eancia reitora da BLM) alertava que os Estados Unidos perderam US$ 60 bilh\u00f5es devido \u00e0 subvaloriza\u00e7\u00e3o das licita\u00e7\u00f5es. Contudo, Sanzillo acredita que o n\u00famero \u00e9 muito maior.<\/p>\n<p>Em uma an\u00e1lise em resposta a esse estudo, o Sanzillo disse que o inspetor-geral n\u00e3o considerou as falhas metodol\u00f3gicas da BLM na hora de estabelecer o valor do carv\u00e3o p\u00fablico. O inspetor-geral \u201cidentifica ao menos tr\u00eas fragilidades no programa da BLM\u201d, segundo o especialista. \u201cN\u00e3o h\u00e1 uma verifica\u00e7\u00e3o independente da informa\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica e de engenharia. N\u00e3o h\u00e1 estimativas do ganho com as exporta\u00e7\u00f5es projetadas, e n\u00e3o s\u00e3o usados dados de vendas comparativos na hora de fixar os pre\u00e7os da licita\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os informes do GAO e do inspetor-geral indicam que a BLM n\u00e3o contemplou a renda gerada pela Arch e pela Peabody com a exporta\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o na hora de fixar o pre\u00e7o das minas, desvalorizando-os. A BLM n\u00e3o respondeu a tempo \u00e0s perguntas da IPS para essa mat\u00e9ria. \u201cEst\u00e3o dando de presente acesso federal a um pre\u00e7o muito abaixo do que deveria ser. Portanto, o governo federal, e particularmente os Estados de Wyoming e Montana, est\u00e3o sendo lesados\u201d, ressaltou Sanzillo.<\/p>\n<p>O GAO fez uma revis\u00e3o semelhante nas licita\u00e7\u00f5es da bacia do rio Powder em 1983. Na \u00e9poca, a ag\u00eancia descobriu que o governo perdia US$ 100 milh\u00f5es como resultado da subvaloriza\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es. Mas suas recomenda\u00e7\u00f5es nunca foram implantadas. O \u00faltimo informe do GAO recomenda que a BLM use mais de um m\u00e9todo para determinar o verdadeiro valor do carv\u00e3o, tendo em conta os ganhos gerados pela exporta\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m sugere que a ag\u00eancia desenvolva mecanismos de supervis\u00e3o e publique a informa\u00e7\u00e3o sobre a suas licita\u00e7\u00f5es em seu site.<\/p>\n<p>O Departamento do Interior avaliou essas recomenda\u00e7\u00f5es, mas Sanzillo diz que a BLM \u00e9 reticente em mostrar maior transpar\u00eancia. Al\u00e9m do custo econ\u00f4mico, a minera\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o tem um s\u00e9rio impacto ambiental na bacia do rio Powder, o que causa grande preocupa\u00e7\u00e3o entre moradores e organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas nacionais. A bacia se converteu em \u201cum dos mais significativos geradores de emiss\u00f5es de carbono nos Estados Unidos\u201d, alertou Kelly Mitchell, ativista em temas de clima e energia da organiza\u00e7\u00e3o Greenpeace.<\/p>\n<p>\u201cDas emiss\u00f5es de carbono norte-americanas, 13% procedem da bacia do rio Powder\u201d, disse Mitchell \u00e0 IPS. Teme-se que as emiss\u00f5es totais da regi\u00e3o continuem crescendo se a BLM continuar outorgando concess\u00f5es a mais mineradoras. \u201cH\u00e1 cerca de cinco bilh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o federal nessa \u00e1rea para serem licitadas\u201d, pontuou. \u201cSe esse carv\u00e3o for outorgado, vai liberar mais de 8,3 bilh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de di\u00f3xido de carbono, isto \u00e9, as emiss\u00f5es anuais de mais de 1,7 bilh\u00e3o de autom\u00f3veis\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O Conselho de Recursos da Bacia do Rio Powder, organiza\u00e7\u00e3o ambiental de Wyoming, pediu \u00e0 BLM que suspendesse as opera\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 que retifique suas falhas nos processos de licita\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o expressou preocupa\u00e7\u00e3o tanto pelas implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas como pelo dano ambiental. \u201cDefendemos que deve ser suspensa a licita\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o at\u00e9 serem abordados alguns dos impactos ambientais\u201d, afirmou Shannon Anderson, do Conselho.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 impactos gerados pela redu\u00e7\u00e3o da qualidade do ar, pela perda de \u00e1gua e pelo grande uso de nossos aqu\u00edferos, que s\u00e3o fontes prim\u00e1rias de \u00e1gua pot\u00e1vel. Vimos dr\u00e1sticas perdas de superf\u00edcie dispon\u00edvel para fins recreativos, como ca\u00e7a, trilha ou pastoreio\u201d, detalhou Anderson. Wyoming responde por 40% de todo o carv\u00e3o produzido nos Estados Unidos, e o governo federal \u00e9 propriet\u00e1rio de 85% do mineral que existe nesse Estado. Isto converte Wyoming em um dos Estados mais atraentes para a ind\u00fastria da energia na hora de procurar licita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 concess\u00e3o de terras p\u00fablicas para a ind\u00fastria aumentou nos \u00faltimos anos. O governo de George W. Bush (2001-2009) outorgou 41.600 hectares no Estado de Utah para a explora\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e g\u00e1s, o que desencadeou grande resist\u00eancia p\u00fablica. Segundo o GAO, 74% das concess\u00f5es de terras p\u00fablicas feitas para empresas de energia entre 2007 e 2009 foram questionadas pelo p\u00fablico dos Estados de Wyoming, Utah, Colorado e Novo M\u00e9xico.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2009, o governo de Barack Obama instruiu a BLM a n\u00e3o dar \u201cprefer\u00eancia ao desenvolvimento do petr\u00f3leo e do g\u00e1s acima de outros usos\u201d na hora de outorgar terras. Tamb\u00e9m come\u00e7ou a sugerir \u00e0 ind\u00fastria da energia quais terras eram mais adequadas para a minera\u00e7\u00e3o, perfura\u00e7\u00e3o ou fratura hidr\u00e1ulica (<i>fracking<\/i>), com o m\u00ednimo impacto ambiental. Por\u00e9m, parece que a ind\u00fastria est\u00e1 escolhendo as terras que mais conv\u00eam a elas, e as reformas n\u00e3o enfrentam a quest\u00e3o da subvaloriza\u00e7\u00e3o das licita\u00e7\u00f5es nem os temores pela degrada\u00e7\u00e3o ambiental na bacia do rio Powder e em outras \u00e1reas do pa\u00eds. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Washington, Estados Unidos, 7\/2\/2014 &ndash; O governo dos Estados Unidos viola pol&iacute;ticas federais de licita&ccedil;&atilde;o quando outorga terras p&uacute;blicas a certas empresas de minera&ccedil;&atilde;o de carv&atilde;o, segundo indica uma nova auditoria. 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